Artigos com o marcador internet
Geração Y domina Marketing Digital
06/03/13
Segundo a ABRADI (Associação Brasileira de Agências Digitais), do total de quase 30.000 profissionais do setor, 30% têm entre 18 e 24 anos e 56%, entre 25 e 28 anos

Ciclos de inovação, a necessidade de trabalhar em equipes informais e o imediatismo por resultados fazem do Marketing Digital um campo quase exclusivo da Geração Y
A ciência de vender pela Internet está em ebulição. Ciclos de inovação que tornam o conhecimento obsoleto em pouco tempo, a necessidade de trabalhar em equipes informais e o imediatismo por resultados fazem do Marketing Digital um campo quase exclusivo da Geração Y.
Nas agências de publicidade, consultorias de SEO e mídias sociais, os jovens lideram o campo mais dinâmico do Marketing. Segundo a ABRADI (Associação Brasileira de Agências Digitais), do total de quase 30.000 profissionais do setor, 30% têm entre 18 e 24 anos e 56%, entre 25 e 28 anos.
Não somente os profissionais do segmento são novos, as empresas também o são. As prestadoras de serviços digitais têm em média 5,8 anos de idade e 80% delas fatura até R$ 1,2 milhões por ano.
Somente em 2012, 307 novos negócios abriram as portas neste ramo em todo Brasil, a maioria fundada pelos empreendedores Y.
A Conversion SEO é uma empresa deste segmento. Seu fundador, Diego Ivo, inicialmente trabalhava como web designer e com SEO, há seis anos. Com 23 anos, decidiu abrir uma consultoria que otimiza sites para mecanismos de buscas.
Atualmente e após dois anos, a empresa tem 12 funcionários, cuja média de idade é de 22 anos. Alguns funcionários são especializados na parte de desenvolvimento, enquanto outros são redatores de conteúdo ou analistas de SEO.
“Apenas 13% do orçamento das empresas é investido em Marketing online. Como nosso dia-a-dia fica cada vez mais permeado por computadores e smartphones, a tendência é pelo crescimento acelerado desta proporção. Estamos testemunhando uma grande quantidade de empresas se posicionando neste mercado, que está prestes a explodir. Todos querem estar preparados para este momento” conclui Ivo.
Fonte: http://exame.abril.com.br
Entrevista com Nepô sobre jovens e internet para o Jornal Hoje
14/11/12
Assista abaixo a entevista que o prof Carlos Nepomuceno (Nepô), concedeu para o Jornal Hoje

Não existe organização 1.5!!!
19/09/12
Por Carlos Nepomuceno*
Não são os mensageiros (esse conjunto de autores) que são radicais, mas a mudança atual com a chegada da Internet que é radical e para ela precisamos ter uma vacina (metodologia) compatível.

Posso dizer que estou na estrada há alguns anos como palestrante, professor e consultor.
Minha missão – que eu resolvi adotar para a minha vida profissional – é a de compreender e tentar ajudar pessoas e organizações da sociedade a fazer o alinhamento necessário entre o momento atual diante de uma Revolução Cognitiva e o futuro.
Posso calcular que já conversei com mais de mil pessoas dos mais diferentes setores, idades, sexo, escolaridade, sem falar na troca diária de mensagem no blog, Facebook e Twitter, principalmente.
Os encontros presenciais muito ricos ocorrem da seguinte maneira:
- - faço um resumo das conclusões que cheguei até aqui, sempre as últimas conclusões, sempre falando e nunca “powerpointizando”;
- - apresento a minha memória de cálculo, que possibilita a todos analisarem se algo é ilógico, estou forçando a barra, etc;
- - abro espaço e ouço atentamente os participantes para identificar problemas na minha lógica, dificuldade de expressão, entendimento, novas contribuições relevantes dos alunos.
Assim, vou amadurecendo – e não é sozinho – de forma cada vez mais consistente visões, argumentos, discussões e percepções que vão sendo “curtidas” na conversa. Novas dúvidas surgem, mas certezas provisórias também vão se consolidando.
Posso dizer, assim, que semanalmente passo por “bancas de doutorado”, no qual exponho sempre minha última versão das minhas conclusões, por mais verdes que sejam para que possamos caminhar juntos.

Não acredito hoje em dia que nada hoje em dia possa ser construído de outra maneira, o modelo wiki (participativo) veio para ficar.
Posso diagnosticar, assim, tendo como base esse método participativo, as seguintes dificuldades de alinhamento das organizações ao futuro, principalmente no Brasil, a partir dos meus encontros:
- a) as organizações e as pessoas de maneira geral são muito imediatistas, não têm prática de pensar o futuro no longo prazo, pois as demandas do dia-a-dia atropelam;
- b) isso se reflete na falta de um tempo maior para análise de cenários, preparação de estratégias e cumprimento do que se discute nesse tipo de fórum;
- c) quem tem mais tempo para isso, vem intoxicado pelas metodologias de cenário que não conseguiram ainda incorporar a força propulsora de mudanças de rupturas em tecnologias cognitivas disruptivas na sociedade;
- d) no cálculo do futuro a Internet (e tudo que traz) é praticamente um fator zero;
- e) projetos neste campo são colocados, em função dessa visão não estratégica, como projetos operacionais, isolados, tecnológicos, comunicacionais conduzidos por departamentos (que não tem a mínima noção da encrenca que estão se metendo) ;
- f) prepara-se o investimento – sem nenhuma reflexão – para gastos nesse campo, sem compreender o tamanho da mudança que estamos passando e o significado que isso trará para o ambiente de negócio hoje e amanhã;
- g) projetos sem consistência começam a ser implantados, gerando gastos e pouco resultados, incluindo crises;
- Mais e mais a visão estratégica vai preponderar e modelos pouco ortodoxos serão tentados.
Os profissionais que chegam para o curso levam um choque de realidade, pois vêm esperando a apresentação do uso das ferramentas e quando percebem a complexidade do problema se assustam.

De fato, as áreas operacionais que estão sendo demandadas para tocar projetos de redes sociais (seja corporativas para substituir as Intranets) seja externa (para complementar o site da corporação) não tem poder para tomar as medidas necessárias.
São, a meu ver, vítimas da cegueira atual.
Somos contemporâneos de uma guinada na história, similar a que ocorreu em 1450, com a chegada da prensa, que deu partida para as revoluções, pela ordem, religiosas, políticas, sociais e econômicas, que nos legaram o capitalismo, a república, a divisão da Igreja e o mundo das grandes cidades.
Não são pouco os autores que estão começando a se juntar na orquestra que toca essa música.
Depois de Lévy temos Castells (parcialmente), Tapscott, Rifkin, Meyer, Senger e, no Brasil, Meira, Augusto de Franco, Martha Gabriel, Gil Giardelli, Walter Longo, entre outros.
Rifkin
Ou seja, não é pouca gente que anda dizendo que vivemos uma guinada radical.
E que, de certa forma, com mais ou menos ênfase, anunciam que o atual modelo de gestão piramidal e hierárquico está com os dias contados.
Eu diria mais.
Que a passagem entre o modelo atual e o futuro será impossível, não será feita de forma contínua. Poderia ser, se houvesse tempo e dinheiro para isso, mas não há.
Qualquer tentativa de se colocar a nova cultura de solução de problemas na atual é tão cara, requer um esforço tão grande que é preciso pensar uma maneira criativa para se chegar lá.
Depois de muita discussão, percebi que o grande pulo do gato é criar zonas 2.0 de inovação, células isoladas que possam na sociedade e nas organizações ter liberdade para desenvolver a nova cultura sem herdar nenhum processo antigo, apenas problemas.
Dessa maneira, é possível economizar muito tempo e dinheiro e se ter o resultado mais rápido.
Porém, para se chegar a isso é preciso ter A CLAREZA de que, de fato, estamos EM UM MOMENTO DE GUINADA da civilização e que uma nova gestão É INEVITÁVEL.
Quando os alunos concluem todo o processo e se defrontam com a ideia da zona 2.0 de inovação, tentam voltar para trás, refazer cálculos e procurar formas menos radicais para a mudança.
Sim, é bom, mas é preciso continuar a procurar a lógica das ações e não adotar o oba-oba do mercado (puxado por vendedores de facilidade) projetos sem reflexão, pouco eficazes, pelo simples fato de que “vai ser muito difícil pensar em mudar completamente a gestão”.
Se for um fato real e concreto, não há o que discutir, apenas arregaçar a manga e fazer!
Porém, digo sempre que não são os mensageiros (esse conjunto de autores) que são radicais, mas a mudança que é radical e para ela precisamos ter uma vacina compatível.

O tempo tem jogado a favor dessas teorias (a meu ver mais eficazes), pois mais e mais as pessoas se decepcionam com seminários vazios, cursos que não levam a lugar nenhum e projetos que não conseguem o resultados esperados, pelo contrário, as crises de gestão de duas culturas são evidentes.
A maior expressão são os jovens talentos que não querem mais ir para determinados ambientes e quando aceitam não se sentem confortáveis em um em um modelo de solução muito diferente do que estão acostumados, no trabalho participativo, mais ágil e mais dinâmico em rede.
Mais e mais vamos ter que procurar a lógica, a visão mais ampla de cenário, mais autores vão entrar para essa ainda pequena orquestra propagando o fim da atual gestão e projetos de zonas de inovação começarão a demonstrar que é o caminho mais curto para esse objetivo.
(Empresas têm criado aceleradoras de negócios, laboratórios de pesquisa todas à procura de um modelo de inovação eficaz – é preciso incorporar nesse modelo cada vez, como se tem feito, a cultura participativa.)
Acho que é por aí…
Que dizes?
Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
Os impasses do jornalismo 1.0
11/09/12
Por Carlos Nepomuceno*
A indústria de notícias é uma que mais sofre diretamente e mais fortemente a chegada da Internet, pois esta mexe com algo básico daquela indústria: a maneira de controlar e distribuir informação.

Todo dia saem notícias de seminários sobre o futuro do jornalismo.
A indústria de notícias é uma que mais sofre diretamente e mais fortemente a chegada da Internet, pois esta mexe com algo básico daquela indústria: a maneira de controlar e distribuir informação.
(O novo modelo de controle altera a gestão de todas as organizações, mas umas terão mais tempo, outras menos.)
Destaco o artigo do Valor, de 10/09/2012, no qual depois de muito texto, de uma página inteira do jornal, no último parágrafo temos o seguinte desfecho:
A relevância das redes sociais para o jornalismo, entretanto, não é um consenso. Para Ryaad Mynty, chefe para mídias sociais da TV Al Jazeera, todos os cidadãos são produtores de notícia e as empresas têm de criar a cultura da participação. “Os meios não são os primeiros a dar as notícias; são as pessoas. Nós as recolhemos, organizamos e distribuímos para todo mundo.” A opinião, que reserva ao jornalista um papel secundário, não encontrou muito respaldo na plateia.
Note que nesse parágrafo temos um tema para vários seminários, nele está contido:
- cidadãos são também produtores (ou reprodutores) de notícia;
- cultura da participação;
- Modelo de jornalismo: . “Os meios não são os primeiros a dar as notícias; são as pessoas. Nós as recolhemos, organizamos e distribuímos para todo mundo.”
- A opinião, que reserva ao jornalista um papel secundário, não encontrou muito respaldo na plateia.

No âmago dessa discussão, voltamos ao tema principal, colocado neste post.
É a rede social digital que vai se adaptar ao atual jornalismo ou é o jornalismo que vai se adaptar à rede social?
Vivemos um momento de crise de percepção, típico quando nos defrontamos com um problema complexo, no qual todos têm uma opinião apaixonada pelo tema.
Diria que temos que ver o cenário em três dimensões distintas para não nos atrapalharmos.
- O que aconteceu ontem?
- O que acontece hoje?
- E o que vai acontecer amanhã?
Sabemos, a olhos vistos, que o jornalismo, como a gestão, não pode mais ser vista no modelo das práticas que eram válidas até 2004, antes da forte participação dos consumidores/cidadãos nas redes sociais digitais.
Ou seja, há uma necessidade de mudar.
Isso me parece consenso.
As questões na mesa são:
- Mudar para onde?
- E quando?
- De que forma?

Quando Ryaad Mynty, chefe para mídias sociais da TV Al Jazeera fala da cultura da participação, ele introduz algo diferente do que é hoje consenso na indústria da mídia.
A sociedade, através do Governo Aberto, mais transparência, já aceitou que vai se abrir um pouco mais para a sociedade, dialogar mais.
Porém, a ideia da participação e da colaboração não é um consenso.
E é justamente esse o impasse da visão que temos pela frente.
Hoje, estamos na fase da interação maior e não da participação maior.
Ainda consideramos que o modelo de intermediador passado não estará completamente modificado no futuro.
No presente, não está claro de que iremos ampliar a participação dos consumidores/cidadãos/leitores no modelo de controle da gestão/informação, que são unha e carne, como defendi aqui.
Quando se fala em participação tem-se a impressão que o “o jornalista terá papel secundário”.
Ele terá um novo papel, nem secundário, nem primário, pois a demanda por significado é cada vez mais primordial na sociedade.
O problema é que não chegamos ainda ao novo modelo e nem conseguimos sair do atual, vivemos um limbo entre duas etapas.

O impasse é de que precisamos de um novo modelo de controle/gestão, no qual há um reposicionamento e gradual do papel do profissional de informação/comunicação.
Olhar o presente para um público pré-Revolução Cognitiva nos dá uma visão deturpada, pois é para os jovens e suas expectativas que temos que observar e criar projetos.
O impasse está justamente como harmonizar passado, presente e futuro.
Assim, surge a ideia de um modelo de gestão de inovação (que nada mais é do que gerenciar mudanças) que possibilite continuar a operando nestes três tempos em paralelo (passado, presente e futuro), sem prejuízo para a organização.
- Parte no modelo tradicional para quem ainda o consome;
- Experimentando modelos novos mais ainda na cultura sem a participação;
- E, por fim, projetos arrojados com a participação no centro do cenário.
Algo como zonas de inovação programadas, como defendi aqui.
Por aí, que dizes?
Carlos Nepomuceno (Nepô) é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
Hábito de ler está além dos livros, diz um dos maiores especialistas em leitura do mundo
25/06/12
Um dos maiores especialistas em leitura do mundo, o francês Roger Chartier destaca que o hábito de ler está muito além dos livros impressos e defende que os governos têm papel importante na promoção de uma sociedade mais leitora.
O historiador esteve no Brasil para participar do 2º Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários, realizado pela UEM (Universidade Estadual de Maringá). Em entrevista à Agência Brasil, o professor e historiador avaliou que os meios digitais ampliam as possibilidades de leitura, mas ressaltou que parte da sociedade ainda está excluída dessa realidade.
— O analfabetismo pode ser o radical, o funcional ou o digital.
Agência Brasil: Uma pesquisa divulgada recentemente indicou que o brasileiro lê em média quatro livros por ano (a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada pelo Instituto Pró-Livro em abril). Podemos considerar essa quantidade grande ou pequena em relação a outros países?
Roger Chartier: Em primeiro lugar, me parece que o ato de ler não se trata necessariamente de ler livros. Essas pesquisas que peguntam às pessoas se elas leem livros estão sempre ignorando que a leitura é muito mais do que ler livros. Basta ver em todos os comportamentos da sociedade que a leitura é uma prática fundamental e disseminada. Isso inclui a leitura dos livros, mas muita gente diz que não lê livros e de fato está lendo objetos impressos que poderiam ser considerados [jornais, revistas, revistas em quadrinhos, entre outras publicações]. Não devemos ser pessimistas, o que se deve pensar é que a prática da leitura é mais frequente, importante e necessária do que poderia indicar uma pesquisa sobre o número de livros lidos.
ABr: Hoje a leitura está em diferentes plataformas?
Chartier: Absolutamente, quando há a entrada no mundo digital abre-se uma possibilidade de leitura mais importante que antes. Não posso comparar imediatamente, mas nos últimos anos houve um recuo do número de livros lidos, mas não necessariamente porque as pessoas estão lendo pouco. É mais uma transformação das práticas culturais. É gente que tinha o costume de comprar e ler muitos livros e agora talvez gaste o mesmo dinheiro com outras formas de diversão.
ABr: A mesma pesquisa que trouxe a média de livro lidos pelos brasileiros aponta que a população prefere outras atividade à leitura, como ver televisão ou acessar a internet.
Chartier: Isso não seria próprio do brasileiro. Penso que em qualquer sociedade do mundo [a pesquisa] teria o mesmo resultado. Talvez com porcentagens diferentes. Uma pesquisa francesa do Ministério da Cultura mostrou que houve uma redistribuição dos gastos culturais para o teatro, o turismo, a viagem e o próprio meio digital.
ABr: Na sua avaliação, essa evolução tecnológica da leitura do impresso para os meios digitais tem o papel de ampliar ou reduzir o número de leitores?
Chartier: Representa uma possibilidade de leitura mais forte do que antes. Quantas vezes nós somos obrigados a preencher formulários para comprar algo, ler e-mails. Tudo isso está num mundo digital que é construído pela leitura e a escrita. Mas também há fronteiras, não se pode pensar que cada um tem um acesso imediato [ao meio digital]. É totalmente um mundo que impõe mais leitura e escrita. Por outro lado, é um mundo onde a leitura tradicional dos textos que são considerados livros, de ver uma obra que tem uma coerência, uma singularidade, aqui [nos meios digitais] se confronta com uma prática de leitura que é mais descontínua. A percepção da obra intelectual ou estética no mundo digital é um processo muito mais complicado porque há fragmentos e trechos de textos aparecendo na tela.
ABr: Na sua opinião, a responsabilidade de promover o hábito da leitura em uma sociedade é da escola?
Chartier: Os sociólogos mostram que, evidentemente, a escola pode corrigir desigualdades que nascem na sociedade mesmo [para o acesso à leitura]. Mas ao mesmo tempo a escola reflete as desigualdades de uma sociedade. Então me parece que, também, é um desafio fundamental que as crianças possam ter incorporados instrumentos de relação com a cultura escrita e que essa desigualdade social deveria ser considerada e corrigida pela escola que normalmente pode dar aos que estão desprovidos os instrumento de conhecimento ou de compreensão da cultura escrita. É uma relação complexa entre a escola e o mundo social. E é claro que a escola não pode fazer tudo.
ABr: Esse é um papel também dos governos?
Chartier: Os governos têm um papel múltiplo. Ele pode ajudar por meio de campanhas de incentivo à leitura, de recursos às famílias mais desprovidas de capital cultural e pode ajudar pela atenção ao sistema escolar. São três maneira de interação que me parecem fundamentais.
ABr: No Brasil ainda temos quase 14 milhões de analfabetos e boa parte da população tem pouco domínio da leitura e escrita – são as pessoas consideradas analfabetas funcionais. Isso não é um entrave ao estímulo da leitura?
Chartier: É preciso diferenciar o analfabetismo radical, que é quando a pessoa está realmente fora da possibilidade de ler e escrever da outra forma que seria uma dificuldade para uma leitura. Há ainda uma outra forma de analfabetismo que seria da historialidade no mundo digital, uma nova fronteira entre os que estão dentro desse mundo e outros que, por razões econômicas e culturais, ficam de fora. O conceito de analfabetismo pode ser o radical, o funcional ou o digital. Cada um precisa de uma forma de aculturação, de pedagogia e didática diferente, mas os três também são tarefas importantes não só para os governos, mas para a sociedade inteira.
ABr: Na sua avaliação, a exclusão dos meios digitais poderia ser considerada uma nova forma de analfabetismo?
Chartier: Me parece que isso é importante e há uma ilusão que vem de quem escreve sobre o mundo digital, porque já está nele e pensa que a sociedade inteira está digitalizada, mas não é o caso. Evidente há muitos obstáculos e fronteiras para entrar nesse mundo. Começando pela própria compra dos instrumentos e terminando com a capacidade de fazer um bom uso dessas novas técnicas. Essa é uma outra tarefa dada à escola de permitir a aprendizagem dessa nova técnica, mas não somente de aprender a ler e escrever, mas como fazer isso na tela do computador.
Fonte: http://noticias.r7.com
Ensino 3.0 é uma nova cultura de aprendizagem!
01/06/12
Por Carlos Nepomuceno*
Há um engano na maneira de se pensar o novo ensino, pois considera-se que a principal passagem é a do livro impresso para o computador e por isso concentra-se todo o esforço em colocar nova tecnologias, porém no mesmo modelo de ensino passado. Sim, o lado mais visível é esse, mas tem que se perceber que o digital traz uma nova cultura do conhecimento e é a adoção da nova cultura do conhecimento que exige uma nova cultura de aprendizagem.

Ensinar significa repassar/recriar o acervo de ideias desenvolvido pela humanidade para a geração atual, sejam os mais jovens ou os mais maduros.
Sem esse processo, a humanidade simplesmente desmorona.
Se queremos continuar a existir vamos ter que aprender – cada vez mais – a aprimorar a passagem do acervo passado para a geração presente e futura.
Parece que temos um desafio grande pela frente.
A chegada do computador e depois da Internet tem dado um nó na cabeça dos educadores, pois vivemos algo que não estamos acostumados.
O que, de fato, está mudando?
É uma tecnologia? Uma nova metodologia de ensino? Nada? Apenas fumaça e modismo e tudo vai passar?
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O problema é complexo, pois estamos vivendo o que estamos chamando aqui nos estudos cognitivos de Revolução Cognitiva.
O que isso significa?
O atual ambiente escolar tem como base a tecnologia do livro impresso, bibliotecas, material didático em papel – e isso gera uma cultura que está migrando para uma nova – diferente do que aquele que criou a escola alguns séculos atrás.
A cultura de aprendizagem hoje é filha desse ambiente impresso, mas vai mudar, queiramos, ou não, pois quando muda-se o ambiente cognitivo precisamos construir uma nova cultura de aprendizagem, que é algo superior a um método de ensino, de novas tecnologias em sala de aula.
É um outro mundo para uma nova humanidade.
E é isso que é tão difícil de trabalhar – pois algo assim é muito raro na história!

Podemos dizer que a humanidade teve até aqui dois ambientes de ensino e estamos entrando no terceiro.
- O ensino 1.0 – no qual o suporte de passagem/troca das ideias era a fala e o repositório a memória;
- O ensino 2.0 - no qual o suporte de passagem/troca das ideias era a fala/livro e o repositório o papel, a biblioteca;
- O ensino 3.0 - no qual o suporte de passagem das ideias será cada vez mais o suporte digital, acrescido da fala e cada vez menos em papel.

Há um engano na maneira de se pensar o novo ensino, pois considera-se que a principal passagem é a do livro impresso para o computador e por isso concentra-se todo o esforço em colocar nova tecnologias, porém no mesmo modelo de ensino passado.
Sim, o lado mais visível é esse, mas tem que se perceber que o digital traz uma nova cultura do conhecimento e é a adoção da nova cultura do conhecimento que exige uma nova cultura de aprendizagem.
A escola 3.0 tem que aderir não ao computador que é apenas a ponta do iceberg, mas à nova cultura que é muito mais difícil!
Toda tecnologia cognitiva disruptiva, assim, cria uma nova cultura e o que precisa ser adaptado no ensino 3.0 é essa nova cultura digital, no qual o computador é fundamental, porém apenas um indutor e não o seu principal personagem!
A nova cultura do conhecimento se estabelece por:
- - ter um suporte mais flexível e colaborativo do que o do papel impresso;
- - permitir uma interação maior entre as pessoas quando não estão presentes no mesmo tempo e lugar;
- - possibilitar que cada documento e pessoa possa criar um rastro, que permite estabelecer critérios de relevância e meritocracia.
Fato: estamos diante de um novo planeta educacional e não do mesmo!
Não estamos, portanto, falando de outra metodologia de ensino, mas como vamos nos adaptar para continuar ensinando em outra cultura cognitiva. E nesse espaço teremos que ver quais as metodologias que temos disponíveis – várias delas talvez antigas – serão mais adequadas para esse novo ambiente.
A escola atual está de parabéns, pois conseguiu cumprir uma difícil missão: ensinar cada vez mais gente em um período cada vez mais curto, nos últimos séculos para resolver o problema de educação de um número cada vez maior de jovens.
Porém, nos obrigou a centralizar toda o processo no livro impresso, chamado material didático e foi cada vez mais se concentrando em assuntos, uma forma mais fácil, por ser padronizada de passagem, que teve como lado negativo a alienação do professor/aluno.
Talvez seja esse espaço de não-diálogo, de não encontro, que o novo ambiente vem tentar minimizar e responder!
É isso.
Que dizes?
Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
Dica da semana, por Letícia Bade
27/02/12
A dica desta semana é apenas mais um infográfico sobre a Internet no Brasil. Muitos dados já conhecidos, como o interesse pelas redes sociais, mas algumas novidades – que tem passado um pouco notadas, como a redução do acesso via lanhouses, e incremento do acesso via 3G, o que vai exigir cuidado e sites leves – quem já usou este tipo de acesso sabe do que estou falando!
Os dados são do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br) e batem com os que temos visto da comScore.
–
Abraços e feliz ano novo.
Agora que acabou o Carnaval, o recesso do Carnaval e quase todo mundo já voltou de férias, acho que o ano vai começar de verdade! =]
Leticia
*Letícia Bade é Coordenadora da pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
O blog corporativo como estratégia
17/11/11
Por Luiza Cruz*
Como vai o blog da sua empresa? E, melhor ainda: qual a estratégia de rastreamento de blogs dos concorrentes, clientes e prospects que está sendo adotada? Se você, como profissional de comunicação, não sabe a resposta, ou ainda, não tem uma resposta porque a empresa não tem um blog e muito menos monitora outros, sua estratégia, ou falta dela, está custando-lhe cifrões.
Antes da web 2.0, o acesso à informação, mesmo via internet, ainda era restrito. Mas, com a baixa de preços dos computadores, dos celulares e smartphones, da banda larga e a proliferação de lan houses, surgiu o fenômeno do cidadão-jornalista. É cada vez maior o número de pessoas obtendo informação destes, o que torna as mais inocentes – e às vezes nem tanto – postagens nas redes sociais e inserções em blogs tanto empresariais quanto pessoais, uma ferramenta de comunicação que nenhum profissional da área pode ignorar. Claro que o primeiro trabalho do profissional é separar o joio do trigo e se certificar de que os blogs sendo monitorados tem o peso necessário para agregar valor ao negócio de seu cliente ou para sua empresa. E, nas mídias sociais a palavra-chave é seguidores. Não apenas quantos. Quando estamos tratando de desenvolver estratégias de comunicação o importante é quem.
É papel do profissional, antes de mais nada, garantir que o blog do cliente esteja sempre seguindo e sendo seguido – e isto vai depender da relevância e frequência do conteúdo sendo postado – por segmentos significativos da comunidade, áreas de interesse etc.
Um erro facilmente cometido em blogs corporativos é o de, na tentativa de se manter atual, postar temas que estão sendo discutidos na sociedade mesmo quando estes não tem nenhum vínculo aparente com a natureza do seu negócio. Acredite, não é isto o que você quer. Lembra? Trabalhamos com a imagem da instituição e queremos criar, desenvolver e manter esta imagem de acordo com a filosofia de comunicação da empresa – e não estou nem pensando na possibilidade de que ela não exista. Qualquer microempresa precisa ter uma. Nem que ela esteja apenas na cabeça de seu único proprietário/funcionário.
O pulo do gato aqui é não apenas postar um tema que está sendo discutido na sociedade. Você não precisa ser um profissional de comunicação para isto. Mas sim, selecionar entre os temas que estão sendo discutidos em sociedade, aqueles que podem ser tratados sob a ótica da(s) área(s) de atuação de seu cliente. A sua estratégia aqui é tornar o seu blog – e porque não o seu fórum ou mesmo homepage – referência no mercado. O que você quer é que quando um determinado assunto, corporativo ou de natureza social, entre em discussão, as pessoas se perguntem: como o blog X está tratando do assunto? Vou lá checar.
Uma excelente maneira para chegar a este nível é através do uso de podcastings. A publicação americana InfoWorld realizou uma pesquisa em que verificou que os podcasts estão em segundo lugar na lista de preferência das pessoas, principalmente dirigentes, para receber informações. O primeiro lugar, pasmem, continua sendo da forma impressa.
O podcasting é excelente, por exemplo, para conquistar prospects. Por ser barato e ser facilmente mensurável, é peça-chave para ajudar na percepção da identidade corporativa de que estamos falando aqui. Através dele, um assessor de comunicação pró-ativo pode lançar ideias e propor soluções para situações de momento (sempre dentro da área de atuação da empresa/cliente). E pode verificar quais os temas que geram maior número de downloads, delineando assim o perfil de seu público para futuras postagens em blogs ou homepages.
O importante aqui é, como sempre, o bom senso. Lembre-se que a chave da estratégia para trabalhar com mídias sociais é pensar adiante, monitorar sempre. Esclareça para seus clientes e/ou dirigentes de sua empresa de que postagens devem ser respondidas o mais imediatamente possível e devem ser verdadeiras a partir do momento em que são postas no ar. Internautas se distinguem dos cidadãos do século XX por terem a informação na ponta dos dedos.
*Luiza Cruz é jornalista e relações públicas. Atuou como repórter de O Globo, The Guardian (Londres) e Revista Caras. Foi Assessora de Comunicação de instituições no âmbito privado e público como a Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É jurada do Prêmio Aberje e consultora em Comunicação Corporativa. Leciona comunicação corporativa na pós-graduação em Gestão Estratégica da Comunicação do Igec
Desafios 2.0: ensino para o século XXI
08/11/11
Quando não se vê o todo, qualquer tromba vira elefante – Nepô - da safra 2011;
Versão 2.1 – 03/11/2011 (ainda rascunho)
Resumo:
A chegada da Internet tem sido confundida com uma mudança apenas tecnológica e não na maneira das pessoas se informarem, conhecerem, se comunicarem, se relacionarem.
Estamos vendo o rabo, mas não o elefante!
Consideramos que esse novo ambiente cognitivo é algo passageiro, como uma nova metodologia de ensino ou um mimeógrafo digital, que vem e passará, e tudo voltará como era antes. Porém, os fatos têm demonstrado que estamos diante de uma mudança radical e inevitável, que vão marcar profundamente a sociedade, incluindo as organizações, entre elas, a escola para todo o sempre.
Os educadores precisam se preparar para entrar nesse debate de forma intensa e não fugir dele (como a maioria tem feito de forma passiva ou equivocada) para que o resultado dessas tensões seja humanamente melhor. Apresento aqui um pouco o que aprendi, até agora, estudando e debatendo sobre o tema. Se puder ajudar a clarear a minha visão, vá em frente: comente!
(Estive no Conecta 2011 , evento da Senai/Firjan aqui no Rio, para debater tecnologias educacionais. Tentei dizer algo que está neste post – o áudio completo da palestra aqui)
O texto atual dá sequência na minha obra em progresso, através do e-book, Gestão da Desintermediação, que pode ser vista aqui.
Sem ensino, não há humanidade
Um ser humano quando vem ao mundo chega pelado de roupa e de conhecimento.
Temos que vesti-lo dos dois!
O aprendizado faz parte de uma necessidade humana básica para que possamos existir com o mínimo de qualidade. A cada cidadão/cidadã que nasce recomeça todo o processo de aprender tudo exatamente do zero, primeiro com os pais, depois com os amigos, escola, trabalho, na vida.
Há, porém, uma nova regra que estamos aprendendo aos poucos:
Quanto mais habitantes tivermos no planeta, mais precisaremos inovar no ensino para que ele possa cumprir a sua função. Ou seja, a escola para 1 bilhão de pessoas no planeta não pode ser a mesma do que para 7 bilhões.
Temos que ser criativos e compreender que há uma mudança radical a ser feita na nossa mentalidade controladora, se quisermos continuar a crescer da forma que estamos, cerca de 1 bilhão a cada 10 anos!
A Internet é um ambiente indutor dinâmico para fazer uma macro-mudança sistêmica que nos permitirá ter instrumentos mais ágeis para atender às demandas de um mundo hiper-conectado e isso irá se refletir em como aprendemos, do nascimento à morte.

Os educadores, entretanto, com a chegada das novas tecnologias, principalmente a Internet, estão pouco conscientes do tamanho das mudanças que estão vindo.
Há uma insegurança e um comodismo no ar que têm servido mais para uma postura passiva do que ativa, deixando o debate reservado para um grupo muito pequeno de profissionais, muitos deles, sem a visão do educador.
Avisa aí: não é o tecnólogo sozinho que vai resolver esse mega-problema do ensino!
Estamos todos, não só o profissional de ensino, nos adaptando a um mundo cognitivamente diferente, no qual se faz muita coisa de forma distinta, inclusive aprender e ensinar.

Ou seja, a Internet tem sido vista como uma grande mudança tecnológica, da máquina para a máquina e não do humano para a máquina e da máquina para máquina.
Estamos vivemos um momento raro na história.
Estamos mudando a conjuntura cognitiva (e não econômica ou política).
Um tipo de alteração que tem consequência muito particulares, principalmente na educação.
É preciso analisar que os efeitos das tecnologia variam. As tecnologias cognitivas, por exemplo, são bem diferentes. E as tecnologias cognitivas desintermediadoras, o caso atual, são muito mais diferentes ainda.
Mexem com algo fundamental na sociedade: o controle e o poder, a partir da desintermediação da informação, da comunicação e do relacionamento entre as pessoas, tal como ocorreu em 1450, com a chegada da prensa, que moldou o mundo como conhecemos hoje.
Nossa escola é filha do papel impresso. E a dos nossos netos será filha da rede social digital desintermediada.
Uma tecnologia cognitiva desintermediadora nos permite criar um novo ambiente de troca de ideias muito mais livre do que no passado, oxigenando a sociedade, permitindo um ar de mudança e a possibilidade de inovação geral das organizações, incluindo a escola.
Ou seja, estamos sendo jogados por necessidade demográfica, sem saída, ou placa de retorno, de forma inevitável, para uma nova forma de controle sociedade-cidadão / organizações-consumidores /professores – alunos mais dinâmica e mais descentralizada.
Estamos desintermediando atravessadores obsoletos para ganhar velocidade por causa do tamanho da população. E tal tarefa inusitada implica em mudanças radicais na mentalidade de controle social e informacional passados, com forte reflexo no pensar e agir da educação e no trabalho em sala de aula.
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Em função disso, não estamos falando de um novo método de ensino opcional, mas um ajuste obrigatório, através de uma escola que tinha uma forte função indutora de saberes e terá que migrar lentamente para outra articuladora de saberes.
A percepção do inevitável ajuda muito a tomada de decisão. Pois não há o que decidir.
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Eis, que se procuram as perguntas mais adequadas para os educadores nesse novo mundo digital desintermediado em rede do século XXI.
Arriscaria algumas:
- O que de fato está mudando de formar irreversível com a chegada da Internet e o que e como devemos nos adaptar na área de ensino? É preciso aprofundar estes pontos, como tento mais abaixo;
- Como continuar a procura de um ensino produtivo, eficaz, motivador e transformador com a menor taxa de sofrimento possível para professores e alunos no mundo das redes digitais desintermediadas?
- Como podemos integrá-las ao processo de ensino, aperfeiçoando a maneira de ensinar?
- Quais são os ajustes que os educadores e educados devem fazer para se adaptar a elas?

Em termos de mudanças relevantes trazidas pelo uso massificado das redes sociais digitais desintermediadoras já registrei algumas:
1) a independência informacional – os alunos aprendem a lidar com o novo ambiente informacional (computadores em rede/tablets/celulares turbinados de forma independente, através da Internet) antes de seus pais. (*) O aprendizado das tecnologias cognitivas pelas crianças, antes dos pais é um fato inédito na história humana. Antes, um adulto guiou a criança para a leitura, a tevê, o rádio o jornal, hoje não mais. Talvez, essa seja uma regra daqui por diante: filhos chegam antes dos pais nas novidades tecnológicas como regra e não mais exceção. Serão os beta-testadores do futuro;
(*) (Note que aqui não estamos falando das camadas da população mais despossuídas, que têm um problema ainda maior, em termos de exclusão social e de ensino.)
2) a anorexia presencial – as tecnologias cognitivas, sejam quais forem (livro, rádio, jornal, tevê, internet) tendem a causar uma euforia/encantamento no uso pelo potencial pela melhora na recepção/contato com ideias a distância que conseguem e têm como, contrapartida improdutiva, certa tendência a provocar anorexia presencial. Ou seja, nem sempre tecnológicas cognitivas em sala de aula pode ser algo “moderno”, pelo contrário, se o tema não necessita de prática tecnológica, deve-se estimular a conversa/troca entre os alunos. O que nos leva a, paralelamente, rever o modelo de ensino hiper-focado na forma unidirecional professor –> aluno;
3) o desfiltramento do professor – o professor e o livro, que eram os principais canais de passagem da informação e conhecimento para os alunos foram rompidos pelo Google & Cia. O professor tenta, inutilmente competir com a Internet, quando deveria fazer dela uma grande aliada para ajudar a usá-la de forma mais rica. Tal fato, precisa ser trabalhado na subjetividade do professor, pois nosso ego foi educado para sermos os “donos da verdade” e não “os procuradores da verdades junto com os alunos”;

4) grupos on-line – os alunos passam a ter um espaço de troca fora da sala de aula, através das comunidades em rede (se deixar dentro também), o que é um fato novo, pois antes era impraticável, pois tal ambiente presencial dependia de espaços físicos e deslocamentos, mas agora isso foi facilitado. No futuro, mais e mais, trabalharemos em rede (e temos que nos preparar para isso). Tal potencial deve ser estimulado, tanto presencialmente, rodas de conversa, como a distância nas redes sociais internas da escola, a critério dos alunos;
5) um mundo líquido – a velocidade das mudanças, por diversos fatores, incluindo o demográfico, nos colocou em um mundo em que o conhecimento pouco se consolida. É alterado com muito mais constância, em um ambiente digital, coletivo, múltiplo, o que nos obriga a termos um aprendizado líquido e contínuo para toda a vida. É preciso fazer os ajustes no material didático, além de alterações na didática em sala de aula. O professor terá que se rever também, não é (como nunca foi) como obra acabada;

Para onde vamos, então – 10 sugestões de ações práticas
Tais fatos nos levam a ter que fazer um novo contraponto educacional.
Precisamos, com adaptações, inicialmente, em espaços pilotos de experimentação (que faltam no modelo educacional brasileiro) monitorados para serem multiplicados, conforme a idade do aluno:
1) Precisamos criar escolas experimentais. (Por que as escolas federais do tipo Pedro II ou Caps, não são escolas pilotos para multiplicar experiências?) Precisamos de algo assim para testar novos modelos! Cada escola deve abrir projetos desse tipo, com professores/alunos interessados a experimentar, experimentar, experimentar!!!;
2) A passagem do material didático sólido (em texto) para digital, sempre sujeitas à ajustes pelo coletivo (incluindo outros professores e alunos) e não mais prontas e acabadas, com verdades absolutas congeladas no papel. Devemos preparar as pessoas para conviver (não só na escola), mas nesse novo mundo líquido/dinâmico de constante atualização;
3) Preparação dos docentes para voltar a exercer com intensidade o papel de pesquisador mais experiente para criar e atualizar o conhecimento de forma coletiva. Estimulá-los a ser mais um animador do que um proprietário de verdades. Um reposicionamento na posição da autoridade que sabe tudo para uma mais aberta a aprender junto com a turma;
4) O docente, assim como jornalistas, médicos, corretores, vendedores os professores/educadores, devem criar uma nova relação com seus alunos/projetos de ensino, que incluam como fator fundamental: mais troca aluno-aluno (como até sugeria, aliás, Paulo Freire) aluno-professor em uma relação mais desintermediada de poder, lidando com de forma distinta com o ego e com o que se reconhece como diferencial diante dos que aprendem;
5) Os alunos deverão ser estimulados a aprender mais coletivamente e sozinhos na rede, sob a orientação de pessoas mais experientes, principalmente o docente, compartilhando informações dentro e fora da sala de aula, não só com uma turma fechada, mas com quem está no mesmo campo de interesse, na mesma ou em outras escolas;
6) É preciso pensar como criar espaços de troca desse tipo (redes sociais internas na escola) para aproveitar as que acontecem do lado de fora para que rendam mais do que estão rendendo. É um espaço educativo que teve ser aprimorado, debatido e utilizado cada vez melhor, pois cada vez mais trabalharemos em redes desse tipo;

7) Direcionar a didática para superar o modelo de receber algo pronto e decorar a informação para um perfil mais voltado a colaborar, filtrar, associar, selecionar, comparar, sintetizar de forma a garantir qualidade e relevância, sem perder a atenção e a motivação, conseguindo juntar parte e todo de forma inteligente;
Nessa direção, forte estímulo na didática para que o aluno possa ampliar a sua capacidade de analisar cenários, tal como retorno do estudo da Filosofia (mentalidades humanas invisíveis) , mais do que o foco na informação abundante. Precisam criar tampas da caixa do quebra-cabeças, muito mais do que perder tempo com peças isoladas, que se perde tempo e não se chega a lugar nenhum num mundo líquido e mutante;
9) Ou seja, a escola deve procurar sair da luz que o Google já ilumina, que acaba sendo uma memória de fatos desarticulados. É preciso estimular a capacidade de juntar esses fatos em algo que faça mais sentido;
10) Superação da dificuldade de lidar com encontros presenciais, através do oferecimento de rodas de conversa presencial (aluno-aluno/aluno-professor) e de conversa a distância, via Internet, em um processo mais co-criativo de conhecimento. Em alguns momentos a tecnologia deve ser terminantemente proibida (quando as pessoas estão juntas) e fortemente estimulada (quando estão a distância).
São estas algumas das questões que os educadores devem se debruçar para pensar o ensino do novo século, experimentando juntos, incluindo a juventude no processo para procurar melhores respostas transitórias e garantir um ensino mais humano e adequado às nossas necessidades.
Que dizes?
*Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
Brahma mostra “loucuras de torcedores”
31/10/11
Novo filme é uma declaração da cerveja aos apaixonados por futebol, uma das plataformas de atuação da marca

Com a música dos Mutantes, a “Balada do Louco”, e locução de Paulo Miklos, as cenas são reconhecidas provas de amor pelo esporte
São Paulo – As loucuras que os torcedores cometem por seus clubes de futebol inspiraram a nova campanha da Brahma, criada pelo núcleo de futebol da Africa. Se no filme ‘AMAR’ o bom humor é o ponto alto do comercial, em ‘Torcer é ser feliz’ a emoção é que recebe destaque.
O novo filme é uma declaração da cerveja aos apaixonados por futebol, uma das plataformas de atuação da marca. Com a música dos Mutantes, a “Balada do Louco”, e locução de Paulo Miklos, as cenas são reconhecidas provas de amor pelo esporte: tatuagem gigante do símbolo do time, casar com o uniforme, rezar para o santo do coração, a explosão da torcida diante do gol ou da eminência dele.“Nenhum outro esporte desperta tanta paixão como esse e não é exagero dizer que de certa forma, todo mundo que gosta de futebol é também um pouco louco por ele”, reforça Vico Benevides, diretor de criação do filme.
O comercial terá versões de 60” e 30” e será veiculado na TV aberta e na TV a cabo – no Sportv, ESPN e Band Sports. A campanha também será composta por anúncio de página inteira nos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Lance, Extra, Estado de Minas, Jornal do Commercio e A Tarde convidando os consumidores a assistirem ao filme à noite na TV. Na internet, a campanha terá peças no UOL, R7, Lancenet e Globo.com e YouTube com link direto para o filme.
Fonte:http://exame.abril.com.br



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