Artigos com o marcador Nepô
As três eras da gestão
14/01/13
Por Carlos Nepomuceno*
Assim, não é a atual gestão que vai usar a Web 2.0 a eu bel-prazer, mas é a Web 2.0 que vai redefinir a gestão, como já ocorreu algo similar no passado!

O principal problema de interpretação sobre a Revolução Cognitiva se deve a relação entre gestão e comunicação.
Como Revoluções Cognitivas são fenômenos raros, não entraram no radar das teorias sociais de plantão.
E fica a dúvida Tostines: o que vem primeiro é a comunicação ou a gestão? Quem influencia quem?
A tendência natural é – de forma onipotente – achar que o ser humano determina os rumos da sociedade que tem livre-arbítrio para agir.
Porém, aos poucos, vamos percebendo que somos muito mais condicionados do que imaginamos, como detalhei aqui.

As tecnologias são necessárias, conforme crescemos demograficamente e ficamos em uma espécie de eco-sistema tecnológico que nos condiciona e provoca mudanças inesperadas, a despeito da vontade consciente da sociedade. Esse aparato nos condiciona a nível macro, mas não nos determina a nível micro. Há brechas para mudar, mas dentro de margens tecnológicas definidas.
Isso pode doer no ouvido de muita gente, mas é a chave para entender a atual Revolução Cognitiva em curso, baseado nas intuições de Pierre Lévy, o autor-chave para compreender o DNA do fenômeno.
Assim, podemos dizer que o ser humano trabalha em duas camadas.
A mais abaixo é a da comunicação-informação-conhecimento, uma espécie de placa-mãe da sociedade, que é condicionada pelas tecnologias de plantão.
E uma camada mais acima que é a da gestão, de como nos organizamos para resolver nossos problemas.
É uma moeda de duas faces em relação.
Obviamente, que quando uma muda, a outra muda também.
- Uma organização, por exemplo, com problemas de gestão tem problemas de comunicação/informação/conhecimento.
- Uma organização, por exemplo, com problemas de comunicação/informação/conhecimento tem problemas de gestão.
Vivemos, entretanto, uma mudança das tecnologias de comunicação/informação/conhecimento, que nos levam a uma nova forma de solução de problemas, influenciando e modificando, definitivamente, a atual a gestão.
Podemos dizer, assim, que a gestão faz mudanças incrementais, diante do aparato tecnológico de comunicação/informação/conhecimento disponíveis, mas quando estes mudam, alteram inapelavelmente a gestão e também a sociedade.
Dentro dessa perspectiva, se falamos em três eras da comunicação/informação/conhecimento, podemos falar também em três eras da gestão, influenciadas pelas mudanças das mídias de plantão.
- A gestão oral – com decisões tomadas, a partir da palavra;
- A gestão impressa - com decisões tomadas, a partir do papel;
- A gestão digital - com decisões tomadas, a partir do computador.
Todas elas tiveram fases intermediárias.
- A gestão oral passou pela proto-linguagem e depois pela linguagem que conhecemos;
- A gestão impressa passou pelo papel manuscrito e depois pela papel impresso, a partir de 1450;
- E a gestão digital passou pela computador isolado e depois pelo computador em rede, com ferramentas de colaboração, a partir de 2004.
Projetos de alinhamento à gestão digital estão além da implantação de ferramentas, pois por baixo e por cima da chegada das novas ferramentas há o surgimento de uma nova forma de solução de problemas, que altera o modelo da gestão.
É uma nova cultura de solução de problemas, mais adaptada à complexidade que 7 bilhões de habitantes nos trazem.
Assim, não é a atual gestão que vai usar a Web 2.0 a eu bel-prazer, mas é a Web 2.0 que vai redefinir a gestão, como já ocorreu algo similar no passado!
Projetos 2.0 de alinhamento à atual Revolução Cognitiva nos levam a uma revisão da atual gestão e metodologias que consigam, de forma mais barata e eficaz possível, migrar de uma empresa baseada na cultura da gestão impressa e digital 1.0 para o novo modelo digital 2.0, no qual a colaboração é a grande novidade, mais ágil e barata para lidar com problemas complexos.
Não é fácil o desafio que temos, pois estamos vivendo uma macro-mudança, rara e complexa.
Porém, passar por essa visão do problema para enfrentá-lo de forma mais madura é fator fundamental de sucesso.
É isso, que dizes?
*Carlos Nepomuceno (Nepô) é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
Entrevista com Nepô sobre jovens e internet para o Jornal Hoje
14/11/12
Assista abaixo a entevista que o prof Carlos Nepomuceno (Nepô), concedeu para o Jornal Hoje

A gestão 2.0 não é uma micro metodologia!
23/10/12
Quando pensamos em projetos de Redes Sociais Corporativas estamos falando de uma visão geral sobre o mundo que está vindo e as ações que faremos para fazer o alinhamento INEVITÁVEL a ele.

Note que neste artigo abaixo temos uma visão interessante, mas equivocada, ótima para um debate.
Enterprise 2.0: The case for starting small
Ao ler o artigo autor encara a ” implantação de empresas 2.0″ como uma micro metodologia para melhorar a gestão, como foram a reengenharia ou a da qualidade.
Tivemos a gestão do conhecimento, da qualidade, a reengenharia e agora a 2.0.
Mas há diferenças.
A do conhecimento e a 2.0 são macro-metodologias, pois percebem uma macro-mudança no mundo e apontam uma migração de um mundo “a” para o “b”. através de etapas a serem cumpridas.
Não servem para resolver questões pontuais, como o autor acima sugere (tradução do Google):
A melhor pergunta a fazer é: “Enterprise 2.0 a solução correta para um problema ou objetivo que a minha empresa tem?”
Note que está encarando a implantação de uma rede social corporativa como mais uma ferramenta metodológica para solucionar problemas. Algo opcional, que o cliente pode ou não utilizar, como qualquer setor.
Acho que não tem lógica, pois não vê o cenário geral do que está acontecendo.
O que estamos vivendo hoje, entretanto, pela lógica simples, a olho nu, vemos que é bem diferente.
- Temos do lado de fora das organizações usuários praticando um novo modelo de troca, compra, conversa, conhecimento, informação.
- Temos startups operando nessa direção e os concorrentes se preparando para uma mudança nessa direção;
- Os jovens, os futuros consumidores, caminhando para essa direção, incluindo os que são contratados;
- Os nossos clientes usando para se articular, reclamar e falar mal no mesmo ambiente, gerando seguidas crises.

Ou seja, não estamos falando de algo opcional, uma metodologia de uma empresa de consultoria que pode ser ou não utilizada, mas um novo mundo para o qual de forma IRREVERSÍVEL teremos que estar nele de outra maneira.
Assim, se formos lidar com esses projetos como algo opcional, ou mais uma metodologia para resolver problemas específicos, temos aí um problema de visão e de cenário.
- Uma coisa é uma metodologia que vou usar, se quiser.
- Outra é o telefone, o fax, o computador que TENHO que usar, pois é assim que o mercado está fazendo e isso me obriga a aderir para ser competitivo.
A diferença da Internet 2.0, entretanto, para as redes do fax, do telefone e mesmo do computador sem rede, é que ela condiciona uma nova forma mais ágil de controle dos processos e de se trabalhar para a qual o mundo está caminhando, completamente distinta da maneira de se fazer a gestão hoje.
Assim, quando pensamos em projetos de Redes Sociais Corporativas estamos falando de uma visão geral sobre o mundo que está vindo e as ações que faremos para fazer o alinhamento INEVITÁVEL a ele.
Ou seja, a passagem de uma organização com uma topologia de rede vertical para uma mais horizontal.
A gestão 2.0 não é assim uma nova forma de comunicação, mas de gestão!

A questão é: como faremos essa passagem de forma a gastar o menos, com os melhores resultados possíveis?
Imaginemos, como exemplo, uma ponte que precisa ser construída entre duas cidades.
Podemos imaginar que não queremos, que não temos recursos para fazê-la agora, nem cabeça, mas que será preciso fazer provisoriamente uma balsa, mas todos sabem que mais dia menos dias a ponte terá que ser feita.
Se sabemos o ponto do rio melhor para fazer a ponte, mesmo que seja para depois, podemos fazer o ponto da balsa ali, pois mais adiante poderemos com tudo que vai girar em torno da mesma, evitando que um novo local seja criado, pois vai se gastar bem mais.
Novos softwares, contratações, mudanças de processos, etc…já devem prever o futuro, pois todo passo deve ser previsto incorporando aquela percepção.
Essa é a ideia do laboratório e das ações no modelo atual.
- O laboratório concentra novas formas de trabalho.
- E a rede social corporativa atual só pode colaborar, nada mais que isso, com uma comunicação mais aberta, porém sem alterar processos, pois a mudança de processos é tão radical, que precisam ser feitas partindo-se do zero, por isso o laboratório.
Não se pode iludir as métricas nem de um e nem de outro!
E assim economiza-se tempo e dinheiro.

De fato, a maior parte das organizações não têm essa visão estratégica e vai tender a implantar novas formas de comunicação como se fossem novas maneiras de trabalho e vice-versa: e a coisa tende a desandar, se gastando muito e com poucos resultados, pois justamente estão confundindo o que é mudança inevitável com metodologia opcional.
E é essa visão equivocada o que os profissionais responsáveis por essa implantação devem evitar.
Que dizes?
Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação de Gestão Estratégica do Marketing Digital
Meritocracia 2.0
03/10/12
Por Carlos Nepomuceno*
Estamos saindo de um ambiente intoxicado, no qual todos os canais de informação tinham um forte interesse naquilo que era veiculado sobre produtos e serviços, pois eram passíveis de serem anunciados. Ninguém ia “cuspir no prato em que comia”. A alta a taxa de interesse na informação circulante o que reduzia bastante a taxa de meritocracia social.

Mandei a seguinte frase para o Facebook:
Quando a taxa de circulação de ideias sobe, a da meritocracia acompanha e vice-versa.
E recebi como retorno de uma amiga:
“Será? Eu juro que quero muito acreditar.”
A ideia de acreditar é um ato de fé.
Como procuro ser um jornalista independente – e agnóstico – que gosta de propor provocações lógicas (que alguns podem chamar de filosóficas-científicas), vamos desenvolver um pouco o tema, a partir de argumentos e constatações visíveis a olho nu.
(O que espero aqui não é que acreditem, ou não, mas que considerem os argumentos consistentes ou que possam contra-argumentá-los.)
A Internet, como tenho dito aqui, rompeu um modelo secular de controle de ideias da mídia impressa e eletrônica, através do surgimento de novas fontes, por um lado, e a possibilidade do usuário poder apontar (e deixar registrado para os outros) aquilo que ele considera meritório.
Estamos saindo de um ambiente intoxicado, no qual todos os canais de informação tinham um forte interesse naquilo que era veiculado sobre produtos e serviços, pois eram passíveis de serem anunciados. Ninguém ia “cuspir no prato em que comia”.
As críticas de plantão, quando haviam, eram moderadas e feitas apenas por poucas pessoas.
O boca-a-boca era entre conhecidos e em ambientes locais.
A chegada do ambiente 2.0, a partir de 2004, permitiu, assim, o aumento da taxa de meritocracia, pois além do obrigatório clique, que veio desde o berço da Internet, passou a permitir, de forma fácil e de graça:
- - compartilhar;
- - curtir;
- - estrelar;
- - comentar;
- - em alguns casos como no Wiki (mudar);
- - entre outras colaborações participativas.
Note que temos com essa prática uma mudança RADICAL em relação à meritocracia passada, pois ao consumir o cidadão/consumidor pode (não necessariamente vai) avaliar e deixar um rastro (muito mais desinteressado do que no passado) para que outros possam saber o que achou da sua experiência.
O que era aceito, não sabido, desconhecido no passado, passou a vir para a luz do dia, aumentando o espaço de avaliação de mais gente por mais gente. Os ofertantes de produtos e serviços, em função desse novo ambiente mais aberto, precisa se readequar;
Estamos saindo, portanto, do marketing do controle, da repetição, do “enrolation” para o da conversa, do diálogo e mais focado em princípios.
Isso vale para todos os serviços e produtos, pois é essa a grande mudança do ponto de vista meritocrático que temos no novo mundo. E é o grande salto de qualidade que as organizações devem tomar internamente e externamente para criar inovação.
Hoje, qualquer produto/serviço está sujeito a ser identificado por:
- - mais clicados;
- - mais compartilhados;
- - mais curtidos;
- - mais estrelados;
- - mais comentados positivamente;
- - mais comentados negativamente;
- - mais blogados positivamente;
- - mais blogados netativamente;
- - e até mais wiki-modificados.
Cria-se com essa prática um conjunto de informações “não-oficiais” e não diretamente interessadas diretos na venda/apoio de conhecidos e de desconhecidos sobre um determinado produto, serviço, arquivo, pessoa, vereador, taxista, livreiro, cinema, hotel, restaurante, etc…

Ou seja, há um aumento radical da taxa de informação “não interessada” ou se preferirem “menos interessada” na/da sociedade, desintoxicando os canais de informações, que antes tinham uma alta taxa de interesse embutida, pois o canal que informava era o mesmo que vendia anúncios.
Esse aumento de troca entre conhecidos e desconhecidos nos leva a um aumento da transparência e necessariamente a um aumento da meritocracia, reduzindo bastante o espaço de determinadas sombras existentes.
Antes da Internet, um músico, por exemplo, só poderia chegar a um reconhecimento nacional se passasse por alguns filtros das gravadoras, que tinham lá seus interesses, critérios, parentes, etc.
O tempo de “a” início da luta pelo reconhecimento nacional para “b” reconhecimento era longo e penoso.
Hoje, continua-se podendo ser alçado por gravadoras mais tradicionais, mas cada vez mais novos músicos passam pelo critério do próprio público, através de lançamentos, via rede, em muitos casos conseguindo sobreviver só com seus fãs diretamente, reduzindo o tempo entre“a” e “b”.
Isso pode ser medido, basta promover pesquisas.
Exemplos?
- A Folha de São Paulo contratou uma nova leva de colunistas que vieram dos blogs;
- Os novos humoristas que hoje fazem sucesso (Marcelo Adnet como grande representante) vieram todos do Youtube.
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Nada aponta que isso vá se reduzir, ao contrário, vai aumentando, pois é de lá que a nova geração reconhece novos talentos.
(E já criando a cultura de reconhecimento de nicho e não mais a necessidade de reconhecimento nacional, como um critério de “sucesso”.)
Digamos que uma sociedade consegue melhorar seus produtos e serviços, através da troca desinteressada e constante entre pessoas que não tenham interesses individuais envolvidas na informação que circula e é compartilhada.
E aí se pode argumentar, como saiu no Globo ontem, “Muito cuidado com o “boca a boca” virtual” de que essa meritocracia 2.0 já tem um conjunto de gente contratada para manipular os dados na Internet.
Sim, essa será uma reação para todos aqueles que querem, ao invés de adotar novas práticas, tentar manter o modelo passado, o que, aliás, é humano.
Porém, os ambientes 2.0 já estão exigindo um novo tipo de mentalidade, metodologia e tecnologias que devem procurar – cada vez mais – aprender com os erros para evitar a manipulação.
O ser humano não está ficando bom com a Internet, mas apenas tendo que parecer muito melhor do que é em função da nova pressão exercida. Essa nova pressão e esse fingir que é bom acaba fazendo que a pessoa adote com o tempo a prática por costume, o que leva a um novo patamar humano. Foi assim no passado, por exemplo, com o fim da escravidão.
Por fim, podemos destacar que o trabalho principal do Google ao melhorar seu algorítimo, por exemplo, criando normas e formas de evitar que mudanças nos códigos nas páginas – não meritocráticas – as elevem ao topo.
Ou seja, a velha e eterna luta entre os interesses coletivos x o individuais.
Essa é a metodologia 2.0 em ação para garantir que a taxa de meritocracia continue alta e subindo, até que um grupo consiga formas de se controlar as ideias desinteressadas circulantes.
Aí podemos ter de novo a taxa caindo em um eterno ciclo de sobe e desce.
Por aí, que dizes?
*Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
Por que a gestão de conhecimento é uma metodologia em decadência?
20/08/12
Por Carlos Nepomuceno*
Replicar: pode distribuir, basta apenas citar o autor, colocar um link para o blog e avisar que novas versões podem ser vistas no atual link.

Esta semana vou até São Paulo fazer palestras no KMBrasil.
Vou lá apresentar algumas reflexões que fiz ao longo de vários anos ministrando aulas aqui no Rio no MBKM, do Crie/Coppe/UFRJ, que é fruto desse diálogo com meus alunos, clientes, autores, com a vida, enfim.
Antes de tudo, para que possamos afirmar que a gestão de conhecimento está decadente, precisamos trabalhar com algumas premissas.
A Gestão do Conhecimento é uma metodologia, não uma teoria ou uma filosofia.
As metodologias são resultados de uma visão de cenário e são criadas para que haja um alinhamento entre o que se vê no macro para se equilibrar no micro.
Assim, se concordamos que a GC é uma metodologia temos que ver as bases conceituais que a originaram para ver se são sólidas.
A GC parte da teoria que estamos vivendo a sociedade do conhecimento.

E da filosofia de que, por motivos não explicados, o ser humano em algumas fases da história começa a usar mais o cérebro do que em outras, criando projetos mais intangíveis do que em outras épocas.
Note que não nos preocupamos muito sobre a discussão da sociedade do conhecimento, pois é um conceito, similar ao da Web 2.0, criado por um americano, empacotado pelos interessados, com um ótimo marketing, que consegue uma fácil adesão.
Artigos, palestras, cursos começam:
“Já que vivemos na sociedade do conhecimento, blá, blá, blá”.
Alguém disse que uma mentira repetida mil vezes, tem cada vez mais cara de verdade.
É o caso.
Para que possamos, depois de milhares de anos na terra, definir que é justamente essa nossa sociedade A DO CONHECIMENTO temos que sempre comparar com outros movimentos passados da história.
- Em algum momento no passado tivemos outra sociedade do conhecimento?
- Quando?
- Se não tivemos, o que nos faz achar que nós, logo nós, vivemos em uma excepcionalidade histórica?
- Por quê?
- Vindo de que lugar, de que santo, de que milagre, criamos esse novo mundo do conhecimento?
Assim, podemos dizer, no mínimo, que a sociedade do conhecimento é um termo que colou, mas não se aprofundou.
Certo?

Se a base teórica é, digamos pouco consistente, quando pensamos em fazer o alinhamento metodológico teremos uma inconsistência do mesmo tamanho.
A meu ver, não há nada que nos garanta que essa hipótese “sociedade do conhecimento” possa ser encarada de forma coerente, pela simples lógica.
Assim, teríamos que procurar um novo diagnóstico para a sociedade que vivemos (cenário) para depois procurar novas vacinas (metodologia) para que possamos agir de forma mais consistente, gerando valor com menos esforço, que é a característica das boas metodologias, que têm, por sua vez, uma filosofia e a uma teoria mais consistente.
Do que estudo e vejo, posso dizer que:
- 1) o que há de novo na nossa sociedade, e isso é real e concreto, é o aumento vertiginoso da população – somos a sociedade de 7 bilhões de habitantes e nunca fomos antes;
- 2) a sociedade de 7 bilhões de habitante precisa de ambientes de produção, inovação, de comunicação e de gestão mais dinâmicos para sobreviver com a máxima qualidade possível;
- 3) essa sociedade 7.0 nos leva a um processo radical de desintermediação, com uso intenso de tecnologias cognitivas desintermediadoras.
O objetivo?
Produzir muito mais com menos, em menos tempo, sempre podendo alterar o rumo, pois o que era sólido lá fora agora é líquido e aqui dentro tem que ser líquido também!
Assim, o alinhamento geral que temos que fazer é o de criar organizações mais líquidas e menos sólidas, mais prontas para mudar.
Veremos que várias premissas da GC apontam para esse caminho, mas não de forma a incorporar para valer as tecnologias cognitivas digitais, como ferramenta principal, tendo a inovação como ferramenta metodológica e o aumento de produtividade (mais com menos) como medição final.

Digamos que seria melhor migrar para algo como Gestão da Inovação 2.0, incorporando várias premissas da GC, incluindo fortemente o uso das redes sociais.
Há que se fazer esse alinhamento, criando algo novo, que pode até se chamar Gestão de Conhecimento 2.0, sem problema, mas com um novo banho de filosofia e de teoria para que se estanque o processo de decadência.
Hoje, as empresas tem deparamentos de GC, outro de inovação, outro implantando rede social, mais um falando de comunicação 2.0.
É o samba do conhecimento muito louco na casa da mãe joana 2.0.
A nível micro está se vendo por aí: muita ação, dinheiro gasto e pouco resultado, não é por que os gestores do conhecimento não são esforçados, mas por que o cavalo que eles estão montado está cada vez mais velho.
É isso,
Que dizes?
*Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
O jardim 2.0 das oportunidades
08/08/11
“Quem não colhe as flores das oportunidades, pode ficar com as do risco” - Nepô – da safra de 2011;

Este ano praticamente fiz um ano sabático, só estou topando o que vier nessa direção, evitando me envolver em projetos como no passado que desenvolve o paradigma pré-redes digitais colaborativas.
É um risco em um futuro para muitos incerto, para mim, inevitável.
Se eu não acredito nele, quem vai?
Resolvi reservar uma grana que ganhei o ano passado para me dedicar exclusivamente a projetos 2.0 conceituais, sem aditivos transgênicos 1.0.
O que seriam afinal projetos 2.0?
Aqueles que criam desintermediação na sociedade, a partir de redes digitais.
São aqueles em que o coordenador passa a não mais incluir conteúdo e administra a comunidade e as plataformas que a suportam, através de robôs, meritocracia, relevância dos documentos, através de cliques, etc.
Estante Virtual e Mercado Livre são dois bons exemplos de empresas desintermediadoras que geram valor para seus integrantes, para o consumidor e para a sociedade.
São os modelos para os quais as empresas estão caminhando.
Redes de fornecedores, em que um centro monta o produto e entrega personalizado para o usuário.
Eis a trilha.

Tenho feito um esforço muito grande com diversas empresas, grandes e pequenas;
Mais ou menos inovadora, mas é difícil.
Em resumo o que escuto do mercado:
- sim, estamos entrando em outra sociedade, mas isso vai demorar;
- não temos tempo para discutir isso, pois estamos muito envolvidos com o dia-a-dia;
- legal essas ideias, abriu a cabeça do pessoal, mas vamos voltar ao trabalho; ![]()
- quando os concorrentes começarem nessa direção, nós vamos.

Muita gente do lado de cá, agentes de mudança 2.0, têm optado por um discurso de convencimento do medo e do risco.
“Ou você implanta redes sociais ou vai estar fora do mercado!”
Acredito que é um discurso vazio que ainda não cola, por um motivo simples.
Tirando as áreas já atingidas (todas que lidam no epicentro do furacão, mídia e afins) o pessoal olha para os lados e não vê projetos 2.0 no horizonte.
É natural, num mundo competitivo como o nosso, em que as pessoas têm cada vez menos tempo para pensar, que todo mundo quer fazer sem perguntar exatamente o por que das coisas, que uma mudança paradigmática como a atual vá para um quarto escuro do futuro.
Os concorrentes estão tão cegos quanto ele.
Ou seja, estamos em um grande jardim de oportunidades, mas para que possa se colher às flores é preciso:
a) olhar diferente e perceber o quanto estamos mudando, os sinais ainda são para especialistas muito atentos;
b) entender bem o DNA da mudança, de onde estamos para onde vamos;
c) e criar novos projetos para gerar valor nesse novo mundo.
Acredito que empresas grandes poderiam estar financiando pequenas empresas para serem as que vão destruí-los no futuro.
Investidores poderiam ter verbas exclusivas para projetos de desintermediação.
Mas não é isso que vejo.
Nesse processo, me veio uma frase, daquelas que escrevo no meu anotador digital de bolso:
Quem não colhe as flores das oportunidades, pode ficar com as do risco;
É preciso, então, mudar o discurso.
Dificilmente, empresas grandes vão acordar para todo o dever de casa que precisa ser feito num curto espaço de tempo.
Isso vai demorar e o tempo urge.
É hora, meus amigos, das start-ups 2.0.
E é para lá que sugiro que as forças 2.0 devem direcionar seus fósforos, pois ali tem muito mais gasolina para ser incendiada do que no resto de toda a sociedade.
É um jardim de oportunidades que vai gerar risco para quem não vier junto.

É isso.
Que dizem?
Carlos Nepomuceno é professor da pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital



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