Artigos com o marcador Terceiro Setor
Conferência das Cidades discutirá sustentabilidade urbana
30/11/10
Comentários da Profa. Alda Marina*
A sustentabilidade das cidades será o eixo das discussões da 11ª Conferência das Cidades, que será realizada pela Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara, nos dias 7 e 8 de dezembro. O tema escolhido para 2010 foi “O futuro das cidades no novo contexto socioambiental” e tem o objetivo de apontar os problemas e propor soluções para que cidade e ambiente coexistam de forma harmônica.
Serão discutidas as conquistas e os novos desafios do Estatuto da Cidade; o planejamento e a execução da política urbana para as próximas décadas; e o aproveitamento adequado dos recursos naturais nas cidades brasileiras.
Nos dois dias de seminário serão realizados três painéis com dez palestras ministradas por pesquisadores e prefeitos. O primeiro painel apresentará um diagnóstico das cidades no mundo. Já o segundo tratará dos condicionantes para o desenvolvimento urbano e o enfrentamento das desigualdades no País. No terceiro painel, serão apresentadas as novas tendências para o planejamento urbano.
O deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA), autor do requerimento para a realização da conferência juntamente com os deputados Cássio Taniguchi (DEM-PR) e Ângela Amin (PP-SC), lembra que o principal objetivo do evento, realizado todos os anos desde 1999, é discutir medidas para a consolidação de políticas públicas para os municípios. “Trata-se de um momento de amplo debate com a sociedade. A conferência consegue fazer com que projetos que dificilmente avançariam sejam aprovados”, afirma Zezéu Ribeiro.
Resultados práticos
O parlamentar destaca que as dez edições anteriores tiveram resultados práticos positivos. Ele lembra que a primeira Conferência das Cidades, por exemplo, teve o mérito de reafirmar a importância jurídica do Estatuto das Cidades, cuja tramitação se estendeu por mais de uma década. Zezéu Ribeiro ainda lembrou o Fundo da Habitação de Interesse Social foi outro tema discutido e amadurecido nas conferências antes de virar lei.
“A própria ideia do desenho do Ministério das Cidades como existe hoje também foi resultado de discussões que surgiram na 4ª Conferência”, afirma. Zezéu ainda cita, entre os grandes temas e propostas oriundos ou fortalecidos nas conferências, a gestão dos resíduos sólidos. A edição deste ano, segundo ele, se reveste de uma importância adicional que é refletir sobre temas que serão encaminhados aos novos governantes do País.
Selo Cidade Cidadã
Neste ano, a Comissão de Desenvolvimento Urbano vai premiar projetos que estimulem a recuperação de áreas degradadas e propostas para enfrentar situações de risco, como enchentes e deslizamentos de encostas. Serão premiadas quatro cidades: duas com menos de 100 mil habitantes e outras duas mais populosas. Além do troféu, os municípios receberão o selo Cidade Cidadã, que vale por um ano e pode, por exemplo, facilitar financiamentos públicos.
No ano passado, foram premiados com o selo quatro municípios que adotaram projetos bem-sucedidos na área de mobilidade urbana. Na categoria dos municípios com até 100 mil habitantes foram premiadas as cidades Forquilhinha (SC) e Leme (SP). Na categoria dos municípios com mais de 100 mil habitantes foram premiadas Natal (RN) e Contagem (MG).
Comentário: Iniciativas como essa, tanto de premiação por boas práticas, quanto de integração entre setores (governo, sociedade civil, iniciativa privada), entre estados da federação, são muito ricas para gerar inovação, e gradativamente práticas mais sustentáveis.
Outras iniciativas vêm sendo conduzidas para discutir práticas e engajar os diferentes atores da sociedade para uma atuação em rede.
Um exemplo ocorreu nos dias 07 e 08 de outubro, quando a capital carioca sediou um evento entre personalidades e representantes de empresas e da sociedade civil no intuito traçar diretrizes para o Fórum Global pela Sustentabilidade, que acontecerá anualmente no Rio de Janeiro, iniciando em 2011. Em 2012, o evento será realizado um pouco antes da Conferência Internacional das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que lembrará os 20 anos da ECO-92.
Na coletiva de imprensa desse evento, o então Presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew, comentou que há várias empresas e instituições da sociedade civil que já adotam práticas sustentáveis capazes de fazer uma grande diferença, e que o momento é de juntar forças para acelerar este processo. “A escolha do Rio de Janeiro para sediar o fórum não foi por acaso. É aqui, com esta paisagem natural maravilhosa, que você morre de amores pelo planeta. E estamos aqui justamente para mostrar o que temos a perder se não tomarmos uma atitude”, ressaltou.
O propósito dos eventos será reunir anualmente líderes empresariais, sociais, ambientais, culturais, acadêmicos e governamentais de diversos países para dialogar, assumir compromissos, articular acordos, divulgar práticas e soluções voltadas para o desenvolvimento sustentável.
Cabe a cada um de nós estar conectado sobre eventos que são abertos à participação da sociedade e buscar conhecimento sobre como participar na sua própria função social.
*Alda Marina é professora da Pós-Graduação em Gestão Estratégica da Comunicação e do curso de Sustentabilidade, responsabilidade social empresarial e terceiro setor
Professoras Alda Marina e Marina Fernandes em Seminário sobre Sustentabilidade
08/10/10
Positiva e empolgante a participação das professoras Alda Marina e Marina Fernandes no seminário “O Cuidado, a Responsabilidade Corporativa e a Sustentabilidade”, na sede da AASP – 1º de outubro de 2010
O seminário abordou o cuidado, a responsabilidade corporativa e a sustentabilidade como facetas de um mesmo evento, o cuidado interferindo em nossa vida, tendo fundamental importância em tudo o que fazemos, seja na vida pessoal ou profissional.
Responsabilidade Social Empresarial foi apresentada como a “relação ética e transparente que a empresa utiliza na sua relação com seus stakeholders”. Pode-se entender RSE então como o caminho para sustentabilidade. Sustentabilidade, de acordo com John Elkington em seu livro Canibais de Garfo e Faca, pressupõe que a empresa busca a otimização dos resultados financeiros e agrega resultados sociais e ambientais, formando assim um triple bottom-line.
O tema sociedade sustentável foi citado na defesa de ações intersetoriais, pois, como foi levantado, o Terceiro Setor realiza mais com menos, muitas vezes onde o governo não consegue agir, ainda que com muito recurso. Há que se buscar a iniciativa privada com os recursos, o alcance do poder público e o 3o setor que chega a lugares onde o Estado não chega.
Para conhecer melhor o trabalho das professoras acesse: http://igec.com.br/pos-graduacao-detalhe.php?curso=15&turma=13
Abaixo as fotos do evento
Profas. Alda Marina e Marina Fernandes em seminário na AASP – Associação de Advogados de SP
22/09/10
As professoras Alda Marina e Marina Fernandes do curso Sustentabilidade, Responsabilidade Social Empresarial e Terceiro Setor convidam para o seminário
“O Cuidado, a Responsabilidade Corporativa e a Sustentabilidade”
Neste momento, de discussão por todos os setores sobre Sustentabilidade, sobretudo às vésperas da aprovação da minuta final da ISO 26.000, a nova norma de responsabilidade social, a AASP, o Instituto PARES e o IBDFAM reunirão instituições dos três setores para um conjunto de palestras visando à construção e disseminação de conhecimento junto profissionais de empresas, governo e terceiro setor, além de estudantes e acadêmicos.
O seminário reunirá profissionais que estão participando ativamente de um novo cenário de alianças intersetoriais no Brasil, e ocorrerá na AASP, localizada à Rua Álvares Penteado, 151, Centro, em São Paulo, em 1o de outubro de 2010, das 9h às 17h30, com acompanhamento também via internet, permitindo a interação em tempo real por participantes de todas as localidades.
As inscrições para participação presencial e a distância podem ser realizadas junto à AASP: http://www.aasp.org.br/aasp/cursos/crs_visualizar.asp?ID=7775
O evento não terá fins lucrativos, sendo cobrada a inscrição exclusivamente para a realização do evento.
PROGRAMA
ABERTURA – 9h
PALESTRA 1 – 9h30
“Evolução da Responsabilidade Socioambiental Corporativa no Brasil e no mundo e cenário futuro.” João Gilberto Azevedo dos Santos – Gerente de Comunicações e Mobilização – Instituto Ethos
PALESTRA 2 – 10h20
“A empresa como protagonista do desenvolvimento sustentável – casos práticos sobre a sustentabilidade como valor econômico.” Carlos Tilkian – Presidente da Brinquedos Estrela e Vice-Presidente do Conselho de Administração da Fundação Abrinq
PALESTRA 3 – 11h20
“Impactos e desafios com a implementação da norma ISO 26.000 a partir de 2011.” Andrea Santini – Inmetro / Especialista do Governo na Delegação Brasileira para a Elaboração da ISO 26.000
PALESTRA 4 – 14h
“Interação entre os setores para a construção de uma sociedade sustentável: caso Gerdau.”
Clódis Xavier – Gerente Instituto Gerdau
PALESTRA 5 – 15h00
“A árvore normativa da sustentabilidade: raízes e evolução das leis em torno da responsabilidade social – o Judiciário e a Sustentabilidade.” Dra. Fabiane Lopes Bessa – Procuradora no Paraná
MESA REDONDA 1 – 15h50
Perguntas centrais: Como os profissinais das diferentes áreas do Direito serão impactados pelas tendências apresentadas e como podem colaborar para a cultura do desenvolvimento sustentável? Qual o papel do advogado como stakeholder de organizações que têm grande impacto na sociedade – empresas, governo, ONGs?
Dr. Antonio Mathias Coltro – Desembargador do Estado de São Paulo
Cenise Monte Vicente – Oficina de Idéias
Dr. Oscar Vilhena – FGV SP e Connectas Direitos Humanos
Dr. Sávio Bittencourt – Membro do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro
Dra. Tânia da Silva Pereira – IBDFAM
PAINEL DE ENCERRAMENTO – 17h
AASP, IBDFAM e Instituto PARES
Realização:
AASP (www.aasp.org.br), IBDFAM (www.ibdfam.org.br) e Instituto PARES (www.pares.org.br)
Supermercado 'verde' vira tendência em todo o País
23/07/10
Comentários da Profa. Alda Marina*
Unidades são construídas com sistemas de economia de energia, captação de água da chuva, telhados que aproveitam luz natural e oferecem mais produtos orgânicos
De olho no consumidor atento à sustentabilidade, as grandes redes de supermercados apostam cada vez mais nas lojas “verdes”. Nesses ambientes são utilizadas técnicas de construção ecológica – como sistemas de economia de energia, captação de água da chuva, telhados que aproveitam a luz natural – e, nas prateleiras, é maior a oferta de produtos orgânicos e com certificações socioambientais.
Os supermercados também se transformaram em centros de coleta seletiva, onde o consumidor pode descartar o lixo reciclável, pilhas e baterias, óleo de cozinha e até celulares antigos.
Em São Paulo, cinco lojas com o perfil de “supermercado verde” estão em operação: são três do Pão de Açúcar, nos bairros Vila Clementino, Vila Romana (na região da Lapa) e no Brooklin. A rede Walmart possui duas lojas verdes, uma no Morumbi e outra na Granja Viana, em Cotia.
O Pão de Açúcar também expandiu o conceito para o interior do Estado, com lojas em Indaiatuba e Ribeirão Preto, e a Walmart inaugurou as suas com o conceito em cidades como Mossoró (RN), Marília (SP), Rio – no bairro Campinho -, Macaé (RJ), Asa Norte (DF) e Betim (MG). Na rede Carrefour, as 20 lojas que foram abertas desde 2007 também incorporam tecnologias verdes.
Além das tecnologias que permitem um uso mais racional de água e energia elétrica, o que caracteriza um supermercado verde também é a maior oferta de produtos orgânicos e certificados nas prateleiras. Hoje, do total de alimentos orgânicos produzidos no País, 89% são vendidos nas grandes redes, que têm verificado crescimento de médio de 40% nas vendas de produtos cultivados sem agrotóxicos, a cada ano. Além de orgânicos, redes como Carrefour oferecem produtos que vêm de fazendas onde é possível rastrear a produção. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: jornal O Estado de S. Paulo.
Comentário: A sustentabilidade vem gradativamente deixando de ser considerada tendência, e reconhecida como valor econômico. O Walmart mundial, que era duramente criticado por más práticas junto a fornecedores, por sua falta de preocupação com o meio ambiente, acordou para essas questões em 2005 e tem a sustentabilidade como um diferencial. Só a subsidiária brasileira do Walmart, em 2008 investiu R$17 milhões na área de Sustentabilidade, e hoje adota práticas de gestão que a consagraram como exemplo para a matriz mundial, bem como trouxe o reconhecimento como a Empresa Sustentável do Ano pelo Guia Exame de Sustentabilidade.
Um dos aspectos destacados pela publicação da Exame de 2009 foi o protagonismo desempenhado pela empresa frente ao episódio da publicação do Greenpeace intitulada A Farra do Boi na Amazônia, sobre o papel da pecuária no desmatamento ilegal da região, mostrando em detalhes seu vínculo direto com os produtos finais de empresas globais como Nike, Adidas, Unilever, Carrefour e o Walmart. O Walmart procurou o Greenpeace para envolver todo o setor na causa de pressionar os frigoríficos, inclusive incentivando um embargo de 13 dias a qualquer carne proveniente do Pará.
A empresa tem essa preocupação clara em várias iniciativas, sobretudo nas lojas. Afinal, o que poderia traduzir de forma mais clara um posicionamento do que o seu ponto-de-venda? Por isso, a infraestrutura das lojas, o incentivo à redução de uso de sacolas plásticas, o incentivo à oferta de produtos orgânicos e reconhecidos como sustentáveis, e a inserção de pontos de coleta de material para reciclagem são linhas de atuação que estão hoje sendo praticadas por essas empresas. O Walmart também trabalha, além desses pontos, a conscientização de funcionários em parceria com o Instituto Akatu e também o desenvolvimento de pequenos produtores rurais.
Este ano estivemos em reunião na Brinquedos Estrela com o seu Presidente, Carlos Tilkian, que nos apresentou o Banco Imobiliário Sustentável, produto hoje exclusivamente comercializado no Walmart. O jogo conta com peças feitas de plástico desenvolvido a partir de cana-de-açúca pela Braskem, e a moeda de troca no jogo é o crédito de carbono. A idéia surgiu na Estrela diante da demanda do Walmart por produtos com características sustentáveis.
*Alda Marina é professora de Comunicação, Terceiro Setor e Responsabilidade Social na Pós-Graduação de Gestão Estratégica da Comunicação e professora do curso de Sustentabilidade, Responsabilidade Social Empresarial e Terceiro Setor.
Hotel é construído com materiais renováveis e naturais
22/07/10
Por Época NEGÓCIOS Online
Comentários: Profa. Marina Oliveira*
Localizado na Ucrânia, o hotel de luxo só utiliza em sua estrutura matéria-prima como madeira de reflorestamento e foi projetado para parecer uma caverna.
Um hotel na Ucrânia acaba de abrir suas portas com a proposta de colocar seus hóspedes em harmonia com a natureza e com os princípios de sustentabilidade. Para isso, o projeto utiliza apenas matéria-prima renovável e natural. A madeira, por exemplo, vem toda de reflorestamento.

Área externa do hotel
Além do cuidado na escolha da madeira, o hotel também inclui como materiais de construção o barro e a argila no lugar do cimento, e palha, que também ajuda na decoração.
Batizado de “Friend House”, o hotel foi desenhado pelo escritório de arquitetura ucraniano Ryntovt Design, que projetou o lugar inspirado em uma caverna.
Fonte: http://epocanegocios.globo.com
Comentário: A ecoeficiência, ou a busca por soluções que considerem a dimensão ambiental da sustentabilidade, não é novidade em hotéis. Há anos quem se hospeda em grandes redes encontra em seu banheiro um recado, informando que a lavagem de toalhas consome muita água e que, caso o hóspede queira usar a mesma toalha ao longo de sua estada, basta pendurá-la. Uma prática simples, que ajuda também na dimensão econômica para os hotéis. Um exemplo dos benefícios dessa opção é o hotel Proximity (certificado pelo LEED – Leadership in Energy and Environmental Design, do US Green Building Council) em Greensboro, North Carolina, EUA: redução de 40% no uso de energia devido ao material usado na construção; energia solar esquenta 60% da água do hotel+restaurante; abundância de luz natural com janelas “energy-efficient”; redução de 33% do uso de água pela instalação de bombas de alta-eficiência; telhado plantado reflete o calor e consequentemente, a necessidade de ar-condicionado (www.proximityhotel.com/LEED_platinum.htm). Como em nosso país tropical a necessidade é de ar refrigerado e não de calefação, cabe mencionar o Eastgate Center, em Harare, Zimbabwe. Construído em 1995, adotou como base o design de cupinzeiros, que conseguem manter a temperatura interna estável com base em sua estrutura e interação com o ambiente externo. O Eastgate Center usa apenas 35% da energia que um edifício comercial usaria para regular a temperatura e economizou 3,5 milhões de dólares do investimento em ar-condicionado (www.asknature.org).
*Marina Oliveira é professora do curso de Sustentabilidade, Responsabilidade Social Empresarial e Terceiro Setor do IGEC (http://www.igec.com.br/index.php/Cursos/responsabilidade-social-empresarial-e-terceiro-setor)
Um idioma chamado tecnologia
31/05/10
Entrevista da Profa. Alda Marina para o site REP – Educação e Terceiro Setor
por Erica Cristina da Silva Gomes com colaboração de Gustavo da Silva Barbosa
Alunos que cada vez mais aprendem pela linguagem digital e visual. Professores que historicamente ensinam utilizando recursos verbais e da escrita. Como estreitar a relação entre docentes e estudantes em uma época de transição metodológica imposta pela massificação das tecnologias de comunicação? Conciliar o compromisso curricular-pedagógico e as expectativas desta geração da era digital é uma das metas que precisam estar presentes na agenda profissional dos educadores.
Há meios para que essa aproximação em sala de aula se faça em via dupla, através da mediação tecnológica. Popularização de câmeras digitais, uso de celulares que gravam sons e acesso à internet podem ser aliados para que os alunos tornem-se mais atuantes no processo de construção do conhecimento. Os professores, por sua vez, dispõem de ferramentas oferecidas pela informática que se apresentam como possibilidades de auxílio na dinâmica educacional. A adequação a essa nova lógica também apresenta resultados em modalidades de ensino, como a educação a distância. O investimento dos gestores nesses instrumentos e a capacitação técnica do corpo docente são tarefas que parecem inadiáveis.
Para saber como essas alterações no universo educacional têm afetado as práticas pedagógicas, a REP conversou com três professores e pesquisadores de diferentes instituições de ensino do País. A administradora Alda Marina Campos é professora do MBA de Gestão de RH do IAG da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), do MBA de Comunicação Estratégica do Instituto de Gestão e Comunicação (IGEC) das Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA) e integra o corpo docente do MBA a distância in company. O sociólogo e professor Alexandre Borges é pesquisador no Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano da Universidade de São Paulo (USP). Ele também é consultor da área de práticas pedagógicas para escolas e empresas. Rodrigo Farias de Sousa é jornalista, escritor, historiador e professor de História do Instituto de Humanidades da Universidade Candido Mendes (UCAM).
Como você analisa a apropriação e o uso dos avanços da tecnologia como ferramentas para o aprendizado?
Alexandre Borges: Com otimismo e cautela. A banda larga já é realidade em 66% das escolas públicas urbanas no Brasil. A lousa interativa digital vem se tornando uma ferramenta cada vez mais presente na rede privada de ensino. De 15 anos para cá, a sala de informática tornou-se espaço presente no processo de aprendizagem na quase totalidade dos colégios. É o lugar onde os alunos podem acessar conteúdos que enriquecem visualmente os temas propostos pelo professor. Por outro lado, a leitura e pesquisa nas bibliotecas das escolas têm ficado marginalizadas pela facilidade e rapidez com que os as ferramentas de busca trazem os conteúdos prontos para serem copiados e impressos sem passarem pela leitura atenta dos alunos. Isso é uma realidade que preocupa. Os recursos tecnológicos devem servir como estímulo e não como fim dos conteúdos.
Foi atribuída à tecnologia a “esperança” de que ela fosse resolver os problemas da qualidade da educação. O que você acha disso?
Alda Marina Campos: A tecnologia trouxe recursos adicionais à educação, bem como atalhos valiosíssimos. Há vantagens difíceis de questionar. Por exemplo: o acesso a fatos ocorridos em tempo real e a um volume muito superior de informação; a conectividade com os alunos para auxílio à construção do conhecimento; e a possibilidade da elaboração de saberes em rede. Mas a qualidade se avalia pelo resultado obtido através do processo educacional, que continua demandando de forma imprescindível do fator humano. É preciso ter profissionais bem preparados para auxiliar o aluno a trilhar o caminho. Sem um contínuo investimento na melhoria dos educadores, inclusive na sua qualidade de vida, não tem tecnologia que resolva os problemas.
Você classificaria a concepção clássica de uma aula como ultrapassada? Acredita que esse modelo não corresponde mais ao perfil dos atuais estudantes?
Rodrigo Farias de Sousa: Assumir que sim seria admitir uma hipótese estranha: que o aluno desprovido de uma tela colorida com sons engraçadinhos, e talvez um joystick, seja incapaz de se concentrar para aprender alguma coisa. É o fetiche da tecnologia que parece supor que as crianças de hoje são estruturalmente diferentes das demais épocas. Não são. Mas, para se aproximar e despertar o interesse delas é preciso conhecer seu universo e, assim, apresentar-lhes conteúdo diferente e estimulante. Claro que há lugar para a aula clássica. Ela somente não deveria ser a única opção.
O grupo de jovens classificado como Geração Y representa grande parte dos estudantes que estão, hoje, no ensino médio e nas universidades. De que forma você analisa a sintonia e a preparação dos educadores no sentido de lidar com esse público informado, ávido por inovações e que faz tarefas múltiplas?
Alexandre Borges: A expressão que mais se ouve nas empresas hoje em dia é: mantenha o foco! Um jovem que responde a vários estímulos pode muito bem realizar suas tarefas estando conectado ao MSN, ao MP3 e a uma TV ao mesmo tempo. Mas qual a profundidade de realização desse trabalho? Por quanto tempo um aluno da chamada Geração Y ou Z dá conta de sustentar um assunto, sem fugir da pergunta inicial, abrindo inúmeros leques de possibilidades? Por qual período um profissional como esse permanece numa relação amorosa, em um mesmo emprego? O professor deve estar atento nesse cuidar da liberdade do aluno de múltiplas tarefas para que ele não se perca na sua gestão de tempo. O educador também deve se atualizar com o mínimo de informações necessárias para dialogar sobre o mundo na linguagem digital e visual, sem perder de vista os princípios fundamentais e permanentes para a formação do estudante. Nesse sentido, é sempre bom lembrar dos quatro pilares propostos pela UNESCO: aprender a ser, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a aprender.
Como você avalia a mobilização e o nível de interesse da comunidade educacional em relação ao uso de recursos tecnológicos no processo de aprendizagem? Você acredita que é um tema que está latente nesse setor aqui no Brasil?
Alda Marina Campos: Percebo empresários e profissionais da área administrativa do setor com o olhar voltado para a educação a distância, seja essa parcial, para complementar a educação presencial, ou integral. Essa visão é direcionada pela dinâmica da vida moderna, com sua escassez de tempo e demanda por flexibilidade. Vejo instituições de ensino buscando entender as metodologias existentes em outras instituições e olhando para os seus públicos atuais para encontrar o melhor modelo, para entender que customização será viável. Os educadores experimentam essa demanda no dia-a-dia e as levam às áreas administrativas.
Como você descreveria a “educação do futuro”?
Rodrigo Farias de Sousa: Uma educação que não menospreze o lado afetivo da relação educador-educando e que se baseie na interação humana, não em máquinas (ainda que as use). Esses dois pontos são a alma da educação. Nada os substitui. O resto são recursos. Sem isso, o que se tem é mero treinamento, não muito diferente do que se administra aos animais.
Fonte:www.repweb.com.br
Professoras Alda Marina e Marina Oliveira inauguram a PARES
28/05/10
Ontem foi dia de gala, o lançamento oficial da PARES Resultados Sustentáveis, empresa de consultoria das professoras Alda Marina e Marina Oliveira. Num ambiente sofisticado e acolhedor, as professoras receberam familiares e amigos para apresentar uma inovadora proposta de empresa com foco em resultados sustentáveis para o primeiro, segundo e terceiro setores, especializada em planejamento estratégico participativo e gestão para a sustentabilidade e que já nasce junto com o Instituto PARES (cuja missão, é “gerar e compartilhar conhecimento e soluções intersetoriais para o desenvolvimento sustentável.”), visando os projetos sociais ligados à Alda e Marina.
A PARES já nasce grande, como um histórico de projetos robustos e de resultados vistosos, fruto do excelente currículo das duas professoras, mestras em Administração e idealizadoras do CDProf Responsabilidade Social Empresarial e Terceiro Setor.
Nós do IGEC desejamos toda sorte às professoras e sucesso à PARES!
Vejam as fotos do evento abaixo:








Crianças de hoje mudarão as regras do consumo
12/05/10
Empresas começam a alterar comportamento e adequar produtos aos hábitos verdes dos pequenos

Rio de Janeiro – Escovar os dentes com a torneira fechada. Jogos de tabuleiro que simulam compras de áreas de preservação ricas em recursos naturais ao invés de apenas terrenos. Escolas ensinando o ciclo da reciclagem para crianças de 0 a 6 anos. Estamos diante de um novo cenário onde os futuros consumidores exigirão como diferencial a causa verde. Preservar, reaproveitar e não desperdiçar. Assim, os pequenos de hoje estão sendo preparados para o consumo de amanhã, muito mais consciente e responsável.
O tema ganha novos rumos a cada dia. Tragédias ecológicas são noticiadas e o comportamento do consumidor está em cheque. Por isso, já é possível encontrar escolas que ensinam crianças a terem hábitos sustentáveis. Em alguns casos, os pais se preocupam em criar um “eco-chato”, apelido dado aos defensores da causa verde. Mas não são apenas as escolas. Se antes o Banco Imobiliário incentivava o consumismo desenfreado aos futuros profissionais diante de um tabuleiro, hoje, o mesmo jogo ganha ares sustentáveis.
As marcas do varejo também aderiram à causa que qualifica a educação dos pequenos sobre a proteção ao planeta. A Danone, por exemplo, lançou o Danoninho Para Plantar e salienta a importância do reflorestamento. Apesar da causa ser verde, o comportamento do consumidor entrou em alerta vermelho.
Brincando de preservar
Com 73 anos de mercado, a Estrela sempre esteve ligada à educação dos pequenos. Jogo da Vida e Banco Imobiliário estiveram nas prateleiras do quarto da maioria das crianças. Por isso, a cada ano, a empresa realiza de três a quatro pesquisas em grupos para saber o que as crianças estão discutindo, vendo na TV e no cinema. A última experiência resultou no Banco Imobiliário Sustentável.
Além de reforçar a importância de ações sustentáveis, o produto também se adequou à causa. A partir de sua produção, a Estrela eliminou o plástico que envolvia as embalagens do jogo, mesmo com a resistência dos varejistas por conta da violação do produto. Ainda é pouco para que o produto não fique apenas no discurso? A Estrela foi além. As cartas do jogo são feitas de papel reciclado, assim como a embalagem, que agora é envolta em um plástico especial feito em parceria com a Brasken. Até o dinheiro usado no Banco Imobiliário Sustentável não é mais o mesmo. Ao invés das notas, os jogadores utilizam crédito de carbono.
O produto foi lançado recentemente no mercado nacional. Tudo porque até a sua distribuição fazia parte de um conceito sustentável. “Até o ano passado, o Banco Imobiliário Sustentável era negociado apenas no Walmart, que tem projeto mundial de sustentabilidade. Por isso que focamos em apenas uma rede, mas desde abril estamos atingindo todo o mercado nacional”, diz Aires Fernandes, diretor de marketing da Estrela.
Aula verde
Para além dos muros das empresas, a escola tem sido uma ferramenta importante na educação e no desenvolvimento infantil quanto ao consumo consciente. Apesar de pouco alarde, diversos centros de ensino já possuem em sua grade docente aulas sobre sustentabilidade e preservação do meio ambiente. Em São Paulo, a Materna Escola recebeu o título de Junior Mascot concedido pela Life-Link, instituição sueca que promove ações e projetos ligados à Unesco.
Desta forma, a escola foi reconhecida pelo trabalho ambiental, ações voluntárias e campanhas de arrecadação de alimentos e agasalhos para pessoas carentes de São Bernardo e Santo André, em São Paulo. Além disso, em 2003, a Materna recebeu o selo ISO 14001 – Sistema de Gestão Ambiental, passando a ser a segunda escola infantil no mundo a possuir este selo – a outra instituição de ensino está localizada na Austrália.
Essencialmente, o trabalho feito pela escola é baseado em tratamento de resíduos e coleta seletiva, reutilização de material, não uso de material inerte e reaproveitamento de alimentos. A iniciativa mostra aos pequenos alunos que os resíduos orgânicos podem ser reaproveitados. A Materna contratou uma empresa para que estes resíduos sejam tratados e transformados em adubo para a horta orgânica da instituição.
Ensinamento consciente
Se antes plantar um feijão com algodão junto com a “tia” da escola parecia divertido, os pequenos alunos de hoje aprendem com instrumentos ainda mais interativos. “Aqui, o aluno cultiva, depois cozinha, e o que sobra vira adubo. Ele fecha o ciclo de forma básica e simples entendendo o que é ser consciente”, explica Adriane Imbroisi, diretora da Materna Escola ao site.
A educação ambiental dada às crianças torna-se mais eficiente porque, de acordo com Adriane, trata-se de inserir um conceito em uma “folha em branco”. Apesar disso, alguns pais de crianças entre zero e seis anos já percebem o comportamento verde dos pequenos. “Quando eu era jovem não me preocupava em fechar a torneira ao escovar os dentes. Os pequenos de hoje já têm hábitos diferentes. Uma vez vi um aluno dando uma bronca na avó por causa de desperdício. Uma outra vez, um pai disse que tinha medo de nós estarmos criando um ‘eco-chato’, afirma Adriane.
A vocação por projetos sustentáveis nasceu junto com a escola, em 1997. Há três anos foi inaugurada a nova unidade do Materna, em Santo André, com o mesmo sistema. Porém, ano passado a escola foi além e desenvolveu uma grande cisterna para captar água da chuva e reutilizá-la. “Não preservaremos o planeta se não fizermos as pequenas ações”, acredita a diretora do Materna.
Reciclando ideias
O Colégio São Luiz é mais um que se preocupa em preservar o planeta por meio de seus novos alunos. O projeto Recarga Verde promove a coleta de pilhas e baterias de celular nas dependências do colégio. Para reunir todos os insumos trazidos pelos alunos, a escola conta com um latão onde, uma vez por semana, todo o lixo recolhido é colocado. Até a epidemia da gripe suína do ano passado está abalando o sistema sustentável. Isto porque o Colégio São Luiz teve que se adequar às normas e oferecer água aos alunos em copos descartáveis.
Para evitar a contradição, a instituição já tomou providências. E verdes. Aproveitando o ensejo para dar tarefas extras aos pequenos alunos. “Realizamos oficinas para reaproveitar materiais e ensinar as crianças a fazerem jogos e vasos de planta anti-dengue. Criamos alternativas para melhorar a consciência deles na prática”, aponta Ana Cristina Marra, coordenadora do período integral do Colégio São Luiz.
Em 2010, o Colégio São Luiz desenvolve o Projeto Água com um grupo infantil. O objetivo é apresentar práticas para não desperdiçar nada. “Ensinamos a não gastar muita água ao escovar os dentes e a usar a frente e o verso das folhas do caderno. Quanto menor a criança, mais ela assimila o conceito”, aponta Ana.
Alimentação sustentável
Há duas décadas, era comum nas turmas de jardim de infância a plantação de feijão em embalagens de Danoninho. Hoje, a própria Danone facilitou um pouco as coisas. Com o Danoninho Para Plantar, a marca oferece – além do produto – oito tipos diferentes de sementes para plantio na embalagem do iogurte. Além disso, as embalagens oferecem um código para criar uma árvore virtual no site do produto.
O processo de mudança está em andamento. A educação está sendo feita desde cedo. Com o engajamento cada vez maior das escolas e a mudança de comportamento desde criança, o mercado vai se deparar com futuros consumidores bem diferentes do que as empresas estão acostumadas a vender. Resta saber se elas estarão preparadas.
Fonte: http://portalexame.abril.com.br




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