Brasileiros negociam compra do Burger King
Fundo 3G, dos sócios da AB InBev, pode pagar US$ 2,7 bilhões pela rede de fast food
Por Agência Estado Comentários do Prof. Claudio Moreira*
NOVA YORK – Uma das maiores redes de lanchonetes dos Estados Unidos, a Burger King, está em negociações avançadas para ser vendida para a 3G, fundo de private equity (especializada em comprar participações em empresas) controlada pelos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles. Um acordo pode ser anunciado ainda hoje, envolvendo US$ 2,7 bilhões, segundo fontes informaram ao New York Times.
Lemann, Sicupira e Telles são sócios da maior cervejaria do mundo, a AB InBev, e donos de empresas como as Lojas Americanas. Além dessas empresas, eles formaram o 3G Capital para fazer novos investimentos. Já viraram donos de uma participação de 6,7% em outra grande rede de lanchonetes americana, a Wendy”s, e compraram 8,3% do capital da ferrovia CSX, uma das maiores dos Estados Unidos. Há dois anos, eles brigam para conseguir o controle da CSX.
Segundo o New York Times, quem aparece à frente nas negociações pelo 3G é o brasileiro Alexandre Behring, que passou 10 anos no GP Investimentos, empresa de private equity fundada por Lemann, Telles e Sicupira e que é uma das maiores do setor na América Latina. Lemann, Telles e Sicupira não têm mais participação na GP.
Behring também foi presidente da América Latina Logística (ALL), a maior empresa privada de ferrovias da América Latina, que foi um dos principais investimentos da GP.
Desde 2008, ele é o representante da 3G no conselho de administração da ferrovia americana CSX. O plano inicial dos sócios da 3G era tomar o controle da CSX e nomear Behring para administrá-la.
Capital aberto. O valor de mercado da Burger King é calculado em US$ 2,4 bilhões. Se o acordo for fechado, esta será a segunda vez que a Burger King troca de mãos em uma década. Um consórcio de empresas – os fundos TPG e Bain Capital e o banco Goldman Sachs – comprou a empresa em 2002. O capital da Burger King foi aberto em bolsa em 2006, embora o consórcio ainda possua cerca de um terço da empresa.
As ações da Burger King subiram 15% ontem após uma reportagem do Wall Street Journal informando que o 3i Group, com sede em Londres, estava se preparando para comprar a rede. No entanto, o 3i Group não está em conversações com o Burger King e não tem interesse na cadeia de fast food, informou Katherine van der Kroft, porta-voz da 3i.
“A empresa não está em discussões com o Burger King e não tem interesse na empresa”, disse a porta-voz. “Nós não estamos falando de Burger King e não sabemos de onde veio esta informação.”
A 3i é uma empresa de private equity de médio porte, ou seja, que fecha negócios muito menores do que os US$ 2 bilhões ou US$ 3 bilhões necessários para comprar a Burger King.
“Isso seria um negócio muito maior do que algo que nós normalmente fazemos”, disse Katherine. Ela acrescentou que a 3i se concentra na compra de participações minoritárias em empresas Estados Unidos, por isso não faria sentido assumir o controle da Burger King.
Investimento de US$ 1,5 bi em ferrovia nos EUA
Em 2008, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira entraram, por meio do fundo 3G, no mercado de ferrovias nos Estados Unidos. Eles pagaram US$ 1,5 bilhão por uma participação de 8,3% na CSX, a maior operadora de ferrovias do lado leste dos Estados Unidos.
Os empresários já tinham experiência com ferrovias. Quando ainda eram os donos do GP Investimentos – empresa criada por eles em 1993, e da qual saíram em 2004 -, compraram a América Latina Logística (ALL), uma das maiores do setor na América Latina. O presidente indicado por eles para a ALL foi Alexandre Behring, o mesmo executivo que hoje está à frente das negociações com o Burger King.
Fonte: http://epocanegocios.globo.com
Comentário: Lemann, Sicupira e Telles já foram apelidados de “Midas brasileiros”, uma alcunha simpática e que faz jus à incrível capacidade de gerar negócios deste trio de empreendedores. Sua metodologia de gestão, fortemente baseada na meritocracia é amada e odiada por grupos distintos e independentemente de discussões acerca de seus métodos, é inequívoca a capacidade deles de ganhar o mundo, ampliando os negócios e colocando um pouquinho do tempero brasileiro em grandes empresas mundiais.
Eles já foram tema de inúmeras reportagens, investem em jovens talentos e gostam de quem sonha grande e tem “brilho no olho”. A Fundação Lemann, que tem como um dos principais objetivos modernizar a gestão dos sistemas públicos de ensino no país oferece em um de seus programas, pós-graduação a diretores de escolas públicas. Desde o início das atividades, em 2003, até hoje, quase 1500 gestores, responsáveis por 800.000 alunos, já passaram por esse treinamento. Outra iniciativa é a da Fundação Brava, criada por Sicupira em 2000, cuja meta é patrocinar projetos de melhoria de gestão no setor público e em ONGs. Em uma década, a Brava investiu em 14 projetos desenvolvidos em estados e prefeituras – nos quatro programas realizados em 2009, a fundação treinou cerca de 400 gestores públicos. A Estudar também começa a atrair gente que trabalha no governo e que quer ganhar mais conhecimento.
Brasileiros avançando pelo mundo é uma realidade distante para uma geração que viu o país chafurdar na lama da hiperinflação e da economia descontrolada, a chamada “década perdida”. Esperemos que esta realidade tenha ficado para trás e que cada vez mais as escolas de negócios formem empreendedores globais.
*Claudio Moreira é Coordenador Geral do IGEC
| Imprimir artigo | Este artigo foi escrito por claudio em 2 de setembro de 2010 às 15:09, e está arquivado em Gestão Estratégica da Comunicação. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site. |



