Por Luiza Cruz*

Como vai o blog da sua empresa? E, melhor ainda: qual a estratégia de rastreamento de blogs dos concorrentes, clientes e prospects que está sendo adotada? Se você, como profissional de comunicação, não sabe a resposta, ou ainda, não tem uma resposta porque a empresa não tem um blog e muito menos monitora outros, sua estratégia, ou falta dela, está custando-lhe cifrões.

Antes da web 2.0, o acesso à informação, mesmo via internet, ainda era restrito. Mas, com a baixa de preços dos computadores, dos celulares e smartphones, da banda larga e a proliferação de lan houses, surgiu o fenômeno do cidadão-jornalista. É cada vez maior o número de pessoas obtendo informação destes, o que torna as mais inocentes – e às vezes nem tanto – postagens nas redes sociais e inserções em blogs tanto empresariais quanto pessoais, uma ferramenta de comunicação que nenhum profissional da área pode ignorar. Claro que o primeiro trabalho do profissional é separar o joio do trigo e se certificar de que os blogs sendo monitorados tem o peso necessário para agregar valor ao negócio de seu cliente ou para sua empresa. E, nas mídias sociais a palavra-chave é seguidores. Não apenas quantos. Quando estamos tratando de desenvolver estratégias de comunicação o importante é quem.

É papel do profissional, antes de mais nada,  garantir que o blog do cliente esteja sempre seguindo e sendo seguido – e isto vai depender da relevância e frequência do conteúdo sendo postado – por segmentos significativos da comunidade, áreas de interesse etc.

Um erro facilmente cometido em blogs corporativos é o de, na tentativa de se manter atual, postar temas que estão sendo discutidos na sociedade mesmo quando estes não tem nenhum vínculo aparente com a natureza do seu negócio. Acredite, não é isto o que você quer. Lembra? Trabalhamos com a imagem da instituição e queremos criar, desenvolver e manter esta imagem de acordo com a filosofia de comunicação da empresa – e não estou nem pensando na possibilidade de que ela não exista. Qualquer microempresa precisa ter uma. Nem que ela esteja apenas na cabeça de seu único proprietário/funcionário.

O pulo do gato aqui é não apenas postar um tema que está sendo discutido na sociedade. Você não precisa ser um profissional de comunicação para isto. Mas sim, selecionar entre os temas que estão sendo discutidos em sociedade, aqueles que podem ser tratados sob a ótica da(s) área(s) de atuação de seu cliente. A sua estratégia aqui é tornar o seu blog – e porque não o seu fórum ou mesmo homepage – referência no mercado.  O que você quer é que quando um determinado assunto, corporativo ou de natureza social, entre em discussão, as pessoas se perguntem: como o blog X está tratando do assunto? Vou lá checar.

Uma excelente maneira para chegar a este nível é através do uso de podcastings. A publicação americana InfoWorld realizou uma pesquisa em que verificou que os podcasts estão em segundo lugar na lista de preferência das pessoas, principalmente dirigentes, para receber informações. O primeiro lugar, pasmem, continua sendo da forma impressa.

O podcasting é excelente, por exemplo, para conquistar prospects. Por ser barato e ser facilmente mensurável, é peça-chave para ajudar na percepção da identidade corporativa de que estamos falando aqui. Através dele, um assessor de comunicação pró-ativo pode lançar ideias e propor soluções para situações de momento (sempre dentro da área de atuação da empresa/cliente). E pode verificar quais os temas que geram maior número de downloads, delineando assim o perfil de seu público para futuras postagens em blogs ou homepages.

O importante aqui é, como sempre, o bom senso. Lembre-se que a chave da estratégia para trabalhar com mídias sociais é pensar adiante, monitorar sempre. Esclareça para seus clientes e/ou dirigentes de sua empresa de que postagens devem ser respondidas o mais imediatamente possível e devem ser verdadeiras a partir do momento em que são postas no ar. Internautas se distinguem dos cidadãos do século XX por terem a informação na ponta dos dedos.

*Luiza Cruz é jornalista e relações públicas. Atuou como repórter de O Globo, The Guardian (Londres) e Revista Caras. Foi Assessora de Comunicação de instituições no âmbito privado e público como a Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É jurada do Prêmio Aberje e consultora em Comunicação Corporativa. Leciona comunicação corporativa na pós-graduação em Gestão Estratégica da Comunicação do Igec