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Redesenho de Processos: Pontos Críticos e Desafios
mar 12th
Assim como a produtividade foi a buzzword nos anos 70 e qualidade foi o tópico mais quente nos anos 80, a palavra processo, nesta década, está na boca de todos. Nos últimos cinco anos, empresas de todos os tamanhos e indústrias começaram a conscientizar-se da necessidade de melhorar seus processos de negócios. Todos estão fazendo – ou pelo menos dizendo fazer – “melhoria de processos”, “redesenho de processos” ou “reengenharia de processos”.
Assim como outros esforços de melhoria de performance, a grande maioria das organizações pode apontar como resultado dos seus esforços: otimização de custos, melhorias de qualidade e redução de ciclos. Entretanto, existe mais barulho do que música, mais atividades do que resultados. Nossa experiência revela que muitas das falhas para realizar o potencial de retorno sobre os investimentos da melhoria de processos advêm de sete pontos principais.
1) Desvinculação da melhoria de processos das questões estratégicas do negócio. Projetos de melhoria de processos devem ser dirigidos por uma questão crítica para a organização, tal como lucratividade, market share, satisfação do cliente etc.. Também devem estar vinculados a objetivos mensuráveis. Se executados de outra forma, os esforços de melhoria perdem suporte da alta administração e das equipes de trabalho. É importante saber que o número de equipes e o número de diagramas de fluxo de processos não devem ser indicadores de sucesso. O grande retorno sobre o investimento na melhoria de processos advém do seu uso para implementar a estratégia do negócio.
2) Não envolvimento das pessoas certas, especialmente do Top Management. A melhoria de processos não deve ser realizada por outsiders, mas sim pelas pessoas envolvidas no processo, incluindo clientes e fornecedores. A deficiência primária desta abordagem não está na análise minuciosa ou no conhecimento que permeiam as recomendações dos consultores externos. Como as mudanças vêm de fora, elas não acumulam comprometimento suficiente para aqueles que devem implementá-las. A causa mais freqüente de imperfeições dos esforços de melhoria de processos reside na falha do top management em prover uma estratégia que oriente todo esforço de melhoria.
3) Equipes de redesenho são auto-suficientes. Mesmo que a empresa tenha equipes de melhoria de processo altamente motivadas, se elas não possuírem uma clara compreensão dos vínculos, direção e fronteiras, elas permanecerão estáticas, perderão energia e irão falhar no cumprimento das expectativas. É preciso saber: qual é o driver e por que ele foi selecionado; quais são os objetivos específicos do projeto/processo; qual é o papel da equipe e dos outros envolvidos; quais são os produtos a serem gerados; quais são as fronteiras do processo; quais, se existir alguma, são as restrições; qual é o cronograma; o que acontece ao “trabalho regular” das pessoas envolvidas enquanto estiverem alocadas no projeto; como as pessoas serão recompensadas pelas suas contribuições.
4) Somente a reengenharia promove melhorias significativas. Durante os últimos cinco anos, o conceito de reengenharia de processos varreu o mundo. Mas ele foi frequentemente equiparado a reorganização, downsizing e até à implementação de novos sistemas de informação. Por si mesma, a reorganização raramente melhora a performance. Por outro lado, processos de trabalho otimizados não necessariamente requerem mudanças estruturais. O downsizing também empurrou as empresas para muito perto do ponto de ruptura. Mas muitas empresas usam a reengenharia como ferramenta de back-office para redução de desperdícios, ao invés de utilizá-la como arma para obter vantagem competitiva. E a automação é parte da solução, mas não é a solução por si só.
5) Pessoas são peças intercambiáveis. Um novo processo precisa ser amplamente avaliado e testado em relação às habilidades das pessoas que serão afetadas. Uma vez que o processo seja tido como executável, as pessoas envolvidas e aquelas que as gerenciam necessitam entender como suas funções e avaliação/objetivos irão se alterar.
6) Focar mais o redesenho que a implementação. O redesenho de processos é totalmente acadêmico até sua implementação. Por sua vez, a implementação requer equipar a organização de modo a absorver a mudança; determinar um líder da implementação; estabelecer planos de ação detalhados; definir papéis e recompensas e gerenciar um esforço que pode ser tão grande quanto o despendido no lançamento de um novo produto ou na entrada em um novo mercado.
7) Melhoria de processos versus gerenciamento de processos. Se uma organização não movimentar-se da melhoria de processos (projetos) para o gerenciamento de processos, ela certamente estará engajada com alguma necessidade de resolução de problemas, mas não realizará o potencial de retorno sobre seus investimentos pois permanecerá sempre gerenciando projetos “ad doc” de melhoria de processos.
fonte: www.calidad.org
Expectativas para a logística em 2010
jan 27th
Postado por Fernando McDowell*
Autor: Neimar Follmann**
Bem, e o que deverá acontecer no campo da logística? Para responder, é necessário considerar que a logística pode ser um processo importante de uma empresa, é considerado um negócio para operadores logísticos, por exemplo, e deve ser um compromisso estratégico para um país.
Alguns fatos – econômicos e sócio-ambientais – têm transformado estes três contextos ao redor do mundo e terão repercussão direta sobre a logística no próximo ano e com certeza nos anos seguintes a este. Vamos analisar alguns deles:
Passada a pior parte da crise mundial – pelo menos é o que parece aqui no Brasil – os olhos do mundo voltaram-se para cá, o que significa que mais empresas podem decidir entrar no Brasil e que os grupos aqui instalados podem reforçar sua presença. Empresas como o Grupo Pão de Açúcar e as Casas Bahia, viram neste contexto a necessidade e a oportunidade de solidificar sua participação em seu mercado, através da fusão das duas empresas e, com isto, economizar entre dois e quatro bilhões (Revista Exame de 16/12/2009, p. 198-199), além de tornar a empresa mais resistente às investidas de grupos estrangeiros.
Com certeza, boa parte do ganho de escala, que pode representar até 10% do faturamento de todo o novo grupo formado, virá da logística. Para ser um fornecedor deste grupo não há como se manter competitivo sem uma logística ágil e enxuta, operando no menor custo possível. Esta é a primeira, e provavelmente mais óbvia, previsão que faço. A pressão pela redução dos custos logísticos será (continuará) um dos principais pontos em 2010.
Outro fator impacta no compromisso estratégico que um país tem sobre sua infra-estrutura logística. Há alguns dias, os líderes de 193 países estão reunidos em Copenhague, na Dinamarca, para discutir formas de reduzir os impactos ambientais causados pela forma como escolhemos nos desenvolver economicamente no decorrer dos últimos séculos. A grande questão que estes líderes estão tentando resolver é: como reduzir os impactos ambientais sem perder poder econômico? E provavelmente, como não gastar muito dinheiro com isto? Está claro que isto demandará um esforço de todos – governos, empresas e nós, consumidores – e mudará a forma como muitas coisas são feitas hoje.
O governo tem papel fundamental nisto, já que suas políticas públicas determinarão como as empresas farão seu transporte (caminhão, trem ou navio), o quanto essas organizações serão competitivas e, por conseqüência, o quanto elas emitirão de poluentes. E neste contexto, tanto as empresas que se utilizam da logística como aquelas que oferecem serviços logísticos terão ressaltada a necessidade de se adaptar a uma estrutura logística ambientalmente menos nociva em 2010.
Como não poderia deixar de ser, as campanhas políticas dos candidatos a presidência e governador deverão debater estas questões e possivelmente tornarão mais evidentes a necessidade de mudança. E neste contexto, irei usar agora o exemplo do pequeno município de São Lourenço do Oeste – SC, que está em vias de tornar Lei o uso de sacolas retornáveis, não mais permitindo o uso de sacolas plásticas, o que ainda é feito na maioria das lojas e supermercados do Brasil. Esta ação que já funciona na prática e que contou com a iniciativa do Núcleo de Supermercados do município, terá reflexos também na forma como os produtos serão embalados, pois o povo começa a analisar os impactos que isto traz em seu dia-a-dia.
Por exemplo, um pequeno comerciante da mesma cidade, ainda não muito adaptado à iniciativa, olhando para a prateleira de sua loja de chocolates, disse: “de que adianta sermos obrigados a usar sacolas retornáveis se todos estes produtos usam plástico na sua embalagem?”. Nisto sua cliente responde: “é o momento para começarmos a cobrar seus fornecedores”. Ou seja, é só uma questão de tempo para que todas as empresas necessitem se adaptar a este tipo de iniciativas, o que trará mudanças significativas nas embalagens e na logística.
Assim, o ano de 2010 terá fortes movimentos no sentido de reduzir os custos, o que exigirá que as empresas se adaptem às melhores práticas gerenciais e tentem ganhar escala operacional, ao mesmo tempo em que todos os povos do planeta lutarão para diminuir a emissão de poluentes. Isto, automaticamente, fará com que a logística sofra mudanças efetivas onde custos e meio ambiente serão aspectos centrais.
*Fernando McDowell é coordenador da Pós-Graduação em Gestão de Negócios Logísticos
**É mestre em Engenharia de Produção com foco em Logística e Transportes, pela Universidade Federal de Santa Catarina. É formado em Administração e possui especialização em Métodos de Melhoria da Produtividade pela UTFPR. Possui experiência na gestão de frota, em empresas de transporte de cargas, e logística industrial, no ramo moveleiro. Cursa Doutorado em Engenharia de Produção na UFSC.
Fonte: www.logisticadescomplicada.com

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