Artigos com o marcador CDProf
Um idioma chamado tecnologia
31/05/10
Entrevista da Profa. Alda Marina para o site REP – Educação e Terceiro Setor
por Erica Cristina da Silva Gomes com colaboração de Gustavo da Silva Barbosa
Alunos que cada vez mais aprendem pela linguagem digital e visual. Professores que historicamente ensinam utilizando recursos verbais e da escrita. Como estreitar a relação entre docentes e estudantes em uma época de transição metodológica imposta pela massificação das tecnologias de comunicação? Conciliar o compromisso curricular-pedagógico e as expectativas desta geração da era digital é uma das metas que precisam estar presentes na agenda profissional dos educadores.
Há meios para que essa aproximação em sala de aula se faça em via dupla, através da mediação tecnológica. Popularização de câmeras digitais, uso de celulares que gravam sons e acesso à internet podem ser aliados para que os alunos tornem-se mais atuantes no processo de construção do conhecimento. Os professores, por sua vez, dispõem de ferramentas oferecidas pela informática que se apresentam como possibilidades de auxílio na dinâmica educacional. A adequação a essa nova lógica também apresenta resultados em modalidades de ensino, como a educação a distância. O investimento dos gestores nesses instrumentos e a capacitação técnica do corpo docente são tarefas que parecem inadiáveis.
Para saber como essas alterações no universo educacional têm afetado as práticas pedagógicas, a REP conversou com três professores e pesquisadores de diferentes instituições de ensino do País. A administradora Alda Marina Campos é professora do MBA de Gestão de RH do IAG da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), do MBA de Comunicação Estratégica do Instituto de Gestão e Comunicação (IGEC) das Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA) e integra o corpo docente do MBA a distância in company. O sociólogo e professor Alexandre Borges é pesquisador no Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano da Universidade de São Paulo (USP). Ele também é consultor da área de práticas pedagógicas para escolas e empresas. Rodrigo Farias de Sousa é jornalista, escritor, historiador e professor de História do Instituto de Humanidades da Universidade Candido Mendes (UCAM).
Como você analisa a apropriação e o uso dos avanços da tecnologia como ferramentas para o aprendizado?
Alexandre Borges: Com otimismo e cautela. A banda larga já é realidade em 66% das escolas públicas urbanas no Brasil. A lousa interativa digital vem se tornando uma ferramenta cada vez mais presente na rede privada de ensino. De 15 anos para cá, a sala de informática tornou-se espaço presente no processo de aprendizagem na quase totalidade dos colégios. É o lugar onde os alunos podem acessar conteúdos que enriquecem visualmente os temas propostos pelo professor. Por outro lado, a leitura e pesquisa nas bibliotecas das escolas têm ficado marginalizadas pela facilidade e rapidez com que os as ferramentas de busca trazem os conteúdos prontos para serem copiados e impressos sem passarem pela leitura atenta dos alunos. Isso é uma realidade que preocupa. Os recursos tecnológicos devem servir como estímulo e não como fim dos conteúdos.
Foi atribuída à tecnologia a “esperança” de que ela fosse resolver os problemas da qualidade da educação. O que você acha disso?
Alda Marina Campos: A tecnologia trouxe recursos adicionais à educação, bem como atalhos valiosíssimos. Há vantagens difíceis de questionar. Por exemplo: o acesso a fatos ocorridos em tempo real e a um volume muito superior de informação; a conectividade com os alunos para auxílio à construção do conhecimento; e a possibilidade da elaboração de saberes em rede. Mas a qualidade se avalia pelo resultado obtido através do processo educacional, que continua demandando de forma imprescindível do fator humano. É preciso ter profissionais bem preparados para auxiliar o aluno a trilhar o caminho. Sem um contínuo investimento na melhoria dos educadores, inclusive na sua qualidade de vida, não tem tecnologia que resolva os problemas.
Você classificaria a concepção clássica de uma aula como ultrapassada? Acredita que esse modelo não corresponde mais ao perfil dos atuais estudantes?
Rodrigo Farias de Sousa: Assumir que sim seria admitir uma hipótese estranha: que o aluno desprovido de uma tela colorida com sons engraçadinhos, e talvez um joystick, seja incapaz de se concentrar para aprender alguma coisa. É o fetiche da tecnologia que parece supor que as crianças de hoje são estruturalmente diferentes das demais épocas. Não são. Mas, para se aproximar e despertar o interesse delas é preciso conhecer seu universo e, assim, apresentar-lhes conteúdo diferente e estimulante. Claro que há lugar para a aula clássica. Ela somente não deveria ser a única opção.
O grupo de jovens classificado como Geração Y representa grande parte dos estudantes que estão, hoje, no ensino médio e nas universidades. De que forma você analisa a sintonia e a preparação dos educadores no sentido de lidar com esse público informado, ávido por inovações e que faz tarefas múltiplas?
Alexandre Borges: A expressão que mais se ouve nas empresas hoje em dia é: mantenha o foco! Um jovem que responde a vários estímulos pode muito bem realizar suas tarefas estando conectado ao MSN, ao MP3 e a uma TV ao mesmo tempo. Mas qual a profundidade de realização desse trabalho? Por quanto tempo um aluno da chamada Geração Y ou Z dá conta de sustentar um assunto, sem fugir da pergunta inicial, abrindo inúmeros leques de possibilidades? Por qual período um profissional como esse permanece numa relação amorosa, em um mesmo emprego? O professor deve estar atento nesse cuidar da liberdade do aluno de múltiplas tarefas para que ele não se perca na sua gestão de tempo. O educador também deve se atualizar com o mínimo de informações necessárias para dialogar sobre o mundo na linguagem digital e visual, sem perder de vista os princípios fundamentais e permanentes para a formação do estudante. Nesse sentido, é sempre bom lembrar dos quatro pilares propostos pela UNESCO: aprender a ser, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a aprender.
Como você avalia a mobilização e o nível de interesse da comunidade educacional em relação ao uso de recursos tecnológicos no processo de aprendizagem? Você acredita que é um tema que está latente nesse setor aqui no Brasil?
Alda Marina Campos: Percebo empresários e profissionais da área administrativa do setor com o olhar voltado para a educação a distância, seja essa parcial, para complementar a educação presencial, ou integral. Essa visão é direcionada pela dinâmica da vida moderna, com sua escassez de tempo e demanda por flexibilidade. Vejo instituições de ensino buscando entender as metodologias existentes em outras instituições e olhando para os seus públicos atuais para encontrar o melhor modelo, para entender que customização será viável. Os educadores experimentam essa demanda no dia-a-dia e as levam às áreas administrativas.
Como você descreveria a “educação do futuro”?
Rodrigo Farias de Sousa: Uma educação que não menospreze o lado afetivo da relação educador-educando e que se baseie na interação humana, não em máquinas (ainda que as use). Esses dois pontos são a alma da educação. Nada os substitui. O resto são recursos. Sem isso, o que se tem é mero treinamento, não muito diferente do que se administra aos animais.
Fonte:www.repweb.com.br
Gestão da Mudança
05/04/10
Vamos falar um tanto sobre Gestão da Mudança. Primeiro vamos entender Gestão como Analisar, Planejar, Implementar, Controlar e Aprimorar. E Mudança como a tarefa de modificar (sem coerção) modos tradicionais de comportamento na organização.
Já deu pra perceber que vamos acabar falando de liderança e de cultura organizacionais, né? Pois é, mas por enquanto só no curso.
E Gestão da Mudança, então, é o processo de analisar, planejar, implementar, controlar e ajustar a mudança organizacional. Puxa, falei processo, não foi? Então, é que, de acordo com a boa gestão estratégica organizacional, a empresa deve estar mudando sempre (gestão estratégica é a tarefa de manter a empresa sempre adequada ao ambiente onde ela opera, sendo que a palavra ambiente aqui tem um significado mais amplo que o mero ambiente físico). O caso é que o ambiente está sempre mudando, então a organização deve sempre mudar também. Aquela história de que tudo muda…
E chamemos de agente da mudança a pessoa que recebe a tarefa de liderar esse processo (não é o cara da Granero nem da Gato Preto. Alías, essas são o tipo de empresa que está sempre em mudança…).
Considera-se iniciado o processo quando o agente é colocado na tarefa mudancista, com o devido apoio e prestígio e meios etc. O melhor é que o líder da mudança seja o 01 da empresa, claro.
O Agente da mudança deve ter algumas características pessoais: resiliência, liderança, visão, isenção, e principalmente a facilidade em ver a organização segundo um enfoque “de fora”. E poder, o qual deve ser fornecido pelo sistema de liderança e pelo mais elevado nível de gestão da empresa.
Mas, antes, por que o ambiente está sempre mudando? Por que está mudando agora? Pra quem não gosta de mudanças poder malhar no próximo Sábado de Aleluia: a culpa é da contínua evolução educacional, cultural, científica e tecnológica. Daí você entende por que muitos povos são mantidos na maior ignorância possível: é o conhecimento que traz a mudança, ou melhor, a evolução contínua do conhecimento. ORGANIZAÇÃO, AMBIENTES, MUDANÇAS.

MUDANÇAS AMBIENTAIS que induzem as MUDANÇAS ORGANIZACIONAIS:
MUDANÇAS ECONÔMICAS: abertura comercial, integração de países em blocos econômicos, adoção geral do câmbio flutuante, guinada rumo ao liberalismo, fluxos de capital global, desregulamentações.
MUDANÇAS TECNOLÓGICAS: microinformática, telecomunicações, internet, disseminação de novas tecnologias de gestão, aceleração da produção e disseminação do conhecimento.
MUDANÇAS POLÍTICAS: decadência comunista, ascensão da democracia (queda geral de regimes totalitários), privatizações, abertura.
MUDANÇAS SOCIAIS: liberação feminina, revolução sexual, participação feminina no trabalho e no estudo, flexibilização do conceito de família, mudanças nos padrões de vida e nos gostos, ativismo social, ecologia, sustentabilidade, evolução educacional e cultural.
Se a organização (que é um grupo de pessoas) não se adequa permanentemente ao ambiente em contínua mudança, surgem sintomas organizacionais que indicam necessidade de mudança:
SINAIS FINANCEIROS DE NECESSIDADE DE MUDANÇAS
- Prejuízos
- Diminuições na rentabilidade
- Reduções nas vendas
- Aumentos nos custos
- Crescimento das dívidas
- Reduções de investimentos
- Deteriorações dos valores patrimoniais
SINAIS QUALITATIVOS DE NECESSIDADES DE MUDANÇA
• Desorientação estratégica
• Falta de antecipação a mudanças no contexto externo
• Ausência de objetivos claros
• Problemas nos sistemas de informação e no controle da gestão
• Desbalanceamentos na alocação dos recursos
• Estrutura pesada e burocrática
• Falta de desenvolvimento tecnológico
• Problemas de liderança
• Diminuição na motivação do pessoal e alta rotatividade
• Excessiva centralização
• Redução da qualidade dos produtos ou produtividade dos recursos
• Insatisfação dos clientes
O M.Sc. José Carlos é também Especialista em Gestão da Qualidade e Analista de O&M. E Coordenador do CDProf em Gestão da Mudança do IGEC.

Sob Nova Direção
19/01/10
Claudio Moreira*
Já é praxe aquela faixa escrita em letras garrafais “Sob Nova Direção” sempre que um novo estabelecimento comercial é comprado ou muda de gestor. É uma indicação de que novos ares sopram por ali, que tudo será diferente, enfim é uma grande resolução: Nada será como antes! É muito comum esta resolução funcionar a todo vapor nos primeiros meses de funcionamento, tudo novo, eficiência e principalmente boa vontade em abundância, mas aí o tempo cruel trata de trazer tudo ao ponto de partida e o novo toma aspecto de velho. Por que será que esta história se torna tão comum? Vamos analisar
Primeiro, a faixa “Sob Nova Direção” indica uma mudança, algo novo, o desejo de acertar desta vez. Para que esta assertividade saia da intenção e passe para o campo do factível é preciso estabelecer objetivos, caso contrário não passará de uma resolução de final de ano (prometo parar de fumar, prometo emagrecer, prometo fazer exercícios, etc…). Estes objetivos, para não se tornarem meras resoluções devem ser escritos. Reserve um local em que você possa afixar seus objetivos, divididos em TER (o que quero conquistar e até quando); FATURAR (o quanto eu preciso produzir) e FAZER (o que eu faço para chegar lá). Ao estabelecer estes objetivos, pense neles de forma pessoal, estes são seus objetivos. Quando escrevemos nossos objetivos e os observamos diariamente, nosso cérebro silenciosamente trabalha para que possamos achar o meio de atingi-los. Após estabelecer seus objetivos pessoais, faça o mesmo para seus objetivos de negócio, quanto quer lucrar, quantos clientes quer conquistar, qual será compra média diária, etc…
Após este bom começo, procure saber porque este estabelecimento está “Sob Nova Direção”. É obvio que você comprou-o, não estou falando disso, e sim sobre quais razões levaram o antigo dono a vender o estabelecimento. Normalmente uma história de fechamento comercial não é uma história de interrupção instantânea, ou seja, um dia está tudo operando às mil maravilhas e no dia seguinte as portas cerram-se. Na maioria das vezes este fechamento é um processo doloroso, movido a uma perda gradual de qualidade e conseqüentemente de clientes. Se você acaba de assumir este estabelecimento, invista um tempo na pesquisa da história deste fechamento. Você com certeza vai aprender lições interessantes. Pesquise esta história junto à vizinhança do estabelecimento, normalmente todos os comerciantes da área a conhecem de cor e salteado.
Por último, procure os antigos clientes deste estabelecimento. Se você herdar um fichário com as informações destes, ótimo, ligue para eles, apresente-se, mostre que você está ali para mudar as coisas, para acertar, peça um voto de confiança. Se não tiver estes dados à mão, paciência, o trabalho será mais duro, mas não desista. Visite sua vizinhança, anuncie que seu estabelecimento está de cara nova, convide-os para uma grande reabertura, reúna-os e ouça-os ( e esteja preparado para responder a seus anseios). Enfim, aja como se realmente seu negócio fosse novinho em folha, senão ele vai parecer aquela vizinha siliconada: A aparência ficou ótima, mas a essência é a mesma.
Claudio Moreira é professor do CDProf “Serviços de Alto Impacto”
Previsão de Início: 11 de Maio de 2010, 3ª e 5ª das 19:00h às 22:00h

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