Por Marcus Duarte*

Amigos leitores,

Hoje vamos falar do Fluminense F.C. . Clube de aproximadamente 4 MM de torcedores, o tricolor carioca chega em 2011 com uma nova diretoria à frente do clube, que tem como um de seus principais desafios realizar a modernização administrativa do Flu.

Dentre as várias frentes a serem trabalhadas e que demandarão atenção especial, duas delas, além obviamente do departamento de futebol, demandarão atenção especial e prioritária: O Jurídico e o Marketing.

O Jurídico, pois a medida que novos negócios vão surgindo, parcerias e permutas são firmadas, patrocínios e negócios são gerados, a atuação na elaboração, revisão e acompanhamento dos contratos do clube passa a ser fundamental. Além disto, acompanhar as ações impetradas contra o clube, além de trabalhar na defesa do mesmo contra os que atingem a instituição tricolor é primordial.

O Marketing, pois é a partir deste que surgem as principais oportunidades de negócios de um clube do futebol. Costumo dizer que o departamento de Marketing é o 2o mais importante dentro de um clube, após o futebol, com o jurídico vindo logo a seguir, pois sem os dois primeiros o terceiro praticamente não teria trabalho no dia a dia.

Dos 4 grandes clubes cariocas hoje em dia, vemos que o Fluminense é o que tem seu departamento de marketing mais fragilizado. Em 2007, o Vasco da Gama encontrava-se nesta posição quando o então presidente Eurico Miranda resolveu criar o inédito departamento de marketing vascaíno, que começou ali a mudar a situação do clube em termos de parcerias e patrocínios do clube.

Não nos cabe discutir o momento atual da relação do clube com a Unimed. A mesma é antiga, atingiu vários dos objetivos traçados pela empresa e contribuiu e muito para a sobrevivência do Fluminense ao longo dos anos, sendo juntamente com os direitos de TV e transações de jogadores uma das principais receitas do clube.

O Fluminense deve fazer seu dever de casa. Ter uma Unidade de Negócios próprio, onde marketing, comercial e comunicação trabalham juntos e alinhados, dentro de um planejamento de curto, médio e longo prazos.

Cabe ao marketing desempenhar todas as funções já relacionadas acima. Desenvolver projetos comerciais de patrocínio e parceria que serão apresentados ao mercado pela área comercial, trabalhar licenciamentos, estudar as pesquisas, se relacionar com fãs,clientes, associados,atletas e patrocinadores, realizar ações promocionais, potencializar a exploração de todas as propriedades oferecidas pelo clube. Ao marketing fica a responsabilidade de desenvolver a inteligência dos trabalhos e o aprofundamento das relações com patrocinadores, fãs e fornecedores.

Cabe ao comercial manter o contato com o mercado, identificando os potencias parceiros, apresentando os projetos comerciais, fazendo a interface entre a instituição e o mercado a fim de se conseguir a captação dos recursos esperados. Outra importante função é dar ao marketing um feedback em relação a receptividade do mercado aos projetos apresentados. O investimento neste departamento gera para a s instituições frutos permanentes, pois abre e se consolida com o tempo um canal confiável de negócios entre o clube e o mercado. Com o passar do tempo, o mercado passa a entender que o clube possui uma estrutura comercial sólida, independentemente de quem esteja desempenhando esta função.

Por fim, cabe ao departamento de comunicação, com seu trabalho principalmente de assessoria de imprensa, colaborar para o bom posicionamento do clube perante o mercado, seja ele especializado ou não em esporte. Com a geração de negócios, receitas e parcerias, passa a área de comunicação a ter mais conteúdo para ser oferecido a imprensa especializada em outros setores, como de economia e  negócios. Além disso, não cessa o cumprimento do dever de assessoria institucional e esportiva, no que tange a presidência e aos esportes praticados no clube, por exemplo.

Ter seu próprio departamento de negócios demanda da diretoria do clube apenas 3 compromissos:

1) Investimento em equipamentos

2) Pagamento de salários e fornecedores em dia

3) Planejamento e agilidade nas aprovações de contratos e parceiras

As vantagens são imensas! Citamos entre elas a independência e autonomia nas negociações com empresas de mercado, aumento da receita proveniente de licenciamentos e ações promocionais junto a torcedores / clientes, criação de uma memória para o clube desenvolvimento de pesquisas visando ampliar o relacionamento com torcedores e empresas patrocinadoras, além ainda de se atuar no trabalho de ampliação da torcida, num trabalho próximo com o futebol.

Com vasta experiência neste mercado, digo que o clube em menos de 2 anos se surpreenderia com os fantásticos resultados desta Unidade de Negócios !

Como costumo dizer, se houver vontade política, o Fluminense em breve voltará a crescer também fora das 4 linhas !

Abs,

Marcus Duarte

*Marcus Duarte é professor de Marketing Esportivo e Patrocínios na Pós-Graduação de Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte