Artigos com o marcador Carlos Nepomuceno
As duas redes sociais: a informativa e a produtiva
20/06/11
jun 20th, 2011 by Carlos Nepomuceno
As empresas precisam se redesenhar ao redor de um novo tipo de indivíduo, que sabe muito mais, que está mais conectado. Agora há um ‘homus conectadus’ na jogada - Silvio Meira, da coleção;

Há uma certa confusão no ar.
As pessoas/empresas têm imaginado que as redes sociais são um ônibus que se entra e, se possível, se senta na janela para ficar acenando para os seguidores, de longe como uma seleção na copa. ![]()
O ato de entrar em algum lugar denota opção, de algo que se pode, ou não se pode fazer.
- Entro ou não entro no cinema?
- Quero ou não quero ver esse filme?
Entretanto, similar a outros ambientes informacionais baseados no livro, no telefone ou computador vivemos uma migração de ecologias informacionais.
O ser humano está sofrendo uma mutação cerebral, afetiva, emocional na forma de lidar com a informação, com o conhecimento e com as outras pessoas.
E o que é individual será coletivo dentro em breve.
Assim, não se trata de entrar ou não, mas sincronizar, ou não, com um novo modo de se relacionar, se informar, conhecer, ser, existir.
Ponto!

- Isso tem começado dos mais novos para os mais velhos.
- De fora para dentro das organizações.
Dois fenômenos bem diferentes de tudo que estamos acostumados.
Ou seja, o movimento atual de mudança de ar informacional é:
- obrigatório;
- veio para ficar;
- modifica o nosso futuro de forma radical.
Ou seja, estamos passando a ser homus redes digitalis ao invés de homus de massa du papel impressus.
Assim, já observo dois movimentos distintos das organizações em relação às redes sociais
Começam, com essa visão meio torta, os projetos de “mídia social”, “rede social” e as plataformas tecnológicas visam implantar/utilizar um novo canal de comunicação.

E passam ao uso de plataformas informacionais de terceiros (Geralmente, via Twitter, Facebook, etc.) como uma extensão da comunicação e do marketing das empresas, podemos chamar esse estágio inicial ao se utilizar de redes sociais informativas.
Elas se caracterizam por gerar informação, relação, mas não alteram a forma de se produzir produtos, serviços.
O usuário reclama, via Twitter, e aquilo é como se ele tivesse telefonado.
Isso vale para uma cidade, governo ou empresa.
A rede social informativa está fora do ambiente produtivo.
Não faz parte ou altera processos.
É o estágio 1 de tudo, mas se não for visto como tal, vai criar problema, pois ao tentar se comunicar para fora com uma velocidade de mudança muito lenta, vai gerar demandas que não será capaz de atender!!!
Pois as reclamações serão mais rápidas e não se preparou uma rede social produtiva para atendê-las.
Assim, os pedidos não geram automaticamente mudanças. Ou seja, é meramente algo que repete o modelo anterior, mas com outro colorido, uma cor um pouco diferente para todos se sentirem modernos.
O caminho, entretanto, não se mostra eficaz nessa direção.
Está se gastando dinheiro, mas com problemas sérios a bombordo, estibordo e todos os bordos que se olhe.

Como ando rouco de dizer a Internet veio ao mundo para resolver problemas produtivos, via inovação. E isso vai desaguar em grandes redes sociais produtivas, no qual clientes, fornecedores, acionistas, colaboradores estarão trabalhando no mesmo ambiente.
O usuário vai encomendar o seu produto, via rede social, e aquilo será parte integrante do processo da organização.
Cada clique significará uma mudança na maneira de se produzir, não apenas de informar.
É a transformação de informação em ação.
E esta é a passagem necessária para sair do estágio atual de querer entrar na rede social para transformar o negócio em rede social.
Por isso, defendo tanto a discussão de tudo isso no planejamento estratégico, pois estará se discutindo o futuro da organização nesse momento, imaginando e projetando-se a migração de uma empresa hierárquica, baseada em um ambiente digital do papel, controlado para outro digital com outro tipo de controle.

Ou seja, qual é o projeto para se se entrar no novo Século XXI de forma competitiva.
Que dizes?
A lua, a maré e o excesso de informação
02/06/11
A lua, a maré e o excesso de informação
jun 2nd, 2011 by Carlos Nepomuceno
Conhecer é procurar a lógica das forças em movimento – da safra de 2011;

—> TEMA ANTIGO – SENDO DESENVOLVIDO COM NOVAS METÁFORAS <—-
ESTAREI EM SP – SEMANA QUE VEM – > VEJA ONDE E COMO.
Imagina que você quer a próxima maré alta e não sabe que a lua exerce forte influência na mesma.
Não, não tem o Google para te ajudar. ![]()
Imagina ainda um tempo em que não havia teorias sobre lua e maré.
E se você precisa sair de barco, pegar onda, colher moedas na praia vais certamente precisar conhecer essa lógica maré-lua
Você pode perder tempo olhando as ondas, vendo os tatuís, observando as nuvens, mas o que vai te permitir planejar é conhecer a lógica das marés.
O horário da lua, suas fases, etc.
Ou seja, há uma lógica entre o movimento lunar e a maré subir e descer.
Que se você não conhecer, por mais que consuma informações sobre a praia, não conseguirá entender por que o mar sobe e desce e o que o motiva.
Diríamos que a informação IMPORTANTE para você tomar decisões é saber as relações das forças em movimento que poderá te dar a possibilidade de antecipar o movimento das marés.
Mas você não sabe.
Não sabe que há variação das fases lunares, quando os peixes, as tartarugas e vários animais aproveitam para desovar, comer, sair das tocas, etc.
Podemos dizer que há uma lógica oculta das marés.

Obviamente, que com o tempo, além da lua, poderá descobrir outros fatores, tais como chuva, época do ano, etc.
Ou seja, quando precisamos de uma informação é preciso identificar o que realmente É IMPORTANTE para conhecer o fenômeno para o qual estamos acompanhando.
Se não soubermos a lógica das marés e a força que a lua, que aparentemente não se relaciona com ela exerce, estaremos perdidos, por mais que fiquemos observando várias coisas, nos entupindo de dados.
Essa metáfora nos ajuda a pensar no nosso mundo de hoje com a informação saindo literalmente pelo ladrão.
Há lógicas e forças que exercem pressão sobre o movimento em diversos setores sociais.
Se não sabemos como esses movimentos funcionam e para onde e que dados devemos acompanhar, simplesmente vamos ficar perdidos.

Por mais esforço que façamos, não conseguiremos nos antecipar aos problemas, pois estamos OLHANDO PARA O LADO ERRADO.
Essa situação é o que podemos chamar da necessidade de sairmos dos dados, da informação e passarmos para uma visão filosófica, que estuda os fenômenos em sua totalidade, nos seus movimentos, o que a história ajuda bastante, pois nos dá poder de comparação.
Isso vale para qualquer época humana, mas para complicar mais ainda as coisas, temos em curso uma revolução da informação com algumas consequências:
1) a explosão da informação nos coloca em um mundo ainda mais complexo, turvando mais o ambiente. Fomos desfiltrados;
2) fomos educados para receber as lógicas prontas e agora temos que criar a nossa própria lógica, pois estamos com a informação diante de nós, criando nossos próprios filtros;
3) e ainda mais grave: várias “lógicas de marés”, que estávamos acostumados, e que filtravam para nós, estão sofrendo novas influências da “lua” Internet e perdemos a noção de como e por qu.
Ou seja, é o caos por baixo, pelos lados e por cima!!!

É esse um dos fatores mais difíceis que temos pela frente.
Éramos observadores dos movimentos do mar e tínhamos uma lógica na cabeça que está mudando e precisamos aprender uma nova, que ainda não existe, no meio de uma chuva torrencial de dados sem sentido!
Estamos, de fato, sempre olhando para o lado errado, consumindo muitos tatuís, contando ondas, colhendo conchas, mas estamos perdidos no que realmente importa e o que deve se olhar: a lógica das marés que influenciam nossas vidas e dos locais em que produzimos.
É esse o grande salto para conseguir filtrar a informação: procurar as lógicas, seu atores e conseguir identificar as forças que governam o ambiente analisado.
Os movimentos que são consequências destes e os dados têm que ser analisados à luz dessa regra!
Ou seja, deve-se olhar para o lugar que define as coisas e não para onde as coisas já estão definidas!!!!!
E é esse o desafio que temos que é o de jogar um pó de pirlimpimpim da filosofia na sociedade para reaprender a pensar na lógica e procurar olhar para onde as coisas realmente terão consequência.
Aprendendo – ao mesmo tempo – uma nova lógica, pois o mundo está mudando influenciado por uma nova maré informacional.
Não é simples, mas também não é o bicho de sete cabeças que dizem por aí.
Precisamos, apenas, amadurecer enquanto cidadãos, dentro de um mundo muito mais complexo, que exige novas maneiras de pensar.
É isso.
Que dizes?
Encontros fechados (1.0) versus abertos (2.0)
24/05/11
mai 24th, 2011 by Carlos Nepomuceno
Na sala de aula, nem sempre o senso incomum vem do professor – Nepô – da safra 2011;

Temos uma prática cotidiana de encontros de pessoas de maneira geral.
Salas de aulas, reuniões de trabalhos, cursos a distância, comunidades na Internet.
Mas podemos conceituar duas modalidades de encontros: os fechados e abertos, como vou tentar demonstrar na tabela abaixo.
Cada um é útil para uma determinada situação, não há regra.
Exemplos?
Um piloto de avião que é treinado tende a um encontro fechado, pois existem muitas normas a serem seguidas.
Um curso de marketing digital ser algo fechado me parece uma loucura, pois está se descobrindo tudo e ninguém ainda domina o tema completamente.

Porém, quando temos rupturas informacionais, como a que estamos vivendo na atual Revolução da Informação, os encontros abertos são mais eficazes, pois é preciso rapidamente inovar e ganhar velocidade, aproveitando ao máximo o encontro.
Passa a ser um movimento geral para rever processos na sociedade, um movimento de ruptura com um modelo “A” para o “B”, no qual encontros líquidos, construídos e abertos são mais compatíveis com o ritmo da sociedade.
Já que estamos migrando da civilização do papel impresso para a digital.
Tanto os participantes, como o coordenador, mudam de posição dentro do ambiente de troca.
A tabela abaixo é útil para demonstrar como é diferente um encontro aberto e outro fechado.
E serve, como base, para um DNA do mundo que estamos saindo e para o qual estamos entrando.
Demonstra que no mundo de hoje realizar encontros fechados, com tanta inovação, é algo pouco eficaz e tende a não atender às demandas vigentes de velocidade de troca necessária.
Sem falar, dos custos que se tornam inviáveis, pois a colaboração vai permitindo que participante aprenda também com participante.
Ou seja, estamos passando, por tendência, a termos com o tempo mais o segundo do que o primeiro.
Eis a tabela, sempre em produção, pois vai se evoluindo.
Comente abaixo.
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Encontros fechados (1.0) versus abertos (2.0)
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| Encontros 1.0 (fechados):
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Encontros 2.0 (abertos)
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| Objetivo é a reprodução de conhecimento;
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Objetivo é a produção de conhecimento;
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| Mais comuns em momentos de estabilidade e sem crises de percepção;
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Mais comuns em momentos de instabilidade e crises de percepção;
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| Áreas consolidadas sem grande instabilidade;
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Áreas consolidadas com grande estabilidade;
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| Realidade consolidada e não será modificada com a interação no encontro, apenas apreendida;
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Realidade não consolidada e será modificada com a interação, será reconstruída; |
| Alguém (professor/chefe) domina a realidade consolidada e repassa, através de discurso fechado (o uso do power point se justifica, bem como espaço tradicional de um participante atrás do outro);
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Alguém (professor/chefe) problematiza a realidade não consolidada, através de discurso aberto (o uso do power point não se justifica, opta-se por círculo de participantes); |
| Taxa de participação tende a baixa, mais recebe do que colabora;
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Taxa de participação tende a alta, colabora e recebe; |
| Taxa de inteligência coletiva baixa, sem incentivo de troca participante -participante;
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Taxa de inteligência coletiva alta com incentivo de troca participante-participante;
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| É pouco provável que os participantes repensarão o seu próprio “eu” no encontro pois não haverá revisão da percepação da realidade. | É bem provável que os participantes repensem o seu próprio “eu” no encontro, pois haverá revisão da percepção da realidade, pois quando se vê diferente fora, questiona-se para dentro;
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| Tende-se ao incentivo cognitivo da memória, conservação;
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Tende-se ao incentivo cognitivo da criatividade, intuição, associação;
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| Taxa de inovação do encontro baixa;
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Taxa de inovação do encontro alta;
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| Pratica-se o convencimento;
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Pratica-se o coo-vencimento;
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| Mantém-se a mesma lógica do que se entrou, com possibilidade de novas informações;
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Procura-se nova lógica com novas informações;
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| Há uma identificação do coordenador (ego) com os conceitos apresentados, reforçando conhecimentos consolidados.
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Não há identificação do coordenador (ego) com os conceitos a serem problematizados, questionando-se conhecimentos consolidados.
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| O coordenador não precisa ser pesquisador/ questionador do tema e geralmente, sai do mesmo jeito que entrou. | O coordenador precisa ser pesquisador/ questionador do tema e geralmente, sai diferente de como entrou, pois aprende com a interação.
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Que dizes?
Governo 2.0: o que aprendi – ensinando
12/05/11
mai 12th, 2011 by Carlos Nepomuceno
Uma das coisas mais importantes que devem ser ensinadas nos estabelecimentos educacionais de uma democracia é o poder de pesar os argumentos, preparando-se o espírito dos alunos a fim de que esses aceitem o ponto de vista que lhes pareça mais razoável – Bertrand Russel – da coleção;
(As fotos foram tiradas em Brasília durante o período que estive lá no curso.)
Passamos dois dias analisando a chegada da Internet e suas consequências na sociedade e, em particular, no Governo, o que alguns gostam de chamar “Governo 2.0″ e outros “Governo aberto”.
Gosto do primeiro termo, pois mostra um caminhar e do segundo que induz para onde deveria ir a tal caminhada.
Talvez Governo 2.0 – aberto e colaborativo fosse o resumo do que é a coisa. Bom, vamos a um ping-pong comigo mesmo para facilitar as reflexões sobre o pós-curso.
Eu – Qual a principal dificuldade dos participantes dos teus encontros “Governo 2.0?
Nepô – Bom, isso vale para qualquer curso que coordeno. Estamos intoxicados de conceitos sobre a Internet, redes sociais, governo 2.0, ferramentas, métricas, retornos. Quem faz nossa cabeça (a mídia, os livros, os principais gurus americanos) estão acostumados a mudanças na sociedade, mas nada se compara a uma Revolução Informacional, que é algo incomum, muito grande, com mudanças profundas, que só uma visita à história nos permite trafegar de forma mais confortável, comparando situações.
Dificilmente, consegue-se ter clareza sem isso.
As pessoas sentem muito o primeiro choque, pois vêm para o curso procurando cases, uso das ferramentas, porém somos obrigados para ter coerência a falar de 500 anos atrás, quando uma sociedade foi abalroada por uma outra revolução informacional.
Comparamos momentos, analisamos causas, vamos colocando no lugar de “achismos” alguns conceitos mais consistentes, fundamentais para um gestor ser coo-vencido que precisa sair de uma zona de conforto para algo tão grande como um Governo 2.0.
Precisamos, assim, através da conversa e da razão, envolvendo nosso afeto, claro, compreender a nova lógica, para, só então, pensar em ações prática.
Uma prática como tem se visto com lógicas da pré-Revolução da Informação acabam por nos levar a problemas. É uma mudança de paradigma grande. E todos temos que ter compreensão com as nossas dificuldades e a dos outros. Ninguém sabe tudo é preciso um esforço coletivo para superar essa crise teórica e prática.
Eu – E como é a reação durante o curso?
Nepô - Bom, há um período de adaptação, mas o modelo do encontro, conversa pura, sem power point, sem roteiro fixo, falando um pouco, ouvindo todo mundo (todos são chamados a opinar a cada intervalo dos meus discursos sempre curtos). Vamos trabalhando cada um dos pré-conceitos antes do encontro e problematizando, mostrando que pode não ter lógica consistente dentro deles. As pessoas vão raciocinando em grupo, cada um vai apresentando questões e vamos derretendo essa primeira visão, juntos e isso facilita muito, pois as pessoas vão se mútuo-ajudando a pensar.
Eu - As pessoas estranham essa didática?
Nepô – Bastante, no início, mas na avaliação final sempre falam sobre ela, como foi importante conhecê-la. Estamos acostumados a ter um emissor com uma verdade, emitindo para os outros que a recebem de forma mais passiva.
Nós vivemos em um país muito autoritário, muito vertical e não somos chamados a opinar constantemente.
Quando se abre espaço, no primeiro momento vê-se a timidez, a vergonha (que chamo de tóxica) o medo de falar besteira, mas é tão natural conversar, que as pessoas vão se soltando e no final todos se sentem bem, com sorrisos e afetos, como se vê na foto final, uma tradição dos encontros (ver aqui.).
Eu – E você aprende algo durante o encontro?
Nepô – Sim, pode parecer papo furado, mas a dinâmica da conversa, mostra que é assim, só se ensina de fato aprendendo.
Eu levo uma lógica e valores, digamos mais sólidos sobre a Internet, como conceitos mais líquidos que tentam demonstrá-la.
Dificilmente, a lógica é alterada num encontro, muito menos valores (do tipo precisamos reduzir sofrimentos humanos), mas tudo que está em torno deste núcleo mais consistente, mas não fechado à reflexão sofre alguns abalos, maiores ou menores, dependendo do encontro.
Muda-se a forma de dizer, ao se mudar a forma de dizer, vê-se outra alternativa, o discurso é melhorado, mudo a forma de apresentar estes conceitos matrizes, sempre procurando um jeito mais simples e mais rápido de representá-lo.
Há mudanças, portanto, na maneira de defendê-la e alguns pontos vão ficando mais claros, reduzindo algumas obscuridades, falamos do último encontro sobre valores x tradições, liquidez x solidez, que me fizeram pensar e o que resultará em posts em breve.
Eu – Qual a principal dificuldade com o curso?
Nepô – Conseguir fazer um programa que seja coerente com o que será dado e atrativo, pois as pessoas que olham algo pretensamente mais teórico, não de identificam, mas quando participam do encontro, consideram algo fundamental.
Estou trabalhando mais mais nisso, é uma questão de tempo de ajuste.
É preciso mostrar que sem teoria mais consistente não se poderá haver prática coerente numa Revolução da Informação, só através da história.
O mundo vai chegar lá, mesmo sem teoria, porém vai gastar muito mais tempo e dinheiro, como todo o sofrimento que está embutido nisso.
Um encontro como esse significa entrar num atalho.
Eu – Qual foi o resultado final?
Nepô - Bom, resolvemos construir um documento diretivo do debate, que colocamos aqui, que servirá para basear o trabalho de todos os participantes, bem como, de quem não fez ou vai fazer o curso.
O importante é que o conceito de Gov 2.0 está se espalhando e – a partir dos encontros – de forma mais consistente e, me parece, mas eficaz do que, de fato, será nosso futuro.
A questão do tempo 2.0
05/05/11
mai 5th, 2011 by Carlos Nepomuceno
É simples: ninguém tem tempo, pois se perde muito tempo ao invés de achá-lo – Nepô – da safra 2011;

Acredito que a questão central, o tal ROI (retorno sobre o investimento) de qualquer esforço de gestão se dá em torno do tempo, incluindo principalmente o a discussão sobre a inserção de organizações em redes sociais.
(O que eu chamaria a inserção da sociedade em um novo ambiente de troca informacional/comunicacional.)
O tempo mede o que temos de mais precioso: a vida.
E todos temos um senso de valor sobre a vida.
Logo percebemos quando estamos jogando fora algo que podemos estar em outro lugar fazendo algo mais nobre.
Isso faz parte de nosso instinto mais básico.
O que vai naquela frase de que tudo se recupera, menos o tempo, blá, blá, blá.

Todo o esforço humano, desde que saímos de cima das árvores com medo que os animais nos devorassem durante a noite gira em torno da melhoria da qualidade do tempo, ou seja, de como vivemos a nossa vida.
Todos os gênios que já tivemos no passado pensaram em formas de gastarmos menos tempo em coisas que não nos dão prazer, para nos dedicarmos mais aquelas que nos dão.
Vide as inovações, da roda, ao avião, do telefone à Internet.
Reduzir o tempo burro para o tempo menos burro.
Como diria o poeta:
A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda – Mário Quintana;
Toda inovação tem esse medida como retorno.
Fala-se muito hoje em dia do que quer a nova geração do mercado de trabalho.
Simples, estar num lugar onde a burrice do trabalho não seja gigantesca.
Pode perguntar por aí e chegará a essa verdade simples.
(A outra geração também sente a burrice no trabalho, até se revolta, mas está mais acostumada com ela e não é tão chocante – como é para quem chega.)

Assim, as organizações produtivas precisam lidar melhor com o tempo daqueles que contrata e dos que hoje lá já estão para que todos se sintam mais úteis para produzir no menor tempo possível o máximo para quem é cliente.
Potencializar o que têm de melhor e gastar menos tempo com tarefas burras que claramente são desnecessárias.
Essa é a regra oculta de qualquer sistema econômico e não é diferente agora.
Temos apenas que ambientar a questão do “problema tempo” ao século XXI, aí podemos analisar que:
- - a visão egoísta e do “faço tudo sozinho“, gênesis do sistema vigente, nos levou a nichos, a não troca, a trabalhos cada vez mais isolados, repetitivos e burros, perde-se tempo não estando em redes colaborativas!!!!;
- - isso nos leva a produzir informação para a minha “eu-quipe” o que as torna obsoleta, sem renovação, mais burras, menos inteligentes;
- O cliente fica lá parado e nós imaginando o que fazemos para atendê-lo sem o chamar para conversar, para ele mesmo produzir por si o que quer, recuperando esse fosso que perdemos quando inventamos as organizações, já que a relação produtor/consumidor já foi bem menos separada. Menos perda de tempo, como é o caso de uma livraria que lança 20 títulos para vender um best-seller, mais burrice!
- - não conseguimos refazer nossas vidas para viver em cidades grandes, engarrafadas, pois o modelo de controle de produção ainda é do século passado, trabalha-se de forma centralizada e não descentralizada, jogando a qualidade de vida para o buraco, fica-se no trânsito ao invés de estar produzindo de casa, mais burrice!;
- - e pior ainda, a nova forma de produzir informação, nos faz perder tempo consumindo tudo que é inútil e não nos concentrarmos no relevante. Nos falta a construção de novos filtros informacionais, com mais maturidade, para separar o relevante, do interessante e do totalmente viciante e, por sua vez, preocupante.
Objetivamente, não temos ainda estruturas emocionais e cognitivas (estamos desenvolvendo) para enfrentar o desafio que está colocado: criar novas organizações que consigam melhorar a qualidade do tempo que perdemos com coisas burras.
O ROI é simples: combate à burrice, a mesmice, a mediocridade, que dará lugar à inteligência de uma nova forma de produção mais compatível com o mundo super-populoso, global, lotado, com pressa, etc.
O problema é que fomos educados para a conservação, gostamos dela, nos sentimos ameaçados de alterar o padrão.
E colocamos tudo em cima disso: tecnologia, normas, padrões, regras pra fingir que estamos mudando, mas nossas vidas continuam medíocres presas a um século em que o conceito do tempo era outro.
Não temos mais o tempo que tínhamos, mas a burocracia continua a mesma.
Este é o impasse e por isso todo mundo reclama do tempo.
Tá faltando melhorar o uso deste para sobrar tempo para o relevante, simples assim.
Ou seja, estamos exigindo uma nova qualidade do tempo que gastamos.
Dizem que a nova geração é ansiosa, tem pressa. Talvez, ela simplesmente não queria perder o tempo que os mais velhos perdem com burrice. Isso vale em sala de aula, principalmente!!!
Pergunte para um usuário de um produto da Apple por que ele gosta de usar aquele produto?
Melhora da performance do tempo com uma interface amigável e inteligente.
Faça a pesquisa e veja se não é fato!

Uma empresa 2.0 será aquela que encara uma nova forma de não se perder tempo.
Procura a qualidade de um tempo 2.0, utilizando-se de forma inteligente todos os recursos da rede eletrônica digital para ganhar tempo dos colaboradores internos e dos que eles servem, jogando a burrice pela janela.
Para isso, é preciso superar as barreiras anteriores (afetivas/cognitivas) que nos fazem perder tempo – o tempo burro.
Uma empresa burra, assim, é uma empresa que perde tempo sem necessidade. E qualquer projeto 2.0 virá lidar contra o tempo desperdiçado contra essa burrice.
O problema é que a perda de tempo é algo que interessa a muita gente e aí vem o problema.
O tempo burro só interessa a quem não é prejudicado por ele.
E aí temos um nó político, que é a base da luta surda do mundo 2.0.
Quem produz a perda de tempo, ganha dinheiro em cima dela, mantém o seu poder, tira vantagem do tempo que se perde, vendendo ou melhorias para uns, ou mantendo-se no poder.
Melhorar a qualidade de como gastamos o tempo num mundo com 7 bilhões de habitantes é uma tarefa que leva à civilização a um outro patamar de qualidade.
E é essa a revolução que está em curso, que já está acontecendo no futuro do presente, basta ter olhos para ver.
Falo mais disso depois.
Que dizes?
As três dimensões da informação
25/04/11
Não reclame do excesso de informação, pois quem escolhe os filtros é você! – Nepô - da safra 2011;

Costumamos classificar informação como um grande bolo.
Consumimos como se tudo fosse o mesmo prato, do mesmo tipo.
Ando pensando bastante e mais ainda agora que preparo meu novo curso sobre como lidar melhor com a explosão informacional em curso.
Pois bem, acredito que temos três dimensões da informação:
- Informações factuais – as coisas que acontecem no mundo, mortes, vidas, acidentes, compras, vendas, golpes, eleições, etc.
As informações factuais nos enredam, perdemos a maior parte do tempo com elas, nos tomam, são aquilo que produzimos, os documentos, as planilhas, mas não conseguimos ver que existe uma lógica teórica e filosófica que poderiam nos dar mais sentido.
Acompanhamos fatos, através da mídia, das redes sociais e, quase sempre, nos perdemos neles.

- Informações teóricas – são aquelas que lidam com a fatos para dar um certo significado e aborda questões de sobrevivência, de classificação de diferentes fenômenos, que nos ajudam a sobreviver no mundo e a compreender os fatos.
Mas que estão dentro de uma filosofia mais geral, apesar de não percebermos isso.
As informações teóricas guiam nossa prática, mudam mais constantemente, estão coladas mais nos nosso softwares aplicativos do que na placa-mãe, são até visíveis, são da ordem da estrutura, mexem com movimentos mais próximos das nossas vidas.
Abordamos mais na universidade e nas pós, temos também pouco tempo para pensar sobre elas no dia-a-dia, apesar de serem elas que nos guiam na nossa vida prática, pois consideramos que a melhor maneira de fazer é por aqui, baseado em alguma teoria.
Porém, foram construídas por pessoas, que ao se perpetuar no tempo se tornaram muitas vezes pouco visíveis.
- Informação filosófica – aquela que consolida teorias para dar um certo significado, que trata de questões do ser, do significado, das questões da nossa relação com o desconhecido, com Deus, o poder superior, morte, etc (ser ou não ser);
As informações filosóficas são constituintes, pouco mudam, estão coladas na nossa placa mãe, são invisíveis, são da ordem da super-estrutura, mexem com movimentos macros.
Abordamos pouco na escola, não temos tempo para ela no dia-a-dia, apesar de serem elas que nos guiam, pois consideramos que somos ela, são nossa filosofia de vida, nossa religião, nossa maneira de pensar, quando, na verdade, foram construções de um coletivo de pessoas, que ao se perpetuar no tempo se tornaram invisíveis, como se fossem nossas.

Ou seja, gastamos muito tempo com fatos, pouco com teoria e quase nada com filosofia.
O problema é que quando temos uma revolução da informação, como consequência, temos uma explosão informacional e sugere-se inverter o triângulo. Gastar mais tempo para compreender as filosofias, que abrangem as teorias que nos ajudam a analisar os fatos.
Analisar fato funciona em momentos de estabilidade, quando a lógica está consolidada, mas são abalada nas rupturas, como a que vivemos com a chegada da Internet.
Nestes momentos, sem a filosofia não entendemos das diferentes teorias, que nos permitiriam ordenar melhor os fatos e perder menos tempo com que é interessante, mas não relevante.
Conseguir resolver a crise informacional em curso é conseguir dedicar mais tempo a refletir sobre as filosofias macros, pois elas estão mudando.
São a base das grandes mudanças em curso.

São estas mudanças que vão separar o que é modismo (fatos/teorias) de mudanças filosóficas grandes.
Assim, podemos ver o que é preciso rever nas teorias e como podemos compreender melhor os fatos.
Isso torna-se mais evidente e necessário em uma revolução informacional, que descortina a falta de compreensão dos fatos, que nos fazem rever teorias e fica evidente que as filosofias que estamos baseados não são nossa maneira de pensar, mas um arcabouço construído que deve ser revisto para rever teorias e, por fim, conseguir analisar melhor os fatos.
Gasta-se menos tempo e tem-se muito mais.
Que dizes?
Brincando com o futuro
18/04/11
Ainda refletindo sobre nova sala de aula.
GILBERTO DIMENSTEIN – Brincando com o futuro
Para formar adultos criativos, é preciso mantê-los sempre como se fossem crianças, brincando com conhecimento
EM SEU LABORATÓRIO repleto de brinquedos e peças coloridas espalhadas pelas mesas, o físico Mitchel Resnick, formado em ciência da computação, está ajudando a reinventar o jeito como as crianças aprendem e, assim, formar adultos mais produtivos e interessantes. “Era da informação é coisa do passado. Estamos entrando na era da criatividade”, aposta.
Dentre os vários brinquedos que nasceram em seu laboratório, há uma plataforma na internet em que as crianças montam seus próprios games e histórias digitais. As invenções são compartilhadas mundialmente, formando uma rede planetária de programadores mirins. “Queremos que eles não se satisfaçam apenas em jogar, mas em produzir seus games.”
A tradução do que significaria “era da criatividade”, na qual o essencial é ser um permanente inovador, começa na própria arquitetura em que está esse laboratório de brinquedos.
É uma escola sem sala de aula, onde todos, professores e alunos, estão sempre inventando alguma coisa.
A sensação que temos é que todos ali brincam com o futuro.
De todos os espaços educativos que conheci, poucas coisas me impressionaram tanto como o Media Lab, subordinado à faculdade de arquitetura do MIT. O lugar consiste em uma escola criada, como o nome diz, para reinventar a transmissão de informações.
São centenas de estações de trabalho espalhadas pelos andares, reunindo engenhocas de todos os formatos. Como não há quase divisórias, temos, à medida que vamos subindo os andares, uma visão geral ao mesmo tempo caótica e organizada.
A arquitetura transmite a mensagem de que criatividade depende de uma combinação de caos, flexibilidade, diversidade e estímulo ao contato humano.
Na semana passada, assisti à apresentação dos projetos dos alunos realizados com seus professores. Celulares criados para detectar problemas de visão; tecidos inteligentes que se adaptam ao corpo; robôs preparados para executar uma ópera no palco; carros que não poluem e cujos motores ficam nas rodas. Descobriram como fazer da mão humana um mouse. Projeta-se um teclado em qualquer parte do corpo e você passa a funcionar como um computador.
Estão desenvolvendo o que eles chamam de “computação afetiva”, sistemas que permitiriam às maquinas entender as emoções humanas. Isso significa que um carro pode ajudar a prever quando alguém está tenso ou cansado pelas feições do rosto e pode enviar um sinal ao motorista. Dá até para traduzir as batidas do coração.
Mais importante de tudo é arquitetura curricular, da qual o prédio serve como ilustração. Os alunos de mestrado e doutorado do Media Lab criam suas próprias metas e dizem como vão atingi-las. Podem, por exemplo, ter aulas em diversas universidades americanas sem precisar comprovar nada. Fazem também seu próprio tempo. “Podemos escolher não fazer nenhuma aula”, conta Leo Burd, formado no ITA e na Unicamp, que desenvolve pesquisas no MIT para uso da tecnologia para inclusão social. “Acabamos atraindo gente muita apaixonada”, acrescenta.
O professor não tem sala de aula. Trabalha em pequenos grupos, desenvolvendo as experiências.
A flexibilidade tem um preço muito mais alto do que a disciplina. O aluno tem de apresentar algo realmente consistente, inovador e criativo -o que, claro, exige muita leitura e experimentação.
A mensagem essencial está no laboratório de brinquedos de Mitchel: para formar adultos criativos é preciso mantê-los sempre como se fossem crianças, brincando com o conhecimento.
PS- Minha descrição do que vi na semana passada no Medias Lab não faz justiça ao evento. Coloquei uma seleção dos projetos no www.catracalivre.com.br. Posso garantir que estou descrevendo aqui não reflete nem remotamente a sensação que se tem vendo a descrição dos projetos.
Nepomuceno
nepo.com.br
O hiato da lógica
07/04/11
O hiato da lógica
abr 6th, 2011 by Carlos Nepomuceno
Sem uma lógica eficaz, não há conteúdo que não vire lixo – Nepô - da safra de frases de 2011;

Para mim, está cada vez mais claro que temos dois tipos de cabeças pensantes hoje na sociedade, discutindo o futuro.
- - um grupo que insiste na continuidade, sem compreender que estamos no epicentro de uma revolução informacional/comunicacional e tudo que ela representa de mudanças;
- - outro que já realizou tal fato e tenta compreendê-lo, com variações grandes também de percepção, mas já dá a ela alguma relevância ao pensar mais adiante.
Podem me dizer que “para o martelo todo o problema é prego” como já escutei de uma pessoa.
E que estamos olhando o mundo sobre o prisma da informação/comunicação, assim como o médico olha do ponto de vista da saúde e o piscólogo do inconsciente, etc…
Na calmaria tem lógica, na crise, não.
Definitivamente não.

Nas grandes crises existem coisas, fatos, acontecimento que mexem com as pessoas, independente das teorias, são fenômenos externos para os quais os especialistas são chamados para ajudar a entender e minimizar consequências.
É o caso agora nos eventos trágicos no Japão.
Primeiro, foram os que entendiam de terremoto e depois os que estudam radiação e energia nuclear.
São fatos que ocorrem, a despeito das disciplinas.
Agora, chegou a hora dos especialistas em revolução da informação!
(Depois de 4 anos de doutorado, me arvoro em ser esse tipo de especialista, em processo líquido e não sólido.)
Uma revolução informacional/comunicacional é longa e demorada.
Seus efeitos estão apenas começando e vão levar algumas décadas até que possamos ver suas consequências de forma mais clara!
E nos leva para uma nova lógica.
Ponto.

É evidente que o consumidor, o cidadão e a sociedade de maneira geral estão em processo de mudança, discutindo e comentando, blogando, fotografando, filmando, participando, colaborando, produzindo em/de todos os lugares.
Vivendo e querendo mudar várias coisas que estão por aí há séculos.
Parece também estranho que se dê coisas de graça para se ganhar depois, se colabore sem retorno imediato.
Empresas surgem do nada, como nunca antes, e passam a ter mais valor do que aquelas que já têm séculos de estrada, experiência e lógica consolidada.
Novas formas de gestão aparecem, invertendo a lógica da pirâmide do acionista no topo e consumidor na base.
Parece que o consumidor está de novo casando com o produtor; a informação fez as pazes com a comunicação e uma certa hipocrisia entre o que se diz e faz não tem mais tanto sentido.
O mundo está de cabeça para baixo, dirão alguns.
Isso é fruto de algo do mesmo DNA: estamos mudando a forma de consumir e produzir informação e o jeito que nos comunicamos.
A forma como utilizamos a Informação/comunicação é algo estruturante do ser humano, algo na sua placa-mãe mais profunda.
Mudanças desse tipo mudam radicalmente a sociedade, pois alteram de forma irreversível fatores cognitivos (passamos a conectar os neurônios de forma diferente) e afetivos (já que o controle informacional é emocional da base da relação filho-pais).
Ponto.

No passado, foi assim também.
Basta ver que depois da prensa em 1450 criamos o capitalismo e o modelo de democracia.
Algo mudou naqueles cidadãos feudais, que não tinham contato com ideias do mundo exterior.
Ou nos conscientizamos que estamos em uma nova lógica, com várias fatores que nunca mudam – a substância.
E muitas se alteram – as camadas acima da substância – ou iremos patinar no presente e, principalmente, no futuro.
- Que lógica nova é essa?
- Qual o seu DNA?
- Onde estamos e para onde vamos?
Podemos chamar esse momento de “hiato de lógica“, no qual existia uma bem definida no passado, na qual as coisas estava aparentemente “consolidada” para outra que estranhamos bastante.

Assim, temos que ir aos clássicos.
- O que realmente é fundamental no ser humano?
- Quais as características que levamos para todo o sempre?
- E quais são aquelas que podem variar por mudanças?
- E quais as que mudam em revoluções da informação?
Não é à toa que estamos tão perdidos.
O conteúdo, o consumo de fatos, dados, versões, notícias, novidades, precisam ter antes uma determinada lógica geral que os organize.
Quando se muda a lógica-mãe, digamos assim, é preciso refazer essa lógicas-variantes para depois poder consumir, de novo, o conteúdo dentro de um novo reequilíbrio.
Foi em função disso que pós-revolução informacional da prensa, a partir de 1450, levou aquela sociedade viver um surto filosófico, com o iluminismo, renascimento, no qual as pessoas sentiram necessidade de responder estas questões acima, de forma mais profunda.

Conteúdo sem lógica é algo completamente inútil.
E este é o problema de quem filtrava a sociedade no passado – a mídia de massa – estão produzindo conteúdo novo, mas com lógica passada.
E a sociedade está perdida, pois não consegue mais entender que ocorre, olhando os fatos e lendo as versões que produzem.
Ninguém tira significado disso.
Só há significado quando já estivermos trabalhando na nova lógica pós-revolução informacional/comunicacional.
Diria, assim, que a sociedade precisa de um banho geral de espuma lógico dentro de uma revolução informacional/comunicacional.
Sem nos debruçarmos nesse DNA principal da mudança , que alinham várias outras o conteúdo que estamos produzindo e lidando perderá, como tem ocorrido, o sentido.
Estamos produzindo dados sem uma lógica que o sustente.
Patinamos, assim, nesse hiato da lógica.
Que dizes?
*Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação de Gestão Estratégica do Marketing Digital
O abuso 1.0 e Autoridades 2.0
25/03/11
Novos textos do nosso querido Nepô. Deliciem-se
O abuso 1.0
mar 23rd, 2011 by Carlos Nepomuceno
Quando a civilização não coíbe o abuso, a violência tende ao descontrole – Nepô – da safra 2011;

Dando aula ontem na Pós da Facha em Marketing Digital (que, na verdade, é Marketing nas empresas digitais, como discutimos na turma) aprofundamos um pouco o cenário atual.
Podemos, assim, dizer que:
- Toda sociedade tem uma estrutura de poder, que o detém para obter o previlégio de produzir e tirar os frutos subsequentes;
- Para manter o poder, se estrutura um aparato de mídia, na qual se vende comodismo, status-quo, “fiquem calmos”;
- E, com o tempo, estrutura-se um ambiente permanente de abuso consentido.
Vimos na turma o filme Lutero o abuso da igreja.

Hoje, vemos o abuso contra o consumidor/cidadão diante da empresa ou dos governos.
Há uma taxa de abuso que é relacionada.
Quanto mais controle da informação, mais tendemos a elevar a taxa de abuso.
A estrutura de poder faz o que quer, pois cria uma zona cinza, turva, que esse abuso, causador de sofrimento parece “normal”, até natural.
- No caso do passado, a Igreja vendia indulgências para se entrar no céu;
- Hoje, a pessoa, apesar de pagar, não tem hospital para se tratar e quando tem é muito caro;
- Ou ainda compra um produto que depois de alguns dias não funciona mais, etc…
Esse ambiente abusador pode ser questionado e mudado por dois movimentos.

O tradicional e bem conhecido pelas ciências humanas que são as revoluções sociais, na qual um grupo deliberadamente toma um meio de comunicação alternativo, introduz novas ideias na sociedade e consegue mudar o poder.
Ou o fato novo, atualmente vivido por nós, com a chegada da rede, quando um conjunto grande de pessoas passa a ter uma nova mídia e o abuso estabelecido passa a ser questionado pelo cidadão comum, sem tanto um grupo que o guie, mas como um movimento coletivo, que vai, obviamente, ganhando seus guias.
Há, assim, uma relação entre o abuso social e o controle da informação.
O abuso é uma taxa que quanto mais controle informacional tivermos, mais abuso teremos.

E que quando há uma ruptura informacional como a nossa, através de uma nova mídia, questiona-se o absurdo da taxa elevada de abuso. É o que faz o consumidor nas sociedades mais democráticas, via redes sociais e os cidadãos nas ditaduras (Líbia, Egito, etc.) indo para a rua estimuladas e articuladas pelo Twitter e afins.
Que dizes?
Autoridades 2.0
mar 24th, 2011 by Carlos Nepomuceno
Mudanças 2.0: o afeto passa a ter uma nova relação de intermediação com figuras paternas – Nepô – da safra 2011;
Dando aula esta semana na Pós da Facha em Marketing Digital (que, na verdade, é Marketing nas empresas digitais, como discutimos na turma) aprofundamos um pouco o cenário atual.
Lembrei de uma conversa, via Facebook, com o Ermio Patrão, na qual ele não acreditava que os acontecimentos do Egito e arredores era apenas fruto de um povo que não tinha informação e agora passava a ter com a Internet.
Concordei com ele.
Vendo o filme Lutero ontem que é bem revelador de um momento similar ao nosso, me caiu essa ficha de forma bem mais clara.
O modelo de controle informacional é introjetado por nós desde nossa tenra infância. Ele é um dos pilares de nossa subjetividade, identidade.
Aprendemos a respeitar as autoridades, a própria civilização, a partir de um modelo de controle informacional, que se perpetua na escola, na televisão…
Ele define um grau de infantilização, pois eles filtram e nós, limitados, aceitamos algumas “verdades”.

Respeitamos pai, mãe, professor, via uma mídia, com seus padrões, no caso verticais, com um nível de infantilização.
Respeitamos as figuras paternas da sociedade, através de um filtro estabelecido que nos assegura que ali há uma “verdade” e passamos a respeitar estas autoridades, por falta de ideias que questionem o que eles dizem.
Passamos a ser “súditos” infantis por que são eles que nos guiam, em função de dado controle.
Obviamente, que há o processo de não respeitar as autoridades, a partir de crescimentos individuais e coletivos localizados aqui e ali.
O que se vive com a Internet é isso, porém, entretanto, todavia, em escala global, em função da mudança da mídia, quando há um descontrole e uma desintermediação geral, ao mesmo tempo.

Estamos vivendo é esse desilusão com as autoridades vigentes em escala macro, em função de uma nova mídia que nos permite questionar juntos , nos conscientizar juntos, nos “desinfantilizarmos” juntos.
E esse salto de qualidade, de amadurecimento, de saída de um estágio mais infantil do nosso ser para outro.
Tivemos o mesmo amadurecimento quando a civilização adotou fortemente a leitura (depois de 1450);
Isso nos faz dar um salto coletivo contra as autoridades vigentes.
Queremos novas autoridades, pois não somos mais infantis como éramos na mídia passada, no controle informacional que nos tolhia.
A Internet com suas novas possibilidades de acesso e de expressão nos amadureceu e isso não tem volta.
Tal poder era anteriormente exercido por um intermediador infantilizador que definia, assim, uma taxa de abuso.

Quem está no poder infantiliza para abusar. Exercer seus privilégios o máximo possível sem prestar conta para ninguém.
Quem lê tende a ser menos infantil de quem não lê.
Depender menos.
Ter mais poder de escolha.
Imagina se isso se dá em larga escala, ao mesmo tempo, todo mundo junto, em todos os lugares?
Podemos produzir nossos próprios discursos globais, via redes sociais, fazer textos, áudios, vídeos e termos a possibilidade de sermos escutados.
Reclamar de tudo e ser retuitado…isso é um novo poder para o qual estamos aprendendo a exercer e a sociedade precisará se ajustar para atendê-lo.
Assim, no cerne de todo o movimento que assistimos podemos dizer que há basicamente uma “desinfantilização” da civilização, pois o controle informacional mudou de qualidade para melhor.E nós com ele.

O que nos leva a perceber uma relação entre controle da informação e infantilidade das pessoas.
Por isso o processo é tão difícil, pois todos, incluindo as empresas, têm que ser também mais maduras do que eram.
E convencer com ações que sejam coerentes com nossa nova subjetividade menos infantilizada.
E isso que é o grande salto que nos levará a civilização 2.0 com uma taxa de infantilização menor e, por consequência, com taxa de abuso reduzida, como discutimos neste post passado.
Estamos, portanto, saindo todos juntos da casa de papai e mamãe para um novo mundo informacional com mais opções informacionais e menos infantilização.
Que dizes?
Mundo 2.0: Câncer une as melhores universidades
21/03/11
Pessoal,
considero o artigo abaixo um reforço muito grande para nossas reflexões sobre o mundo 2.0.
Mostra o tripé claro entre novo tipo de produção de informação/conhecimento como vetor fundamental para inovar e continuar produzindo.
Duas universidades se unem para resolver o problema do câncer, superando barreiras e
apostando na mudança do ambiente informacional para produzir melhor.
Leiam e comentem,
marcas em vermelho.
abraços,
Nepô,
DOMINGO, 20 DE MARÇO DE 2011
http://marconipimenta.blogspot.com/2011/03/cancer-une-as-melhores-universidades.html
Câncer une as melhores universidades
por GILBERTO DIMENSTEIN
“Muito da nossa força reside na interação entre pessoas criativas”, disse à Folha Drew Faust, reitora de Harvard
SE FOREM ANUNCIADOS tratamentos revolucionários ou vacinas contra o câncer a partir de agora, há uma chance razoável de que o Instituto Koch, um centro de pesquisas inaugurado neste mês nos Estados Unidos, tenha participado -ou mesmo sido o polo- da descoberta.
Isso se explica não só porque se juntaram nesse projeto as duas mais renomadas universidades do mundo (Harvard e MIT), o que já não é nada fácil, mas porque estão sendo reunidos num mesmo prédio, cruzando as pesquisas, 650 cientistas das mais variadas especialidades: oncologistas, químicos, biólogos e geneticistas, em meio a diversos tipos de engenheiro. A ideia é criar um consórcio planetário de pesquisadores, como o nosso Instituto do Câncer em São Paulo.
Espera-se que essa quebra de barreiras espaciais ajude a promover a inovação: engenheiros, por exemplo, podem desenvolver com químicos e biólogos minúsculos chips que, injetados no corpo, destruam os tumores sem prejudicar as células saudáveis.
Essa é uma terapia que combina dinheiro com vontade e inteligência, mas o efeito do projeto vai mais longe do que o combate aos tumores -o efeito é a forma como se produzem as descobertas.
Estamos falando aqui de duas universidades que geraram ou têm entre seus professores cerca de 120 vencedores do Nobel e vivem se digladiando para ficar nos primeiros lugares das listas das melhores instituições de ensino superior do mundo. Fazendo uma comparação vulgar, é como se o Palmeiras e o Corinthians fizessem uma parceria para desenvolver uma melhor técnica futebolística -aliás, a direção do MIT e a de Harvard lançaram um texto conjunto na semana passada em que afirmam que a economia americana depende do que se produz. Foi por isso, segundo elas, que a decadência do país, tantas vezes prevista, ainda não aconteceu.
O que faz uma universidade ficar nos primeiros lugares em rankings de qualidade são, em essência, suas pesquisas. Isso acaba atraindo mais dinheiro e, naturalmente, os melhores alunos e professores, num círculo virtuoso.
Na conversa que teve comigo e com a repórter Luciana Coelho, da Folha, Drew Faust, a reitora de Harvard, deixou claro que um de seus principais interesses na visita ao Brasil é atrair talentos. Talentos se traduzem em invenções. “Muito da nossa força reside nessa interação entre pessoas criativas”, diz ela.
A forma como se inova depende da quebra de paradigmas. Daí por que aquele instituto do câncer vai além da medicina. A produção de conhecimento exige que se rompam as barreiras entre os departamentos acadêmicos, que pouco se falam, provocando desperdícios. Isso significa quebrar barreiras políticas, burocráticas e até aquelas próprias do jogo de vaidades.
Fora isso, há o risco de obsoletismo. Como obsoletismo não atrai talentos, entra-se num círculo vicioso.
Temos visto como as novas tecnologias têm virado de cabeça para baixo a forma de produzir saber. Um dos melhores exemplos é o site Wikipedia, uma biblioteca mundial produzida coletivamente e cada vez mais confiável. Assim vão nascendo as inovações.
A IBM desenvolve extraordinários programas na internet apenas para aproximar seus milhares de pesquisadores espalhados pelo mundo, gerando um ambiente único de aprendizagem -a IBM é a maior produtora de patentes do mundo. Empresas lançam produtos em teste para recolher sugestões do público e pagam por elas.
Uma das novas estrelas da internet, a Netflix, que está reinventando a forma como se alugam filmes, ofereceu US$ 1 milhão a quem desenvolvesse um programa capaz de adivinhar o filme que seus clientes gostariam de ver. É pouco perto dos US$ 3 milhões oferecidos por uma empresa de seguro médico (Heritage Provider) a quem desenvolver um software capaz de estimar quando seus clientes vão acabar num hospital para que, com essa informação, possa tomar medidas preventivas.
Nada poderia ser mais exemplar desse jeito de ver o mundo do que duas universidades rivais se unirem para descobrir a cura do câncer.
PS- Veja como um grande problema pessoal vira uma enorme solução coletiva. O bilionário David Koch descobriu, há 20 anos, que tinha câncer. Desde então, já gastou quase US$ 1 bilhão para ajudar a descobrir novos tratamentos para a doença. Ao instituto que leva seu nome deu US$ 200 milhões até agora. Essa é uma daquelas pessoas que, com ou sem câncer, ficam imortais.
Fonte: Folha de São Paulo
Nepomuceno
nepo.com.br





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