Artigos com o marcador marcas
Marcas só conquistam o Olimpo quando se tornam mitos
25/07/12
Por Flavio Cordeiro
O que marcas têm a ver com mitologia?
Muito é a minha resposta, mas a resposta não é simples nem curta.
Há muita mitologia no dia a dia, tão incorporada à nossa cultura, que nem sequer percebemos. Há mitologia aonde quer que exista uma narrativa, mais ou menos fantástica, que dê algum significado às necessidades espirituais humanas, rituais que revivam experiências marcantes e símbolos que ajudem a fixar na memória essa narrativa.
Nossa sociedade, científica e racional, dessacralizou os mitos. Ninguém mais acredita neles, eles simplesmente perderam a função e deixaram de existir, certo? Errado! Os dramas humanos pouco se alteraram em muitos milênios: continuamos a temer a morte, a nos emocionar com o milagre do nascimento e assim como nossos ancestrais, vivemos a insegurança das transições da vida, com toda a dramaticidade dos ritos de passagem. Flertamos com pulsões e vícios, duelamos com a natureza, somos assombrados por tsunamis, erupções vulcânicas e enchentes, como o mais primitivo dos povos e isso, apesar de toda a ciência. Segundo Joseph Campbell, os mitos têm auxiliado a humanidade ao longo dos tempos a conferir sentido aos arranjos, nem sempre racionais, da nossa existência.
Nosso vocabulário é testemunha da importância dos mitos para explicar os dilemas humanos. Ele esconde muitos temas mitológicos: narcisista (Narciso), hermético (Hermes), erótico (Eros), psicológico (Psiquê), afrodisíaco (Afrodite), Dionisíaco (Dionísio), hercúleo (Hércules), Cronológico (Cronos), Pânico (Pan), Hipnotizado (Hipnos), Ecologia (Eco): a lista é riquíssima.
A mitologia se oculta também no repertório iconográfico da humanidade: das religiões (que ressurgiram com força no final do século XX e início do século XXI), das culturas nacionais, que hoje se opõem fortemente à uniformização da Globalização. A mitologia se esconde igualmente nas subculturas urbanas, pois são elas que fornecem o abundante material antecipador das tendências que serão paulatinamente incorporadas pelo mundo das marcas e lentamente digeridas pelo mercado de consumo (Hip Hop, Emos, Neo-Hippies, Góticos, Frequentadores da Raves, Geeks, Patricinhas, Funkeiros, Skatistas, Surfistas, Operadores do Mercado Financeiro, etc.).
O mundo do consumo apreende os ícones das subculturas urbanas. Estas, por sua vez, bebem abundantemente na fonte da mitologia, e logo vemos a releitura da iconografia mitológica sendo projetada na arte, na música, no cinema, nas camisetas, bolsas, capas de celular e sapatos.
Os temas mitológicos clássicos povoam as capas das revistas, como uma sombra por trás dos “Reis” dos negócios da Forbes, nos “Magos” da Tecnologia da Wired, dos “Heróis” do Cotidiano da Times, nas “Musas” da Playboy e a lista continua. Essas pessoas nada mais fazem do que repetir à exaustão temas mitológicos. Mudam os rostos, sai o preto e branco, entra o colorido, mas o papel é rigorosamente o mesmo.
As marcas só conquistam um lugar no Olimpo dos consumidores quando se transformam em mitos. Quando entram para o Panteão das Marcas Mitológicas como fizeram Coca-Cola, Apple, Walmart, Facebook, Microsoft, Google, Ford, Petrobras, Luis Vuiton, Prada, Chanel, Orient Express, Rolex, HStern, Adidas, Mercedes e um número muito reduzido de outras. É só então que conseguem escapar ao filtro da razão e exercer o papel compensatório, exclusivo dos mitos.
E o que as torna “marcas-mito”? Segue uma lista incompleta de razões:
1 – Uma saga heróica reconhecida e bem contada (Jonny Walker, Petrobras, Amazon, Casas Bahia);
2 – Um “mito de origem” geográfico (Prada, Mido, L’Occitane, Água de Petrópolis, Cachaça de Salinas, Café Colombiano);
3 – Uma série de histórias mais ou menos fantásticas reforçadas por rituais através dos tempos. (Walmart, Apple, Facebook);
4 – Um “pai” ou “mãe) fundador à frente de seu tempo, que ganha dimensão mitológica (Steve Jobs, Michel Bloomberg, Luiza Trajano);
5 – Pátina (Luis Vuiton, Hèrmes, Leite de Rosas, Granado);
6 – A invenção e contínua reinvenção do futuro como mantra (Google, 3M, Intel, IBM);
7 – A reinvenção do Eden sob forma de loja ou lugar-físico ou virtual (Apple Store, Starbucks, Facebook, E-Bay, Livraria Cultura, ClubMed);
8 – Uma visão altruísta de mundo (Natura, BodyShop, Patagônia);
9 – Uma projeção patriarcal de força e poder (Rolex, Mercedes, Armani, Charutos Cubanos, HP 12C, EBX);
10 – Oferta Dionisíaca de Prazer e Luxúria (Victoria’s Secret, Dolce Gabana);
11- Um artefato que auxilia magicamente na superação de obstáculos ou uma atitude incansável de superação (Nike, Adidas, Gatorade, UFC);
12 – Bárbaros e Rebeldes (Virgin);
13- Uma combinação de um ou mais desses elementos.
Mais uma vez, Joseph Campbell coloca uma questão importante a respeito da vitalidade atemporal dos mitos:
“Por que sempre que o homem procurou algo sólido sobre o qual fundar sua vida, escolheu não os fatos, que são abundantes no mundo, mas os mitos, de uma imaginação imemorial? … é fato que os mitos de nossas várias culturas agem sobre nós, consciente ou inconscientemente, liberando energia, motivando a vida e orientando seus agentes…”
Para Jung, os mitos condensam experiências vividas repetidamente durante milênios, experiências típicas pelas quais passaram (e ainda passam) os seres humanos. Para ele, os mitos são fenômenos psíquicos que revelam a própria natureza da psiquê.
A ideia desse blog é procurar respostas consistentes para uma importante questão: por que as marcas, como a maior fonte de representação simbólica do mundo capitalista, seriam imunes a tão poderosa influência?
Na minha opinião, há nas marcas líderes, um forte motivo mitológico, consciente ou não, presente não apenas em seus produtos, lojas, propaganda, mas, sobretudo, na cultura ou subcultura empresarial. Acredito que é possível utilizar todo esse arsenal mitológico para construir ou revitalizar marcas e negócios e, assim, beneficiar empresas e pessoas (sejam elas consumidoras, funcionárias ou acionistas). A vida é muito curta para perdermos tempo com empresas sem imaginação!
Fonte: http://marcasemitos.com.br
8 marcas que sua avó já usava
15/03/12
Maizena
A marca Maizena começou a ser vendida no Brasil em 1874, importada da Corn Products Company (CPC), dos EUA. Aqui, é fabricada desde 1930, quando a Refinações de Milho Brasil, subsidiária da CPC, abre uma fábrica em São Paulo.
O produto ficou conhecido principalmente entre as donas de casa e, em seu início, como produto para alimentação infantil.A partir de 1970, porém, as propagandas começam a divulgar receitas de pratos salgados, para dissolver essa crença e pulverizar o uso do amido.
Maizena esteve presente em ações de patrocínio desde 1950, quando deu nome ao programa "Sabatinas Maizena" na recém-inaugurada TV Tupi. Entre 1994 e 1995, patrocinou a Seleção Brasileira de Futebol Feminino.
Em 2000, a Unilever incorpora o grupo norte-americano Bestfoods, que na época controlava a Refinações de Milho Brasil. Com isso, Maizena passa a fazer parte do portfolio da companhia. Nessa época, a marca adota a segmentação, lançando produtos para atender também as mulheres sem tempo para cozinhar. Hoje, a linha Maizena compreende desde preparos para bolos e sobremesas até barras de cereal e produtos vitaminados para crianças.
Granado
Fundada em 1870 no Rio de Janeiro, a Granado foi uma das fornecedoras oficiais de produtos farmacêuticos para a Família Real no Brasil.
Entre 1887 e 1940, a marca era divulgada por meio do almanaque "Pharol da Medicina", editado por seu fundador, José Antônio Coxito - hoje, a farmácia é presidida por Christopher Freeman. Em 2004, já sob seu comando, a empresa incorporou a Phebo.
A partir de 2007, a Granado começou um reposicionamento de mercado pelo qual lançou novos produtos, mudou a identidade visual - desde o logotipo até as embalagens -, e criou kits e produtos mais sofisticados, de maior valor agregado, como esfoliantes e manteigas corporais. Foi nessa época que o antigo almanaque voltou a ser impresso, com o mesmo propósito inicial.
Como parte da expansão, a empresa fez parcerias com hotéis 5 estrelas - o que abriu as portas para um público de maior poder aquisitivo - e abriu lojas em bairros renomados de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Em 2011, a Granado chegou a 11 lojas. Em dezembro, a companhia inaugurou sua terceira unidade em São Paulo, no Shopping Vila Olímpia. A botica fechou o ano com faturamento de R$ 200 milhões, um crescimento de 15% em relação a 2010.

