Postagens com o marcador varejo

Matéria sobre locutores de varejo com Claudio Moreira

locutorQuem nunca correu para aproveitar uma promoção relâmpago dentro de um supermercado? Aquele produto que por minutos exibe um preço irresistível, e que faz a alegria do orçamento doméstico.  Por trás deste trabalho existe sempre uma voz impostada de um profissional que, quando bem preparado, nos oferece benefícios e vantagens além de orientações e prestação de serviços.

Essas promoções mexem com os clientes, alguns saem da fila para aproveitar uma compra mais barata o que demonstra a necessidade de um procedimento correto, por parte do locutor. Mas como estabelecer procedimentos sem engessar um profissional que deve ser criativo e cativante?

É necessário rotinas e uma operação azeitada, atitudes como:

Rotinas diárias (veja algumas abaixo)

• Realize aquecimento vocal e alongamento.
• Verifique se o equipamento de som está em perfeito funcionamento.
• Verifique se as etiquetas estão passando pelo leitor ótico do caixa.
• Verifique se todos os produtos a ser anunciados existem no estoque.

Boas Práticas

1. Crie expectativas para as promoções de uma forma bastante atrativa, use suas habilidades de comunicador para excitar a imaginação do cliente.

• Por que é importante?

Existe uma técnica de marketing chamada teaser usada para chamar a atenção para um anúncio ou oferta, geralmente, uma pequena informação que leva o público a interrogar-se sobre a utilidade da promoção e despertando-lhe curiosidade pela explicação. Utilizar o teaser é uma das formas mais eficazes de manter o cliente atento às ofertas o tempo todo e despertar nele o desejo por consumir determinados produtos que originalmente poderiam não constar de sua lista de compras.

A Revista Gôndola da AMIS (Associação Mineira de Supermercados) publicou uma matéria intitulada “Acertando o passo (Locução e vendas)” sobre a importância do locutor, matéria que contou com a colaboração do Coordenador Geral do IGEC, Claudio Moreira. Para acessar, basta clicar no link abaixo de fazer o download.

http://www.portalamis.org.br/site/revista/revista_atual.aspx?idRevista=63

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Marca Própria – um conceito mal-compreendido

Por Noé Vaz*

marca propriaA marca própria ou, como pejorativamente já vi profissionais de MKT se referirem, marcas de supermercado (como se só este canal de varejo a praticasse!) durante muito tempo foi mal interpretada. Temos na nossa visão simplista e de senso comum, herdada e mantida por nossa Cultura Ocidental, a idéia da dualidade por oposição. Algo só pode ser bom com referência a algo que não é bom, ou numa melhor acepção, ruim!

Dentro desta visão dicotômica da nossa Sociedade Ocidental, vislumbramos as coisas dentro nesta visão simplista entre “certo e errado”, “bom e mau”, etc.

O fato é que o novo também sempre assusta; assim, quando do aparecimento das primeiras marcas próprias, ou marcas de distribuidor, ou seja lá o que se dissesse, elas foram demonizadas. Entretanto, em nome da verdade, é bom esclarecer algumas coisas:

Em primeiro lugar, as marcas próprias não são um fenômeno novo; elas existem desde o início do século, como nos fala Georges Chetochine[1]; Em segundo lugar, nem sempre representaram uma queda ou perda de qualidade em relação a um fabricante de qualidade; que o diga as marcas próprias de relógio da H. Stern ou da Amsterdam Sauer…

O que na verdade mudou foi apenas o entendimento, por parte dos distribuidores (sejam atacadistas ou varejistas) do grande poder que tinham nas mãos. Afinal, como o último elo da cadeia entre o consumidor e o fabricante, eram eles que detinham o conhecimento sobre o que realmente queria o consumidor. E é bem verdade que os varejistas já foram maltratados pelos grandes imperadores das marcas líderes e dominantes.

Na década de 80 e 90 começou um interessante movimento de concentração no varejo. Assim, naturalmente, eles assumiram um maior poder de negociação e ofereceram aos fabricantes que se recuperavam de uma grande recessão a opção de diminuir suas perdas, através da produção das marcas de varejistas.

A visão de “guerra’ estabelecida pelos imperadores das marcas líderes nunca se justificou plenamente, principalmente porque a peça mais importante do jogo – o consumidor – adotou o conceito de marca própria como uma alternativa plenamente justificável. E a marca do distribuidor era também fonte de lucro para este mesmo fabricante.

Mas a grande “sacada” dos profissionais de MKT do varejo não foi entrar nessa guerra ( afinal, como diz o ditado, quando um não quer, dois não brigam), mas simplesmente se ater a regra mais simples do MKT: entregar ao cliente exatamente o que ele queria !

Explicando melhor: quando estabelecemos o mix de produtos em uma loja, trabalhávamos com dois conceitos básicos; a marca-líder ( sempre ela !) e a marca de combate ( que briga por preço); era uma forma de atender ao consumidor orientado pela qualidade superior e aquele que se orientava pelo preço.

Muitos marketeiros “esqueceram” ou não se preocuparam com essa zona cinzenta entre os dois extremos; para cobrir este hiato, os fabricantes criaram as extensões de marca, etc., que serviram apenas para confundir o consumidor. Estava desta forma criado o ambiente para o sucesso da marca própria, que se posicionava como uma “intermediária” entre os dois extremos.

Independente do preconceito que se possa ter, nos países desenvolvidos a marca própria já detém cerca de 50% de share em diversos setores, e em mercados ditos periféricos (como o Brasil) vem crescendo ano após ano.

Que lição tiramos disso ? A mais óbvia de todas; por mais que se fale em modismos, tecnologia, etc., prevalece a regra mais elementar do MKT; entregar ao cliente aquilo que ele deseja. E se quisermos sofisticar um pouquinho mais, poderíamos dizer que não existe “vácuo” no mercado. Mais cedo ou mais tarde esta “zona intermediária” seria vista por alguém mais esperto como uma oportunidade a se conquistar.

[1] Chetochine, Georges – A derrota das Marcas; Rio de Janeiro; Makron Books, 1999

*Noé Vaz é coordenador da Pós-Graduação em Gestão do Varejo do IGEC 9http://www.igec.com.br/index.php/Cursos/gestao-do-varejo)