Por Claudio Moreira*

Quem está acompanhando os acontecimentos da Rio + 20 observa a interminável teia de discussões, diálogos, conversas, desconversas, conflitos, atritos e consensos, deve estar imaginando o quão complexo deve ser reunir pessoas dos mais variados idiomas, culturas e visões de mundo e onde esta agitação toda vai levar. Estou neste time, aquele que observa e pensa qual a ponta deste processo, se o planeta vai melhorar, etc, etc… Mais do que isso, penso na complexidade, o que me remete à alguns ensinamentos de Genelot.

Dominique Genelot, presidente do INSEP Consulting, firma de consultoria em mudança organizacional propõe em seu livro “Manager dans la Complexité”, reflexões a respeito da organização e administração de situações complexas. Ele aborda a importância do desenvolvimento de uma consciência estratégica, afirmando que ela é possível quando o conjunto da coletividade partilha uma certa representação do futuro desejado, afirmando que a elaboração dessa visão estratégica compartilhada não pode ser realizada por imposição ou por decreto, pois a construção de representações partilhadas envolve aspectos complexos e delicados, tais como o processo de expressão e a negociação e apropriação de sentidos. Visão compartilhada sem impor aos outros seu ponto de vista, fazendo-o por meio de conhecimentos compartilhados entre os participantes a fim de construir um projeto comum.

Com tantos pontos de vista diferentes, situações econômicas, realidades e estágios de desenvolvimento diversos, estamos preparados para construir o projeto comum que se deseja na Rio + 20?

Quem se habilita a responder?

 

*Claudio Moreira é Coordenador Geral do IGEC