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As três eras da gestão
14/01/13
Por Carlos Nepomuceno*
Assim, não é a atual gestão que vai usar a Web 2.0 a eu bel-prazer, mas é a Web 2.0 que vai redefinir a gestão, como já ocorreu algo similar no passado!

O principal problema de interpretação sobre a Revolução Cognitiva se deve a relação entre gestão e comunicação.
Como Revoluções Cognitivas são fenômenos raros, não entraram no radar das teorias sociais de plantão.
E fica a dúvida Tostines: o que vem primeiro é a comunicação ou a gestão? Quem influencia quem?
A tendência natural é – de forma onipotente – achar que o ser humano determina os rumos da sociedade que tem livre-arbítrio para agir.
Porém, aos poucos, vamos percebendo que somos muito mais condicionados do que imaginamos, como detalhei aqui.

As tecnologias são necessárias, conforme crescemos demograficamente e ficamos em uma espécie de eco-sistema tecnológico que nos condiciona e provoca mudanças inesperadas, a despeito da vontade consciente da sociedade. Esse aparato nos condiciona a nível macro, mas não nos determina a nível micro. Há brechas para mudar, mas dentro de margens tecnológicas definidas.
Isso pode doer no ouvido de muita gente, mas é a chave para entender a atual Revolução Cognitiva em curso, baseado nas intuições de Pierre Lévy, o autor-chave para compreender o DNA do fenômeno.
Assim, podemos dizer que o ser humano trabalha em duas camadas.
A mais abaixo é a da comunicação-informação-conhecimento, uma espécie de placa-mãe da sociedade, que é condicionada pelas tecnologias de plantão.
E uma camada mais acima que é a da gestão, de como nos organizamos para resolver nossos problemas.
É uma moeda de duas faces em relação.
Obviamente, que quando uma muda, a outra muda também.
- Uma organização, por exemplo, com problemas de gestão tem problemas de comunicação/informação/conhecimento.
- Uma organização, por exemplo, com problemas de comunicação/informação/conhecimento tem problemas de gestão.
Vivemos, entretanto, uma mudança das tecnologias de comunicação/informação/conhecimento, que nos levam a uma nova forma de solução de problemas, influenciando e modificando, definitivamente, a atual a gestão.
Podemos dizer, assim, que a gestão faz mudanças incrementais, diante do aparato tecnológico de comunicação/informação/conhecimento disponíveis, mas quando estes mudam, alteram inapelavelmente a gestão e também a sociedade.
Dentro dessa perspectiva, se falamos em três eras da comunicação/informação/conhecimento, podemos falar também em três eras da gestão, influenciadas pelas mudanças das mídias de plantão.
- A gestão oral – com decisões tomadas, a partir da palavra;
- A gestão impressa - com decisões tomadas, a partir do papel;
- A gestão digital - com decisões tomadas, a partir do computador.
Todas elas tiveram fases intermediárias.
- A gestão oral passou pela proto-linguagem e depois pela linguagem que conhecemos;
- A gestão impressa passou pelo papel manuscrito e depois pela papel impresso, a partir de 1450;
- E a gestão digital passou pela computador isolado e depois pelo computador em rede, com ferramentas de colaboração, a partir de 2004.
Projetos de alinhamento à gestão digital estão além da implantação de ferramentas, pois por baixo e por cima da chegada das novas ferramentas há o surgimento de uma nova forma de solução de problemas, que altera o modelo da gestão.
É uma nova cultura de solução de problemas, mais adaptada à complexidade que 7 bilhões de habitantes nos trazem.
Assim, não é a atual gestão que vai usar a Web 2.0 a eu bel-prazer, mas é a Web 2.0 que vai redefinir a gestão, como já ocorreu algo similar no passado!
Projetos 2.0 de alinhamento à atual Revolução Cognitiva nos levam a uma revisão da atual gestão e metodologias que consigam, de forma mais barata e eficaz possível, migrar de uma empresa baseada na cultura da gestão impressa e digital 1.0 para o novo modelo digital 2.0, no qual a colaboração é a grande novidade, mais ágil e barata para lidar com problemas complexos.
Não é fácil o desafio que temos, pois estamos vivendo uma macro-mudança, rara e complexa.
Porém, passar por essa visão do problema para enfrentá-lo de forma mais madura é fator fundamental de sucesso.
É isso, que dizes?
*Carlos Nepomuceno (Nepô) é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
A baixa taxa de abstração
17/12/12
Uma alta taxa de abstração é fundamental para o diálogo, para a troca, para a inovação e para a colaboração, infelizmente não é o que temos como padrão hoje depois de décadas de ditadura cognitiva.
Versão 1.0 – 14 de dezembro de 2012
Rascunho – colabore na revisão.
Replicar: pode distribuir, basta apenas citar o autor, colocar um link para o blog e avisar que novas versões podem ser vistas no atual link.

Uma das grandes dificuldades que temos hoje ao ensinar, fazer consultoria, dar palestras é combater a nossa baixa taxa de abstração.
Ela é fruto da ditadura cognitiva que termina com o fim da era cognitiva impressa/eletrônica e o início da nova primavera digital. (Uma ditadura cognitiva, ao contrário de uma social, não tem um ditador de plantão, ela é condicionada pelas tecnologias de comunicação/informação disponíveis.)
Nesse contexto, temos uma escola reprodutora e não criadora de conhecimento, o que nos leva a um aumento radical do nosso piloto automático, que aposta tudo na memória e pouco no aumento da taxa de abstração.
Esse diagnóstico nos leva aos seguintes sintomas:
- Temos a ilusão que a realidade existe;
- Que a ciência estuda a realidade e não a percepção da realidade;
- Que é possível com estudo chegar na realidade como se ela fosse algo parado e quem se mexe são as pessoas em direção à ela;
- E, por fim, a incapacidade de criar, de inovar e sair das caixas: o eu e a realidade estão colados.
Só conseguimos criar, quando podemos olhar para como olhamos!
Gosto da frase:
“Ver diferente é a condição necessária para continuar a ver” – Gaston Bachelard;
Gleiser no livro Criação Imperfeita quebra com essa ideia da realidade final ou definitiva ao sugerir que ela é histórica, inatingível, pois só conseguimos ver aquilo que medimos, a cada fase da evolução humana.
A realidade é datada!

Nossa capacidade de medir é condicionada por mentes e máquinas que se debruçam sobre ela. A realidade, assim, seria muito mais versionada (ou seja tem versões) do que achamos e a cada época se modifica. A ideia de uma realidade sólida é fruto dessa incapacidade de abstração. A de uma realidade líquida, construída pela diálogo, vai ganhando forma, conforme a taxa de abstração vai subindo.
Assim, a ciência não é o estudo da realidade, mas o estudo das percepções que temos da realidade.
Como vemos na figura abaixo:
(Por isso, a filosofia – que é o estudo de como pensamos – acaba aparecendo ao nos aprofundarmos em um dado problema, pois ajuda a analisar nossos modelos mentais. E o estudo das ciências é o estudo também dos modelos mentais que constroem as nossas percepções.)
Hoje a realidade (por isso entre aspas e mutante) é uma, amanhã será outra, a partir de nossos avanços (e também retrocessos), o que nos leva a ideia de que estamos em um movimento e tudo depende de nossa capacidade enquanto grupo humano de avançar e individualmente de abrir espaço entre o eu e a percepção da realidade.
A variação da taxa de abstração
Podemos dizer, assim, que somos mais ou menos oprimidos quando conseguimos perceber a realidade como um movimento, como o qual nos relacionamos, como algo vivo. Quanto mais a realidade é sólida para uma pessoa ou um grupo, mais oprimido estamos por ela!
Podemos tentar sugerir que existiriam, assim, três camadas humanas ao sentirmos/pensarmos o mundo:
- O eu que é como nos vemos;
- Um espaço entre o eu e a realidade, que é minha percepção da percepção que tenho da realidade, um espaço vazio para olhar e ver como sinto e penso, ou seja uma capacidade de olhar de fora, de me ver pensando e sentindo, como se fossem dois – o que é a única forma de poder mudar;
- E a realidade mutante, que está fora de mim, como algo observado e que me faz mudar as minhas percepções, a partir das trocas que estabeleço com fatos, experiências, pessoas, ideias, etc.
Note na figura abaixo que quanto maior for a minha capacidade de observar a percepção da percepção que tenho da realidade, mais aumento a minha taxa de abstração, pois eu consigo olhar para o que penso sobre a realidade, quase de fora, não tendo a ilusão que estou vendo a realidade diretamente, o que abre espaço para a troca e o conhecimento não-dogmático, para a capacidade de ver e não ser “domesticado”.
Veja abaixo:
Podemos chamar essa medição de taxa de abstração.
Quanto mais eu consigo olhar como olho/sinto o mundo, mais tenho capacidade de conversar, debater, aprender, pois mais sei que estarei sempre conversando sobre percepções e trocando percepções – de uma realidade inatingível.
Uma alta taxa de abstração é fundamental para o diálogo, para a troca, para a inovação e para a colaboração.
Uma pessoa que não consegue dialogar sobre a percepção da realidade tem uma baixa taxa de abstração, pois juntamente cola o seu eu na realidade, acreditando que tudo que ela vê É A PRÓPRIA REALIDADE.
Pessoas dogmáticas/fanáticas têm essa características, como demonstrado na figura abaixo:
O problema é que com uma ditadura cognitiva, como essa que termina agora, atingimos MUNDIALMENTE uma baixíssima taxa de abstração com pouca capacidade de criar projetos diferentes dos atuais.
Estamos muito próximos da figura acima.
Os efeitos das ditaduras na nossa visão de realidade
Assim, podemos dizer que individualmente quando fazemos psicanálise (ou outro método terapêutico qualquer), participamos de espaço de reflexão/ação, criamos espaço de nos olhar de fora através, por exemplo, da meditação, começamos a aumentar a nossa taxa de abstração.
A taxa de abstração é individual e cada um tem maior ou maior grau, dependendo do dia, semana, mês, ano, crises, fases e conjuntura da vida, etc. Além de algo que é genético, que leva a algumas pessoas terem um cérebro mais abstrativo do que os demais, tais como Einstein, Freud e Darwin, por exemplo, que conseguiram olhar a realidade muito mais do alto e fazer muito mais conexões inusitadas do que a maioria das pessoas.
Porém, há também a taxa de abstração coletiva e a relação desta com a da circulação das ideias e destas com as ditaduras sociais ou cognitivas.
Podemos lembrar que o primeiro ato de qualquer ditadura (a história está aí para comprovar) é a de impedir a circulação de pessoas e ideias.
O objetivo é construir uma noção mais única da realidade, reduzir a taxa de abstração e fazer com que as pessoas aceitem as coisas como são, “deixem a vida nos levar”, reduzindo a entrada no ambiente cognitivo de novas ideias, que vão levar às pessoas a questionarem a sua noção da realidade.
A realidade será mais e mais aquela que os controladores dos fluxos determinar, pois não há nada que faça a contra-posição e que obrigue as pessoas a olhar como elas pensam. Isso ocorre de forma periférica e muito pontual.
Ditaduras trabalham fortemente para reduzir a taxa de abstração. Não é à toa que a arte e a filosofia são logo atacadas, pois vão na direção contrária.
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Já existem vários estudos sobre ditaduras sociais e até os efeitos destas nas sociedades e nos indivíduos.
- São análises que estudam como um regime político em um dado país ataca a circulação de ideias e pessoas, a partir de uma ideologia autoritária e as consequências que causam.
- Porém, não temos ainda estudos sobre ditaduras cognitivas, aquela em que um ambiente cognitivo global prejudica a circulação de ideias e pessoas, a partir de uma tecnologia restritiva, como é o caso das utilizadas nos ambientes cognitivos da escrita impressa e mídia eletrônica, que estão migrando, aos poucos, para outra etapa.
Podemos observar, assim, que nos últimos séculos, a partir de 1800, fomos, aos poucos, mais e mais centralizando os fluxos das ideias, reduzindo, pela ordem:
- o tempo cada vez mais longo da chegada de novas fontes na sociedade;
- o que nos leva à redução da meritocracia;
- redução dos pontos de vistas;
- pasteuriza-se, assim, as ideias circulantes;
- cria-se uma baixa taxa de abstração e, portanto, de inovação.
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O resultado disso é que reduzimos bastante a taxa de abstração das pessoas, que estão começando – bem no início – a sair dessa ditadura cognitiva com a nova liberdade de circulação de ideias trazidas pela Web 2.0. Elas começam a ser demandadas para sair da caixa, mas justamente foram preparadas para continuar e nem ver que a caixa existe!
Vemos isso em todos os lugares.
As pessoas têm muita dificuldade de ouvir e receber novas ideias, ainda mais se elas forem bem diferentes daquelas que estão empacotadas na sua cabeça e coração. Não há espaço abstrativo para colher a novidade.
Estamos tão colados na realidade, como se ela fosse única e imutável.
Somos filhos da ditadura cognitiva que termina. Questioná-la é questionar as próprias pessoas, pois a realidade é a própria pessoa!
O eu e a realidade se misturam, como se fossem únicos, eis a gravidade do problema, que impede que surja o novo e a inovação!
Os efeitos da baixa taxa de abstração na capacidade de inovação
Uma baixa taxa de abstração coletiva, mundial, como é o caso nos leva a situações interessantes (e trágicas), a saber:
- - as pessoas se voltam mais e mais para objetivos menores, individuais e pouco coletivos;
- - se agarram ao prazer imediato, tal como em adquirir bens materiais;
- - perdemos nossa capacidade de planejar no longo prazo, apenas no curto;
- - aumenta-se, assim, a taxa de adoração material e reduz-se o espiritual (aqui entende-se como projetos coletivos da humanidade).
Como a realidade é imutável, pois é única e sólida, perdemos a capacidade de propor projetos coletivos, o que nos leva a nos voltar para o próprio umbigo, fortalecendo-se o individual em detrimento do todo.

Perdemos nossa capacidade de abstrair, de inovar, de sair da caixa para uma caixa maior (que seria mais espiritual = coletiva).
E o mais interessante que quando estamos com essa baixa taxa de abstração é justamente nesse final da ditadura cognitiva que mais precisamos dela, pois tudo começa a mudar, a inovação começa a ser algo bem difundido, como foi depois da revolução cognitiva do papel impresso, que nos levou à renascença.
Estamos, portanto, amarrados, dogmaticamente e dramaticamente, em uma caixa pequena, apertada, escura, com pouco ar, pois nosso eu colou na realidade.
É um dilema grave.
Precisamos abstrair, inovar, criar, voar mas não conseguimos, pois fomos educados em um índice muito baixo de abstração e isso atinge também a geração y, que apesar de estar já no novo ambiente de forma integral, ainda é obrigada a frequentar a escola da ditadura cognitiva passada e ir para o mesmo espaço intoxicado dos ambientes organizacionais.
Por isso, tenho procurado nos meus encontros promover um intenso debate, apresentando uma realidade líquida e participativa, para abrir portas, que sempre existem esperando chaves, para aumentar essa taxa da abstração – prisioneira nesse velho castelo cognitivo que começa a ruir.

A batalha é essa.
É coletiva e mundial.
Pergunto: vais ajudar a aumentar a sua taxa e dos demais?
Tá dentro?
Que dizes?
*Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
Amazon chega ao Brasil com e-books mais caros do que papel
10/12/12
Por Carlos Nepomuceno*
Ok, confesso, estava na expectativa de começar a consumir livros eletrônicos.
Porém, quando penso livros eletrônicos imagino um conjunto de facilidades, que detalhe aqui.
Tudo bem, vai demorar, mas fiquemos com a substituição das matérias pelos bits para não pagar fretes, evitar poeira, deixar de matar árvores.
Mas os preços dos e-books da Amazon no Brasil são mais caros do que já temos na concorrência entre as diferentes opções, que é comparação de preços buscapé (livros novos) e estante virtual (livros usados).
Vejamos apenas dois exemplos.
Poder do hábito, livro novo, mais vendido na área de negócios pelo Valor:
AMAZON – R$ 25,26
EXTRA, via Buscapé – R$ 24,86
ESTANTE VIRTUAL – R$ 32,00 (aqui não compensa comprar na estante)
Poder do hábito, livro usado, um clássico na área de auto-ajuda:
AMAZON – R$ 12,34
Buscapé – R$ 11,70
ESTANTE VIRTUAL – R$ 7,90 (aqui compensa comprar na estante)
Muitos dirão que há o frete e o tempo, mas não era isso que se esperava, ou se espera de um livro digital, já que a compra de algo que é um PDF melhorado, que custa muito menos para distribuir está caríssimo, superando o preço que o próprio mercado consegue pratica no mesmo produto.
Uma palavra: muita expectativa e uma grande decepção
*Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
O texto acima reflete unicamente a opinião do docente Carlos Nepomuceno. O IGEC/FACHA reserva-se o direto de não opinar sobre tal assunto.
Entrevista com Nepô sobre jovens e internet para o Jornal Hoje
14/11/12
Assista abaixo a entevista que o prof Carlos Nepomuceno (Nepô), concedeu para o Jornal Hoje

A nova visão 3D da sociedade
12/11/12
Por Carlos Nepomuceno*
Estamos, no início do século XXI, descobrindo que existe uma visão 3D, em um novo campo, mais profundo do que os demais: o da topologia de rede, que se altera de tempos em tempos.
novas versões podem ser vistas no atual link.

Hoje vou ser entrevistado para a TV Escola do MEC sobre o futuro do ensino.
(Sim, aviso quando for publicado na rede)
Vou dizer lá o que digo nas palestras, aulas e entrevistas sobre quando perguntado sobre o futuro de qualquer organização no mundo.
É preciso admitir e conhecer novos códigos das redes, que estão mais abaixo e condicionam todos os outros mais acima. Quem consegue ir mais fundo nessa direção tem mais facilidade de entender e se preparar para administrar o que virá.
Sim, hoje temos uma visão 2D da sociedade.
Temos as teorias micro e a macro: economia, política e fenômenos sociais.
Ou seja, aprendemos a lidar com um conjunto de áreas de estudo e teorias que nos explicam a relação de causa e efeito do que pode provavelmente acontecer nesse mundo 2D.
As atuais teorias sobre gestão se baseiam nesse paradigma limitado, da era pré-digital.
(Comecei a detalhar mais isso também aqui.)

Porém, estamos, no início do século XXI, descobrindo que existe uma visão 3D, em um novo campo, mais profundo do que os demais: o da topologia de rede, que se altera de tempos em tempos.
Estes códigos, mais ligados à “placa-mãe” quando se alteram, mudam os demais.
Isso é algo completamente inusitado, mas temos que saber lidar, pois se muda a sociedade e o ambiente de negócios é preciso saber gerenciá-lo.
Veja um mapa das mudanças em curso:
A chegada de uma nova era cognitiva tem o poder de, através da chegada de uma nova tecnologia cognitiva alterar a topologia da rede da qual estruturamos toda a sociedade.
Com a nova topologia, a sociedade passa gradualmente a migrar de uma topologia da era passada para a nova. Assim, o processo de migração que temos que fazer é de uma era cognitiva para outra, incorporando uma nova topologia de rede!
Há dois ciclos, o da centralização, quando começa-se um processo de estagnação e de continuidade, assentamento. E outro de descentralização, de ruptura, de mudanças e descontinuidade, quando se altera uma topologia mais fechada para outra mais aberta.
Como vemos na figura abaixo:
Note que há uma nova topologia de rede que abre espaço para novos atores e ideias circularem na sociedade, que criam um pico de mudanças, que nos leva a um processo de mudança global para depois haver um controle da nova topologia pelos poderes constituídos. O que nos leva para uma centralização das redes e uma intoxicação, pois as ideias não circulam como poderiam.
Estamos, assim, saindo do final de uma era, com vários sinais de decadência da sociedade.
Na figura abaixo, temos o resultado dos momentos de baixa e topo, criando aumento na taxa de decadência ou de princípios:
Estamos começando a sair de uma topologia de rede fechada, vertical, intoxicada, com o seguinte diagnóstico das organizações de plantão, entre outros sintomas:
- - alta taxa de comunicação unidirecional das organizações com a sociedade;
- - autoridades por domínio da circulação das ideias e não por princípios;
- - medições de dentro para fora e não de fora para dentro (lucro como fim em si mesmo);
- - baixa taxa de adaptação ao novo;
- - pouca visão estratégica de médio e longo prazo;
- - costume de lidar com mundo mais estável e problemas menos complexos;
- - gestão por ordens e não por bom senso nas pontas;
- - baixa taxa de abstração de colaboradores;
- - alto custo para solução de problemas.

Tal diagnóstico esbarra na curva ascendente da nova era que começa a exigir justamente o aumento das taxas em outra direção:
- - aumento da taxa de comunicação bidirecional com a sociedade;
- - autoridades por por princípios, legitimadas por ações e não discursos;
- - medições fora para dentro (lucro como resultado da solução de problemas);
- - se acostumar a lidar com mundo instável e mais complexo;
- - aumento da taxa de adaptação ao novo;
- - gestão por bom senso nas pontas e não por ordens;
- - cada vez com mais visão estratégica de médio e longo prazo, incorporando a visão 3D da mudança de topologia de rede em curso;
- - aumento da taxa de abstração de seus colaboradores;
- - redução de custo para solução de problemas, através do uso intenso da nova topologia.
Quando analisamos as propostas de várias organizações, pensadores vemos que vários destes pontos aparecem, mas o diagnóstico da nova topologia de rede não foi feito, o que dá menos clareza na tomada de decisões, pois não se consolida de forma mais clara o cenário.
Por fim, para fechar, é bom dizer que as novas eras cognitivas são influenciadas pelo aumento da população, pois quanto mais gente tivermos no mundo mais sofisticados devem ser nossos ambientes cognitivos. Se não conseguimos nos informar, aprender, conhecer, trocar, nos relacionar, através de uma nova topologia de rede, simplesmente, temos dificuldade de crescer em quantidade e qualidade.
Fato: a visão 3D é o pulo do gato para atuar no mundo 2.0. Ela vai economizar muito os gastos, reduzir riscos e aumentar oportunidades.
O difícil é conseguir sair da intoxicação que estamos vivendo para ter clareza de adotá-la.
Eis o desafio!
Que dizes?
*Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
A gestão 2.0 não é uma micro metodologia!
23/10/12
Quando pensamos em projetos de Redes Sociais Corporativas estamos falando de uma visão geral sobre o mundo que está vindo e as ações que faremos para fazer o alinhamento INEVITÁVEL a ele.

Note que neste artigo abaixo temos uma visão interessante, mas equivocada, ótima para um debate.
Enterprise 2.0: The case for starting small
Ao ler o artigo autor encara a ” implantação de empresas 2.0″ como uma micro metodologia para melhorar a gestão, como foram a reengenharia ou a da qualidade.
Tivemos a gestão do conhecimento, da qualidade, a reengenharia e agora a 2.0.
Mas há diferenças.
A do conhecimento e a 2.0 são macro-metodologias, pois percebem uma macro-mudança no mundo e apontam uma migração de um mundo “a” para o “b”. através de etapas a serem cumpridas.
Não servem para resolver questões pontuais, como o autor acima sugere (tradução do Google):
A melhor pergunta a fazer é: “Enterprise 2.0 a solução correta para um problema ou objetivo que a minha empresa tem?”
Note que está encarando a implantação de uma rede social corporativa como mais uma ferramenta metodológica para solucionar problemas. Algo opcional, que o cliente pode ou não utilizar, como qualquer setor.
Acho que não tem lógica, pois não vê o cenário geral do que está acontecendo.
O que estamos vivendo hoje, entretanto, pela lógica simples, a olho nu, vemos que é bem diferente.
- Temos do lado de fora das organizações usuários praticando um novo modelo de troca, compra, conversa, conhecimento, informação.
- Temos startups operando nessa direção e os concorrentes se preparando para uma mudança nessa direção;
- Os jovens, os futuros consumidores, caminhando para essa direção, incluindo os que são contratados;
- Os nossos clientes usando para se articular, reclamar e falar mal no mesmo ambiente, gerando seguidas crises.

Ou seja, não estamos falando de algo opcional, uma metodologia de uma empresa de consultoria que pode ser ou não utilizada, mas um novo mundo para o qual de forma IRREVERSÍVEL teremos que estar nele de outra maneira.
Assim, se formos lidar com esses projetos como algo opcional, ou mais uma metodologia para resolver problemas específicos, temos aí um problema de visão e de cenário.
- Uma coisa é uma metodologia que vou usar, se quiser.
- Outra é o telefone, o fax, o computador que TENHO que usar, pois é assim que o mercado está fazendo e isso me obriga a aderir para ser competitivo.
A diferença da Internet 2.0, entretanto, para as redes do fax, do telefone e mesmo do computador sem rede, é que ela condiciona uma nova forma mais ágil de controle dos processos e de se trabalhar para a qual o mundo está caminhando, completamente distinta da maneira de se fazer a gestão hoje.
Assim, quando pensamos em projetos de Redes Sociais Corporativas estamos falando de uma visão geral sobre o mundo que está vindo e as ações que faremos para fazer o alinhamento INEVITÁVEL a ele.
Ou seja, a passagem de uma organização com uma topologia de rede vertical para uma mais horizontal.
A gestão 2.0 não é assim uma nova forma de comunicação, mas de gestão!

A questão é: como faremos essa passagem de forma a gastar o menos, com os melhores resultados possíveis?
Imaginemos, como exemplo, uma ponte que precisa ser construída entre duas cidades.
Podemos imaginar que não queremos, que não temos recursos para fazê-la agora, nem cabeça, mas que será preciso fazer provisoriamente uma balsa, mas todos sabem que mais dia menos dias a ponte terá que ser feita.
Se sabemos o ponto do rio melhor para fazer a ponte, mesmo que seja para depois, podemos fazer o ponto da balsa ali, pois mais adiante poderemos com tudo que vai girar em torno da mesma, evitando que um novo local seja criado, pois vai se gastar bem mais.
Novos softwares, contratações, mudanças de processos, etc…já devem prever o futuro, pois todo passo deve ser previsto incorporando aquela percepção.
Essa é a ideia do laboratório e das ações no modelo atual.
- O laboratório concentra novas formas de trabalho.
- E a rede social corporativa atual só pode colaborar, nada mais que isso, com uma comunicação mais aberta, porém sem alterar processos, pois a mudança de processos é tão radical, que precisam ser feitas partindo-se do zero, por isso o laboratório.
Não se pode iludir as métricas nem de um e nem de outro!
E assim economiza-se tempo e dinheiro.

De fato, a maior parte das organizações não têm essa visão estratégica e vai tender a implantar novas formas de comunicação como se fossem novas maneiras de trabalho e vice-versa: e a coisa tende a desandar, se gastando muito e com poucos resultados, pois justamente estão confundindo o que é mudança inevitável com metodologia opcional.
E é essa visão equivocada o que os profissionais responsáveis por essa implantação devem evitar.
Que dizes?
Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação de Gestão Estratégica do Marketing Digital
Meritocracia 2.0
03/10/12
Por Carlos Nepomuceno*
Estamos saindo de um ambiente intoxicado, no qual todos os canais de informação tinham um forte interesse naquilo que era veiculado sobre produtos e serviços, pois eram passíveis de serem anunciados. Ninguém ia “cuspir no prato em que comia”. A alta a taxa de interesse na informação circulante o que reduzia bastante a taxa de meritocracia social.

Mandei a seguinte frase para o Facebook:
Quando a taxa de circulação de ideias sobe, a da meritocracia acompanha e vice-versa.
E recebi como retorno de uma amiga:
“Será? Eu juro que quero muito acreditar.”
A ideia de acreditar é um ato de fé.
Como procuro ser um jornalista independente – e agnóstico – que gosta de propor provocações lógicas (que alguns podem chamar de filosóficas-científicas), vamos desenvolver um pouco o tema, a partir de argumentos e constatações visíveis a olho nu.
(O que espero aqui não é que acreditem, ou não, mas que considerem os argumentos consistentes ou que possam contra-argumentá-los.)
A Internet, como tenho dito aqui, rompeu um modelo secular de controle de ideias da mídia impressa e eletrônica, através do surgimento de novas fontes, por um lado, e a possibilidade do usuário poder apontar (e deixar registrado para os outros) aquilo que ele considera meritório.
Estamos saindo de um ambiente intoxicado, no qual todos os canais de informação tinham um forte interesse naquilo que era veiculado sobre produtos e serviços, pois eram passíveis de serem anunciados. Ninguém ia “cuspir no prato em que comia”.
As críticas de plantão, quando haviam, eram moderadas e feitas apenas por poucas pessoas.
O boca-a-boca era entre conhecidos e em ambientes locais.
A chegada do ambiente 2.0, a partir de 2004, permitiu, assim, o aumento da taxa de meritocracia, pois além do obrigatório clique, que veio desde o berço da Internet, passou a permitir, de forma fácil e de graça:
- - compartilhar;
- - curtir;
- - estrelar;
- - comentar;
- - em alguns casos como no Wiki (mudar);
- - entre outras colaborações participativas.
Note que temos com essa prática uma mudança RADICAL em relação à meritocracia passada, pois ao consumir o cidadão/consumidor pode (não necessariamente vai) avaliar e deixar um rastro (muito mais desinteressado do que no passado) para que outros possam saber o que achou da sua experiência.
O que era aceito, não sabido, desconhecido no passado, passou a vir para a luz do dia, aumentando o espaço de avaliação de mais gente por mais gente. Os ofertantes de produtos e serviços, em função desse novo ambiente mais aberto, precisa se readequar;
Estamos saindo, portanto, do marketing do controle, da repetição, do “enrolation” para o da conversa, do diálogo e mais focado em princípios.
Isso vale para todos os serviços e produtos, pois é essa a grande mudança do ponto de vista meritocrático que temos no novo mundo. E é o grande salto de qualidade que as organizações devem tomar internamente e externamente para criar inovação.
Hoje, qualquer produto/serviço está sujeito a ser identificado por:
- - mais clicados;
- - mais compartilhados;
- - mais curtidos;
- - mais estrelados;
- - mais comentados positivamente;
- - mais comentados negativamente;
- - mais blogados positivamente;
- - mais blogados netativamente;
- - e até mais wiki-modificados.
Cria-se com essa prática um conjunto de informações “não-oficiais” e não diretamente interessadas diretos na venda/apoio de conhecidos e de desconhecidos sobre um determinado produto, serviço, arquivo, pessoa, vereador, taxista, livreiro, cinema, hotel, restaurante, etc…

Ou seja, há um aumento radical da taxa de informação “não interessada” ou se preferirem “menos interessada” na/da sociedade, desintoxicando os canais de informações, que antes tinham uma alta taxa de interesse embutida, pois o canal que informava era o mesmo que vendia anúncios.
Esse aumento de troca entre conhecidos e desconhecidos nos leva a um aumento da transparência e necessariamente a um aumento da meritocracia, reduzindo bastante o espaço de determinadas sombras existentes.
Antes da Internet, um músico, por exemplo, só poderia chegar a um reconhecimento nacional se passasse por alguns filtros das gravadoras, que tinham lá seus interesses, critérios, parentes, etc.
O tempo de “a” início da luta pelo reconhecimento nacional para “b” reconhecimento era longo e penoso.
Hoje, continua-se podendo ser alçado por gravadoras mais tradicionais, mas cada vez mais novos músicos passam pelo critério do próprio público, através de lançamentos, via rede, em muitos casos conseguindo sobreviver só com seus fãs diretamente, reduzindo o tempo entre“a” e “b”.
Isso pode ser medido, basta promover pesquisas.
Exemplos?
- A Folha de São Paulo contratou uma nova leva de colunistas que vieram dos blogs;
- Os novos humoristas que hoje fazem sucesso (Marcelo Adnet como grande representante) vieram todos do Youtube.
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Nada aponta que isso vá se reduzir, ao contrário, vai aumentando, pois é de lá que a nova geração reconhece novos talentos.
(E já criando a cultura de reconhecimento de nicho e não mais a necessidade de reconhecimento nacional, como um critério de “sucesso”.)
Digamos que uma sociedade consegue melhorar seus produtos e serviços, através da troca desinteressada e constante entre pessoas que não tenham interesses individuais envolvidas na informação que circula e é compartilhada.
E aí se pode argumentar, como saiu no Globo ontem, “Muito cuidado com o “boca a boca” virtual” de que essa meritocracia 2.0 já tem um conjunto de gente contratada para manipular os dados na Internet.
Sim, essa será uma reação para todos aqueles que querem, ao invés de adotar novas práticas, tentar manter o modelo passado, o que, aliás, é humano.
Porém, os ambientes 2.0 já estão exigindo um novo tipo de mentalidade, metodologia e tecnologias que devem procurar – cada vez mais – aprender com os erros para evitar a manipulação.
O ser humano não está ficando bom com a Internet, mas apenas tendo que parecer muito melhor do que é em função da nova pressão exercida. Essa nova pressão e esse fingir que é bom acaba fazendo que a pessoa adote com o tempo a prática por costume, o que leva a um novo patamar humano. Foi assim no passado, por exemplo, com o fim da escravidão.
Por fim, podemos destacar que o trabalho principal do Google ao melhorar seu algorítimo, por exemplo, criando normas e formas de evitar que mudanças nos códigos nas páginas – não meritocráticas – as elevem ao topo.
Ou seja, a velha e eterna luta entre os interesses coletivos x o individuais.
Essa é a metodologia 2.0 em ação para garantir que a taxa de meritocracia continue alta e subindo, até que um grupo consiga formas de se controlar as ideias desinteressadas circulantes.
Aí podemos ter de novo a taxa caindo em um eterno ciclo de sobe e desce.
Por aí, que dizes?
*Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
Não existe organização 1.5!!!
19/09/12
Por Carlos Nepomuceno*
Não são os mensageiros (esse conjunto de autores) que são radicais, mas a mudança atual com a chegada da Internet que é radical e para ela precisamos ter uma vacina (metodologia) compatível.

Posso dizer que estou na estrada há alguns anos como palestrante, professor e consultor.
Minha missão – que eu resolvi adotar para a minha vida profissional – é a de compreender e tentar ajudar pessoas e organizações da sociedade a fazer o alinhamento necessário entre o momento atual diante de uma Revolução Cognitiva e o futuro.
Posso calcular que já conversei com mais de mil pessoas dos mais diferentes setores, idades, sexo, escolaridade, sem falar na troca diária de mensagem no blog, Facebook e Twitter, principalmente.
Os encontros presenciais muito ricos ocorrem da seguinte maneira:
- - faço um resumo das conclusões que cheguei até aqui, sempre as últimas conclusões, sempre falando e nunca “powerpointizando”;
- - apresento a minha memória de cálculo, que possibilita a todos analisarem se algo é ilógico, estou forçando a barra, etc;
- - abro espaço e ouço atentamente os participantes para identificar problemas na minha lógica, dificuldade de expressão, entendimento, novas contribuições relevantes dos alunos.
Assim, vou amadurecendo – e não é sozinho – de forma cada vez mais consistente visões, argumentos, discussões e percepções que vão sendo “curtidas” na conversa. Novas dúvidas surgem, mas certezas provisórias também vão se consolidando.
Posso dizer, assim, que semanalmente passo por “bancas de doutorado”, no qual exponho sempre minha última versão das minhas conclusões, por mais verdes que sejam para que possamos caminhar juntos.

Não acredito hoje em dia que nada hoje em dia possa ser construído de outra maneira, o modelo wiki (participativo) veio para ficar.
Posso diagnosticar, assim, tendo como base esse método participativo, as seguintes dificuldades de alinhamento das organizações ao futuro, principalmente no Brasil, a partir dos meus encontros:
- a) as organizações e as pessoas de maneira geral são muito imediatistas, não têm prática de pensar o futuro no longo prazo, pois as demandas do dia-a-dia atropelam;
- b) isso se reflete na falta de um tempo maior para análise de cenários, preparação de estratégias e cumprimento do que se discute nesse tipo de fórum;
- c) quem tem mais tempo para isso, vem intoxicado pelas metodologias de cenário que não conseguiram ainda incorporar a força propulsora de mudanças de rupturas em tecnologias cognitivas disruptivas na sociedade;
- d) no cálculo do futuro a Internet (e tudo que traz) é praticamente um fator zero;
- e) projetos neste campo são colocados, em função dessa visão não estratégica, como projetos operacionais, isolados, tecnológicos, comunicacionais conduzidos por departamentos (que não tem a mínima noção da encrenca que estão se metendo) ;
- f) prepara-se o investimento – sem nenhuma reflexão – para gastos nesse campo, sem compreender o tamanho da mudança que estamos passando e o significado que isso trará para o ambiente de negócio hoje e amanhã;
- g) projetos sem consistência começam a ser implantados, gerando gastos e pouco resultados, incluindo crises;
- Mais e mais a visão estratégica vai preponderar e modelos pouco ortodoxos serão tentados.
Os profissionais que chegam para o curso levam um choque de realidade, pois vêm esperando a apresentação do uso das ferramentas e quando percebem a complexidade do problema se assustam.

De fato, as áreas operacionais que estão sendo demandadas para tocar projetos de redes sociais (seja corporativas para substituir as Intranets) seja externa (para complementar o site da corporação) não tem poder para tomar as medidas necessárias.
São, a meu ver, vítimas da cegueira atual.
Somos contemporâneos de uma guinada na história, similar a que ocorreu em 1450, com a chegada da prensa, que deu partida para as revoluções, pela ordem, religiosas, políticas, sociais e econômicas, que nos legaram o capitalismo, a república, a divisão da Igreja e o mundo das grandes cidades.
Não são pouco os autores que estão começando a se juntar na orquestra que toca essa música.
Depois de Lévy temos Castells (parcialmente), Tapscott, Rifkin, Meyer, Senger e, no Brasil, Meira, Augusto de Franco, Martha Gabriel, Gil Giardelli, Walter Longo, entre outros.
Rifkin
Ou seja, não é pouca gente que anda dizendo que vivemos uma guinada radical.
E que, de certa forma, com mais ou menos ênfase, anunciam que o atual modelo de gestão piramidal e hierárquico está com os dias contados.
Eu diria mais.
Que a passagem entre o modelo atual e o futuro será impossível, não será feita de forma contínua. Poderia ser, se houvesse tempo e dinheiro para isso, mas não há.
Qualquer tentativa de se colocar a nova cultura de solução de problemas na atual é tão cara, requer um esforço tão grande que é preciso pensar uma maneira criativa para se chegar lá.
Depois de muita discussão, percebi que o grande pulo do gato é criar zonas 2.0 de inovação, células isoladas que possam na sociedade e nas organizações ter liberdade para desenvolver a nova cultura sem herdar nenhum processo antigo, apenas problemas.
Dessa maneira, é possível economizar muito tempo e dinheiro e se ter o resultado mais rápido.
Porém, para se chegar a isso é preciso ter A CLAREZA de que, de fato, estamos EM UM MOMENTO DE GUINADA da civilização e que uma nova gestão É INEVITÁVEL.
Quando os alunos concluem todo o processo e se defrontam com a ideia da zona 2.0 de inovação, tentam voltar para trás, refazer cálculos e procurar formas menos radicais para a mudança.
Sim, é bom, mas é preciso continuar a procurar a lógica das ações e não adotar o oba-oba do mercado (puxado por vendedores de facilidade) projetos sem reflexão, pouco eficazes, pelo simples fato de que “vai ser muito difícil pensar em mudar completamente a gestão”.
Se for um fato real e concreto, não há o que discutir, apenas arregaçar a manga e fazer!
Porém, digo sempre que não são os mensageiros (esse conjunto de autores) que são radicais, mas a mudança que é radical e para ela precisamos ter uma vacina compatível.

O tempo tem jogado a favor dessas teorias (a meu ver mais eficazes), pois mais e mais as pessoas se decepcionam com seminários vazios, cursos que não levam a lugar nenhum e projetos que não conseguem o resultados esperados, pelo contrário, as crises de gestão de duas culturas são evidentes.
A maior expressão são os jovens talentos que não querem mais ir para determinados ambientes e quando aceitam não se sentem confortáveis em um em um modelo de solução muito diferente do que estão acostumados, no trabalho participativo, mais ágil e mais dinâmico em rede.
Mais e mais vamos ter que procurar a lógica, a visão mais ampla de cenário, mais autores vão entrar para essa ainda pequena orquestra propagando o fim da atual gestão e projetos de zonas de inovação começarão a demonstrar que é o caminho mais curto para esse objetivo.
(Empresas têm criado aceleradoras de negócios, laboratórios de pesquisa todas à procura de um modelo de inovação eficaz – é preciso incorporar nesse modelo cada vez, como se tem feito, a cultura participativa.)
Acho que é por aí…
Que dizes?
Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
Professores do IGEC palestrando no WOB 2012
18/09/12
Começa nesta 5a feira o WOB 2012. (www.wob2012.com.br/)

O WOB é um evento internacional sobre Inovação com foco em Design, Tecnologia e Novas Mídias. O evento conta com a participação de grandes pensadores, líderes, formadores de opinião e profissionais atuantes para a troca de de conhecimento e networking. São esperados mais de 80 palestrantes, nacionais e internacionais. Alguns temas que serão abordados: Neuromarketing, design thinking, design de experiência entre outros. O evento acontecerá no Centro de Convenções SulAmérica na cidade do Rio de Janeiro, nos dias 20, 21 e 22 de setembro e contará com alguns docentes do IGEC entre os palestrantes:
Carlos Nepomuceno (Nepô) – Revolução Cognitiva e o Futuro das Organizações, dia 20, 11:00h
Andrei Scheiner – Nova Dinâmica do Mercado 3.0, dia 20, 16:00h
Paulo Teixeira – A Era Google, dia 22, 12:00h
Boa sorte mestres!
Por que a gestão de conhecimento é uma metodologia em decadência?
20/08/12
Por Carlos Nepomuceno*
Replicar: pode distribuir, basta apenas citar o autor, colocar um link para o blog e avisar que novas versões podem ser vistas no atual link.

Esta semana vou até São Paulo fazer palestras no KMBrasil.
Vou lá apresentar algumas reflexões que fiz ao longo de vários anos ministrando aulas aqui no Rio no MBKM, do Crie/Coppe/UFRJ, que é fruto desse diálogo com meus alunos, clientes, autores, com a vida, enfim.
Antes de tudo, para que possamos afirmar que a gestão de conhecimento está decadente, precisamos trabalhar com algumas premissas.
A Gestão do Conhecimento é uma metodologia, não uma teoria ou uma filosofia.
As metodologias são resultados de uma visão de cenário e são criadas para que haja um alinhamento entre o que se vê no macro para se equilibrar no micro.
Assim, se concordamos que a GC é uma metodologia temos que ver as bases conceituais que a originaram para ver se são sólidas.
A GC parte da teoria que estamos vivendo a sociedade do conhecimento.

E da filosofia de que, por motivos não explicados, o ser humano em algumas fases da história começa a usar mais o cérebro do que em outras, criando projetos mais intangíveis do que em outras épocas.
Note que não nos preocupamos muito sobre a discussão da sociedade do conhecimento, pois é um conceito, similar ao da Web 2.0, criado por um americano, empacotado pelos interessados, com um ótimo marketing, que consegue uma fácil adesão.
Artigos, palestras, cursos começam:
“Já que vivemos na sociedade do conhecimento, blá, blá, blá”.
Alguém disse que uma mentira repetida mil vezes, tem cada vez mais cara de verdade.
É o caso.
Para que possamos, depois de milhares de anos na terra, definir que é justamente essa nossa sociedade A DO CONHECIMENTO temos que sempre comparar com outros movimentos passados da história.
- Em algum momento no passado tivemos outra sociedade do conhecimento?
- Quando?
- Se não tivemos, o que nos faz achar que nós, logo nós, vivemos em uma excepcionalidade histórica?
- Por quê?
- Vindo de que lugar, de que santo, de que milagre, criamos esse novo mundo do conhecimento?
Assim, podemos dizer, no mínimo, que a sociedade do conhecimento é um termo que colou, mas não se aprofundou.
Certo?

Se a base teórica é, digamos pouco consistente, quando pensamos em fazer o alinhamento metodológico teremos uma inconsistência do mesmo tamanho.
A meu ver, não há nada que nos garanta que essa hipótese “sociedade do conhecimento” possa ser encarada de forma coerente, pela simples lógica.
Assim, teríamos que procurar um novo diagnóstico para a sociedade que vivemos (cenário) para depois procurar novas vacinas (metodologia) para que possamos agir de forma mais consistente, gerando valor com menos esforço, que é a característica das boas metodologias, que têm, por sua vez, uma filosofia e a uma teoria mais consistente.
Do que estudo e vejo, posso dizer que:
- 1) o que há de novo na nossa sociedade, e isso é real e concreto, é o aumento vertiginoso da população – somos a sociedade de 7 bilhões de habitantes e nunca fomos antes;
- 2) a sociedade de 7 bilhões de habitante precisa de ambientes de produção, inovação, de comunicação e de gestão mais dinâmicos para sobreviver com a máxima qualidade possível;
- 3) essa sociedade 7.0 nos leva a um processo radical de desintermediação, com uso intenso de tecnologias cognitivas desintermediadoras.
O objetivo?
Produzir muito mais com menos, em menos tempo, sempre podendo alterar o rumo, pois o que era sólido lá fora agora é líquido e aqui dentro tem que ser líquido também!
Assim, o alinhamento geral que temos que fazer é o de criar organizações mais líquidas e menos sólidas, mais prontas para mudar.
Veremos que várias premissas da GC apontam para esse caminho, mas não de forma a incorporar para valer as tecnologias cognitivas digitais, como ferramenta principal, tendo a inovação como ferramenta metodológica e o aumento de produtividade (mais com menos) como medição final.

Digamos que seria melhor migrar para algo como Gestão da Inovação 2.0, incorporando várias premissas da GC, incluindo fortemente o uso das redes sociais.
Há que se fazer esse alinhamento, criando algo novo, que pode até se chamar Gestão de Conhecimento 2.0, sem problema, mas com um novo banho de filosofia e de teoria para que se estanque o processo de decadência.
Hoje, as empresas tem deparamentos de GC, outro de inovação, outro implantando rede social, mais um falando de comunicação 2.0.
É o samba do conhecimento muito louco na casa da mãe joana 2.0.
A nível micro está se vendo por aí: muita ação, dinheiro gasto e pouco resultado, não é por que os gestores do conhecimento não são esforçados, mas por que o cavalo que eles estão montado está cada vez mais velho.
É isso,
Que dizes?
*Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital


















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