Artigos com o marcador Fórmula 1
Tirando “coelhos” de “poças”!
02/04/12
Por Alexandra Alencar*
Uau! Foi a melhor forma que encontrei para começar a falar do GP da Malásia, ocorrido nesta madrugada de domingo (horário de Brasília), em Kuala Lumpur. Chuva, ultrapassagens, rodadas, toques e até quebra de motor (coisa que não víamos há tempos!). Estes foram os elementos de destaque da segunda etapa da temporada 2012 de Fórmula 1. Teve de tudo: emoção, ansiedade, nervos à flor da pele… Parecia enredo de filme de suspense. E, como tal, quem seria capaz de prever o final disso tudo?
Primeiro Elemento: A chuva!
Poucos minutos antes da largada, o circuito de Sepang se encontrava encoberto por uma pesada nuvem escura. A chuva era uma questão de tempo. E pouco tempo! Já na volta de apresentação ela começou a cair, inicialmente não tão ameaçadora. Mesmo assim, a largada foi tensa. Hamilton mais uma vez largou na pole position, ao lado de um motivado Jenson Button na segunda posição. Michael Schumacher surpreendeu ao sair no terceiro lugar do grid e mais ainda por largar muito mal e perder posições para Romain Grojean. Mas o piloto da Lotus não conseguiu segurar a própria ansiedade e perdeu as posições conquistadas na largada, tocando no próprio Schumacher e jogando ambos para trás na prova. Quem ganhou com toda essa agitação lá na frente foi Fernando Alonso, que após largar em oitavo chegou ao quinto lugar, com Vettel (4º) e Webber (3º) à sua frente. Então, foi a vez da chuva dar as cartas novamente. Ela se intensificou e aí foi um tal de piloto correr para os boxes e colocar pneus de chuva… E nessa o mexicano Sérgio Perez (lembra daquele piloto que destaquei no último post por largar em último e terminar em oitavo? É ele mesmo!!) e sua equipe se deram melhor que todos, pois escolheram a hora exata (1ª volta) para fazer a troca de pneus. A chuva não dava trégua e na sétima volta foi necessária a entrada do safety car. No entanto, na volta de número nove os comissários de prova decidiram suspendê-la por falta de condições de visibilidade e, consequentemente, de segurança.
A partir daí o que se viu foram os carros realinhados no grid por cerca de uma hora, muita chuva, conversa e articulações para que a corrida fosse cancelada. Quando já se achava esta uma possibilidade, o tempo resolveu melhorar um pouco e optou-se pela relargada com o carro de segurança à frente do pelotão.
Segundo Elemento: A Determinação
Com a saída do safety car, na décima quarta volta, outra corrida se desenhou. Os carros puderam largar e Hamilton continuou à frente, pelo menos até parar de chover, a pista começar a secar e ser preciso trocar novamente os pneus. Aí a sorte o abandonou de novo… Um pequeno problema na troca da McLaren fez com que Fernando Alonso, que entrou logo atrás de Hamilton, o ultrapassasse ainda nos boxes e saísse à frente de Perez, assumindo a liderança. Enquanto a pista ainda possuía resquícios de água, Alonso fazia volta rápida em cima de volta rápida. A chuva, anunciada a toda hora por esta ou aquela equipe pelo rádio, não chegava, e o asfalto estava cada vez mais seco. A Ferrari, que não tem sido reconhecida pelo seu desempenho em condições normais, ameaçava deixar seu piloto na mão mais uma vez. Quando os tempos de Alonso já não iam mais por água abaixo, ou seja, quando ele já não podia contar com a chuva como aliada na busca de voltas mais rápidas, Sérgio Perez resolveu mostrar seu potencial. O mexicano começou a andar cada vez mais rápido e se aproximar do carro da Ferrari. Como não encontrava resistência, ficou cada vez mais empolgado e engolia, volta a volta, a distância que já havia sido de mais de 8 segundos. A chuva não veio, a pista secou, o que significava… carros nos boxes de novo. Alonso entrou primeiro, Perez na volta seguinte, e o tormento só aumentou. Faltando seis voltas para o final, já era certa ultrapassagem da Sauber sobre a Ferrari e o retorno de um mexicano ao pódium, e no primeiro lugar, após mais de 40 anos. Mas aí veio aquela mensagem dos boxes: “Nós precisamos desta posição!”. E junto com ela veio a minha primeira teoria da conspiração de Sepang! Os dois carros possuem motor Ferrari. Será que seria interessante a equipe que fornece o motor perder para aquela que o recebe? Aerodinâmica e conceito de carros à parte, será que a crise não ficaria ainda pior na escuderia vermelha? Desculpe se coloquei algumas pulgas atrás de orelhas ou derrubei castelos daqueles que ainda insistem em acreditar que o mundo do esporte não se rende às políticas de mercado. Não sei se minha teoria tem fundamento, mas puro é que esse meio não é! É acima de tudo um comércio, em que os envolvidos topam repetir os mesmos erros (como correr no mesmo horário em que se sabe que a chuva cai, todos os anos, com hora marcada, mesmo sabendo que o espetáculo e a segurança estarão comprometidos), desde que parceiros e acordos comerciais não sejam atingidos. Mas voltando à disputa Perez/Alonso… Como assim “nós precisamos desta posição”?! Eles precisavam era da primeira, isso sim! E iam conseguir logo, logo!! Contudo, enfim, o que importa é que Perez errou uma curva, perdeu contato com o carro da frente, permaneceu com a “tão necessária” posição e todos foram felizes até o final! Não quero tirar, de forma alguma, o mérito do piloto espanhol. Ele mereceu vencer por tudo de bom que conseguiu tirar de um carro ruim! A Ferrari ainda tem que trabalhar muito pra fazer jus ao campeão que tem em casa.
Início Difícil
E por falar em campeão, e o Vettel, hein? Largou em quinto, fez uma corrida sem sustos, mas também sem emoções, e quando estava prestes a somar mais 12 pontinhos e assumir a vice liderança ao lado de Lewis Hamilton, tocou com a roda no bico da HRT de Karthikeyan e furou o pneu a poucas voltas do fim. Ainda deu tempo de fazer a troca, mas o estrago já estava feito! Chegou em décimo primeiro, após herdar uma posição com o abandono por quebra de motor de Pastor Maldonado (outro que tá precisando se benzer!!), e não figura nem entre os cinco primeiros na classificação do campeonato. O pior foi o desespero do mecânico do Vettel mandando-o parar o carro antes do fim da prova. Para quem não conhece a regra, carro que não termina tem direito à troca de motor para a próxima corrida sem risco de punição. E como o alemão já não estava pontuando mesmo a equipe achou mais vantajoso poder usar essa regra a seu favor. Mas a conversa “particular” do rádio vazou e o plano não foi colocado em prática, talvez por medo de que os comissários da prova pudessem não ver com bons olhos a atitude… Também vem de Sebastian Vettel a minha segunda teoria da conspiração de Sepang! O que será que aconteceu com o bicampeão? Como pode após duas etapas ele não ter vencido nenhuma? E as poles, onde estão? Sei que o problema está em boa parte no carro, mas neste quesito Fernando Alonso ganha disparado dele quanto ao direito de choramingar! Pior que a Ferrari a RBR não está!! Cadê o “braço” do piloto quando se precisa dele? Fora uma ou outra ultrapassagem de grau médio, ele se tornou um coadjuvante de luxo. Como sempre digo quando toco neste assunto, não é que o Vettel seja um piloto ruim (longe disso!), não dá pra chegar à conquista de um campeonato com um carro bom e um piloto medíocre. Dois então! Só não acredito na excepcionalidade toda que atribuem a ele. Não preciso de provas de sua genialidade, nem fã dele sou! Acho apenas que algumas questões precisam ser avaliadas pra que euforias por grandes prodígios não fabriquem grandiosidades inexistentes…
E os demais…
Bem, vamos aos outros pilotos de destaque. Button, em “dia de Hamilton”, com pequenas batidas, problemas com o carro e com os pneus, idas e vindas aos boxes, terminou em 14º lugar. Mark Webber terminou onde começou, em quarto. Kimi Raikkonen continua comendo pelas beiradas; largou em décimo, chegou em quinto. Schumacher, também beneficiado pela quebra de Maldonado, conseguiu marcar um ponto (10ª colocação). No que diz respeito aos brasileiros, tivemos boas e más notícias. A boa vem de Bruno Senna que, tendo largado em 13º, e chegando a andar em último lugar, terminou em 6º, marcando mais pontos nesta corrida do que sua equipe (Willians) durante toda a temporada de 2011. E que ninguém me tome por implicante, mas a má notícia vem mais uma vez de Felipe Massa, que vê sua possibilidade de permanência na Ferrari tão distante quanto ele ficou de seu companheiro de equipe (enquanto Alonso venceu ele foi apenas o 15º). São essas coisas que motivam a torcida ferrarista a pedir até mesmo a volta de Rubens Barrichelo… Não sei se Massa vai poder reclamar!
As condições adversas não permitem uma avaliação completamente correta dos carros. A Austrália não era a pista ideal. A Malásia não teve o clima ideal. Vamos ter que esperar mais uma etapa para clarear um pouco mais as coisas sobre carros, equipes, pilotos e seus papéis na temporada de 2012. O próximo encontro do circo da F1 será no GP da China, daqui a três semanas. Difícil de apostar? Também acho!!
Resultado final (zona de pontuação): 1º – Fernando Alonso (Ferrari), 2º – Sérgio Perez (Sauber), 3º – Hamilton (McLaren), 4º – Webber (RBR), 5º – Raikkonen (Lotus), 6º – Senna (Willians), 7º – Di Resta (Force Indian), 8º – Vergne (Toro Rosso), 9º – Hülkenberg (Force India) e 10º – Schumacher (Mercedes).
E o campeonato ficou assim nas cinco primeiras posições: Alonso (35 pontos), Hamilton (30 pontos), Button (25 pontos), Webber (24 pontos) e Perez (22 pontos). Já pelo mundial de construtores a McLaren ainda lidera com 55 pontos, seguida pela RBR com 42 e pela Ferrari com 35 pontos.
*Alexandra Alencar é aluna da 7a turma da pós-graduação em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte (JENE7)

Comentários