Artigos com o marcador 2.0
Encontros fechados (1.0) versus abertos (2.0)
24/05/11
mai 24th, 2011 by Carlos Nepomuceno
Na sala de aula, nem sempre o senso incomum vem do professor – Nepô – da safra 2011;

Temos uma prática cotidiana de encontros de pessoas de maneira geral.
Salas de aulas, reuniões de trabalhos, cursos a distância, comunidades na Internet.
Mas podemos conceituar duas modalidades de encontros: os fechados e abertos, como vou tentar demonstrar na tabela abaixo.
Cada um é útil para uma determinada situação, não há regra.
Exemplos?
Um piloto de avião que é treinado tende a um encontro fechado, pois existem muitas normas a serem seguidas.
Um curso de marketing digital ser algo fechado me parece uma loucura, pois está se descobrindo tudo e ninguém ainda domina o tema completamente.

Porém, quando temos rupturas informacionais, como a que estamos vivendo na atual Revolução da Informação, os encontros abertos são mais eficazes, pois é preciso rapidamente inovar e ganhar velocidade, aproveitando ao máximo o encontro.
Passa a ser um movimento geral para rever processos na sociedade, um movimento de ruptura com um modelo “A” para o “B”, no qual encontros líquidos, construídos e abertos são mais compatíveis com o ritmo da sociedade.
Já que estamos migrando da civilização do papel impresso para a digital.
Tanto os participantes, como o coordenador, mudam de posição dentro do ambiente de troca.
A tabela abaixo é útil para demonstrar como é diferente um encontro aberto e outro fechado.
E serve, como base, para um DNA do mundo que estamos saindo e para o qual estamos entrando.
Demonstra que no mundo de hoje realizar encontros fechados, com tanta inovação, é algo pouco eficaz e tende a não atender às demandas vigentes de velocidade de troca necessária.
Sem falar, dos custos que se tornam inviáveis, pois a colaboração vai permitindo que participante aprenda também com participante.
Ou seja, estamos passando, por tendência, a termos com o tempo mais o segundo do que o primeiro.
Eis a tabela, sempre em produção, pois vai se evoluindo.
Comente abaixo.
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Encontros fechados (1.0) versus abertos (2.0)
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| Encontros 1.0 (fechados):
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Encontros 2.0 (abertos)
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| Objetivo é a reprodução de conhecimento;
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Objetivo é a produção de conhecimento;
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| Mais comuns em momentos de estabilidade e sem crises de percepção;
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Mais comuns em momentos de instabilidade e crises de percepção;
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| Áreas consolidadas sem grande instabilidade;
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Áreas consolidadas com grande estabilidade;
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| Realidade consolidada e não será modificada com a interação no encontro, apenas apreendida;
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Realidade não consolidada e será modificada com a interação, será reconstruída; |
| Alguém (professor/chefe) domina a realidade consolidada e repassa, através de discurso fechado (o uso do power point se justifica, bem como espaço tradicional de um participante atrás do outro);
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Alguém (professor/chefe) problematiza a realidade não consolidada, através de discurso aberto (o uso do power point não se justifica, opta-se por círculo de participantes); |
| Taxa de participação tende a baixa, mais recebe do que colabora;
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Taxa de participação tende a alta, colabora e recebe; |
| Taxa de inteligência coletiva baixa, sem incentivo de troca participante -participante;
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Taxa de inteligência coletiva alta com incentivo de troca participante-participante;
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| É pouco provável que os participantes repensarão o seu próprio “eu” no encontro pois não haverá revisão da percepação da realidade. | É bem provável que os participantes repensem o seu próprio “eu” no encontro, pois haverá revisão da percepção da realidade, pois quando se vê diferente fora, questiona-se para dentro;
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| Tende-se ao incentivo cognitivo da memória, conservação;
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Tende-se ao incentivo cognitivo da criatividade, intuição, associação;
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| Taxa de inovação do encontro baixa;
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Taxa de inovação do encontro alta;
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| Pratica-se o convencimento;
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Pratica-se o coo-vencimento;
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| Mantém-se a mesma lógica do que se entrou, com possibilidade de novas informações;
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Procura-se nova lógica com novas informações;
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| Há uma identificação do coordenador (ego) com os conceitos apresentados, reforçando conhecimentos consolidados.
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Não há identificação do coordenador (ego) com os conceitos a serem problematizados, questionando-se conhecimentos consolidados.
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| O coordenador não precisa ser pesquisador/ questionador do tema e geralmente, sai do mesmo jeito que entrou. | O coordenador precisa ser pesquisador/ questionador do tema e geralmente, sai diferente de como entrou, pois aprende com a interação.
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Que dizes?
O abuso 1.0 e Autoridades 2.0
25/03/11
Novos textos do nosso querido Nepô. Deliciem-se
O abuso 1.0
mar 23rd, 2011 by Carlos Nepomuceno
Quando a civilização não coíbe o abuso, a violência tende ao descontrole – Nepô – da safra 2011;

Dando aula ontem na Pós da Facha em Marketing Digital (que, na verdade, é Marketing nas empresas digitais, como discutimos na turma) aprofundamos um pouco o cenário atual.
Podemos, assim, dizer que:
- Toda sociedade tem uma estrutura de poder, que o detém para obter o previlégio de produzir e tirar os frutos subsequentes;
- Para manter o poder, se estrutura um aparato de mídia, na qual se vende comodismo, status-quo, “fiquem calmos”;
- E, com o tempo, estrutura-se um ambiente permanente de abuso consentido.
Vimos na turma o filme Lutero o abuso da igreja.

Hoje, vemos o abuso contra o consumidor/cidadão diante da empresa ou dos governos.
Há uma taxa de abuso que é relacionada.
Quanto mais controle da informação, mais tendemos a elevar a taxa de abuso.
A estrutura de poder faz o que quer, pois cria uma zona cinza, turva, que esse abuso, causador de sofrimento parece “normal”, até natural.
- No caso do passado, a Igreja vendia indulgências para se entrar no céu;
- Hoje, a pessoa, apesar de pagar, não tem hospital para se tratar e quando tem é muito caro;
- Ou ainda compra um produto que depois de alguns dias não funciona mais, etc…
Esse ambiente abusador pode ser questionado e mudado por dois movimentos.

O tradicional e bem conhecido pelas ciências humanas que são as revoluções sociais, na qual um grupo deliberadamente toma um meio de comunicação alternativo, introduz novas ideias na sociedade e consegue mudar o poder.
Ou o fato novo, atualmente vivido por nós, com a chegada da rede, quando um conjunto grande de pessoas passa a ter uma nova mídia e o abuso estabelecido passa a ser questionado pelo cidadão comum, sem tanto um grupo que o guie, mas como um movimento coletivo, que vai, obviamente, ganhando seus guias.
Há, assim, uma relação entre o abuso social e o controle da informação.
O abuso é uma taxa que quanto mais controle informacional tivermos, mais abuso teremos.

E que quando há uma ruptura informacional como a nossa, através de uma nova mídia, questiona-se o absurdo da taxa elevada de abuso. É o que faz o consumidor nas sociedades mais democráticas, via redes sociais e os cidadãos nas ditaduras (Líbia, Egito, etc.) indo para a rua estimuladas e articuladas pelo Twitter e afins.
Que dizes?
Autoridades 2.0
mar 24th, 2011 by Carlos Nepomuceno
Mudanças 2.0: o afeto passa a ter uma nova relação de intermediação com figuras paternas – Nepô – da safra 2011;
Dando aula esta semana na Pós da Facha em Marketing Digital (que, na verdade, é Marketing nas empresas digitais, como discutimos na turma) aprofundamos um pouco o cenário atual.
Lembrei de uma conversa, via Facebook, com o Ermio Patrão, na qual ele não acreditava que os acontecimentos do Egito e arredores era apenas fruto de um povo que não tinha informação e agora passava a ter com a Internet.
Concordei com ele.
Vendo o filme Lutero ontem que é bem revelador de um momento similar ao nosso, me caiu essa ficha de forma bem mais clara.
O modelo de controle informacional é introjetado por nós desde nossa tenra infância. Ele é um dos pilares de nossa subjetividade, identidade.
Aprendemos a respeitar as autoridades, a própria civilização, a partir de um modelo de controle informacional, que se perpetua na escola, na televisão…
Ele define um grau de infantilização, pois eles filtram e nós, limitados, aceitamos algumas “verdades”.

Respeitamos pai, mãe, professor, via uma mídia, com seus padrões, no caso verticais, com um nível de infantilização.
Respeitamos as figuras paternas da sociedade, através de um filtro estabelecido que nos assegura que ali há uma “verdade” e passamos a respeitar estas autoridades, por falta de ideias que questionem o que eles dizem.
Passamos a ser “súditos” infantis por que são eles que nos guiam, em função de dado controle.
Obviamente, que há o processo de não respeitar as autoridades, a partir de crescimentos individuais e coletivos localizados aqui e ali.
O que se vive com a Internet é isso, porém, entretanto, todavia, em escala global, em função da mudança da mídia, quando há um descontrole e uma desintermediação geral, ao mesmo tempo.

Estamos vivendo é esse desilusão com as autoridades vigentes em escala macro, em função de uma nova mídia que nos permite questionar juntos , nos conscientizar juntos, nos “desinfantilizarmos” juntos.
E esse salto de qualidade, de amadurecimento, de saída de um estágio mais infantil do nosso ser para outro.
Tivemos o mesmo amadurecimento quando a civilização adotou fortemente a leitura (depois de 1450);
Isso nos faz dar um salto coletivo contra as autoridades vigentes.
Queremos novas autoridades, pois não somos mais infantis como éramos na mídia passada, no controle informacional que nos tolhia.
A Internet com suas novas possibilidades de acesso e de expressão nos amadureceu e isso não tem volta.
Tal poder era anteriormente exercido por um intermediador infantilizador que definia, assim, uma taxa de abuso.

Quem está no poder infantiliza para abusar. Exercer seus privilégios o máximo possível sem prestar conta para ninguém.
Quem lê tende a ser menos infantil de quem não lê.
Depender menos.
Ter mais poder de escolha.
Imagina se isso se dá em larga escala, ao mesmo tempo, todo mundo junto, em todos os lugares?
Podemos produzir nossos próprios discursos globais, via redes sociais, fazer textos, áudios, vídeos e termos a possibilidade de sermos escutados.
Reclamar de tudo e ser retuitado…isso é um novo poder para o qual estamos aprendendo a exercer e a sociedade precisará se ajustar para atendê-lo.
Assim, no cerne de todo o movimento que assistimos podemos dizer que há basicamente uma “desinfantilização” da civilização, pois o controle informacional mudou de qualidade para melhor.E nós com ele.

O que nos leva a perceber uma relação entre controle da informação e infantilidade das pessoas.
Por isso o processo é tão difícil, pois todos, incluindo as empresas, têm que ser também mais maduras do que eram.
E convencer com ações que sejam coerentes com nossa nova subjetividade menos infantilizada.
E isso que é o grande salto que nos levará a civilização 2.0 com uma taxa de infantilização menor e, por consequência, com taxa de abuso reduzida, como discutimos neste post passado.
Estamos, portanto, saindo todos juntos da casa de papai e mamãe para um novo mundo informacional com mais opções informacionais e menos infantilização.
Que dizes?
Mundo 2.0: Câncer une as melhores universidades
21/03/11
Pessoal,
considero o artigo abaixo um reforço muito grande para nossas reflexões sobre o mundo 2.0.
Mostra o tripé claro entre novo tipo de produção de informação/conhecimento como vetor fundamental para inovar e continuar produzindo.
Duas universidades se unem para resolver o problema do câncer, superando barreiras e
apostando na mudança do ambiente informacional para produzir melhor.
Leiam e comentem,
marcas em vermelho.
abraços,
Nepô,
DOMINGO, 20 DE MARÇO DE 2011
http://marconipimenta.blogspot.com/2011/03/cancer-une-as-melhores-universidades.html
Câncer une as melhores universidades
por GILBERTO DIMENSTEIN
“Muito da nossa força reside na interação entre pessoas criativas”, disse à Folha Drew Faust, reitora de Harvard
SE FOREM ANUNCIADOS tratamentos revolucionários ou vacinas contra o câncer a partir de agora, há uma chance razoável de que o Instituto Koch, um centro de pesquisas inaugurado neste mês nos Estados Unidos, tenha participado -ou mesmo sido o polo- da descoberta.
Isso se explica não só porque se juntaram nesse projeto as duas mais renomadas universidades do mundo (Harvard e MIT), o que já não é nada fácil, mas porque estão sendo reunidos num mesmo prédio, cruzando as pesquisas, 650 cientistas das mais variadas especialidades: oncologistas, químicos, biólogos e geneticistas, em meio a diversos tipos de engenheiro. A ideia é criar um consórcio planetário de pesquisadores, como o nosso Instituto do Câncer em São Paulo.
Espera-se que essa quebra de barreiras espaciais ajude a promover a inovação: engenheiros, por exemplo, podem desenvolver com químicos e biólogos minúsculos chips que, injetados no corpo, destruam os tumores sem prejudicar as células saudáveis.
Essa é uma terapia que combina dinheiro com vontade e inteligência, mas o efeito do projeto vai mais longe do que o combate aos tumores -o efeito é a forma como se produzem as descobertas.
Estamos falando aqui de duas universidades que geraram ou têm entre seus professores cerca de 120 vencedores do Nobel e vivem se digladiando para ficar nos primeiros lugares das listas das melhores instituições de ensino superior do mundo. Fazendo uma comparação vulgar, é como se o Palmeiras e o Corinthians fizessem uma parceria para desenvolver uma melhor técnica futebolística -aliás, a direção do MIT e a de Harvard lançaram um texto conjunto na semana passada em que afirmam que a economia americana depende do que se produz. Foi por isso, segundo elas, que a decadência do país, tantas vezes prevista, ainda não aconteceu.
O que faz uma universidade ficar nos primeiros lugares em rankings de qualidade são, em essência, suas pesquisas. Isso acaba atraindo mais dinheiro e, naturalmente, os melhores alunos e professores, num círculo virtuoso.
Na conversa que teve comigo e com a repórter Luciana Coelho, da Folha, Drew Faust, a reitora de Harvard, deixou claro que um de seus principais interesses na visita ao Brasil é atrair talentos. Talentos se traduzem em invenções. “Muito da nossa força reside nessa interação entre pessoas criativas”, diz ela.
A forma como se inova depende da quebra de paradigmas. Daí por que aquele instituto do câncer vai além da medicina. A produção de conhecimento exige que se rompam as barreiras entre os departamentos acadêmicos, que pouco se falam, provocando desperdícios. Isso significa quebrar barreiras políticas, burocráticas e até aquelas próprias do jogo de vaidades.
Fora isso, há o risco de obsoletismo. Como obsoletismo não atrai talentos, entra-se num círculo vicioso.
Temos visto como as novas tecnologias têm virado de cabeça para baixo a forma de produzir saber. Um dos melhores exemplos é o site Wikipedia, uma biblioteca mundial produzida coletivamente e cada vez mais confiável. Assim vão nascendo as inovações.
A IBM desenvolve extraordinários programas na internet apenas para aproximar seus milhares de pesquisadores espalhados pelo mundo, gerando um ambiente único de aprendizagem -a IBM é a maior produtora de patentes do mundo. Empresas lançam produtos em teste para recolher sugestões do público e pagam por elas.
Uma das novas estrelas da internet, a Netflix, que está reinventando a forma como se alugam filmes, ofereceu US$ 1 milhão a quem desenvolvesse um programa capaz de adivinhar o filme que seus clientes gostariam de ver. É pouco perto dos US$ 3 milhões oferecidos por uma empresa de seguro médico (Heritage Provider) a quem desenvolver um software capaz de estimar quando seus clientes vão acabar num hospital para que, com essa informação, possa tomar medidas preventivas.
Nada poderia ser mais exemplar desse jeito de ver o mundo do que duas universidades rivais se unirem para descobrir a cura do câncer.
PS- Veja como um grande problema pessoal vira uma enorme solução coletiva. O bilionário David Koch descobriu, há 20 anos, que tinha câncer. Desde então, já gastou quase US$ 1 bilhão para ajudar a descobrir novos tratamentos para a doença. Ao instituto que leva seu nome deu US$ 200 milhões até agora. Essa é uma daquelas pessoas que, com ou sem câncer, ficam imortais.
Fonte: Folha de São Paulo
Nepomuceno
nepo.com.br
Grupo de Estudos do Nepomuceno (@cnepomuceno)
01/03/11
Car@s amig@s,
Como tem sido tradicional nesse mundo não tradicional, tenho promovido meus
grupos de estudos, já tivemos dois ano passado presenciais e um on-line.
O objetivo é discutir a dimensão da atual ruptura informacional, refletir como tudo isso impacta na sociedade, na nossa vida profissional e pessoal.
Não há roteiro, pois tudo é dialogado com os participantes.
Vou apresentar alguns conceitos, a partir dos meus estudos, palestras, consultorias,
reflexões, blogadas, twittadas, facebookadas, etc… e desenvolvemos os temas, conforme a expectativa da turma.
Este ano faremos nossos encontros no IGEC – Instituto de Gestão e Comunicação da Faculdade Hélio Alonso - Avenida Presidente Vargas, 534 – Centro – Rio de Janeiro | Tel.: 55 21 4063-5093 - http://www.igec.com.br/
Teremos oito encontros:
06, 13, 20, 27 – abril
04, 11, 18, 25 – maio.
Os encontros serão de 19 às 22 horas, às quartas-feiras.
O investimento de cada aluno será de R$ 500,00, depositado na minha conta corrente.
Estou fazendo o pré-cadastro, preciso que me diga:
a) por que gostaria de fazer este grupo de estudo;
b) e qual é sua experiência prática ou teórica nesse mundo 2.0;
Grato pela confiança,
Nepomuceno
nepo.com.br
Entrevista com o prof. Nepomuceno no RH Mais
15/09/10
RH 2.0
A explosão das redes sociais tem ajudado muitas empresas a melhorar seu relacionamento com clientes, funcionários e fornecedores. Por outro lado, tem tirado o sono de muitos profissionais de RH que não sabem como lidar com esse novo mundo. Carlos Nepomuceno, consultor especializado em Redes Humanas, com especialização no mundo Web, mostra o quanto saber lidar com essas ferramentas é importante e como elas podem afetar toda a estrutura de uma empresa.
Data: 15/09/2010 | Entrevistado: Carlos Nepomuceno
LG: Como você vê a difusão das redes sociais no meio corporativo?
Carlos Nepomuceno: Primeiro temos que definir o que são redes sociais. Existe uma confusão muito grande hoje sobre esse conceito, por que está se restringindo a ideia para redes sociais eletrônicas, que estão ligadas a determinadas ferramentas como Orkut, Twitter etc. Na verdade, o que está acontecendo é uma mudança global na sociedade, em função de termos uma nova ferramenta de troca de informação e de comunicação, que é a Internet.
A Internet tem feito com que o cidadão passe a ter uma quantidade de informações maior e, principalmente, tem possibilitado o acesso a determinadas informações de fontes que ele não tinha antes. Ou seja, agora ele passou a ser informado sobre tudo na sociedade pelos amigos, conhecidos e também de pessoas que ele não conhece, através de trocas nos grupos, pesquisas de mercado, comentários em sites de compras etc. A partir desse novo modelo, ele passa a perceber que aquele produto tem ou não problemas e ele conhece a realidade das empresas: se ela está trabalhando no Brasil ou fora, se está respeitando o meio ambiente e uma série de outras questões.
Esse ambiente informacional que entramos agora faz com tenhamos uma relação diferente com toda a sociedade, inclusive, com o ambiente corporativo. Algo semelhante ocorreu no surgimento do livro impresso, onde existia um poder muito bem organizado na sociedade: a Igreja e a monarquia. A estrutura de informação baseava-se na conversa dos padres na Igreja e no livro manuscrito, que era completamente cerceado e fechado, por que as pessoas não tinham acesso a ele. Quando surgiu o livro impresso, houve uma explosão da circulação de ideias.
A mudança que estamos vivendo hoje é similar a essa de 550 anos atrás, ocorrida com o surgimento do livro impresso. Após essa inovação, aconteceram muitos fatos importantes que mudaram completamente a sociedade, como a revisão da monarquia, da própria igreja, do modelo político e econômico, além de uma reestruturação, passando do modo agrário-feudal para industrialização-capitalista.
Estamos começando uma nova ruptura da civilização, onde o modelo mental de como pensamos a sociedade está mudando em função das trocas de ideias que estão acontecendo. Estamos construindo uma nova sociedade na qual as corporações terão que se reinventar.
Então, como lidamos com as redes sociais? Se reinventando, enquanto organização, para que no futuro possa estar competitiva nesse novo mundo que está surgindo.
LG: Como os departamentos de RH das empresas podem aproveitar esses canais?
Carlos Nepomuceno: Há uma mudança em curso da forma como entendemos empresa. As pessoas estão querendo adaptar as redes sociais às empresas. Eu diria que o movimento que vai acontecer, será inverso. As empresas vão ter que se adaptar à nova forma de pensar da sociedade, a partir da utilização dessas redes. Ou seja, vão acontecer mudanças, inclusive no RH.
Existe uma tendência em alterar a relação empresa-empregado. Ele tende a ser um acionista da empresa e não será mais visto como um competidor do empresário. Ele terá que ser incorporado para vestir a camisa e para que a empresa possa aproveitar as ideias dos funcionários. Por outro lado, as empresas vão trabalhar em rede com seus fornecedores e acionistas. Será uma mudança tão repentina e radical que temos que imaginar isso de uma forma mais global.
Diante disso, os profissionais de RH terão que tentar compreender esse novo quadro para se adaptar. Hoje eles estão tentando encaixar as redes sociais no modelo corporativo atual, mas o certo é pensar no novo modelo de corporação que vai surgir, modelo de RH 2.0, e como vamos nos relacionar com os empregados nesse novo cenário, onde, muitas vezes, eles não estarão trabalhando dentro da empresa e serão funcionários, consumidores, acionistas e formadores de opinião, ao mesmo tempo.
LG: Hoje o maior uso das redes sociais pelo RH talvez seja como ferramenta de recrutamento e seleção. O que você acha disso e como o RH deve gerenciar esse processo seletivo virtual?
Carlos Nepomuceno: As pessoas precisam dar informações na internet para receber em troca qualidade de informação. Diante disso, a forma de seleção usada para esse modelo de empresa que está acabando, cria alguns problemas éticos. No entanto, a tendência é que as pessoas agreguem valor cada vez mais pelo que elas geram, sendo que hoje elas são recrutadas muito mais por protótipos e preconceitos.
Acredito que com as redes sociais isso tende a mudar, pois será um mundo de inovação rápida, onde a empresa precisará de pessoas com atitudes filosóficas, que possam recriar o tempo todo. Sendo assim, haverá uma remodelagem das contratações, buscando pessoas bem diferentes do padrão de hoje. Isso já acontece aqui e ali, mas acredito ser uma grande tendência pro futuro.
LG: Você acredita que todas as redes devem ser liberadas para todos os colaboradores em uma empresa?
Carlos Nepomuceno: Existem pesquisas que dizem que as pessoas perdem tempo nas redes sociais. Eu acredito que se as pessoas estão trabalhando em uma empresa onde elas são avaliadas pelos minutos que trabalham e não pelo valor que agregam à companhia, não vai ser liberar ou proibir as redes sociais que fará diferença.
O funcionário pode estar na frente do computador pensando na namorada, fazendo um trabalho de faculdade, trocando emails com amigos ou simplesmente jogando paciência. Ou estar no telefone fingindo que está falando com um cliente, mas batendo papo. Então a questão não é abrir ou não para redes sociais, mas sim a forma de medição do trabalho dos funcionários feita pelas corporações e isso independe de redes sociais.
Se o RH consegue criar medidas de valor das pessoas na frente do computador, cada vez vai ficar mais ridícula a discussão sobre o que ele está ou não acessando. Porque ele pode não acessar o Twitter, por exemplo, mas estar navegando em sites da internet. Fazendo uma comparação simples: é a mesma coisa de alguém estar com febre e tirar-se o termômetro para fingir que ele não está mais com febre.
A questão é: nós temos hoje capacidade de medir o valor das pessoas para as empresas, ou não? Por que o certo é que as pessoas valham cada vez menos pela quantidade de horas que trabalham e cada vez mais pela quantidade produzida. Hoje é preciso motivar o trabalho intelectual.
LG: O que você acha das redes sociais internas, criadas pelas empresas e restrita à intranet?
Carlos Nepomuceno: Na verdade, isso é a incorporação do novo modelo informacional, baseado na troca. Chamo a atenção para o fato de que isso vai trazer mudanças radicais na empresa. Está sendo mudada a forma de controle da informação da empresa e quando isso é modificado, a estrutura e os processos das empresas também são alterados.
Ou seja, o modelo vertical, com chefes, diretores e acionistas, funcionou por algum tempo. Mas quando a empresa implanta um Orkut na intranet da corporação, por exemplo, você oferece uma ferramenta mais rápida e dinâmica, que altera também essa estrutura vertical.
A tendência de se criar empresas colaborativas é uma forma de se resolver problemas de inovação e de geração de valor, de sobrevivência da empresa. Isso é certo. O problema é que elas estão fazendo isso da mesma forma que implantaram o computador ou o Word. As empresas precisam entender que redes sociais são mais que uma ferramenta. Elas mudam a forma de controle da informação, os processos e, conseqüente, as empresas. É preciso, então, pensar que esse processo é uma gestão de mudança macro e não micro, como muitas empresas estão pensando.
LG: Como “educar” os colaboradores de uma empresa para o bom uso dessas ferramentas?
Carlos Nepomuceno: Acredito que as empresas é que precisam se reeducar. O que está acontecendo é que a corporação quer usar o modelo de informação e comunicação pré-internet e quer que tudo que esteja acontecendo hoje, na pós-internet, simplesmente não aconteça e que não impacte a corporação. Alguns gestores não querem modificar a corporação e querem que os funcionários esqueçam, enquanto estão na empresa, que existe esse novo mundo da internet, de colaboração. É como brincar que dentro da empresa não existe Orkut, Twitter e Facebook.
Os gestores precisam avaliar dois pontos:
- Essa mudança informacional que aconteceu há 550 anos, vai se repetir? Se sim, como minha empresa vai se adaptar?
- A partir daí, como vou me relacionar com meus funcionários, fornecedores e clientes?
Os gestores querem manter a empresa da forma que está e usar todas essas novidades que estão surgindo, com a cabeça antiga, e acreditam que com isso irão resolver seu problema. Só que isso é inviável por que, historicamente, não foi isso que aconteceu há 550 anos e não é isso que vai acontecer agora.
Acredito que os gestores precisam estudar para ter condições de encontrarem o melhor caminho, o mais viável. Mas o que vemos hoje é que eles não têm essas informações e, com isso, estão indo por um caminho errado, enquanto a concorrência está fazendo da forma correta…
LG: Para as empresas que ainda não usam essas ferramentas, mas querem adotá-las em sua gestão interna, por onde você aconselha que elas comecem?
Carlos Nepomuceno: Um passo importante é perceber que há uma grande mudança. O segundo passo é entender esse processo que está acontecendo. Isso tudo tem que ser feito pela cúpula da empresa, que precisa incorporar essa mudança informacional e inseri-la na estratégia da empresa. Feito isso, é preciso estudar como implantar.
Eu sugiro, em meu livro, uma criação de protótipo: escolha um setor de pessoas proativas e dinâmicas e teste o novo modelo. A partir daí aprimore o sistemas e aplique em toda a empresa. Mas é preciso estar preparado para sair de uma empresa totalmente verticalizada e passar para uma horizontalizada em rede, que vai trabalhar com uma dinâmica diferente, compatível com o mercado que está surgindo nesse novo ambiente. Ou seja, a velocidade interna da organização terá que ser compatível com a velocidade da internet.
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Jornalista e consultor especializado em Redes Humanas, com especialização no mundo Web, desde 1995, Carlos Nepomuceno é doutorando em Ciência da Informação pela Universidade Federal Fluminense. É ainda pesquisador dos efeitos da Ruptura 2.0 e procura ajudar a sociedade a lidar melhor com essa passagem. Atualmente, presta consultoria para grandes instituições, como Petrobras, Dataprev, Prodesp, e leciona aulas na UFRJ, Senac/RJ e Instituto de Gestão e Comunicação – IGEC. É ainda co-autor do primeiro livro sobre Web 2.0 no Brasil: Conhecimento em Rede.
Fonte: http://www.lg.com.br/rhmais


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