Evolução das classes sociais e da renda

A redução da desigualdade social e o crescimento da classe média são fatores de influência que estão contribuindo para o desenvolvimento econômico do país. Essa foi a conclusão de um painel de discussão com especialistas neste tema, reunidos no 7º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizado em São Paulo nos dias 30 e 31 de agosto de 2010.
Dentro de seu já notório crescimento – 23,5 milhões de brasileiros ascenderam das classes D/E para a classe média entre 2003 e 2008 –, percebe- se que este movimento foi propiciado principalmente pela elevação da renda. Entre 2003 e 2008, o rendimento do trabalho registrou acréscimo de 5,3%. Tal fator mostrou-se ainda mais preponderante que a mobilidade
trazida pelos programas sociais, com grande aumento do número de carteiras de trabalho assinadas entre a classe.
Na hipótese de a tendência de crescimento econômico e a redução das desigualdades prosseguirem nos próximos anos, estima-se que mais 14,5 milhões de brasileiros sairão daW pobreza entre 2010 e 2014. Outros 36 milhões serão adicionados às classes A, B e C.

Entre julho de 2002 e julho de 2011, verificou-se que o número de pessoas ocupadas vivendo com rendimento médio per capita familiar de até meio salário mínimo mensal passou de 17 milhões para 12,8 milhões no conjunto das principais regiões metropolitanas do Brasil (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre). Uma característica já identificada nesses novos integrantes é que por terem tido um aumento na renda, os anseios ao acesso de bases mais qualificadas também evoluiu. Dentre as exigências estão saúde e educação de qualidade, mesmo que particulares.

O desafio para as seguradoras

O Brasil já atingiu um nível de consumo de um país desenvolvido, onde as classes C e D têm contato com produtos e serviços que antes estavam somente no imaginário das famílias. A estabilidade econômica, o crescimento do PIB e a confiança, atingidos nos últimos anos, possibilitaram um significativo ganho de renda e ascensão social da população brasileira. Essas conquistas podem ganhar sustentabilidade em médio e longo prazo se alicerçadas em ações estratégicas com foco na educação financeira do consumidor. A questão é que esses consumidores não estão poupando porque não têm a cultura de planejamento financeiro.

Três pesquisas – LCA Consultores, Fecomércio-SP e Serasa Experian – confirmaram que o endividamento do brasileiro atingiu nível recorde em 2011 e a inadimplência está aumentando. O levantamento da LCA apontou que a dívida total das famílias há quase um ano e meio atrás equivalia a 35% da renda anual ou 4,2 meses de rendimento. Em abril deste ano, subiu para 40% da renda ou 4,8 meses de rendimento. Ou seja, apesar dos ganhos de renda da população brasileira, há indicadores claros de que as dívidas estão abocanhando uma parcela cada vez maior dos rendimentos dos brasileiros. Isso porque esse consumidor ainda não tem a cultura de planejar as finanças.

mostrando a importância de proteger os ganhos de renda e o patrimônio construído pelo trabalhador, adquirir educação financeira, mudar a cultura do brasileiro em relação aos produtos de seguros e disponibilizar esses produtos em locais próximos às moradias do público-alvo são os grandes desafios para o mercado segurador nos próximos tempos.

Oportunidades para o mercado segurador brasileiro

A ascensão das classes C e D deverá introduzir mais de 100 milhões de consumidores no mercado, os quais precisam conhecer e aprender a cultura do seguro. O desafio será criar produtos mais simples e adequados a este público. Isso significa abrir novos canais de distribuição e investir na adoção de programas de educação financeira, que levem as pessoas ao consumo ético e consciente.

Perseguir o crescimento sustentado do setor nos próximos anos, reforçar sua importância para o desenvolvimento socioeconômico do país e ampliar os canais de interlocução com a sociedade em geral são algumas das diretrizes do segmento que contribuirá ainda mais para o crescimento da economia nacional.

Dados das operações no setor

Em 2010, o setor arrecadou um valor que representou crescimento de 14,24% em relação aos R$ 160,96 bilhões registrados em 2009. O crescimento mais expressivo (19,94%) foi registrado no segmento de pessoas, vida e previdência, que obteve receita global de R$ 61,76 bilhões contra R$52,37 bilhões registrados no ano anterior como pode ser verificado no quadro abaixo.

Seguros de Pessoas

Vários motivos levam cada vez mais o brasileiro à compra da proteção proporcionada pelo seguro de pessoas. A estabilidade econômica está entre os fatores mais importantes, seguido da crescente conscientização de que imprevistos podem bater à porta.
Também a oferta de produtos adequados e inovadores, como os resgatáveis, para pôr fim à ideia de somente a morte estar embutida nos seguros de vida, atrai novos compradores, como a nova classe média. Tais fatores têm garantido a continuidade do crescimento do segmento de seguros de pessoas na casa de dois dígitos. Algo que, à proporção em que avançam a renda do trabalhador e o processo de ascensão social, tem relação direta com a percepção de que esse é o mecanismo mais eficaz para preservar a qualidade de vida da família, o maior tesouro do indivíduo.

Previdência Privada

A estabilidade econômica, o aumento da expectativa de vida da população, a preocupação em garantir um futuro tranquilo e também a melhoria na renda dos brasileiros foram fatores fundamentais para o aumento expressivo das vendas de planos de caráter previdenciário ocorrida nos últimos anos.
De 2005 a 2010, a média de crescimento da receita desses planos (coberturas de risco e por sobrevivência de planos de previdência complementar aberta e cobertura exclusivamente por sobrevivência em planos de seguros de pessoas) foi de 16,52%. Em 2010, o valor arrecadado foi de R$ 46 bilhões, 18,9% maior que o ano anterior. Seu alcance social, contudo, vai mais além. As provisões (matemáticas e técnicas) acumuladas do segmento ajudam na formação de poupança doméstica de longo prazo, indispensável para o desenvolvimento sustentado do país.

Comunicação e marketing no segmento de seguros e previdência

A comunicação se apresenta como ferramenta estratégica tanto na apresentação dos atributos éticos e morais das empresas do segmento estudado quanto na apresentação dos serviços e produtos oferecidos aos públicos. Ou seja, a comunicação é feita tanto de maneira institucional quanto mercadológica, afetando o público em geral, com os comerciais na televisão e os anúncios nos outdoors e também com planos de comunicação dirigidos especialmente para impactar públicos de interesse, como jornalistas e demais líderes de opinião.
Além das mídias tradicionais, muitas seguradoras estão utilizando as mídias sociais e as ferramentas digitais para se aproximar dos seus públicos, especialmente os mais jovens. Prova disso é que todos os sites das empresas analisadas possuem informações atualizadas e integração com seus perfis das redes sociais. Vale dizer que todas também possuem centrais de relacionamento com o cliente e apenas uma, a Sulamérica, possui uma Sala de Imprensa disponível no site.
Todas as empresas analisadas também possuem e comunicam seus projetos de cunho ambiental e/ou social em seus sites. A maioria apresenta resultados positivos de suas ações, apresenta relatórios de sustentabilidade e prêmios recebidos pelos seus feitos.
Outra tendência, se é que podemos falar assim, que têm aparecido como estratégia de aproximação e relacionamento com os públicos é o marketing de conteúdo. Cartilhas de educação financeira e de cuidados com a saúde são dois exemplos de conteúdos criados pelas empresas de seguros e distribuídos principalmente na Internet por meio de publicações on-line e de vídeos.
Muitas vezes, o conteúdo não visa exatamente ao cliente da empresa, mas principalmente os prospects e até futuros prospects, como as crianças. Ao disponibilizar conteúdos que educam a população sobre aspectos de interesse pessoal e social, essas empresas ganham pontos e “moedas” de boa vontade do público, que passa a vê-las com bons olhos, como empresas que querem ajudar a sociedade e não apenas vender. Dessa maneira, o marketing de conteúdo, assim como os
índices de sustentabilidade, é uma excelente ferramenta de potencialização de reputação.
Duas empresas do segmento de seguros que estão alcançando um resultado bastante significativo são a Bradesco Seguros e a Sinaf. A principal coisa em comum dessas seguradoras, no quesito comunicação, é o fato de ambas usarem o humor tipicamente brasileiro para atrair a atenção do público. Esse humor que valoriza o “jeitinho brasileiro” coloca a situação difícil, como a morte no caso da Sinaf, como algo corriqueiro passível de humor. Essa estratégia de aproximação com
o público-alvo parte apenas da observação dos costumes do brasileiro, que geralmente não se abala com muita coisa e mesmo que o momento seja triste consegue encontrar uma piada em qualquer situação. O humor negro da Sinaf e o pessimismo da Bradesco Seguros já caíram no gosto do povo. Afinal, que atire a primeira pedra quem nunca ouviu nas esquinas, nos escritórios e nas rodas de amigos a expressão “vai que...”.

Conclusão

O país está alcançando níveis há muito tempo aguardados pelos brasileiros. Com este notório desenvolvimento, não só em termos de renda mas também de interesses, torna-se evidente a contribuição da comunidade seguradora. O crescimento na participação de investimentos rentáveis é igualmente estatístico mas ainda há um enorme contingente populacional a ser envolvido nas ações estratégicas para que tal objetivo seja atingido. Somente com educação – também educação financeira – e planejamento poderá ser garantido um futuro promissor e estruturado.

Artigo temático produzido pelos alunos Alexandre Mattos, Gisele Felix, Patrícia Mota e Priscilla Mantovani da 7a turma de Gestão Estratégica da Comunicação