Artigos com o marcador @cnepomuceno
Fiscalização 2.0 – como as redes sociais corporativas podem ajudar?
12/12/11
Quanto mais quero controlar, mais descontrole me aparece - Nepô – da safra 2011;

O que o mosquito da dengue, os aeroportos, os poços de petróleo, os postos de saúde, os postes de luz têm em comum?
Não conseguem mais ser fiscalizados pelos nossos métodos tradicionais de gerir a informação.
Temos um aumento muito grande de volume para cada vez menos fiscais.
E não adianta investir em mais fiscais, pois o volume continuará crescendo, inviabilizando o custo/bnefício.
Não adianta tentar evitar o crescimento do que deve ser fiscalizado, pois os fiscais não têm controle sobre o que está de fora.
Resultado: o modelo de fiscalização vai ficando cada vez mais obsoleto e o que era para ser fiscalizado não o é e tudo que a sociedade não gostaria que acontecesse em função disso, acontece.
Quando pensamos na implantação de Redes Sociais Digitais Corporativas, tanto em empresas públicas ou privadas, estamos falando da implantação de uma nova cultura de controle, que permite que se administre mais informação com o número de fiscais existentes, mudando, entretanto, o perfil deste.
É preciso pedir ajuda “aos universitários”. ![]()
Pedir ajuda a quem está perto destes locais para que avisem aos fiscais aonde e quando agir, ficando estes responsáveis, aí sim, para cumprir o seu papel nos lugares em que o problema é mais grave.
A estratégia de ação é modelada pela comunidade em torno destes problemas.
![]()
É a aplicação da lei da desintermediação, que abordei aqui.
Temos duas redes a serem implantadas para contornar estes problemas, com respectivos métodos de controle, tecnologias e treinamento profissional adequado:
- a rede de baixa adesão – que aponta pontualmente problemas, mas não se organiza enquanto um corpo ativo de apoio na fiscalização;
- a rede de alta adesão – que constitui um corpo de usuários, que são continuamente próximos do problema, que mais facilmente podem informar cotidianamente possíveis desequilíbrios para uma ação do órgãos responsáveis.
É uma parceria de confiança, com metodologias de Karma Digital para filtrar os participantes que estejam trazendo ruído e estimular os que trazem significado.
Temos vários exemplos de ações desse tipo, já usando tecnologias digitais, ou não, vejamos:
Disque-denúncia – Rio de Janeiro – população avisa dos problemas de segurança, apontando a estratégia de ação dos órgãos de segurança;
Rádios de trânsito – São Paulo – motoristas, via celular, informam problemas no trânsito e grandes acidentes ”pautando” o jornalista que sai de helicóptero para cobri-los.

O que temos, na verdade, por baixo destes modelos, é:
- Aumento de complexidade (mais problema com menos recursos)
- Nova cultura de controle (co-criação, via plataformas colaborativas que servem para pedir ajuda aos usuários mais próximos da fiscalização a ser feita;
- Mudança de perfil dos fiscais, que passam de fiscalizadores dos dados brutos para estimuladores e gerenciador dos dados filtrados pelas comunidades.
A grande ciência dos fiscais 2.0 é conseguir fazer com que as redes de baixa adesão sejam atrativas para o engajamento em redes de alta adesão, contando com o aumento gradual do apoio da população para ajudar a solucionar os problemas.
Muitos dirão que várias questões legais, metodológicas, tecnológicas vão aparecer pela frente.
Vão sim, mas quanto antes resolvermos todas elas, mais rapidamente conseguiremos melhorar a fiscalização de processos que mais e mais têm gerado crises na sociedade.
Que dizem?
*Carlos Nepomuceno é professor na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
Avisa: implantação de Redes Sociais Digitais Corporativas é mudança de processo!
21/11/11
As redes sociais não são coisas diferentes das empresas, mas são o futuro das empresas – Nepô – da safra 2011;
Versão 1.0 – 21/11/2011 – Ainda rascunho – colabore com a revisão!
(Texto faz parte do meu novo e-book - Gestão da Desintermediação – uma obra em progresso.)
É muito mais difícil imaginar implantar Redes Sociais Digitais Corporativas dentro de uma organização que não se vê como uma grande rede.
Dessa maneira, consideram que a organização é uma coisa e o movimento das “Redes Sociais” lá fora ou iniciativas isoladas são outra.
U um corpo estranho é mais uma coisa e não algo a ser alcançado.
Como a fábula do Patinho Feio, que se acha feio por que é pato, mas, no fundo, é ganso.
Ou seja, as redes sociais não são coisas diferentes das empresas, mas são o futuro das empresas. A nova forma de operar! É difícil cair essa ficha!
É importante alinhar a visão.
Se tudo é rede, como detalhei aqui, as Redes Sociais Digitais Corporativas serão um upgrade nas redes atuais, através da implantação de uma nova cultura de controle mais horizontal, pois as empresas estarão apenas se aprimorando, bastante é verdade, mas nada mais do que isso.
Como disse, é preciso, então, re-radiografar a organização com outros olhos.

Nessa direção, podemos classificar três tipos de redes na organização, sobre o ponto de vista dos objetivos: de ação, de conhecimento e de relacionamento.
Pois bem, quando vemos o processo de implantação de Redes Sociais Digitais Corporativas podemos dizer que as pessoas atuam e acham que todo o processo começa e termina na implantação de redes de conhecimento e relacionamento.
Porém, são raros os que enxergam que a implantação de Redes Sociais Digitais Corporativas é basicamente uma nova forma de trabalhar, alterando todos as redes, incluindo também as de ação.
No projeto de um cliente ano passado, um dos participantes me até perguntou se o projeto de implantação de blogs corporativos erá só de Comunicação (Rede de Relacionamento) ou mudança de processo (Rede de Ação).
O objetivo, respondi, era o de chegar nos dois, mas o mais difícil é a tentativa de mudar processos ainda mais em uma nova cultura mais horizontal.
Hoje, os projetos testados são mais na linha de de comunidades de prática (conhecimento), espaços de troca/comunicação (relacionamento).
E deixam as Redes de Ação, que são quase 80% dentro de uma organização para depois, ou acham que não se deve pensar nesse campo, pois Rede Social é uma coisa e trabalho é outra!

Entretanto, ao analisarmos tanto o movimento cultural que estamos passando e as redes corporativas de hoje vemos que é um ganha enorme de tempo e custo pensarmos em redes corporativas que mudem os processos das organizações e não apenas relacionamentos e conhecimentos.
O difícil é que as Redes Sociais Corporativas Digitais que mudam a ação implicam justamente em uma mudança de cultura e não podem ser implantadas no meio de processos.
Ou seja, não é possível em um processo que começa em “A”, passa por “B” e vai para “C”, por exemplo, implantar uma rede social em “B”, pois vai se ter problemas em “A” e “C” que não vão conseguir se comunicar, pois são maneiras de pensar e resolver problemas diferentes.
Assim, a missão de um agente de mudança é ter consciência de que a implantação de Redes Sociais Corporativas Digitais é uma mudança global nos processos da empresa, tanto nas ações e processos, quanto na forma de gerir o conhecimento, quanto na maneira de se estabelecer o relacionamento.
Como premissas podemos dizer:
a) deve-se escolher redes de ação que permitam trabalhar com processos de início/meio/fim em que toda a cultura possa ser pratica e não apenas em uma parte, pois não é possível duas culturas operarem na mesma direção;
b) não deixar que o processo seja visto apenas como uma melhora de relacionamento ou de conhecimento, pois é uma parte pequena do todo;
c) quando fazem nessa linha as pessoas começam a dizer o seguinte, ou eu trabalho ou eu colaboro, pois as redes sociais entram de apoio e não mudando processos.
*Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação de Gestão Estratégica do Marketing Digital
Desafios 2.0: ensino para o século XXI
08/11/11
Quando não se vê o todo, qualquer tromba vira elefante – Nepô - da safra 2011;
Versão 2.1 – 03/11/2011 (ainda rascunho)
Resumo:
A chegada da Internet tem sido confundida com uma mudança apenas tecnológica e não na maneira das pessoas se informarem, conhecerem, se comunicarem, se relacionarem.
Estamos vendo o rabo, mas não o elefante!
Consideramos que esse novo ambiente cognitivo é algo passageiro, como uma nova metodologia de ensino ou um mimeógrafo digital, que vem e passará, e tudo voltará como era antes. Porém, os fatos têm demonstrado que estamos diante de uma mudança radical e inevitável, que vão marcar profundamente a sociedade, incluindo as organizações, entre elas, a escola para todo o sempre.
Os educadores precisam se preparar para entrar nesse debate de forma intensa e não fugir dele (como a maioria tem feito de forma passiva ou equivocada) para que o resultado dessas tensões seja humanamente melhor. Apresento aqui um pouco o que aprendi, até agora, estudando e debatendo sobre o tema. Se puder ajudar a clarear a minha visão, vá em frente: comente!
(Estive no Conecta 2011 , evento da Senai/Firjan aqui no Rio, para debater tecnologias educacionais. Tentei dizer algo que está neste post – o áudio completo da palestra aqui)
O texto atual dá sequência na minha obra em progresso, através do e-book, Gestão da Desintermediação, que pode ser vista aqui.
Sem ensino, não há humanidade
Um ser humano quando vem ao mundo chega pelado de roupa e de conhecimento.
Temos que vesti-lo dos dois!
O aprendizado faz parte de uma necessidade humana básica para que possamos existir com o mínimo de qualidade. A cada cidadão/cidadã que nasce recomeça todo o processo de aprender tudo exatamente do zero, primeiro com os pais, depois com os amigos, escola, trabalho, na vida.
Há, porém, uma nova regra que estamos aprendendo aos poucos:
Quanto mais habitantes tivermos no planeta, mais precisaremos inovar no ensino para que ele possa cumprir a sua função. Ou seja, a escola para 1 bilhão de pessoas no planeta não pode ser a mesma do que para 7 bilhões.
Temos que ser criativos e compreender que há uma mudança radical a ser feita na nossa mentalidade controladora, se quisermos continuar a crescer da forma que estamos, cerca de 1 bilhão a cada 10 anos!
A Internet é um ambiente indutor dinâmico para fazer uma macro-mudança sistêmica que nos permitirá ter instrumentos mais ágeis para atender às demandas de um mundo hiper-conectado e isso irá se refletir em como aprendemos, do nascimento à morte.

Os educadores, entretanto, com a chegada das novas tecnologias, principalmente a Internet, estão pouco conscientes do tamanho das mudanças que estão vindo.
Há uma insegurança e um comodismo no ar que têm servido mais para uma postura passiva do que ativa, deixando o debate reservado para um grupo muito pequeno de profissionais, muitos deles, sem a visão do educador.
Avisa aí: não é o tecnólogo sozinho que vai resolver esse mega-problema do ensino!
Estamos todos, não só o profissional de ensino, nos adaptando a um mundo cognitivamente diferente, no qual se faz muita coisa de forma distinta, inclusive aprender e ensinar.

Ou seja, a Internet tem sido vista como uma grande mudança tecnológica, da máquina para a máquina e não do humano para a máquina e da máquina para máquina.
Estamos vivemos um momento raro na história.
Estamos mudando a conjuntura cognitiva (e não econômica ou política).
Um tipo de alteração que tem consequência muito particulares, principalmente na educação.
É preciso analisar que os efeitos das tecnologia variam. As tecnologias cognitivas, por exemplo, são bem diferentes. E as tecnologias cognitivas desintermediadoras, o caso atual, são muito mais diferentes ainda.
Mexem com algo fundamental na sociedade: o controle e o poder, a partir da desintermediação da informação, da comunicação e do relacionamento entre as pessoas, tal como ocorreu em 1450, com a chegada da prensa, que moldou o mundo como conhecemos hoje.
Nossa escola é filha do papel impresso. E a dos nossos netos será filha da rede social digital desintermediada.
Uma tecnologia cognitiva desintermediadora nos permite criar um novo ambiente de troca de ideias muito mais livre do que no passado, oxigenando a sociedade, permitindo um ar de mudança e a possibilidade de inovação geral das organizações, incluindo a escola.
Ou seja, estamos sendo jogados por necessidade demográfica, sem saída, ou placa de retorno, de forma inevitável, para uma nova forma de controle sociedade-cidadão / organizações-consumidores /professores – alunos mais dinâmica e mais descentralizada.
Estamos desintermediando atravessadores obsoletos para ganhar velocidade por causa do tamanho da população. E tal tarefa inusitada implica em mudanças radicais na mentalidade de controle social e informacional passados, com forte reflexo no pensar e agir da educação e no trabalho em sala de aula.
![]()
Em função disso, não estamos falando de um novo método de ensino opcional, mas um ajuste obrigatório, através de uma escola que tinha uma forte função indutora de saberes e terá que migrar lentamente para outra articuladora de saberes.
A percepção do inevitável ajuda muito a tomada de decisão. Pois não há o que decidir.
![]()
Eis, que se procuram as perguntas mais adequadas para os educadores nesse novo mundo digital desintermediado em rede do século XXI.
Arriscaria algumas:
- O que de fato está mudando de formar irreversível com a chegada da Internet e o que e como devemos nos adaptar na área de ensino? É preciso aprofundar estes pontos, como tento mais abaixo;
- Como continuar a procura de um ensino produtivo, eficaz, motivador e transformador com a menor taxa de sofrimento possível para professores e alunos no mundo das redes digitais desintermediadas?
- Como podemos integrá-las ao processo de ensino, aperfeiçoando a maneira de ensinar?
- Quais são os ajustes que os educadores e educados devem fazer para se adaptar a elas?

Em termos de mudanças relevantes trazidas pelo uso massificado das redes sociais digitais desintermediadoras já registrei algumas:
1) a independência informacional – os alunos aprendem a lidar com o novo ambiente informacional (computadores em rede/tablets/celulares turbinados de forma independente, através da Internet) antes de seus pais. (*) O aprendizado das tecnologias cognitivas pelas crianças, antes dos pais é um fato inédito na história humana. Antes, um adulto guiou a criança para a leitura, a tevê, o rádio o jornal, hoje não mais. Talvez, essa seja uma regra daqui por diante: filhos chegam antes dos pais nas novidades tecnológicas como regra e não mais exceção. Serão os beta-testadores do futuro;
(*) (Note que aqui não estamos falando das camadas da população mais despossuídas, que têm um problema ainda maior, em termos de exclusão social e de ensino.)
2) a anorexia presencial – as tecnologias cognitivas, sejam quais forem (livro, rádio, jornal, tevê, internet) tendem a causar uma euforia/encantamento no uso pelo potencial pela melhora na recepção/contato com ideias a distância que conseguem e têm como, contrapartida improdutiva, certa tendência a provocar anorexia presencial. Ou seja, nem sempre tecnológicas cognitivas em sala de aula pode ser algo “moderno”, pelo contrário, se o tema não necessita de prática tecnológica, deve-se estimular a conversa/troca entre os alunos. O que nos leva a, paralelamente, rever o modelo de ensino hiper-focado na forma unidirecional professor –> aluno;
3) o desfiltramento do professor – o professor e o livro, que eram os principais canais de passagem da informação e conhecimento para os alunos foram rompidos pelo Google & Cia. O professor tenta, inutilmente competir com a Internet, quando deveria fazer dela uma grande aliada para ajudar a usá-la de forma mais rica. Tal fato, precisa ser trabalhado na subjetividade do professor, pois nosso ego foi educado para sermos os “donos da verdade” e não “os procuradores da verdades junto com os alunos”;

4) grupos on-line – os alunos passam a ter um espaço de troca fora da sala de aula, através das comunidades em rede (se deixar dentro também), o que é um fato novo, pois antes era impraticável, pois tal ambiente presencial dependia de espaços físicos e deslocamentos, mas agora isso foi facilitado. No futuro, mais e mais, trabalharemos em rede (e temos que nos preparar para isso). Tal potencial deve ser estimulado, tanto presencialmente, rodas de conversa, como a distância nas redes sociais internas da escola, a critério dos alunos;
5) um mundo líquido – a velocidade das mudanças, por diversos fatores, incluindo o demográfico, nos colocou em um mundo em que o conhecimento pouco se consolida. É alterado com muito mais constância, em um ambiente digital, coletivo, múltiplo, o que nos obriga a termos um aprendizado líquido e contínuo para toda a vida. É preciso fazer os ajustes no material didático, além de alterações na didática em sala de aula. O professor terá que se rever também, não é (como nunca foi) como obra acabada;

Para onde vamos, então – 10 sugestões de ações práticas
Tais fatos nos levam a ter que fazer um novo contraponto educacional.
Precisamos, com adaptações, inicialmente, em espaços pilotos de experimentação (que faltam no modelo educacional brasileiro) monitorados para serem multiplicados, conforme a idade do aluno:
1) Precisamos criar escolas experimentais. (Por que as escolas federais do tipo Pedro II ou Caps, não são escolas pilotos para multiplicar experiências?) Precisamos de algo assim para testar novos modelos! Cada escola deve abrir projetos desse tipo, com professores/alunos interessados a experimentar, experimentar, experimentar!!!;
2) A passagem do material didático sólido (em texto) para digital, sempre sujeitas à ajustes pelo coletivo (incluindo outros professores e alunos) e não mais prontas e acabadas, com verdades absolutas congeladas no papel. Devemos preparar as pessoas para conviver (não só na escola), mas nesse novo mundo líquido/dinâmico de constante atualização;
3) Preparação dos docentes para voltar a exercer com intensidade o papel de pesquisador mais experiente para criar e atualizar o conhecimento de forma coletiva. Estimulá-los a ser mais um animador do que um proprietário de verdades. Um reposicionamento na posição da autoridade que sabe tudo para uma mais aberta a aprender junto com a turma;
4) O docente, assim como jornalistas, médicos, corretores, vendedores os professores/educadores, devem criar uma nova relação com seus alunos/projetos de ensino, que incluam como fator fundamental: mais troca aluno-aluno (como até sugeria, aliás, Paulo Freire) aluno-professor em uma relação mais desintermediada de poder, lidando com de forma distinta com o ego e com o que se reconhece como diferencial diante dos que aprendem;
5) Os alunos deverão ser estimulados a aprender mais coletivamente e sozinhos na rede, sob a orientação de pessoas mais experientes, principalmente o docente, compartilhando informações dentro e fora da sala de aula, não só com uma turma fechada, mas com quem está no mesmo campo de interesse, na mesma ou em outras escolas;
6) É preciso pensar como criar espaços de troca desse tipo (redes sociais internas na escola) para aproveitar as que acontecem do lado de fora para que rendam mais do que estão rendendo. É um espaço educativo que teve ser aprimorado, debatido e utilizado cada vez melhor, pois cada vez mais trabalharemos em redes desse tipo;

7) Direcionar a didática para superar o modelo de receber algo pronto e decorar a informação para um perfil mais voltado a colaborar, filtrar, associar, selecionar, comparar, sintetizar de forma a garantir qualidade e relevância, sem perder a atenção e a motivação, conseguindo juntar parte e todo de forma inteligente;
Nessa direção, forte estímulo na didática para que o aluno possa ampliar a sua capacidade de analisar cenários, tal como retorno do estudo da Filosofia (mentalidades humanas invisíveis) , mais do que o foco na informação abundante. Precisam criar tampas da caixa do quebra-cabeças, muito mais do que perder tempo com peças isoladas, que se perde tempo e não se chega a lugar nenhum num mundo líquido e mutante;
9) Ou seja, a escola deve procurar sair da luz que o Google já ilumina, que acaba sendo uma memória de fatos desarticulados. É preciso estimular a capacidade de juntar esses fatos em algo que faça mais sentido;
10) Superação da dificuldade de lidar com encontros presenciais, através do oferecimento de rodas de conversa presencial (aluno-aluno/aluno-professor) e de conversa a distância, via Internet, em um processo mais co-criativo de conhecimento. Em alguns momentos a tecnologia deve ser terminantemente proibida (quando as pessoas estão juntas) e fortemente estimulada (quando estão a distância).
São estas algumas das questões que os educadores devem se debruçar para pensar o ensino do novo século, experimentando juntos, incluindo a juventude no processo para procurar melhores respostas transitórias e garantir um ensino mais humano e adequado às nossas necessidades.
Que dizes?
*Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
A visão cognitiva versus a visão econômica do mundo!
21/09/11
Não estamos em uma época de mudanças, mas em uma mudança de época – Chris Anderson – da coleção;

(Bom, estou fazendo uma série de posts, a partir do insight que tive sobre a palestra de Pierre Lévy no Rio. Vou continuar a detalhar mais um pouco os desdobramentos dessa nova visão.)
Comecemos com as teorias e seu papel na sociedade.
Teorias são ferramentas humanas para lidar melhor com a vida.
Basicamente, uma teoria deve analisar determinado fenômeno e destacar quais são as forças que atuam para que ele se realize, em que conjunturas estas forças interagem e quais são as anomalias possíveis.
Esse conjunto de regras em movimento constituem as teorias que aplicamos para definir estratégias, metodologias e, a partir delas, lidar no dia-a-dia com estes fenômenos.
Toda ação humana é precedida de alguma teoria, ponto!
Uma teoria nos leva necessariamente à praticas de gestão de fenômenos: gestão de conhecimento, da informação, de empresas, de pessoas, de talentos, de mudanças, etc…
Ou seja, qualquer gestão de fenômenos/estratégia/ação parte de uma visão geral, que analisa que existe um fenômeno que precisa:
- a) ser conhecido – teoria;
- b) ser projetado – estratégia;
- c) ser gerenciado – metodologia;
- e) ter resultados – ações.
Ou seja, estratégias, metodologias, resultados partem de uma premissa teórica mais ampla.
Por isso, qualquer gestor seja de qualquer coisa for, deve ter um olho na sua prática (no método que adotou), mas deve ser também um conhecedor na teoria que o sustenta, pois um, na verdade, é resultado do aprofundamento do outro.
Impasses podem ser sinais de que a teoria mais geral pode conter equívocos, ao analisar, por exemplo, que determinadas forças têm um peso muito maior e outras forma sub-valorizadas. Isso vai aparecendo no dia-a-dia, quando alguns fatos escapam da eficiências de determinadas ações.
Estamos hoje vivendo uma macro-crise teórica no início do novo século.

Estamos diante de duas visões distintas de mundo que tendem a nos levar por caminhos completamente diferentes na gestão dos fenômenos da sociedade, que têm FORTE E GRAVES implicações nas estratégias, metodologias e resultados que esperamos:
- Uma via, que é a que vem do passado, avalia que a força principal da sociedade é a economia, que condiciona todas as outras forças. Tal teoria super-valoriza o peso da economia e não consegue incorporar movimentos como os que assistimos agora com a chegada da Internet, que não se inserem neste – a força das mudanças em ambientes cognitivos;
- A outra, encabeçada por Lévy, defende que a economia é relevante, mas é muito mais do que condicionante, condicionada pelas mudanças dos ambientes de conhecimento, informação e comunicação, tal como tivemos a chegada do mundo oral, escrito e agora o digital.
Ou seja, o que está, afinal, na mesa de reflexão sobre a sociedade?
- Visão econômica como força motriz – que nos leva a montar estratégias, metodologias e ações para lidar melhor com uma sociedade do conhecimento, visão econômica;
- Visão cognitiva como força motriz – Ou de uma sociedade em rede digital, na qual a economia também se altera, mas não é o fator condicionante principal. Aqui a gestão é outra!
São duas gestões completamente diferentes, pois a primeira estabelece que precisamos conhecer as novas regras do jogo, focando apenas mudanças no aspecto econômico, que vai condicionar os demais, como estamos acostumados ao longo dos últimos séculos.
A segunda é mais ousada e mais disruptivas, porém mais eficaz para lidar com as atuais crises e mudanças, pois aponta que a sociedade é muito mais influenciada do que imaginávamos pelas rupturas dos ambiente cognitivos e que essas alterações têm uma força mais ampla, condicionando a economia muito mais do que sendo condicionada por esta.

A gestão, seja lá do que for, se alteram quando as teorias que as sustentam ficam obsoletas diante de determinados fenômenos e autores conseguem de uma forma mais eficaz ver o quadro e as forças de forma mais coerente com os fatos.
Veja a diferença.
Se vamos gerir a sociedade do conhecimento, queremos dizer que vamos:
Ajudar a sociedade a gerir a passagem de uma sociedade economicamente industrial para a economicamente do conhecimento, basicamente é isso.
Mas se a força principal não é a econômica tal gestão se torna obsoleta, pois a gestão que precisa ser feita é em algo maior do que isso, tornando nossas ações ineficazes, ou seja:
Ajudar a sociedade a gerir a passagem de uma sociedade em rede do papel impresso e da mídia de massa para uma da rede digital!
Se estamos vivendo a passagem cognitiva com implicações culturais em todos os campos vamos para outro patamar.
Não estamos mais falando de um modelo econômico para outro modelo econômico, mas de algo maior, que seria de uma mudança cultural na civilização condicionada a um ambiente cognitivo para outro, o que nos ajudaria a ver de forma mais clara a lidar e prever com menos risco mudanças em curso em todas as áreas, tais como na forma de ensinar, de fazer política, de nos relacionar, de inovar, de comprar, vender, pensar, produzir, comunicar, pois tudo isso está em ebulição.
O que nos facilitaria ter estratégias/gestões/resultados mais compatíveis com o que estamos precisando e não as que temos hoje que estão baseada numa teoria que sub-valorizou uma força-motriz principal, que é o principal promotor as mudanças que assistimos!!!
E esse é o principal impasse teórico atual que implica em perda ou ganho de muito dinheiro!
Acredite!

Estamos usando a teoria econômica para um fenômeno cognitivo disruptivo que é muito mais amplo.
Todas as gestões que estão embaixo dele começam a apresentar resultados pífios diante de uma realidade muito diferente, que está sendo impactada por forças maiores e com efeitos muito mais amplos.
Ou seja, é uma mudança de rumo radical na forma como pensamos a sociedade, como fazemos sua estratégia, gestão para obter os resultados que esperamos.
A economia, portanto, não seria mais a mãe de tudo, é condicionada por mudanças no ambiente cognitivo que a condiciona esta e não o contrário!!!
Enquanto não aprofundarmos essa questão e criarmos teorias, estratégias e metodologias que nos ajudem a comprender esse fato e ter melhores resultados do que estamos tendo, continuaremos atolados, como estamos.

Que dizes?
*Carlos Nepomuceno (@cnepomuceno) é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
Gestão por rede, por Carlos Nepomuceno
22/08/11
Vamos redesenhar o modus vivendi e o modus operandi - Silvio Meira - da coleção de frases;

Como resolvemos problemas no mundo?
Via rede.
Estruturamos uma rede informacional/comunicacional/relacional de troca.
Tivemos a rede oral, a escrita e agora a digital.
(Veja um histórico das redes da escrita para a digital aqui.)
Tudo é uma grande rede conectada, que vamos sofisticando.
Montamos nossos ambientes produtivos em cima, ou por dentro, ou em torno, destas redes de troca.
E isso é o que chamamos de gestão – organizar o setor produtivo para resolver problemas humanos na terra, via rede.
E ter uma motivação para isso.
No caso, atual, o lucro.
![]()
Qual é o nosso equívoco de percepção até o momento de tudo isso?
Não víamos a rede!
E este é o problema principal dos gestores diante do novo e irreconhecível mundo digital.
Vemos a rede como algo de fora da gestão.
- A gestão hoje não é por rede e tem a rede lá fora;
- A Internet é uma rede e nós fazemos um outro tipo de gestão, pois não somos rede;
- A gestão não é por rede, rede apareceu agora com a Internet;
- As redes da nossa empresa são um folclore à parte;
- A Internet é uma mídia em rede, mas não vai mudar a nossa gestão, que é outra coisa, que não é rede.
Ou seja, temos a ilusão de que existem redes na empresa, mas a empresa não é uma rede.
O que estamos percebendo e acordando de um longo sono é que:
- Empresas operam em rede;
- As redes das organizações foram se centralizando;
- As redes foram perdendo sua capacidade criativa;
- As redes foram se burocratizando;
- As redes foram se engessando;
- Conforme a população cresceu – e muito 0 as atuais redes estão obsoletas no mundo;
- Precisamos criar outro modelo de rede para resolver estes novos problemas!
Projetos de guerrilha de implantação de redes digitais dentro das empresas não são redes folclóricas, mas o futuro das organizações, tudo vai migrar para aquele jeito de troca.
É uma passagem difícil.
Sabe por que?
É uma mudança que mexe com algo profundo afetivo/cognitivo humano.
Fomos criados em uma rede muito vertical e não conseguimos imaginar outra forma de resolver os nossos problemas.
Compaixão geral!

E aí a população cresceu e as redes centralizadas foram ficando obsoletas.
Cada vez mais de costas para a sociedade, resolvendo o problema dos de dentro esquecendo que foram criadas para resolver os de fora.
A grande crise organizacional hoje é ética.
O que era fim virou meio e vice-versa.
Há uma espécie de traição das organizações com a sociedade.
E quando isso ocorre, perde-se valor.
Foram criadas para resolver problemas e se transformaram no nosso problema.
(Veja como esse conflito se dá, aqui no mal estar das organizações.)
Eis a crise de credibilidade das empresas hoje que estão sendo questionadas por todos os lados, das públicas às privadas, passando pela gestão da sociedade, políticos, inclusive.
O lucro passou a ser o fim e não o meio de gerar valor.
O dinheiro ganhou status de Deus.
E é esse ponto que o capitalismo 2.0 vem tentar superar.
Não há valor social na produção, apenas da própria organização dela para ela mesma. Isso se sustenta com fumaça de redes verticais controladas, mas na transparência de redes mais abertas isso fica evidentemente grotesco e inaceitável ao longo do tempo.
Quem viver já está vendo.

E o consumidor começa a perceber que nunca teve razão de fato.
Era um conto da carochinha no reino da rede fechada, que a tudo e a todos enfumaçava.
O que segurava a rede obsoleta, analógica, hierárquica?
- Falta de alternativa.
- Muita fumaça da chamada comunicação corporativa, vertical;
- A impossibilidade do diálogo consumidor-consumidor;
- E a falta de um ambiente de negócios em rede para criar alternativas de novos concorrentes.
A atual classe dirigente mudou muito na gestão, é fato, mas muito pouco no seu DNA, na sua forma de controle vertical e na distribuição do valor.
O controle ficava mais ou menos igual, pois era impossível gerir com eficácia com as tecnologias de rede que tínhamos, até então.
Eis o que o capitalismo 2.0 almeja, uma nova forma de controle e de distribuição, compatível com uma sociedade mais plugada e participativa.

E aí vem a rede digital, com uma nova classe de pensadores, um novo consumidor e uma nova geração que não quer mais trabalhar nas empresas analógicas, fechadas, sem participação efetiva na gestão e no lucro.
Com, uma demanda de uma nova forma de gestão da rede, tendo consciência da rede.
Dos limites das atuais para as novas.
Uma forma mais barata, rápida, dinâmica, inovadora, aberta, que gera muito mais valor do que a rede passada.
O que é preciso?
- Entender a passagem;
- Perceber que o que realmente muda é o controle, uma nova forma de metodologia e de gestão;
- E como podemos migrar da rede analógica vertical para a digital horizontal e continuar produzindo valor?
- Incluir tudo isso no planejamento estratégico;
- E tomar atitudes do tamanho que o momento exige.
Ou seja, os problemas humanos continuam iguais, só que com mais quantidade de gente.
Por isso, a rede digital cai tão bem.
Resolve de forma mais barata os problemas atuais mais complexos.
Ou migra-se para ela, ou se estará fora da briga dentro em breve.
Repito: quem viver, já vê.
Simples assim dentro do quadro pra lá de complexo.
Ou seja, a rede digital ajuda a resolver essa avalanche de pedidos de uma forma sustentável.
Os jovens, que já nasceram na nova rede, já se adaptaram a uma nova forma de resolver os velhos problemas de dentro do seu quarto de forma colaborativa e vão reproduzir isso para o mundo, basta terem poder para isso.
Veja como os adolescentes fazem seus deveres e verão como vamos decidir as coisas mais complexas no futuro!

É uma questão apenas de tempo para que eles resolvam velhos problemas com uma nova forma.
O ponto de inflexão é:
Nós adultos continuamos a gerir a atual sociedade resistimos com nossas cabeças (prá lá de feita, de aranha) da rede passada.
A meu ver é essa a discussão relevante da gestão moderna, que deve estar espelhada nos planejamentos estratégicos, mas infelizmente, não está.
O resto é fumaça.
(Pior de tudo –> planejamento estratégico com redes digitais? Vou falar sobre isso amanhã!)
Que dizes?
Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na pós-graduação de Gestão Estratégica do Marketing Digital


Comentários