Em tempos de competição crescente, estabelecer metas setoriais pode atrapalhar mais do que ajudar

Luciana Carvalho, de EXAME.com
Comentários do Prof Claudio Moreira*

Stock.xchng

MetasMetas e bônus são importantes, mas também podem provocar competição entre departamentos

São Paulo – Enquanto os lucros só aumentam, é difícil dizer que algo está errado na empresa, mas é exatamente neste momento que os gestores precisam ficar mais atentos. Parte do crescimento vem do cumprimento de metas traçadas a cada ano, mas, quando a concorrência fica mais acirrada, elas podem se tornar verdadeiras muralhas que impedem a colaboração das equipes dentro de uma empresa.
É natural que a estrutura de uma companhia se torne mais complexa à medida em que cresce. Aumenta o número de funcionários, novos departamentos são criados, operações em outras praças são abertas. E, com isso, o lançamento de metas individuais, setoriais, departamentais e o que for.
O efeito colateral é que o ambiente interno fica cada vez mais hostil, com diretorias em guerra umas contra as outras e frequentes boicotes a departamentos vistos como rivais.
Terapia de grupo
Nestas situações, o melhor que a companhia pode fazer é o óbvio: lembrar que, acima de tudo, o que vale é o resultado geral e, para isso, todos os departamentos devem atuar em parceria. De modo prático, isso pode significar abrir mão dos indicadores, metas e bonificações separados por setor.
Para Carlos Bremer, diretor da consultoria Axia Value Chain, o presidente da empresa é quem tem mais facilidade para compreender essa necessidade, mas ainda há barreiras. “Quando o CEO tenta descobrir onde está o problema, pergunta para cada um separadamente”, afirma. Isso faz com que, geralmente, o presidente não consiga chegar a um diagnóstico exato da situação, já que cada departamento vai dar a versão que lhe for mais conveniente.
Quem precisa passar por uma verdadeira terapia em grupo são as diretorias e os conselhos de administração, que, segundo Bremer, muitas vezes não compreendem as relações entre as diversas instâncias do negócio e a necessidade de olhar para elas de forma integrada.
Tecnologia não é tudo
Quando começam a se conscientizar, muitos deles caem em outra armadilha: considerar que a tecnologia e os softwares de gestão podem resolver todos os problemas. “A tecnologia é um grande vetor dessa reestruturação, mas não resolve tudo”, diz Plínio Targa, outro diretor da Axia Value Chain.
Apesar dos trancos e barrancos de várias empresas para compreender a nova realidade, os consultores acreditam que hoje há uma tendência para a mudança de cultura. Targa aposta que a nova geração de executivos já chega ao mercado mais aberta a mudanças: “Temos uma geração mais nova e isso traz inovação e a necessidade de buscar novos modelos de gestão”.
Comentário: A etimologia da palavra “empresa” nos diz: Uma empresa é um conjunto organizado de meios com vista a exercer uma atividade particular, pública, ou de economia mista, que produz e oferece bens e/ou serviços, com o objetivo de atender a alguma necessidade humana. Num conjunto ORGANIZADO, as metas funcionam como norteador e como instrumento de mensuração das estratégias traçadas e jamais podem ser encaradas como instrumento de coerção ou trazer o terror ao seio da equipe.

Uma boa meta organzacional deve ter um correto balanceamento entre porções individuais e porções coletivas, buscando o equilibrio que traz resultados. Os lucros de uma empresa são gerados pela correta gestão das operações, a satisfação do cliente é uma consequência desta correta gestão com a meta funcionando com uma bússola e como tal deve estar bem calibrada e orientada.
*Claudio Moreira é Coordenador-Geral do IGEC e professor de Postura Consultiva e Prestação de Serviços
Fonte: http://exame.abril.com.br