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As relações entre as estratégias genéricas de Porter e a Gestão da Qualidade
jan 8th
O INSUCESSO NA IMPLEMENTAÇÃO DA GESTÃO DA QUALIDADE:
MAIS DA METADE DAS TENTATIVAS DE IMPLEMENTAÇÃO DA GESTÃO DA QUALIDADE FRACASSAM, POR QUE:
José Carlos Fontes*
- Colidem com a Cultura Organizacional
- Enfrentam Desproporcional Reação à Mudança
- Ficam “Pulando De Uma Abordagem Para Outra”
- Estabelecem Incentivos Desalinhados às Metas
- Pecam por Superficialidade e Falta de Persistência
- São Derrotadas Pelos Jogos de Poder
- Estabelecem Número Excessivo de Prioridades
O ESTADO DA ARTE: INTEGRANDO GQT E ESTRATÉGIA
“É difícil conceber que um esforço de implementação de GQT bem sucedido não tenha como base um bom processo estratégico”
Ehrenberg & Stupak, 1994
“Existem três ligações críticas entre a GQT e o planejamento estratégico: [...] o planejamento estratégico deve preceder iniciativas de GQT e estabelecer sua direção [...] Integrar GQT e planejamento estratégico fortalece ambos os processos [...]”
Staggs, 1999
“[...] há acordo entre Crosby, Deming, Feigenbaum, Ishikawa, e Juran que o objetivo da GQT é reduzir custos e aumentar a satisfação do cliente [...] Estas idéias combinam bem com a visão de vantagem competitiva[...] o conteúdo da GQT é capaz de produzir vantagem em custos ou diferenciação e gerar as barreiras à imitação necessárias à sustentabilidade estratégica”
Reed, Lemak & Mero, 2000
ENTÃO: A GESTÃO DA QUALIDADE DEVE DECORRER DA GESTÃO ESTRATÉGICA
A CAUSA PRINCIPAL DO RELATIVO INSUCESSO NAS IMPLEMENTAÇÕES É O DESALINHAMENTO ENTRE AS GESTÕES DA QUALIDADE E ESTRATÉGICA
Há, segundo Michael E. Porter, três Estratégias Genéricas: Diferenciação, Liderança em Custos, e Enfoque
Há, segundo Fey e Gogue, três Qualidades: de Concepção, de Conformidade e de Serviços
A IMPLEMENTAÇÃO DA GESTÃO DA QUALIDADE TERÁ MAIS PROBABILIDADE DE SUCESSO E SERÁ MAIS FÁCIL, RÁPIDA E ECONÔMICA SE A GESTÃO DA QUALIDADE ESCOLHIDA CORRESPONDER À ESTRATÉGIA GENÉRICA (OU POSICIONAMENTO COMPETITIVO) VIGENTE
AS ESTRATÉGIAS GENÉRICAS DE PORTER. AS EMPRESAS QUE PRATICAM A LIDERANÇA EM CUSTOS:
- Buscam Competir com Base nos Preços
- Custo Baixo em Relação aos Concorrentes é seu Tema Central
- Procuram Escala e Controle Rígido dos Custos
- Minimizam Investimentos em P&D, Assistência, Força de Vendas Etc
- Supervisionam Intensamente a Mão-de-Obra
- Relatórios de Controle Freqüentes e Detalhados
- Organização e Responsabilidade Estruturadas
- Buscam Conformidade às Especificações, Regularidade, Ausência de Variações
- Altamente Uniformes, Plenas de Procedimentos e Regidas por Regras
- Padronização de Procedimentos e Ativos
- Exploram os Detalhes
- Querem Pessoas Treináveis
- Centralizadas e com Sistemas Altamente Automatizados de Relacionamento
- Veementes a Respeito de Medição e Monitoração
- Buscam Agressivamente Tecnologias Móveis e de Controle Remoto Para Estender seu Controle Inclusive no Atendimento aos Clientes
AS ESTRATÉGIAS GENÉRICAS DE PORTER. AS EMPRESAS QUE PRATICAM A DIFERENCIAÇÃO:
- Buscam a Criatividade, a Inovação e o Pioneirismo
- São Ótimas em Engenharia do Produto
- Têm Elevado Tino Criativo
- Grande Capacidade de Pesquisa
- Reputação como Líderes em Qualidade e/ou Tecnologia
- Enfatizam P&D e Engenharia
- São Energizadas, Inventivas e Focadas em Resultados Finais
- São Movidas pelos Talentos de suas Pessoas
- Estruturam as Tarefas ao Redor da Criação de Produtos ( em vez das Funções )
- Mantêm a Organização Fluida
- Criam um Fluxo Estável de Novos Produtos
- Reconhecem a Importância das Pessoas para o Sucesso
- Procuram as Pessoas mais Originais, Melhores e Mais Brilhantes, Mesmo que Defensoras de Conceitos, Dissidentes e Anticonvencionais
- Impõem Poucas Restrições às Pessoas e Estimulam suas Imaginações
- São Avêssas à Burocracia, Administram por Objetivos
- São Campeãs da Prototipagem.
AS ESTRATÉGIAS GENÉRICAS DE PORTER. AS EMPRESAS QUE BUSCAM O ENFOQUE ( OU RELACIONAMENTO )
- Envolvem Trade-Off entre Rentabilidade e Volume de Vendas
- Enfocam Apenas Parte do Mercado
- Mais Voltadas para o Estreito Relacionamento e o Profundo Conhecimento de seus Clientes
- Movidas pelos Clientes ( não pela Inovação nem por Preços)
- Buscam uma Solução para cada Cliente Específico
- Buscam Aumentar sempre sua Participação nos Gastos de cada Cliente
- Operam de Forma Semelhante aos Consultores
- Trabalham com o Cliente na Elaboração do Produto que lhe seja o mais Adequado
- Procuram Funcionários Adaptáveis, Flexíveis e Multitalentosos, Experientes e Inventivos
- Buscam Clientes Abertos a Relacionamentos de Longo Prazo
- Procuram Clientes com Incompetências Específicas as quais Possam Suprir
- Aprofundam sempre a Dependência dos Clientes
- Imunes à Síndrome do Nia (Não Inventado Aqui)
- Possuem Experiência na Reengenharia ou no Aperfeiçoamento dos Processos de seus Clientes
POR SUA VEZ, DENTRE AS GESTÕES DA QUALIDADE, AS EMPRESAS QUE BUSCAM A QUALIDADE DE CONCEPÇÃO:
- Buscam Descobrir Novas Necessidades
- Desenvolvem Projetos que Atendam àquelas Necessidades
- Pesquisam e Desenvolvem Produtos que Atendam às Necessidades
- Desenvolvem Processos Capazes de Produzir os Produtos Desenvolvidos
- Procuram por Novos Produtos ou Novas Características para Produtos Existentes
- Enfatizam as Técnicas que Têm a Palavra Engenharia : Reengenharia, Engenharia do Valor, Engenharia Simultânea
- Enfatizam também o QFD, A APO e a MASP.
DENTRE AS GESTÕES DA QUALIDADE, A QUALIDADE DE CONFORMIDADE:
- É o Respeito Estrito, no decurso da Produção, das Especificações Estabelecidas quando da Concepção do Produto
- É Obtida por uma Ação Coordenada de Todos os que Contribuem para a Atividade de Produção
- Bastante Centrada nos Processos de Compra, Planejamento e Controle da Produção, Fabricação (Produção Propriamente Dita) e Controle de Qualidade
- Enfatiza Técnicas Voltadas para o Controle de Custos : os Custos da Qualidade, o Custeio Baseado em Atividades (ABC), a Análise de Valor, o Six Sigma etc
- Enfatiza Técnicas Voltadas para a Normalização (Padronização, Uniformização): as Normas ISO 9000, 14000 etc
- Enfatiza Técnicas Voltadas para o Controle, como o Controle Estatístico de Processos, também Chamado Controle de Qualidade
DENTRE AS GESTÕES DA QUALIDADE, A QUALIDADE DE SERVIÇOS:
- Não Pode ser Obtida sem uma boa Gestão da Qualidade
- A Introdução da Gestão da Qualidade nas Empresas de Serviços é mais Recente que nas Empresas de Produção
- O Serviço é Intangível, Inestocável, eeve Ocorrer em uma Interface com o Cliente
- A Qualidade dos Serviços é o Melhor Meio de Manter a Imagem da Marca e Conservar os Clientes
- Enfatiza Abordagens Voltadas para o Conhecimento e o Relacionamento com os Clientes, como CRM, Pesquisa de Satisfação de Clientes e Pesquisa de Clima Organizacional
- As Empresas que a Praticam Dominam, mas Não Enfatizam, Técnicas Voltadas para o Controle e a Redução de Custos, a Normalização, a Padronização e o Controle
- Dominam, mas não Enfatizam, Abordagens Voltadas para a Inovação e a Diferenciação
- Enfatizam Técnicas como a APO, Análise de Valor, MASP e as Ferramentas da Qualidade
Finalmente, então, AS RELAÇÕES ENTRE A GQT E A ESTRATÉGIA:
UMA EMPRESA ENFOCADORA (QUE BUSCA COMPETIR COM BASE NOS CONHECIMENTO E RELACIONAMENTO COM SEUS CLIENTES) DEVE PRIORIZAR A QUALIDADE EM SERVIÇOS E SUAS PRINCIPAIS ABORDAGENS
UMA DIFERENCIADORA (QUE BUSCA COMPETIR COM BASE NA INOVAÇÃO) DEVE PRIORIZAR A QUALIDADE DE CONCEPÇÃO E SUAS PRINCIPAIS ABORDAGENS
UMA LÍDER EM PREÇOS (QUE BUSCA COMPETIR COM BASE NOS CUSTOS) DEVE PRIORIZAR A QUALIDADE DE CONFORMIDADE E SUAS PRINCIPAIS TÉCNICAS
José Carlos Fontes é coordenador da Pós-Graduação em Gestão da Qualidade

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