Por Helenita Araújo*

Ao longo dos tempos escutamos algumas máximas como: “Cada povo tem o governante que merece.”  Transportando para a linguagem organizacional, este texto visa relacionar a importância do líder em um processo de Planejamento Estratégico de qualquer organização.

A palavra Estratégia é oriunda do militarismo, são os meios pelos quais irá ser atingido determinado fim. Existem vários caminhos e é planejando, tendo em mente todas as forças externas e internas que podem alterar este caminho, assim como tendo clareza das vantagens e desvantagens dos diversos percursos é que pode-se ter sistemas de controle para que este plano chegue as vias de fato. É claro que neste caminho é de vital importância que todos sigam na mesma direção. E é o comandante da tropa, ou seja, o líder que vai ter a responsabilidade de envolver a todos fazendo com que o objetivo seja o mesmo – atingir a meta estipulada.

Entre os anos de 60 e 80 a abordagem do planejamento estratégico era feita de forma em que não havia a devida preocupação com o comprometimento dos colaboradores das empresas. Na entrada dos anos 90, com um cenário de mudanças bruscas e competitividade acirrada, há cada vez mais a necessidade de uma administração estratégica por parte dos líderes das empresas de forma a comprometer cada colaborador. Metaforicamente, pode-se dizer que anteriormente os líderes estavam navegando em embarcações seguras e em rios tranquilos, onde podia-se decidir a respeito de possíveis mudanças de forma muito mais gradativa. Hoje os líderes vivem em grandes rafts, sob balsas e em correntezas que exigem um grito de comunicação firme e praticamente inquestionável de quem lidera e onde exige-se também uma grande dose de confiança por parte da equipe, pois quando o líder diz para virar para a esquerda porque tem uma pedra a frente, a equipe deve confiar e levar a embarcação para a mesma direção.

Quando uma empresa não consegue executar um planejamento estratégico, acaba ficando “indiferenciada” frente aos seus colaboradores e frente ao seu mercado de atuação, e é justamente o diferencial o grande “pulo do gato” para a garantia de qualquer empresa no mercado. Ou seja, neste caso, a empresa volta-se cada vez mais para dentro de si mesma de modo a não enxergar o que está a sua volta. Concorrência e mudanças ficam fora de seu campo de visão, logo, aquele que lidera esta empresa, pode ser considerado um cego guiando na escuridão, fadando esta empresa a sua falência.

É claro que há que se ter bom senso e saber aproveitar o que pode ser aproveitado para o planejamento estratégico de cada empresa com os seus devidos limites e diferenças. O líder deve evitar ser como o da fábula “A Roupa Nova do Rei”, que, por vaidade, optou por acreditar que estava usando o mais belo traje, enquanto que, na verdade, estava nu. Modismos na área administrativa existem muitos, deve-se no entanto, saber o que “cai bem” para cada perfil e realidade de cada empresa. Com certeza o planejamento estratégico da “Padaria da Esquina” não terá os mesmos moldes dos de uma multinacional, ainda que devendo seguir os passos básicos do processo de planejamento.
Voltando-se para a realidade brasileira, são 500 anos de uma cultura onde só havia planejamento a curto prazo. Faz parte da nossa história, desde a colonização, onde o objetivo era explorar e extrair, logo, não existia a necessidade de planejar. Possivelmente seria diferente se a colonização tivesse por objetivo construir algo futuro.

Enquanto em um país como o Japão gasta-se 70% do tempo de uma atividade em seu planejamento e 30% em sua execução, em países como o Brasil existe um forte paradigma de que planejamento é “perda de tempo”, basta executar. Hoje começamos a ver que não é bem assim, mas precisamos fazer dentro dos nossos próprios moldes. Precisamos criar dentro da nossa realidade e ter a ousadia para quebrar o paradigma do imediatismo.
É de fundamental importância que cada pessoa saiba o valor do seu papel profissional no negócio da empresa. E é sabendo claramente a missão da empresa e relacionando a sua própria missão que o comprometimento faz-se de forma espontânea e o trabalho em equipe surge com total sinergia.

Sem dúvida, depois de estipulado o plano estratégico, irão existir os líderes situacionais de cada “time” de trabalho. Daí a importância da formação de líderes em uma organização.
Todos os times precisam de ferramentas que estão ligadas ao negócio da organização e que devem ser oferecidas para que as pessoas aprendam sempre mais, definindo as suas próprias necessidades de desenvolvimento. Sendo que ao “líder maior” desta organização cabe a garantia da integração desta formação de times. E para que este processo de times seja posto em prática a organização deve colocar cada um destes seis itens citados anteriormente em conscientização geral.

Para concluir, volto a máxima já modificada: “Cada organização tem o líder que merece”, a vontade política de um líder é fundamental para a implementação, comunicação e monitoração de todo e qualquer planejamento estratégico. Seu sucesso ou fracasso poderá ser dividido por todos de forma igualmente prazeirosa ou não dependendo de como e de quem conduziu a trilha planejada.

Helenita Araújo é coordenadora da Pós-Graduação em Gestão de Recursos Humanos (http://www.igec.com.br/index.php/Cursos/pos-graduacao-em-gestao-de-recursos-humanos)