A Eco-92, a Rio+20 e o clima econômico global
Por Luciana Rodrigues*
A Eco-92 é vista por ambientalistas como um marco na proteção do meio ambiente. Afinal, a conferência reuniu 108 chefes de Estado e colocou de uma vez por todas na agenda global a expressão desenvolvimento sustentável, ou seja, a ideia de que é possível, sim, conciliar crescimento econômico com preservação ambiental. Vinte anos depois, o clima de otimismo que cercou a conferência está muito, muito longe de ser alcançado na Rio+20. Não há como obter dos líderes globais o mesmo nível de comprometimento ambiental obtido há 20 anos em parte porque, hoje, não há espaço econômico para por grandes ofertas na mesa.
Há 20 anos, o Brasil passava por uma recessão, ainda sob os efeitos do confisco do Plano Collor, e o Rio de Janeiro parecia condenado ao ostracismo. Foi preciso chamar o Exército para garantir a segurança da cidade nos 11 dias da conferência. Hoje, o Brasil, mesmo já sofrendo os efeitos da nova onda da crise internacional, ostenta um mercado de trabalho próximo do pleno emprego e continua atraindo volumosos investimentos externos. E o Rio é o queridinho de estrangeiros e brasileiros.
No mundo, o clima econômico e político também mudou, mas para pior. Eram tempos diferentes em 1992. A Europa, se não crescia vigorosamente, vivia uma onda de otimismo pós-queda do Muro de Berlim. O fim da Guerra Fria criou uma atmosfera de união e esperança no futuro. Os Estados Unidos estavam diante de um período de forte crescimento econômico e o Japão ainda não havia mergulhado nas suas duas décadas de estagnação.
Hoje, porém, o ambiente econômico no mundo não poderia estar pior. A crise global iniciada em 2008 não dá sinais de trégua e castiga principalmente os países ricos. Para estes, em tempos difíceis, fica difícil abrir mão da prosperidade que ainda lhes resta em prol de um mundo mais sustentável. Os países emergentes, por sua vez, que hoje lideram o crescimento econômico mundial, também não querem ficar de fora da festa do capitalismo, agora que chegou a sua vez. E veem com desconfiança os ricos defendendo que é preciso crescer e, ao mesmo tempo, preservar o meio ambiente. Ninguém quer pagar a conta da preservação. Assim, muito provavelmente, a Rio+20 ficará bem longe de alcançar os objetivos ambiciosos que pautaram a histórica Eco-92.
*Luciana Rodrigues é coordenadora da pós-graduação em Jornalismo Econômico
| Imprimir artigo | Este artigo foi escrito por claudio em 15 de junho de 2012 às 15:22, e está arquivado em Jornalismo Econômico. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site. |
