Por Carlos Nepomuceno*

 

Texto conceitual

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Versão 1.0 (Rascunho) - 25/01/2012 - colabore na revisão!

Os artigos científicos passaram a ser nos últimos séculos o epicentro da Ciência, pela circulação em revistas científicas.

A Ciência – como toda a sociedade – foi fortemente moldada e condicionada nos últimos séculos pelo ambiente de circulação do papel impresso.

A produção de documentos acadêmicos impressos (revistas e livros) seguia e ainda segue um processo de produção próprio inerente desse ambiente impresso.

Na seguinte ordem:

  1. Pesquisa;
  2. Redação;
  3. Submissão aos pares;
  4. Leitura/aprovação;
  5. Preparação para publicar;
  6. Publicação;
  7. Distribuição;
  8. Leitura pelos interessados;
  9. Possíveis críticas;
  10. Retorno à Pesquisa.

Há, assim, na produção acadêmica impressa um tempo “X” da circulação
de ideias dos itens 1 ao 10.

Baseado a experiência e não em dados, posso arriscar dizer que o tempo
da Ciência 1.0 – ou da Ciência baseada no processo de circulação de
ideias do papel impresso (dos itens acima de 1 ao 10) –  gira hoje em
torno de 6 meses a um ano.

Esforços vêm sendo feito na migração da Ciência para o mundo digital,
para reduzir esse tempo claramente pouco dinâmico.

Inicialmente tais esforços vão na direção da subitituição da forma de
circulação das ideias, utilizando-se do meio digital.

Porém, na maioria dos casos, procura-se alterar o processo apenas nos
itens 5 ao 7, mas mantendo o mesmo processo nos demais, inclusive
mantendo muitas vezes periodicidade das publicações, quando o digital
não exige.

Uma Revolução Cognitiva como a atual, entretanto, nos condiciona a uma
nova cultura de circulação de ideias, mais dinâmica, alterando todos
os itens do processo.

E é quando há essa mudança cultural do próprio fazer da Ciência que
podemos diagnosticar que temos uma nova Ciência em uma nova cultura de
circulação de ideias.

A saber:

Pesquisa já coletiva;
Redação on-line;
Submissão aos pares on-line;
Leitura/aprovação é substituída por classificações dos leitores
(curtir, estrela, etc);
Preparação para publicar deixa de existir, pois é on-line;
Publicação automática;
Distribuição automática;
Leitura pelos interessados, ao longo da produção;
Possíveis críticas sâo feitas no rodapé documento, quando nâo feita no
próprio corpo em documentos wiki.

O tempo da Ciência 2.0 provoca a queda de 6 meses a um ano para a
divulgação perto do zero – on line.

É uma nova cultura científica mais adequada as necessidades de um
mundo super-populoso.

A passagem, entretanto, será demorada e bastante dolorosa.

Mas será inevitável.

Que dizes?

*Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital