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Diversidade do consumidor é foco de feira do setor de supermercados

Associação realiza rodadas de negócios e palestras sobre gestão e consumo no segmento


Da redação

Começa nesta segunda-feira (10) a 26ª edição do Congresso de Gestão e Feira Internacional de Negócios em Supermercados, organizado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS). A expectativa da entidade é que sejam gerados negócios da ordem de R$ 4,5 bilhões para as 550 empresas participantes. Devem comparecer até o fim do evento na quinta-feira (13) 75 mil pessoas ligadas ao setor para participar das rodadas de negócios e das palestras.

De acordo com estudo da Nielsen, os 78,3 mil supermercados do Brasil faturaram R$ 177 bilhões em 2009, o que representa 5,6% do PIB do país e um crescimento real de 6,5% em relação a 2008. O setor gera 900 mil empregos diretos e cerca de 2 milhões indiretos. Junto com os dados de crescimento do segmento, a APAS divulgou pesquisas sobre as mudanças no comportamento do consumidor e sobre as estratégias de empresários do setor.

O estudo da consultoria Kantar Worldpanel mostrou que a renda mensal média do consumidor (R$ 1.686) cresceu 8% em 2009 , na comparação com o ano anterior. Já o gasto desse cliente com gêneros de largo consumo – limpeza, higiene pessoal, bebidas e alimentos – aumentou apenas 2% no mesmo período.

Os dados mostram que a tendência é que o consumidor compre maior parcela de produtos “premium” (considerados de maior qualidade). Em 2004, esses itens representavam 23% das vendas. Em 2009, 35%. “As classes AB o fazem como se essa compra fosse uma ‘recompensa’; já as classes C, D e E gastam um pouco mais em produtos de renome porque não podem arriscar perder dinheiro com um produto barato, mas desconhecido e que não funcione para elas”, afirma Martinho Paiva Moreira, vice-presidente de comunicação da APAS.

Além de reafirmar que as diferenças entre os consumidores os levam a fazer escolhas diversas, a pesquisa conclui que o consumidor fica insatisfeito com fatores básicos dos estabelecimentos comerciais, como limpeza e organização da loja, e rapidez e qualidade no atendimento, e está cada vez mais exigente.

A última pesquisa apresentada, da consultoria GfK, reafirmou a importância que o consumidor atribui a um serviço bem prestado. Os quesitos mais valorizados pelo público são qualidade no atendimento; sinalização adequada de preços; variedade de produtos e meios de pagamento; e instalações adaptadas para gestantes, idosos e cadeirantes, como vaga especial, rampa de acesso e atendimento preferencial.

O estudo também revelou que os empresários do varejo estão muito otimistas: 89,1% deles têm perspectivas de melhora nos negócios em 2010. As principais estratégias para este ano são: diminuir perdas de produtos; reduzir custos na empresa; e aumentar a lucratividade e rentabilidade nas transações. Por outro lado, 69,9% acham que o fator que mais pode atrapalhar o varejo no país é a elevada carga tributária. Apenas 24,7% se preocupam com a instabilidade econômica e 21,9% com medidas de restrição ao consumo.

O Congresso de Gestão e a Feira Internacional de Negócios em Supermercados vão até o dia 13 de maio, e ocorrem das 8h30 às 16h e das 14h às 22h, respectivamente. Além da feira com 550 expositores, haverá 70 palestras sobre gestão de negócios no varejo e comportamento do consumidor. Os eventos são organizados pela Associação Paulista de Supermercados no Expo Center Norte – Rua José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme, São Paulo. Mais informações no site do evento.

Fonte: http://revistapegn.globo.com

Universitário é o melhor empreendedor?

Esta é a idéia defendida por Ronald Jean Degen, pioneiro no ensino de empreendedorismo no Brasil

Priscila Zuini, de EXAME.com

Getty Images

empreendedores na faculdade

Para o especialista, é na faculdade que surgem as melhores ideias

São Paulo – Muita gente acredita que não existe idade certa para começar um empreendimento. Para Ronald Jean Degen, esta ocasião existe, sim. “A universidade é seu momento de máxima criatividade”, diz. Engenheiro, mestre pela Politécnica de Zurique e doutorando pelo ISM de Paris, Degen é responsável por impulsionar o ensino de empreendedorismo no Brasil, quando implantou o primeiro curso sobre o assunto na Fundação Getulio Vargas, em 1980.

O suíço resolveu mostrar aos seus alunos que a pobreza do país só poderia acabar com boas ideias e empresas com desenvolvimento sustentável. Em 1989, Degen transformou as aulas no livro “O Empreendedor – Fundamentos da Iniciativa Empresarial”, seu primeiro sobre o tema. Dez anos depois, publicou “O Empreendedor – Empreender Como Opção de Carreira”.

Vice-presidente do Conselho de Administração da Masisa, no Chile, o executivo falou com exclusividade ao site Exame sobre o momento ideal para começar um negócio e a importância da universidade para formação de empreendedores.

EXAME – Existe melhor momento para começar um negócio?
Ronald Jean Degen - Sim. É na universidade que você está mais preparado para inovar, porque é o seu momento de máxima criatividade, você está aprendendo, gostando daquilo e se realizando. E também ainda não assumiu suas obrigações sociais. À medida que suas obrigações aumentam, mais dependente você se torna de um salário e menos propenso a arriscar.  É da universidade que saem as grandes ideias.

EXAME -
Como você enxerga o ensino de empreendedorismo no Brasil?
Degen - Uma das deficiências é que no Brasil os cursos de empreendedorismo fazem parte da grade das escolas de administração. Por isso, os cursos de empreendedorismo se transformaram em cursos de planos de negócios. Mas fazer um plano de negócios não é montar um negócio. O que eu proponho é a criação de um centro aberto de empreendedorismo, em que não importa se o sujeito já se formou ou não. O ideal é que você atraia todas as especialidades e que eles se juntem para criar negócios.

EXAME - Qual deve ser o perfil do professor de empreendedorismo?
Degen - Ele tem que ser um coach, alguém que ajuda quem quer ser empreendedor. O professor não precisa de diploma, o certificado dele é um negócio de sucesso. Ele precisa ajudar o aluno a descobrir o que gosta e se está disposto a seguir o estilo de vida que o negócio exige.Além disso, tem que trazer para a escola alguns mentores, o que chamamos de investidores-anjos, que são executivos interessados em investir nestes empreendimentos.

EXAME -
Uma idéia e dinheiro bastam para ter um negócio?
Degen – As estatísticas mostram que quem tem dinheiro para começar um negócio tem mais chances de fracassar do que quem não tem. Quando você tem dinheiro, você tem uma ideia e realiza. Quando você não tem, tem que trabalhar muito mais, pesquisar muito mais e convencer alguém a te dar o dinheiro. Além disso, todo bom negócio precisa de quatros coisas: saber produzir, saber administrar, ter criatividade e saber integrar equipe, fornecedores e consumidores. Como ninguém tem essas quatro habilidades sozinho, é comum que a maioria dos negócios seja formada por um grupo de sócios.

EXAME - Existem características comuns aos empreendedores?
Degen - O empreendedor é aquele que inova. Isto é uma questão de prática. Não é ciência nem arte.  Você tem que aprender e criar com a sua experiência uma base de conhecimento. É possível treinar seu cérebro para ser inovador. Nunca se descobriu nenhuma característica em comum entre pessoas empreendedoras. Para mim, só uma coisa é imprescindível,  a força de vontade. Isso é a base de sucesso para tudo.

Fonte: http://portalexame.abril.com.br

A Ascenção e Queda do Planejamento Estratégico

Por Henry Mintzberg*

Os planejadores podem não criar estratégias. Mas devem fornecer informações e ajudar os executivos a pensar estrategicamente

chess-posterQuando o planejamento estratégico entrou em cena, nos anos 60, os líderes das grandes corporações abraçaram a idéia como “o único e melhor caminho” para ganhar competitividade. Essa poderia ser uma verdade para a administração científica inaugurada por Taylor – mas não se revelou adequada para a maioria das corporações. Esse “melhor caminho” pressupunha uma nova função, a cargo de “especialistas”, os planejadores. A eles caberia a tarefa de criar as melhores estratégias, com instruções passo a passo, de forma que os administradores – os encarregados de fazer – não pudessem errar. Como sabemos atualmente, esse planejamento não funcionou exatamente assim.

Embora não esteja morto, o planejamento estratégico caiu de seu pedestal. Mesmo hoje, poucos entendem a razão disso. Ocorre que planejamento estratégico não é pensamento estratégico. Ao contrário, o planejamento estratégico muitas vezes estraga o pensamento estratégico, levando administradores a confundir a visão real com a manipulação de números. A maioria das estratégias de sucesso se resume a visões, não a planos. O planejamento estratégico, como vem sendo praticado, tem sido na verdade uma programação estratégica, a articulação e elaboração de estratégias ou visões que já existem. Quando as companhias entendem a diferença entre planejamento e pensamento estratégico, elas podem voltar ao que deveria ser o processo de formulação de uma estratégia: capturar o que os administradores apreendem de todas as fontes (tanto os insights de suas experiências pessoais quanto os números colhidos de pesquisas) e sintetizar o aprendizado numa visão de direção que o negócio deveria perseguir.

Organizações desencantadas com o planejamento não deveriam dispensar ‘seus planejadores, acreditando que eles não se fazem necessários. Ao contrário, elas deveriam modificar o trabalho convencional de planejamento. Planejadores deveriam dar suas contribuições em torno do processo de formulação de uma estratégia. Eles deveriam fornecer a análise formal, de números, que o pensamento estratégico requer de modo a ampliar as questões a ser consideradas, e não para descobrir uma única resposta certa. Eles deveriam agir como catalisadores, que dão suporte à formulação estratégica, ajudando e encorajando executivos a pensar estrategicamente. E, finalmente, poderiam ser programadores de uma estratégia, ajudando a especificar uma série de passos concretos necessários para levar adiante a visão.

TAREFA

A missão dos planejadores é agir como catalisadores da formulação da estratégia

Ao redefinir o trabalho de planejamento, as companhias conhecerão a diferença entre planejamento e pensamento estratégico. Planejamento tem sido sempre em torno de uma análise – sobre a conquista de uma meta ou sobre intenções ordenadas passo a passo, de forma que possam ser implementadas quase automaticamente, e sobre a articulação antecipada das conseqüências e dos resultados de cada passo. “Sou a favor de uma série de técnicas analíticas para o desenvolvimento estratégico”, escreveu Michael Porter, um dos papas da administração, num artigo para a revista inglesa The Economist.

O rótulo “planejamento estratégico” tem sido aplicado a todos os tipos de atividade, como ir às montanhas para um encontro informal, por exemplo. Deixe que os planejadores convencionais o organizem e veja a rapidez com que esses eventos são formalizados (exposição sobre metas pela manhã, sobre fraquezas à tarde e sobre estratégias cuidadosamente articuladas às 5 horas da tarde).

O pensamento estratégico, em contrapartida, se refere à síntese. Ele envolve intuição e criatividade. O resultado do pensamento estratégico é uma perspectiva integrada do empreendimento, uma visão de direção que nem sempre é precisamente articulada. Exemplo: a visão de Jim Clark, fundador da Silicon Graphics, de que imagens tridimensionais são o jeito de transformar computadores em máquinas mais fáceis de ser usadas. Clark vislumbra algo no futuro. Tais pensamentos estratégicos nem sempre podem ser colocados em cronogramas ou concebidos imaculadamente. Eles têm de estar livres para aparecer a qualquer hora e em qualquer lugar da organização, tipicamente através de processos confusos de aprendizado informal que devem ser necessariamente conduzidos por pessoas de vários níveis e que estejam profundamente envolvidas com as questões específicas abordadas.

ESTILO

O planejamento é uma forma calculada, não intuitiva, de administração dos negócios

O planejamento formal, por sua natureza muito analítica, tem sido e sempre será dependente da preservação e do rearranjamento das categorias estabelecidas – os tipos de produtos existentes nas unidades convencionais de estrutura (divisões, departamentos etc). Mas uma mudança efetiva em estratégia requer não um mero rearranjo nas categorias já estabelecidas, mas o invento de algumas novas.

Estude todos aqueles diagramas de planejamento, todos aqueles quadros interligados que supostamente fornecem uma estratégia a você: em nenhum deles você encontrará a explicação do ato criativo de sintetizar experiências. Pegue o exemplo da câmera Polaroid. Um dia, em 1943, a filha de 3 anos de Edwin Land perguntou por que ela não poderia ver uma foto dela imediatamente após ter sido tirada. Em 1 hora, esse cientista concebeu uma câmera que transformaria a empresa. Em outras palavras, a visão de Land foi a síntese de um insight, evocado pela pergunta da filha, e de seu vasto conhecimento tecnológico.

A formação estratégica precisa funcionar no intervalo entre os quadros, precisa encorajar o aprendizado informal que produz novas perspectivas e novas combinações. Como se diz: a vida é maior do que nossos cargos. A falência do planejamento em transcender categorias explica por que muitas organizações têm se desencorajado a mudar. Esse fracasso é a razão pela qual o planejamento formal tem promovido estratégias que são tiradas do passado ou copiadas de outros. O planejamento estratégico não só nunca correspondeu ao pensamento estratégico como, freqüentemente, o impediu. Uma vez que os administradores entendam isso, eles poderão evitar outras desventuras custosas causadas pela aplicação de técnicas formais, sem julgamento ou intuição, para resolver problemas.

AS ARMADILHAS DO PLANEJAMENTO - Se você perguntar aos planejadores convencionais o que foi que deu errado, eles inevitavelmente irão apontar uma série de fatores pelos quais, é claro, eles não são responsáveis. Eles dirão que não tiveram o suporte necessário dos executivos ou que houve resistência às mudanças dentro da organização. Mas seguramente nenhuma técnica recebeu mais apoio do topo da organização do que o planejamento estratégico em seus dias de glória. Foi o próprio planejamento estratégico – e suas falhas sistemáticas – que desencorajou a confiança dos executivos.

O problema é que o planejamento representa um estilo calculado de administração, não um estilo de compromisso de engajamento. Executivos com um estilo baseado no comprometimento, no vestir a camisa, como se diz popularmente, conseguem engajar as pessoas numa aventura. Eles lideram de tal forma que todos que participam da aventura ajudam a definir seu curso. Como resultado, o entusiasmo inevitavelmente vai tomando conta das pessoas ao longo do percurso. Aqueles que têm um estilo calculista fixam um destino e estimam o que o grupo tem de fazer para chegar lá, sem preocupação com as preferências individuais. Ocorre que as estratégias calculadas não têm grande valor por si sós. Parafraseando o sociólogo Philip Selznick, as estratégias só têm valor quando pessoas a quem se confiou algo enchem-nas de energia.

A verdade é que aqueles que promovem o planejamento convencional querem, no fundo, reduzir o poder da administração sobre a formulação de ação da estratégia. George Steiner declarou: “Se uma organização é administrada por gênios intuitivos, não há necessidade de um planejamento estratégico formal. Mas quantas organizações são tão abençoadas? E, mesmo que fossem, quantas vezes os intuitivos estão certos em seus julgamentos?” Peter Lorange, que é igualmente um entendido no assunto, diz: “O presidente executivo não deveria estar… profundamente envolvido” no processo, mas deveria ser “o designer (do processo) de forma geral”.. Como podemos esperar que executivos de topo possam acreditar num processo que os descreve dessa forma, especialmente quando sua falência em cumprir o prometido se tornou tão evidente?

Nos escalões administrativos mais baixos da hierarquia, o problema se torna mais grave porque o planejamento tem sido freqüentemente usado para um controle barulhento do trabalho. Não é de admirar, portanto, que tantos executivos de médio escalão tenham aplaudido a bancarrota do planejamento. Tudo o que eles queriam era a confiança para traçar suas próprias estratégias sem ter de brigar com os planejadores para tê-las!

OS PAPÉIS DE CADA UM – Planejadores e administradores têm diferentes papéis e vantagens. Planejadores não têm a autoridade de um presidente executivo e, mais importante, não têm acesso às informações virtuais que são fundamentais. Mas, por conta da pressão do tempo, os presidentes tendem a favorecer a ação em vez da reflexão; tendem a favorecer o discurso verbal em vez do escrito. Isso pode resultar numa falta de informações analíticas importantes. Os planejadores, é certo, têm tempo e, mais importante, a inclinação para a análise. Eles têm papéis críticos a desempenhar lado a lado com os executivos. Eles deveriam trabalhar num espírito que gosto de chamar de soft analyst, cujo objetivo é apresentar as perguntas certas, e não buscar as respostas certas. Dessa forma, questões complexas são abertas a vastas considerações em vez de ser fechadas prematuramente por decisões apressadas.

ERRADO

Muitas vezes o planejamento é utilizado como meio de controle do trabalho

Uma imagem apropriada a ser feita de um planejador pode ser a de uma pessoa que fica na sala, juntamente com o presidente executivo, depois que todos deixaram a reunião. Todas as decisões estratégicas tomadas estão, simbolicamente, espalhadas em papéis sobre a mesa. O CEO vira-se para o planejador e diz: “Está tudo aqui. Limpe tudo. Ordene de forma que a gente possa dizer a todos o que queremos e como eles poderão tocar o trabalho”. Em palavras mais formais, planejamento estratégico envolve três passos: codificação, elaboração e conversão de estratégias.

OBJETIVO

O importante não é buscar respostas certas, mas ter perguntas certas

Codificação significa clarear e expressar estratégias em termos suficientemente claros, de forma que suas conseqüências possam ser trabalhadas em detalhes. Isso requer um bom bocado de interpretação e de atenção a coisas nem sempre ditas. Uma visão, como a de um novo mercado emergente para uma nova tecnologia, é uma coisa. Um plano específico, como chegar a 35% de participação de mercado, é algo totalmente diferente. Elaboração significa quebrar as estratégias codificadas em subestratégias às quais se adicionam planos de ação específIcos a ser seguidos. Construir novas fábricas ou contratar 200 funcionários são exemplos desses planos de ação. Conversão, por sua vez, significa a consideração que se deva ter dos efeitos e das mudanças nas operações da organização – efeitos, por exemplo, no orçamento, no desempenho.

A programação estratégica não é “o melhor caminho” nem necessariamente um bom caminho. Administradores nem sempre precisam programar suas estratégias formalmente. Às vezes, eles devem deixá-las flexíveis, como visões do futuro, para adaptá-las a um meio em constante mutação. Somente quando uma organização se sente segura de estar num meio relativamente estável e precisando de uma coordenação amarrada de suas operações (como as companhias aéreas e a necessidade complexa de programar vôos e passageiros) é que a programação estratégica faz sentido. Como notamos, algumas das melhores estratégias emergiram em empresas sem que se houvesse a intenção de traçá-las. A total exploração delas, porém, requer que, primeiro, elas sejam reconhecidas pelos executivos (como a exploração de um novo uso para um produto, descoberto ao acaso por um vendedor, que resulta num novo mercado). Claro que é responsabilidade dos executivos reconhecer essas oportunidades estratégicas. Mas planejadores podem auxiliar a encontrar essas estratégias dentro das atividades da empresa ou nas concorrentes. Podem rodar por lugares aonde costumeiramente não vão, dentro e fora da empresa, e perceber novos mercados que podem implicar novos produtos. Assim, tornam-se farejadores de estratégias.

Além de farejadores, podem também ocupar-se do papel de analistas. Olhando-se o que a maioria dos planejadores faz hoje conclui-se que eles são candidatos óbvios para a tarefa de estudar dados e números de forma a ajudar executivos na tomada de decisões. Num artigo, o ex-chefe de planejamento da Royal Dutch/ShelI, Arie de Geus, escreveu que “o objetivo verdadeiro do planejamento não é traçar planos, mas mudar… os modelos mentais…. que os tomadores de decisões carregam em suas cabeças”. Como catalisadores, os planejadores deveriam encorajar administradores a pensar no futuro de forma criativa. Dois tipos bem diferentes povoam o mundo dos planejadores. Um é db tipo pensador analítico, mais próximo da imagem que se tem do planejador estratégico. Ele (ou ela) se dedica a trazer ordem à organização. Essa pessoa programa as estratégias e se certifica de que foram comunicadas claramente aos diversos escalões da empresa. Também se ocupa de estudos analíticos e de informações numéricas. Podemos chamá-lo de planejador de mão direita. O segundo tipo é menos convencional entre as empresas. Trata-se de um sujeito que pensa criativamente, que anseia por ampliar o processo de elaboração de uma estratégia. Como soft analyst, esse planejador está preparado para conduzir estudos rápidos. Ele ou ela gosta de encontrar estratégias em locais estranhos e de encorajar os outros a pensar estrategicamente. Essa pessoa é, de alguma forma, mais inclinada aos processos intuitivos identificados com o hemisfério direito do cérebro. Podemos chamá-la de planejador de mão esquerda.

LIMITES – Muitas organizações precisam dos dois tipos de planejadores e é trabalho da direção executiva certificar-se de que ambos atuam em proporções apropriadas. As organizações necessitam de pessoas que tragam ordem ao caos administrativo, assim como precisam de gente que desvende as convenções que os administradores desenvolvem. Algumas empresas (especialmente aquelas grandes máquinas burocráticas preocupadas com a produção massificada) podem favorecer o planejador de mão direita. Outras empresas’ (menores e mais flexíveis) podem favorecer aqueles de mão esquerda. Mas os dois tipos de organização precisam dos dois tipos de planejadores, pelo menos para mudar suas tendências naturais. Nós, humanos, parecemos predispostos a formalizar nosso comportamento. Mas temos de ter cuidado para não ultrapassar os limites da formalização. Não há dúvida de que devemos formalizar para alcançar muitas coisas que desejamos na sociedade em que vivemos. Mas a experiência do que tem sido rotulado como planejamento estratégico nos diz que há limites. Esses limites devem ser entendidos, especialmente para atividades complexas e criativas feito planejamento estratégico.

LIÇÃO

O planejamento nos ensinou alguma coisa sobre como nós, seres humanos, pensamos?

Traçar estratégias não é um processo isolado. Ele não acontece porque um evento é programado e executivos são chamados à discussão de algo rotulado como sendo planejamento estratégico. Ao contrário, traçar estratégias é um processo de entrelaçamento de tudo o que é preciso para administrar uma organização. Sistemas não raciocinam e, quando são usados para mais do que a simples facilitação do pensamento humano, eles podem dificultar o ato de pensar.

Três décadas de experiência com planejamento estratégico nos ensinou sobre a necessidade de afrouxar o processo de elaboração de estratégias em vez de tentar selá-lo com formalizações arbitrárias. Aprendemos o que não é planejamento e o que não se deve deixar acontecer. Mas também aprendemos o que é planejamento e o que ele pode fazer e, talvez de mais utilidade, o que os planejadores podem fazer por meio do planejamento. A história do planejamento estratégico, em outras palavras, nos ensinou não somente técnicas mas também como as organizações funcionam e o que os administradores fazem (ou não) para pactuar com esse funcionamento. Mais significativo, nos ensinou alguma coisa sobre como nós, seres humanos, pensamos, e que nós, às vezes, paramos de pensar.

*Henry Mintzberg é professor de Administração da Universidade McGiII, de Montreal, no Canadá e professor visitante em Fontainebleau, França.

Expectativas para a logística em 2010

Postado por Fernando McDowell*

Autor: Neimar Follmann**

ist2_4056755-connectingBem, e o que deverá acontecer no campo da logística? Para responder, é necessário considerar que a logística pode ser um processo importante de uma empresa, é considerado um negócio para operadores logísticos, por exemplo, e deve ser um compromisso estratégico para um país.

Alguns fatos – econômicos e sócio-ambientais – têm transformado estes três contextos ao redor do mundo e terão repercussão direta sobre a logística no próximo ano e com certeza nos anos seguintes a este. Vamos analisar alguns deles:

Passada a pior parte da crise mundial – pelo menos é o que parece aqui no Brasil – os olhos do mundo voltaram-se para cá, o que significa que mais empresas podem decidir entrar no Brasil e que os grupos aqui instalados podem reforçar sua presença. Empresas como o Grupo Pão de Açúcar e as Casas Bahia, viram neste contexto a necessidade e a oportunidade de solidificar sua participação em seu mercado, através da fusão das duas empresas e, com isto, economizar entre dois e quatro bilhões (Revista Exame de 16/12/2009, p. 198-199), além de tornar a empresa mais resistente às investidas de grupos estrangeiros.

Com certeza, boa parte do ganho de escala, que pode representar até 10% do faturamento de todo o novo grupo formado, virá da logística. Para ser um fornecedor deste grupo não há como se manter competitivo sem uma logística ágil e enxuta, operando no menor custo possível. Esta é a primeira, e provavelmente mais óbvia, previsão que faço. A pressão pela redução dos custos logísticos será (continuará) um dos principais pontos em 2010.

Outro fator impacta no compromisso estratégico que um país tem sobre sua infra-estrutura logística. Há alguns dias, os líderes de 193 países estão reunidos em Copenhague, na Dinamarca, para discutir formas de reduzir os impactos ambientais causados pela forma como escolhemos nos desenvolver economicamente no decorrer dos últimos séculos. A grande questão que estes líderes estão tentando resolver é: como reduzir os impactos ambientais sem perder poder econômico? E provavelmente, como não gastar muito dinheiro com isto? Está claro que isto demandará um esforço de todos – governos, empresas e nós, consumidores – e mudará a forma como muitas coisas são feitas hoje.

O governo tem papel fundamental nisto, já que suas políticas públicas determinarão como as empresas farão seu transporte (caminhão, trem ou navio), o quanto essas organizações serão competitivas e, por conseqüência, o quanto elas emitirão de poluentes. E neste contexto, tanto as empresas que se utilizam da logística como aquelas que oferecem serviços logísticos terão ressaltada a necessidade de se adaptar a uma estrutura logística ambientalmente menos nociva em 2010.

Como não poderia deixar de ser, as campanhas políticas dos candidatos a presidência e governador deverão debater estas questões e possivelmente tornarão mais evidentes a necessidade de mudança. E neste contexto, irei usar agora o exemplo do pequeno município de São Lourenço do Oeste – SC, que está em vias de tornar Lei o uso de sacolas retornáveis, não mais permitindo o uso de sacolas plásticas, o que ainda é feito na maioria das lojas e supermercados do Brasil. Esta ação que já funciona na prática e que contou com a iniciativa do Núcleo de Supermercados do município, terá reflexos também na forma como os produtos serão embalados, pois o povo começa a analisar os impactos que isto traz em seu dia-a-dia.

Por exemplo, um pequeno comerciante da mesma cidade, ainda não muito adaptado à iniciativa, olhando para a prateleira de sua loja de chocolates, disse: “de que adianta sermos obrigados a usar sacolas retornáveis se todos estes produtos usam plástico na sua embalagem?”. Nisto sua cliente responde: “é o momento para começarmos a cobrar seus fornecedores”. Ou seja, é só uma questão de tempo para que todas as empresas necessitem se adaptar a este tipo de iniciativas, o que trará mudanças significativas nas embalagens e na logística.

Assim, o ano de 2010 terá fortes movimentos no sentido de reduzir os custos, o que exigirá que as empresas se adaptem às melhores práticas gerenciais e tentem ganhar escala operacional, ao mesmo tempo em que todos os povos do planeta lutarão para diminuir a emissão de poluentes. Isto, automaticamente, fará com que a logística sofra mudanças efetivas onde custos e meio ambiente serão aspectos centrais.

*Fernando McDowell é coordenador da Pós-Graduação em Gestão de Negócios Logísticos

**É mestre em Engenharia de Produção com foco em Logística e Transportes, pela Universidade Federal de Santa Catarina. É formado em Administração e possui especialização em Métodos de Melhoria da Produtividade pela UTFPR. Possui experiência na gestão de frota, em empresas de transporte de cargas, e logística industrial, no ramo moveleiro. Cursa Doutorado em Engenharia de Produção na UFSC.

Fonte: www.logisticadescomplicada.com