Entre as tribos do norte de Natal, na África do Sul, a saudação mais comum, equivalente ao nosso popular “olá” é a expressão “Sawu bona“, que literalmente significa “te vejo”. Sendo um membro da tribo, você poderia responder dizendo “Sikhona”, “estou aqui”. A ordem da troca é importante: até você me ver, eu não existo, é como se, ao me ver, você me fizesse existir.

Uma turma de pós-graduação é formada de vários “Sawu bonas” e “Sikhonas”, um professor de pós existe de forma mais intensa conforme seus alunos o vêem e interagem com ele, trocando experiências, enriquecendo o conteúdo com relatos sobre a aplicação daquele conteúdo em seus cotidianos profissionais, combinando informações e recriando o sentido das discussões ocorridas em sala de aula. Há algum tempo li um texto interessantísimo chamado “obesos de informação, sedentos de sentido”, cujo autor, confesso, não lembro e não encontrei no Google (!?), mas que se autodefine já no sensacional título. Conteúdo, conteúdo, conteúdo…a internet está lotada dele, o que não nos torna nem um milímetro mais sábios, a não ser que apliquemos este conteúdo à nossas realidades. Seria insano esperar que o professor aplicasse os conteúdos à realidade de cada aluno, certo? Qual a saída para o melhor aproveitamento deste contaúdo ministrado?

“Sawu bona“, “te vejo”.

“Sikhona”, “estou aqui”

Alunos e professores, troquem, vejam e sejam vistos, só assim todos nos tornaremos mais sábios e aproveitaremos melhor nossos encontros.

Boas aulas

Claudio Moreira*

 

Claudio Moreira é Coordenador Geral do IGEC