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CAPTCHA, herói ou vilão?
13/08/12
Por: Horácio Soares e Lêda Spelta.
Todas as pessoas que já utilizaram a Web para realização de tarefas como criar um perfil em uma rede social, publicar um comentário em um blog, pesquisar a restituição do imposto de renda, fazer um cadastro em um sistema de comércio eletrônico ou em um portal de notícias, entre tantas outras, já se depararam com o CAPTCHA. Este teste, cujo nome completo é bastante pomposo, Completely Automated Public Turing test to tell Computers and Humans Apart – [Wikipedia
], apresenta-se como um conjunto de caracteres que aparecem em imagens distorcidas (conforme figura 1) e que as pessoas precisam decifrar e digitar num campo de formulário. Elas precisam realizar esta tarefa para provar que são seres humanos e não robôs. O uso do CAPTCHA com este objetivo presume, portanto, que qualquer ser humano, mas nenhum robô, seria capaz de executar a tarefa proposta. Mas, será que esta presunção é verdadeira?
Há muitos tipos diferentes de CAPTCHAS e muitas variações diferentes desses tipos, veremos alguns a seguir.
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Figura 1: Imagem de uma das duas palavras distorcidas disponibilizadas pelo teste reCAPTCHA (figura 3). Nesse exemplo, o texto em preto está com baixa resolução, as letras estão praticamente coladas, a palavra está com uma ondulação e parte do texto está em branco, com um fundo preto.
Herói.
Para as empresas que utilizam o CAPTCHA, ele é o “herói” que tem a missão de diferenciar pessoas de robôs e, assim, proteger-se de convidados indesejados e mal-intencionados, tais como hackers, spammers, dentre outros, que utilizam softwares maliciosos para invadir seus sites e sistemas.
Quase todos os sites que precisam se proteger contra spam e intrusos, utilizam essa técnica. No mercado existem opções baratas do CAPTCHA, até mesmo gratuitas, sendo a sua implementação razoavelmente simples.
Mas será que as empresas utilizam o CAPTCHA apenas porque estão preocupadas com a segurança de seus sistemas, ou porque estão fazendo exatamente como as grandes empresas paradigmas do mercado? Provavelmente pelas duas razões. “Se todos estão usando, até as multinacionais, é porque é bom. Então pra que reinventar a roda, não é mesmo? Além do mais, não temos tempo, pessoal e nem orçamento para criar ou tentar algo novo.”
E a saída acaba sendo bem simples, basta dar um “Copy and Paste” e replicar a solução mais utilizada pelo mercado, até porque pensar algo original vai dar muito trabalho.
Em resumo, para as empresas o CAPTCHA é um “herói” porque “protege” seus sites/sistemas contra os malfeitores digitais, é uma solução barata e, de quebra, mantém as empresas com mesmo status tecnológico das grandes do mercado.
Mas será que o uso desta técnica garante mesmo a segurança contra esses programas mal-intencionados? E os usuários, o que pensam sobre o CAPTCHA?
Vilão.
Para as pessoas que precisam passar pelo teste do CAPTCHA para executarem suas tarefas, certamente ele é um vilão, geralmente truculento e impiedoso.
Normalmente, esses testes são aplicados quando as pessoas estão realizando tarefas como criar cadastros, incluir solicitações, comentários, realizar compras, etc. E é justamente nesses momentos que os usuários não deveriam ser distraídos, irritados, nem desencorajados a seguirem em frente. Em muitos casos, quando tentam passar pelos testes, se vêem obrigados a repetir diversas vezes até conseguirem acertar. Isso quando não desistem no meio do caminho.
Em 2011, tive oportunidade de questionar diferentes públicos sobre suas experiências com o CAPTCHA. A resposta foi unânime: quando esse tema era apresentado, todos imediatamente torceram os narizes e fizeram caras pouco amistosas. E quando tiveram oportunidade de falar, reclamaram muito de suas experiências com essas técnicas. Além de não gostarem, as pessoas estão ficando com uma predisposição de que irão falhar e se aborrecer durante o teste.
Ter que passar pelo CAPTCHA para executar uma tarefa pode ser chato e até frustrante, mas se as pessoas tiverem que repetir os testes duas, três vezes ou mais, certamente ficarão muito irritadas e podem até abandonar o site. Já da para imaginar como se sentem os usuários que não conseguem acertar os testes ou nem têm acesso a eles por barreiras de acessibilidade. Pois é, não da para publicar aqui…
Se acha exagero, então procure entrevistar seus clientes, colegas de trabalho, alunos, amigos, familiares, etc., sobre suas experiências com esses testes. Sugiro que, além das entrevistas, procure observar a reação de alguns usuários realizando testes de uso com o CAPTCHA.
Segurança.
O objetivo destes testes é bloquear softwares maliciosos e permitir o acesso apenas por pessoas. Entretanto, na maioria dos casos, não é isso que acontece. Grande parte das técnicas do CAPTCHA já foram resolvidas por softwares, como mostram algumas pesquisas acadêmicas, o projetoPWNtcha, ou mesmo o WebVisum, que é um complemento para Firefox utilizado por pessoas com deficiência visual. E, quando são seguras, essas técnicas geralmente têm um custo inviável e/ou geram caracteres incompreensíveis para a maioria das pessoas.
Pesquisa da Universidade de Stanford
No final de 2011, pesquisadores da Universidade de Stanford, na Califórnia, publicaram o artigo “Text-based CAPTCHA Strengths and Weaknesses
” que analisa os resultados do uso do Decaptcha, uma ferramenta cujo algoritmo quebrou 13 dos 15 CAPTCHAS (figura 2) que utilizam a técnica de distorção de textos em imagens. Para se ter uma ideia, durante os testes, o programa conseguiu burlar 66% dos CAPTCHAS da Visa, 75% do eBay, 70% dos da Blizzard e 25% dos da Wikipedia. Apenas o Google e o reCAPTHA não foram resolvidos pelo Decaptcha.

Figura 2: As amostras dos 15 CAPTCHAS mais populares do mundo analisados pelos pesquisadores de Stanford (Authorize, Baidu, Blizzard, Captcha.net, CNN, Digg, eBay, Google, Megaupload, NIH, Recaptcha, Reddit, Skyrock, Slash-dot, and Wikipedia).
O projeto PWNtcha.
O projeto PWNtcha
(Pretend We’re Not a Turing Computer but a Human Antagonist) foi criado com objetivo de demonstrar a ineficiência de muitas implementações de CAPTCHA.
Na página do projeto, são apontadas as técnicas que já foram quebradas pelos algoritmos dos Spammers. O site também aponta técnicas que funcionam, entretanto, são difíceis de serem decifradas pelos usuários. A última atualização da página foi em 2010.
Pesquisas das universidades de Konstanz (Alemanha) e NUST (Paquistão).
Em 2010, os pesquisadores das universidades de Konstanz e NUST publicaram o artigo “Breaking e-Banking CAPTCHAS
” um estudo sobre os CAPTCHAS encontrados em Home Bankings de todo o mundo. Foram analisados três CAPTCHAS usados para validar transações bancárias e 41 paraLogin. Utilizando um novo conjunto de técnicas de processamento de imagem e reconhecimento de padrões, todos foram quebrados, chegando próximo à taxa de 100% de sucesso.
Na opinião dos pesquisadores, os CAPTCHAS utilizados nos bancos eletrônicos deveriam ser substituídos por sistemas de segurança baseados emHardware, como os Tokens.
BBC e o CAPTCHA.
No final de 2010, depois de uma longa pesquisa com as tecnologias existentes e de uma série de testes com usuários com e sem deficiência, a gigante inglesa de comunicação, a BBC, publicou o artigo “CAPTCHA and BBC Id
”, que explica porque a empresa resolveu retirar o teste do seu sistema de login.
Vejamos alguns resultados dos testes com usuários divulgados no artigo:
- Muitos não sabem o que é ou não entendem por que eles são necessários.
- A maioria acha chato.
- Participantes com deficiência visual esperavam que o site da BBC fosse acessível e disseram que isso iria afetar a reputação da empresa.
- Usuários idosos tiveram dificuldades com imagens distorcidas.
- Enigmas foram classificados como estranhos e paternalistas.
- O áudio foi difícil de ser usado.
- Em geral, os sentimentos dos participantes dos testes com relação ao CAPTCHA foram extremamente negativos.
Além do feedback negativo generalizado dos usuários, o outro motivo que levou a BBC a retirar o CAPTCHA de seu site foi a segurança. Eles encontraram um fator que derrubou mesmo as técnicas de CAPTCHA mais avançadas e resistentes aos ataques: empresas de aluguel, cuja missão é quebrar esses testes utilizando pessoas, conforme artigo “Spammers Outsourcing Captcha-Cracking Task For Cheap
”.
Acessibilidade
Além de problemas com a falta de segurança e da experiência ruim para a maioria das pessoas, outro fator negativo para o CAPTCHA são as suas barreiras de acessibilidade. Isto representa um grande problema, principalmente para as pessoas que são cegas, têm baixa visão ou dificuldades de aprendizagem, como a dislexia, as quais podem ficar impedidas de realizar importantes tarefas na Web.
Uma vez que a maioria das técnicas são visuais e as imagens não podem conter texto alternativo, para não serem identificadas pelos spammers, os CAPTCHAS são inacessíveis para pessoas com deficiência visual.
Webvisum
Para ajudar a eliminar as barreiras de acessibilidade dos CAPTCHAS, especialmente para as pessoas com deficiência visual, um grupo de desenvolvedores criou o Webvisum
, complemento para o navegador Firefox. Esse programinha resolve grande parte das técnicas de CAPTCHA utilizadas pelo mercado; sem ele, muitas pessoas não conseguiriam publicar suas opiniões, criar cadastros, solicitações, logins, etc., sem a ajuda direta de terceiros.
Para impedir que pessoas mal-intencionadas usem o algoritmo do Webvisum para fins duvidosos, só um grupo restrito tem acesso ao complemento, que necessita de convite e aprovação prévia, além do limite de vezes que pode ser utilizado por dia. Mas, se já existe um software tão eficiente, o que impede que programadores mal-intencionados desenvolvam um programa semelhante?
Alternativa sonora
Vimos que, por questões de segurança, as imagens dos caracteres não podem possuir descrição. Para atender as pessoas que têm dificuldades com essa técnica totalmente visual, algumas soluções utilizam uma alternativa em áudio. Dentre estas, uma das mais usadas é o reCAPTCHA (figura 3).

Figura 3: Imagem do reCAPTCHA. Na parte superior, as duas palavras distorcidas em inglês. Em baixo, à esquerda, o campo de formulário para o usuário digitar as duas palavras e, à direita, três links.
Nota: Na pesquisa da Universidade de Stanford, o reCAPTCHA foi uma das duas técnicas, dentre as 15 testadas, que não foi quebrada pelo Decaptcha. Entretanto, os textos apresentados nem sempre são inteligíveis para as pessoas. No exemplo da figura 3, alguém saberia dizer o que está escrito na segunda palavra?
A interface do reCAPTCHA possui três links, um para recarregar novos textos, um para tocar o áudio e outro com instruções.
Ao pressionar o link do áudio, em seu lugar surge o link dos textos. No local onde havia as duas palavras que deveriam ser digitadas no formulário, aparecem dois links: um para tocar novamente o áudio e outro para baixar o som em MP3, conforme a figura 4, a seguir:

Figura 4: Imagem do reCAPTCHA após pressionado o botão do áudio. Nessa versão, o usuário precisa digitar no campo do formulário o que ele ouvir no áudio.
Nota: Para se ter uma ideia da experiência das pessoas quando utilizam a opção em áudio, tente ouvir essa técnica no link: exemplo do áudio do reCAPTCHA (MP3 – 37Kb). Como na versão visual do teste, não consegui decifrar o conteúdo do áudio.
Para as pessoas que não têm fluência em inglês, técnicas como o reCAPTCHA podem ser ainda mais complicadas, tanto na versão original, quanto na em áudio. Além da língua inglesa e dos ruídos que são incluídos no áudio por questões de segurança, por vezes, ele ainda pode se sobrepor ao som do leitor de telas, software utilizado pelas pessoas com deficiência visual para interagirem com o computador.
Além da falta de acessibilidade, os testes que utilizam áudio podem não ser seguros, conforme apresentado no artigo ”The Failure of Noise-Based Non-Continuous Audio Captchas
”. Nessa análise, pesquisadores das universidades de Stanford e Tulane, utilizando o software Decaptcha, relatam que conseguiram resolver 49% dos testes com sistema de áudio da Microsoft e 45% do Yahoo. Descrevem ainda que, em muitos casos, o software conseguiu uma precisão maior do que os seres humanos.
Atendimento/comunicação.
Outra alternativa é a criação de uma linha de atendimento telefônico via 0800 ou chat online, para atender clientes/usuários que estejam enfrentando problemas. Em alguns casos, o sistema poderá até solicitar um número de telefone celular para enviar o código via SMS. Mas essas soluções são caras e podem ser inviáveis para sites com grande demanda.
Alguns caminhos:
Questões lógicas:
Um método para evitar o uso de imagens ou áudios inacessíveis é a utilização de uma pergunta baseada numa lógica simples, conforme os exemplos:
- “Ontem foi sexta-feira, que dia é hoje?”
- “Qual é a terceira letra da palavra ‘Cavalo’?”
- “Treze menos 2 é ímpar ou par?”
Entretanto, essa técnica pode apresentar alguns problemas:
- Segundo o IBGE, 20% dos brasileiros são analfabetos funcionais, ou seja, sabem ler e escrever, mas não conseguem interpretar um texto corretamente. Esse público poderá ter dificuldades com as questões lógicas.
- Pessoas com deficiência cognitiva também podem apresentar dificuldades para resolverem esse tipo de perguntas.
- Para que essa técnica seja mais segura, será necessário um grande banco de perguntas.
Um projeto que utiliza questões lógicas é o TextCAPTCHA – ”Text CAPTCHA Logic Questions”
, que apresenta um banco com mais de 100 milhões de perguntas semelhantes as mostradas aqui, mas todas em inglês. O textCAPTCHA disponibiliza uma API que pode ser utilizada livremente após um breve cadastro e já apresenta implementações para WordPress, Ruby on Rails e Drupal.
O uso de perguntas, mesmo que bem simples e com pequeno número de alternativas, pode ser o suficiente para impedir 99% dos spams, ser acessível e ainda atender a maioria dos sites e blogs existentes. Exatamente como o CAPTCHA utilizado pelo Instituto Faber Ludens
(figura 5). Os outros 1% dos spams dedicam seus esforços ao desenvolvimento de programas específicos para ataques a sites estratégicos para política, economia, etc. Sites dentro desses perfis críticos, certamente precisam de maior segurança.

Figura 5: Imagem do CAPTCHA utilizado pelo Instituto Faber Ludens. Para passar pelo teste, as pessoas precisam preencher um campo de formulário com o complemento do slogan do Instituto. A pergunta é: “Complete a frase, de acordo com nosso slogan. ‘Nada substitui o ser…’”. A resposta correta seria “humano”.
Moderação.
Para sites e blogs com um tráfego relativamente leve, outra alternativa é aprovar manualmente o acesso ou comentários. Em muitos casos, quando os invasores percebem esse processo, acabam sumindo aos poucos.
Obviamente, essa saída é inviável em sites com grande acesso e ainda pode gerar um desconforto aos usuários, quando a moderação é demorada.
Outros
Existem outras alternativas, como implementar filtros que detectam mensagens do tipo spam através da análise de linguagem natural, incluir campos escondidos ou que são renderizados na tela em ordem randômica, entre outros. Mas estes recursos, ou não resolvem totalmente o problema da segurança, ou são caros, ou utilizam tecnologias que ainda não atingiram a maturidade.
Outras estratégias aos testes visuais podem ser acessados no documento do W3C
: “Inaccessibility of CAPTCHA
”, que examina soluções que permitem que os sistemas de testes utilizados para detectar usuários humanos, possam ser acessados por pessoas com deficiência.
Conclusão.
Todos os ambientes digitais precisam ser protegidos contra invasores, mas não contra seus próprios usuários/clientes. Estes são, em última instância, o objetivo e a razão da existência dos sites e sistemas e não deveriam jamais serem impedidos, prejudicados ou irritados, quando precisam fazer uma solicitação, um cadastro, uma compra, ou acessar um determinado serviço, independentemente de suas experiências, capacidades, tecnologias ou deficiências.
No atual cenário da Web, o CAPTCHA é um vilão, tanto para os responsáveis pelos sites que os implementam e ficam com a falsa sensação de que estão protegidos, quanto para seus usuários, que, como no enigma da esfinge
da mitologia grega, são frequentemente submetidos à situação de “decifra-me ou devoro-te”.
Horácio Soares é professor de Acessibilidade e Usabilidade Digital na pós-graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital
Produção ou curadoria: qual a melhor estratégia de conteúdo?
30/07/12
Sua empresa acabou de abrir a fanpage ou o blog que todos estavam esperando. Legal, hein? Agora vem a parte complicada… O que você vai colocar ali? Já decidiu qual vai ser a sua estratégia de conteúdo? É, você vai precisar de uma.
Basicamente, existem duas formas de alimentar seus canais com conteúdos interessantes: a produção e a curadoria. Ambas são interessantes e podem funcionar muito bem, mas o que há de diferente entre as duas é uma coisa muito simples: a autoria.
Curadoria
Ser um bom curador tem seus méritos e é tão importante quanto saber produzir um conteúdo interessante. Porém, se você se dedicar apenas à curadoria de conteúdos, pode ser questionado quanto à sua capacidade criativa. Logo, se você optou pela curadoria, ou seja, a seleção de conteúdos para o seu canal, lembre-se sempre de citar a fonte e fazer o link para o conteúdo original. Do contrário, as coisas podem ficar bem feias.
Optar pela curadoria de conteúdo é algo muito bacana, afinal você se torna referência naquele tópico e se algum dia decidir mudar sua estratégia para a produção, já tem um excelente acervo para consulta na hora de criar algo novo.
Produção
Mas, se você decidiu que vai ter conteúdo produzido especialmente para a sua página, fanpage ou Twitter, lembre-se sempre de buscar fontes confiáveis e, de preferência, várias delas. Saber os diferentes lados de uma história é algo essencial e se o seu tipo de abordagem ficar mais interessante com uma entrevista, não se acanhe. Procure quem pode fornecer boas falas sobre o tema e faça acontecer.
Produzir conteúdo é algo que demanda algum tempo. Portanto, mantenha seu planejamento e cronograma sempre por perto. Isso é importante para que não aconteçam furos na sua programação editorial. Calcule a média de tempo empenhado para cada texto e preveja as necessidades de imagens, vídeos e se estes serão feitos por você ou sua equipe.
A melhor saída é…
… misturar um pouquinho dos dois. Nem sempre é possível ter conteúdo próprio e fresquinho. Por isso, o ideal seria mesclar o conteúdo próprio com a curadoria de bons links de outros lugares. Além de tornar a vida muito mais prática, você também cria boas relações com seus leitores e com as pessoas que produziram este conteúdo. Afinal, quem não gosta de ser citado por aí, não é mesmo?
Fonte: http://www.ideiademarketing.com.br
Monitoramento de mídias sociais e medição baseada nos relacionamentos on-line
20/12/11
Por Guga Alves*
Cada vez mais o valor de uma idéia não está na sua exposição inicial direta, menção em um blog ou spot/inserção em uma publicação, mas sim no valor ou moeda social que provê tal audiência. Este oxigênio social permite a idéia ser espalhada socialmente.
Campanhas de Mídias Sociais são totalmente mensuráveis, mas nem todas as medidas são iguais e indicam verdadeira eficácia. Diferentes ações de mídia social ou conversas on-line têm valores diferentes e influências sobre o comportamento do consumidor.
Diversas métricas, a partir do número de seguidores e fãs, ao sentimento positivo ou negativo, a republicações do conteúdo e menções feitas por influenciadores, pode ser difícil distinguir um do outro. Como efeito, podemos ficar presos em um estado de paralisia da análise onde há muitos dados de mídia social e muito pouca compreensão destes.
Um padrão a ser seguido é necessário, mas, até que tenhamos um consenso, temos desenvolvido uma estrutura para categorizar o valor de diferentes ferramentas de monitoramento/métricas e começar a construir um modelo de medição e monitoramento.
Ao classificar as conversas de mídia social em três categorias – Exposição, Engajamento e Colaboração, – com base no espectro de relacionamentos on-line que as sustentam (fig. 1), podemos agrupar as suas métricas associadas e abordagens de monitorização (fig. 2). Então, analisando o desempenho global da atividade em cada categoria, podemos começar a estabelecer a eficácia e taxa de conversão de campanhas de mídia social e da atividade em curso.
A idéia é simplificar todos as diferentes medidas de eficácia, para que comparações/tendências possam ser feitas e, em seguida, possam ser utilizados ao ládo de verdadeiros cálculos de ROI Social.
Categorizar atividades de mídia social desta forma significa que é possível adotar uma abordagem holística e agregar variadas técnicas de monitorização diferentes – e métricas que irão variar de acordo com a natureza de cada campanha e seu tipo de plataforma – para comparar o desempenho entre cada categoria e, portanto, trabalhar o relativo sucesso da atividade de mídia social. O objetivo final desta abordagem é a de ser capaz de comparar a eficácia de diferentes campanhas de mídia social ao se comparar “semelhante” com “semelhante”, o que é muitas vezes difícil.
Usar esta estrutura significa que os resultados das categorias de Exposição, Engajamento, e Colaboração pode ser comparados para identificar desempenho e tendências.
Pensando num modo de mostrar isso, trazemos uma equação, mas que não pretende ser uma bala de prata ou uma formulá matemática mágica, mas sim uma forma visual de estruturar o pensamento sobre os princípios em jogo.
Por exemplo, uma medida de campanha de mídia social seria comparar a relação entre o desempenho do Engajamento para o desempenho de Exposição (Fig. 3) onde um +1 poderia indicar um êxito e a dinâmica da mídia social como as pessoas deixaram de ser meramente exposta a uma campanha para tornar-se mais engajados.
Qualquer medida/entradas de exposição ou de trabalho (ou mesmo Colaboração) será diferente para cada campanha e organização – como eu disse antes a idéia é simplificar as medidas de eficácia diferentes e técnicas de monitoramento para as comparações podem ser feitas e tendências identificadas.
Usar essa abordagem para definir Conversão de Mídias Sociais e tal tração exigiria um foco sobre a atividade e métricas na categoria Colaboração. De fato, a proporção entre a performance de Engajamento e a performance de Colaboração poderia ser vista como sendo um indicador de pessoas que se deslocam de descobrir, compartilhar e “brincar” com conteúdo para agir sobre ele – tornando-se sua própria paixão ou espero até mesmo alterar o comportamento de compra (o que elucida bem o uso do termo Tração).
Em última análise, esta abordagem proposta para monitoramento/medição de Mídias Sociais terá de ser ligada de volta para o ROI (Retorno do Investimento). Podemos provar se bons resultados em qualquer categoria – ou uma boa tração de Mídias Sociais ou Conversão de Mídia Social e a pontuação como Defensor (Advogados da marca) podem se relacionar com um menor custo por aquisição ou um aumento de vendas?
Tudo isso vai exigir alguém muito melhor em matemática do que eu, mas acredito que alguns concordem que tal estrutura e modelo seja fundamental para provar o valor à longo prazo dos meios de comunicação social e da web real para um conselho ou diretores financeiros.
Artigo e imagens traduzidas com autorização do autor. Solicitamos que, caso reproduza esta matéria ou imagens, que mantenha os créditos originais de autor e tradutor.
Obs.: O termo Tração, utilizado pelo autor original desta postagem, se refere ao termo físico que “é a força aplicada sobre um corpo numa direção perpendicular à sua superfície de corte e num sentido tal que, possivelmente, provoque a sua ruptura”. Traduzindo, produzir a força necessária para se mover adiante, com a colaboração da superfície em questão.
*Guga Alves foi aluno da 5a turma de Gestão Estratégica do Marketing Digital e é professor do curso Tudo Para WordPress
Fonte: http://www.gugaalves.net/
O blog corporativo como estratégia
17/11/11
Por Luiza Cruz*
Como vai o blog da sua empresa? E, melhor ainda: qual a estratégia de rastreamento de blogs dos concorrentes, clientes e prospects que está sendo adotada? Se você, como profissional de comunicação, não sabe a resposta, ou ainda, não tem uma resposta porque a empresa não tem um blog e muito menos monitora outros, sua estratégia, ou falta dela, está custando-lhe cifrões.
Antes da web 2.0, o acesso à informação, mesmo via internet, ainda era restrito. Mas, com a baixa de preços dos computadores, dos celulares e smartphones, da banda larga e a proliferação de lan houses, surgiu o fenômeno do cidadão-jornalista. É cada vez maior o número de pessoas obtendo informação destes, o que torna as mais inocentes – e às vezes nem tanto – postagens nas redes sociais e inserções em blogs tanto empresariais quanto pessoais, uma ferramenta de comunicação que nenhum profissional da área pode ignorar. Claro que o primeiro trabalho do profissional é separar o joio do trigo e se certificar de que os blogs sendo monitorados tem o peso necessário para agregar valor ao negócio de seu cliente ou para sua empresa. E, nas mídias sociais a palavra-chave é seguidores. Não apenas quantos. Quando estamos tratando de desenvolver estratégias de comunicação o importante é quem.
É papel do profissional, antes de mais nada, garantir que o blog do cliente esteja sempre seguindo e sendo seguido – e isto vai depender da relevância e frequência do conteúdo sendo postado – por segmentos significativos da comunidade, áreas de interesse etc.
Um erro facilmente cometido em blogs corporativos é o de, na tentativa de se manter atual, postar temas que estão sendo discutidos na sociedade mesmo quando estes não tem nenhum vínculo aparente com a natureza do seu negócio. Acredite, não é isto o que você quer. Lembra? Trabalhamos com a imagem da instituição e queremos criar, desenvolver e manter esta imagem de acordo com a filosofia de comunicação da empresa – e não estou nem pensando na possibilidade de que ela não exista. Qualquer microempresa precisa ter uma. Nem que ela esteja apenas na cabeça de seu único proprietário/funcionário.
O pulo do gato aqui é não apenas postar um tema que está sendo discutido na sociedade. Você não precisa ser um profissional de comunicação para isto. Mas sim, selecionar entre os temas que estão sendo discutidos em sociedade, aqueles que podem ser tratados sob a ótica da(s) área(s) de atuação de seu cliente. A sua estratégia aqui é tornar o seu blog – e porque não o seu fórum ou mesmo homepage – referência no mercado. O que você quer é que quando um determinado assunto, corporativo ou de natureza social, entre em discussão, as pessoas se perguntem: como o blog X está tratando do assunto? Vou lá checar.
Uma excelente maneira para chegar a este nível é através do uso de podcastings. A publicação americana InfoWorld realizou uma pesquisa em que verificou que os podcasts estão em segundo lugar na lista de preferência das pessoas, principalmente dirigentes, para receber informações. O primeiro lugar, pasmem, continua sendo da forma impressa.
O podcasting é excelente, por exemplo, para conquistar prospects. Por ser barato e ser facilmente mensurável, é peça-chave para ajudar na percepção da identidade corporativa de que estamos falando aqui. Através dele, um assessor de comunicação pró-ativo pode lançar ideias e propor soluções para situações de momento (sempre dentro da área de atuação da empresa/cliente). E pode verificar quais os temas que geram maior número de downloads, delineando assim o perfil de seu público para futuras postagens em blogs ou homepages.
O importante aqui é, como sempre, o bom senso. Lembre-se que a chave da estratégia para trabalhar com mídias sociais é pensar adiante, monitorar sempre. Esclareça para seus clientes e/ou dirigentes de sua empresa de que postagens devem ser respondidas o mais imediatamente possível e devem ser verdadeiras a partir do momento em que são postas no ar. Internautas se distinguem dos cidadãos do século XX por terem a informação na ponta dos dedos.
*Luiza Cruz é jornalista e relações públicas. Atuou como repórter de O Globo, The Guardian (Londres) e Revista Caras. Foi Assessora de Comunicação de instituições no âmbito privado e público como a Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É jurada do Prêmio Aberje e consultora em Comunicação Corporativa. Leciona comunicação corporativa na pós-graduação em Gestão Estratégica da Comunicação do Igec
Você conhece o blog “Fim de Jogo”?
17/10/11
Fim de Jogo. Esse nome cada vez mais falado por quem acompanha o futebol no RJ é um projeto pessoal da nossa amiga, ex-aluna (2a turma de pós em Gestão Estratégica do Marketing Digital) e professora Cris Dissat. Jornalista de mão cheia, Cris Dissat, (tamém conhecida como @fimdejogo no Twitter) é uma apaixonada pelo esporte bretão e move este blog incrivelmente bem visitado com competência e garra.
Abaixo uma amostra do que você vai encontrar no blog:
Flamengo x Palmeiras: Que Fila É Essa?
Enquanto andava pela Ala Leste soube que havia ingressos disponíveis na Ala Oeste. Na Leste superior estavam esgotados para o jogo entre Flamengo e Palmeiras, pelo Brasileirão 2011.
Imaginei que seria uma boa opção para os torcedores e fui naquela direção para ver como estavam as coisas por lá. Só que quando entrei na Rua José dos Reis e andei alguns metros esbarrei com uma fila enorme para a compra de ingressos. O que pensei que seria uma boa opção na verdade não era. Torcedores rubro-negros tiveram que ter muita paciência para comprar os ingressos. Cada vez, dá pra notar que se for possível comprar o ingresso com antecedência é muito mais tranquilo.
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Botafogo: o Pênalti e o Fim da Partida
Loco Abreu marca o gol de pênalti, contra o Atlético-PR, e a torcida comemora a vitória (vídeos). No fim da partida, jogadores reunidos no gramado, agradecimentos, liderança de Loco e mais comemoração: Botafogo 2 x 0 Atlético-PR.
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Bastidores: Abel Braga na Coletiva
Quando o jogo entre Fluminense e Coritiba acabou e publiquei o último post no Fim de Jogo, resolvi dar uma corrida na coletiva. Ainda não conhecia esse novo espaço do Engenhão. Ainda falta finalização, pois é preciso de outro espaço igual para ser usado pelo time visitante. O espaço é interessante, com mesas para a imprensa trabalhar melhor, mas não consegui testar as conexões, faço isso outro dia.
Cheguei a tempo de ver declarações do Abel Braga para a imprensa.
Leia mais aqui
Acompanhe o blog “Fim de Jogo”, um olhar diferente sobre a paixão nacional.
Sut-Mie da DIG5 no Sem Censura
20/09/11
Alunos e ex-alunos do IGEC continuam se destacando e aparecendo na mídia. Depois do Cabingano Manuel da COM8 entrevistar a Miss Universo Leila Lopes, agora nossa ex-aluna da DIG5, Sut-Mie Guibert participou do programa Roda Viva, onde falou sobre viagens com crianças, assunto que aborda em seu blog “Viajando com Pimpolhos”. Veja a participação da Sut-Mie abaixo
Quanto custa colocar a minha marca nas mídias sociais?
10/08/11
Por Patricia Moura*
Esse post é mais um da série “e-mails que recebo”. Um grande número de pessoas entra em contato comigo via e-mail, gtalk, facebook, blog e twitter perguntando quanto cobrar para trabalhar com mídias sociais ou quanto pagar para que um freela faça a gestão de seus canais.
Quando dou os meus pitacos sobre etapas da gestão dos canais e valores estimados, não é incomum, a conversa ser interrompida por um longo silêncio ou um susto com o investimento a ser feito no que, “teoricamente”, nasceu de graça.
Na dúvida, conferimos o manual da APADI (associação paulista das agências digitais) que pautou no ano de 2010 uma base de valores para agências digitais. E aí que, segundo a associação, custa pelo menos R$30.000,00 só pra começar...
Segue abaixo o descritivo de ações básicas para o start de uma marca nas mídias sociais:
É justo. Muito justo… porém, depende diretamente do porte dos clientes. Ao sugerir o manual como base para um leitor do blog, recebi a seguinte opinião:
“Os valores citados no manual da APADI estão completamente fora da realidade da empresa. Se eu propusesse estes valores para o cliente, ele provavelmente iria rir por pelo menos meia hora e depois me mandar… você sabe pra onde! rs. Obviamente são valores justos, mas como você disse, são para agências”.
Qual é a questão? Existe um exército de pequenas e médias empresas que NUNCA investiram na sua comunicação e que, recentemente, sentiram a necessidade de começar. Conhecendo superficialmente as mídias sociais, estes clientes escolheram estes canais pelos seus benefícios óbvios (relacionamento real time com o consumidor, etc) e por acharem que é possível fazer um bom trabalho com baixo custo.
Seguem as minhas dicas para pequenas empresas:
- Contrate um profissional de mídias sociais com experiência e o absorva para a sua equipe.
- Coloque este profissional junto com a gerência de Comunicação e/ou Marketing. Se a sua empresa ainda não tem este setor, está na hora de criar uma equipe que possa atender a sua demanda.
- Invista no planejamento. O ato de criar perfis corporativos e sair falando com as pessoas NÃO é estratégia e nem traz resultados significativos para o seu negócio.
- Se receber o orçamento de uma empresa ou agência para fazer todos os serviços listados acima por apenas R$1,99 e uma bala Juquinha de troco, desconfie!
*Patricia Moura é professora de Redes Sociais na pós-graduação de Gestão Estratégica do Marketing Digital
Blog do Rádio Carioca, 3 anos de sucesso
23/03/11
Foi no dia 04 de março que o Blog do Radio Carioca, da nossa querida Maria Isabela Guedes, da JENE4, comemorou seus 3 anos de existência, celebrando os inesquecíveis bordões do rádio, seus locutores marcantes e momentos históricos.
Na definição da própria Isabela:
É um blog dedicado ao público que gosta de um dos meios de comunicação de massa mais popular, barato e mágico: O Rádio.
Trarei à baila,o futebol e seus coadjuvantes do rádio esportivo do passado e do presente: Os locutores, comentaristas e repórteres que ficam à beira do gramado, apurando os fatos como eles devem ser colocados perante à mídia e público.
Marque o cronômetro de sua mente e coração, o tempo e o placar dos artistas do espetáculo, vibrando comigo…Isabela Guedes.
Parabéns à Isabela e obrigado por brindar-nos com um trabalho tão interessante, perpetuando na memória momentos deliciosos do rádio.
Cris Dissat (ou @fimdejogo) na JENE4
11/02/11
Cris Dissat ou @fimdejogo? Depende do meio! Explico, Cris Dissat, jornalista do meio científico e blogueira do multiacessado blog “Fim de Jogo” é conhecida como Cris no meio em que atua profissionalmente, e como @fimdejogo pelos seus quase 5000 seguidores no twitter. O blog Fim de Jogo completou 7 anos recentemente e alcançou a marca de mais de 1000 visitas diárias, falando sobre futebol de uma forma diferente, abordando os bastidores e o entorno dos estádios.
Cris começou seu blog motivada pela vontade de relatar o que acontecia no entorno do Maracanã em dias de jogos, mostrando os eventos, as brigas, as filas, informando e oferecendo muitas vezes uma visão que os grandes veículos negligenciavam. Daí para se tornar um fenômeno dos blogs esportivos fui um pulo (dado com muita perseverença e força para ultrapassar várias barreiras).
Ontem ela esteve compartilhando estas deliciosas histórias na 4a turma de Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte (JENE4). Bastante empolgada, contou causos, mostrou toda tecnologia que utiliza para transmitir suas matérias e fotos pela web direto do entorno dos estádios e motivou a moçada a expressar-se livremente pela web. Quem sabe daí saem novos blogueiros poderosos?
Veja as fotos do encontro:
Para entender a cabeça dos filósofos da tecnologia
24/08/10
A maior parte dos conceitos e estratégias que temos sobre internet vem de pensadores midiáticos americanos, que têm algumas características em comum, como não considerar o passado.
Por Carlos Nepomuceno*
Aquele que não conhece história, está condenado a repeti-la. George Santaiana, da minha coleção de frases
Comecei aqui uma nova jornada de estudos, através da Filosofia da Tecnologia.
A nova área visa não mais acompanhar como anda a tecnologia (algo praticamente impossível e sem nexo) e sim como pensamos sobre tecnologia (algo factível e com nexo), já que se soubermos como pensamos sobre teremos mais facilidade de saber como vamos usá-la.
Parece óbvio, mas não é prática.
Nessa linha, é importante conhecermos a fonte que bebemos, antes de analisar o teor de “cloro” da água e os seus resultados após ser degustada.
Temos três grupos de tecno-pensadores:
- Os alternativos (blogueiros, que não estão na grande mídia e exercem influência menor);
- Os midiáticos (blogueiros, ou não, que publicam livros, geralmente sem colocá-los na rede para leitura, com forte poder de influência);
- Os acadêmicos (geralmente não blogueiros, que publicam artigos científicos, com influência também menor).
E misturas entre tudo isso, alternativos acadêmicos, acadêmicos midiáticos ou midiáticos acadêmicos.
Como a vida não é simples, nem preto e branca, sigamos. Podemos dizer, assim, que quem faz a cabeça do mundo sobre tecnologia, principalmente as cognitivas (internet no meio) são os midiáticos, apesar de sofrerem influência e pressão dos alternativos e acadêmicos.
Normalmente, os midiáticos são americanos (Shirky, Anderson, Keen, Tapscott, O´Reilly, entre outros).
Portanto, a maior parte dos conceitos e estratégias que temos sobre internet são produzidas, concebidas, consumidas e digeridas, a partir de tecno-pensadores midiáticos americanos, que têm, entre eles, algumas características em comum.
1. Geralmente, não baseiam seus argumentos na história, seus livros começam no hoje e falam do futuro, como se não houvesse passado. Isso é, provavelmente, a influência da cultura do aqui e agora, do a-historicismo cultural, que temos uma descrição no bom livro do Guy Debord (francês), a
Sociedade do Espetáculo. Nele, ele diz: Um Estado em cuja gestão se instala por muito tempo um grande déficit de conhecimentos históricos já não pode ser conduzido estrategicamente.
2. Ideias sem origem prendem mais o leitor a seu dono, o que cria uma dependência cognitiva, forçando a ler o próximo livro.
3. Geralmente, são leitores de textos em inglês, com pouco espaço para estudos de autores de outros idiomas. Nós lemos eles, mas eles não nos lêem. Engraçado, pois nossos gurus estão em desvantagem, pois têm menos opiniões sobre o mesmo assunto, comparado aos demais que lêem bem em inglês; o brasileiro lê espanhol e vice-versa.
Ou seja, os que menos interagem no planeta interconectado são os que têm mais palco!
E geralmente são muito pragmáticos, pouco teóricos e, muitas vezes, avessos a tudo que pode se chamado de teoria, mesmo aquelas consistentes.
Consumimos e defendemos ideias desses pensadores.
Temos que, claro, ressaltar seus méritos, pois existem.
Mas saber das limitações, para complementá-las, o que normalmente não é feito. Engolimos anzol, chumbada e – às vezes – até o molinete!
E a nossa prática se espelha nesse conjunto de premissas, digamos, limitada, apesar de acharmos que temos “a verdade”, sem saber que tal “verdade” é construída por alguém.
Assemelha-se ao filme Origem, quando vamos ao ponto em que estão fazendo a nossa cabeça. Veja mais sobre isso aqui.
Fazemos, porque pensamos, a partir do que consideram bacaninha. O que explica nossa grande dificuldade de superar alguns conceitos sobre internet e compreender a marginalização de algumas ideias importantes.
Reflete, por exemplo, na não difusão em maior escala nas ações relevantes de grandes empresas e governos dos conceitos, tais como os de Lévy e Castells, que vão procurar estudar a história para entender o que estamos passando.
E justifica o estranhamento quando esse tipo de visão é passada, como se fosse algo do outro mundo. Sim, é de outro mundo: não-americano!
Ressalvo que não há pré-conceito contra o que vem dos EUA, pois tudo que é bom, seja de onde vier, vale a pena, não se pode é ser apenas de um lugar só.
Na minha tese de doutorado, quem se destaca e aparece com força é Pierre Lévy, que é tunisiano, que fez o contraponto a essa visão a-histórica. Parece que não lêem Lévy nos EUA.
Seus livros partem da compreensão da rede, através de um estudo da história da cognição humana, o que nos dá um sentido amplo para entender o fenômeno.
Outros que seguem na mesma linha são Castells (espanhol) e Burke (inglês). Todos fundamentais para compreensão do fenômeno.
Todos menos midiáticos e um pouco mais acadêmicos, porém de comunicação fácil. Lévy, que parece ser casado com brasileira, vem muito ao Brasil.
Castells nem tanto e Burke, idem. Se vieram, foi sem grande fumaça. Ficando com influência menor na nossa maneira de pensar.
Notem que a influência na maneira de pensar negócios no Brasil é muito forte e tem se passado para a visão que temos da internet.
Temos um “espírito de índios esperando as caravanas chegarem na praia”. Vide o espaço que damos ao importado, by EUA e como pouco valorizamos o que é produzido aqui ou em outras praças.
Isso nos remete a uma discussão ainda maior sobre modelos dos eventos no Brasil sobre tecnologia, futuro, internet, etc. São na maioria unidirecionais, um palestrante por vez, sem debate entre pensadores, sem interação forte com a plateia.
Não se paga ao palestrante brasileiro, só aos que vêm de fora e geralmente os caras que nem sempre vão agregar, para falar coisas até mais básicas, do que os nossos índios.
Quando Stallone diz lá fora que explodiria tudo aqui e ainda ganharia um macaco, dói ouvir, mas, na sua sinceridade de Rambo, há uma certa verdade dura de escutar.
Concordas? [Webinsider]
Fonte: http://webinsider.uol.com.br
*Carlos Nepomuceno é professor de Conversão 2.0 na Pós-Graduação em Gestão Estratégica do Marketing Digital











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