Artigos com o marcador Alda Marina
Sucesso na palestra da Profa. Alda Marina
02/03/11
Casa cheia, publico interessado, palestrante feliz. A noite de ontem foi bastante agradável, uma grande oportunidade de saber mais sobre Responsabilidade Socioambiental, Sustentabilidade e Terceiro Setor.
Entre estatísticas e ações, casos e exemplos, os presentes vislumbraram um mercado do tamanho do PIB de alguns países, ávido por profissionalização e lançando mão de ferramentas de gestão típicas do 2º setor. Alda apresentou os resultados das fundações internacionais e seu foco em resultados sustentáveis, as ações da empresas no Brasil, além de aspectos jurídicos relativos ao Terceiro Setor.
Após a palestra várias pessoas permaneceram no local, fazendo perguntas e tirando dúvidas sobre Responsabilidade Socioambiental. Certamente uma grande noite. Veja as fotos abaixo
Brasil é o 5º no mundo em selo verde para construção sustentável
08/02/11
O Estado de S. Paulo
Comentários da Profa. Alda Marina*
O Brasil ficou com o 5.º lugar no ranking de maior número de certificações Leed (Liderança em Energia e Design Ambiental, na sigla em inglês) para construções sustentáveis em 2010. Com 23 selos verdes emitidos no ano passado pelo Green Building Council Brasil, o País ficou atrás dos Estados Unidos, dos Emirados Árabes Unidos, do Canadá e da China.
Além dos empreendimentos que já ganharam o selo verde, outros 211 terminaram 2010 em processo de certificação, entre eles estádios de futebol, shopping centers, bairros e escolas. Para 2011, a expectativa é de que 35 empreendimentos sejam certificados e outros 300 estejam em processo de certificação no Brasil.
Tem ocorrido um aumento da construção sustentável, em que empreendimentos reutilizam a água, usam novas tecnologias de aquecimento e geração de energia, reduzem a quantidade de lixo gerado e usam materiais ecologicamente corretos nas obras.
De 1986 a 2006, apenas 500 empreendimentos eram considerados ecologicamente corretos em todo o mundo. Em 2010, eram mais de 100 mil edifícios comerciais e quase 1 milhão de residências. Numa construção certificada, o consumo de energia é 30% menor, em média, e o de água cai entre 30% e 50%.
Fonte: www.estadao.com.br
Comentário: Os dados apresentados nessa matéria são expressivos e apontam um movimento que o Brasil deve ter cada vez mais acelerado nesse ranking, dado o crescimento da construção civil no Brasil bem como o do tema sustentabilidade.
Se de 1986 a 2006, apenas 500 empreendimentos eram considerados ecologicamente corretos e, em 2010, esse número alcançou mais de 100 mil edifícios comerciais e quase 1 milhão de residências, as perspectivas são em progressão geométrica com as tendências de crescimento do Brasil.
Mas, para que essa tendência se concretize, além da conscientização do consumidor, que é quem adquire o imóvel comercial ou residencial, é fundamental a conscientização e treinamento dos profissionais da área. No Brasil, o Green Building Council Brasil tem papel importante na disseminação no mercado do sistema de certificação LEED® (Leadership in Energy and Environmental Design), adaptado a realidade brasileira.
Por ser uma certificação muito abrangente, a diversidade de profissionais, e a representatividade das diversas regiões do país nesse trabalho de adaptação para o Brasil é importante, segundo o GBC Brasil (www.gbcbrasil.org.br).
É relevante também que exista essa preocupação com soluções sustentáveis em projetos de infraestrutura que estão previstos no PAC, nos programas sociais de moradia do Governo Federal e nas construções e reformas previstas para Copa do Mundo e Olimpíada. A utilização dos recursos naturais deve ser considerada tanto no processo de construção quanto na utilização desses empreendimentos em longo prazo.
*Alda Marina é professora de Comunicação, Terceiro Setor e Responsabilidade Social na pós-graduação em Gestão Estratégica da Comunicação
|
Os dados apresentados nessa matéria são expressivos e apontam um movimento que o Brasil deve ter cada vez mais acelerado nesse ranking, dado o crescimento da construção civil no Brasil bem como o do tema sustentabilidade. Se de 1986 a 2006, apenas 500 empreendimentos eram considerados ecologicamente corretos e, em 2010, esse número alcançou mais de 100 mil edifícios comerciais e quase 1 milhão de residências, as perspectivas são em progressão geométrica com as tendências de crescimento do Brasil. Mas, para que essa tendência se concretize, além da conscientização do consumidor, que é quem adquire o imóvel comercial ou residencial, é fundamental a conscientização e treinamento dos profissionais da área. No Brasil, o Green Building Council Brasil tem papel importante na disseminação no mercado do sistema de certificação LEED® (Leadership in Energy and Environmental Design), adaptado a realidade brasileira. |
|
Por ser uma certificação muito abrangente, a diversidade de profissionais, e a representatividade das diversas regiões do país nesse trabalho de adaptação para o Brasil é importante, segundo o GBC Brasil (www.gbcbrasil.org.br). É relevante também que exista essa preocupação com soluções sustentáveis em projetos de infraestrutura que estão previstos no PAC, nos programas sociais de moradia do Governo Federal e nas construções e reformas previstas para Copa do Mundo e Olimpíada. A utilização dos recursos naturais deve ser considerada tanto no processo de construção quanto na utilização desses empreendimentos em longo prazo.
|
Conferência das Cidades discutirá sustentabilidade urbana
30/11/10
Comentários da Profa. Alda Marina*
A sustentabilidade das cidades será o eixo das discussões da 11ª Conferência das Cidades, que será realizada pela Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara, nos dias 7 e 8 de dezembro. O tema escolhido para 2010 foi “O futuro das cidades no novo contexto socioambiental” e tem o objetivo de apontar os problemas e propor soluções para que cidade e ambiente coexistam de forma harmônica.
Serão discutidas as conquistas e os novos desafios do Estatuto da Cidade; o planejamento e a execução da política urbana para as próximas décadas; e o aproveitamento adequado dos recursos naturais nas cidades brasileiras.
Nos dois dias de seminário serão realizados três painéis com dez palestras ministradas por pesquisadores e prefeitos. O primeiro painel apresentará um diagnóstico das cidades no mundo. Já o segundo tratará dos condicionantes para o desenvolvimento urbano e o enfrentamento das desigualdades no País. No terceiro painel, serão apresentadas as novas tendências para o planejamento urbano.
O deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA), autor do requerimento para a realização da conferência juntamente com os deputados Cássio Taniguchi (DEM-PR) e Ângela Amin (PP-SC), lembra que o principal objetivo do evento, realizado todos os anos desde 1999, é discutir medidas para a consolidação de políticas públicas para os municípios. “Trata-se de um momento de amplo debate com a sociedade. A conferência consegue fazer com que projetos que dificilmente avançariam sejam aprovados”, afirma Zezéu Ribeiro.
Resultados práticos
O parlamentar destaca que as dez edições anteriores tiveram resultados práticos positivos. Ele lembra que a primeira Conferência das Cidades, por exemplo, teve o mérito de reafirmar a importância jurídica do Estatuto das Cidades, cuja tramitação se estendeu por mais de uma década. Zezéu Ribeiro ainda lembrou o Fundo da Habitação de Interesse Social foi outro tema discutido e amadurecido nas conferências antes de virar lei.
“A própria ideia do desenho do Ministério das Cidades como existe hoje também foi resultado de discussões que surgiram na 4ª Conferência”, afirma. Zezéu ainda cita, entre os grandes temas e propostas oriundos ou fortalecidos nas conferências, a gestão dos resíduos sólidos. A edição deste ano, segundo ele, se reveste de uma importância adicional que é refletir sobre temas que serão encaminhados aos novos governantes do País.
Selo Cidade Cidadã
Neste ano, a Comissão de Desenvolvimento Urbano vai premiar projetos que estimulem a recuperação de áreas degradadas e propostas para enfrentar situações de risco, como enchentes e deslizamentos de encostas. Serão premiadas quatro cidades: duas com menos de 100 mil habitantes e outras duas mais populosas. Além do troféu, os municípios receberão o selo Cidade Cidadã, que vale por um ano e pode, por exemplo, facilitar financiamentos públicos.
No ano passado, foram premiados com o selo quatro municípios que adotaram projetos bem-sucedidos na área de mobilidade urbana. Na categoria dos municípios com até 100 mil habitantes foram premiadas as cidades Forquilhinha (SC) e Leme (SP). Na categoria dos municípios com mais de 100 mil habitantes foram premiadas Natal (RN) e Contagem (MG).
Comentário: Iniciativas como essa, tanto de premiação por boas práticas, quanto de integração entre setores (governo, sociedade civil, iniciativa privada), entre estados da federação, são muito ricas para gerar inovação, e gradativamente práticas mais sustentáveis.
Outras iniciativas vêm sendo conduzidas para discutir práticas e engajar os diferentes atores da sociedade para uma atuação em rede.
Um exemplo ocorreu nos dias 07 e 08 de outubro, quando a capital carioca sediou um evento entre personalidades e representantes de empresas e da sociedade civil no intuito traçar diretrizes para o Fórum Global pela Sustentabilidade, que acontecerá anualmente no Rio de Janeiro, iniciando em 2011. Em 2012, o evento será realizado um pouco antes da Conferência Internacional das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que lembrará os 20 anos da ECO-92.
Na coletiva de imprensa desse evento, o então Presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew, comentou que há várias empresas e instituições da sociedade civil que já adotam práticas sustentáveis capazes de fazer uma grande diferença, e que o momento é de juntar forças para acelerar este processo. “A escolha do Rio de Janeiro para sediar o fórum não foi por acaso. É aqui, com esta paisagem natural maravilhosa, que você morre de amores pelo planeta. E estamos aqui justamente para mostrar o que temos a perder se não tomarmos uma atitude”, ressaltou.
O propósito dos eventos será reunir anualmente líderes empresariais, sociais, ambientais, culturais, acadêmicos e governamentais de diversos países para dialogar, assumir compromissos, articular acordos, divulgar práticas e soluções voltadas para o desenvolvimento sustentável.
Cabe a cada um de nós estar conectado sobre eventos que são abertos à participação da sociedade e buscar conhecimento sobre como participar na sua própria função social.
*Alda Marina é professora da Pós-Graduação em Gestão Estratégica da Comunicação e do curso de Sustentabilidade, responsabilidade social empresarial e terceiro setor
Essa tal Sustentabilidade – Participação da Profa. Alda Marina
10/11/10

por Erica Cristina da Silva Gomes
Um planeta que contabiliza mais de 1 bilhão de famintos. Uma população que percebe progressivamente o risco de escassez da água doce. Países que necessitam encontrar soluções urgentes para o excesso de lixo produzido. É neste contexto que se populariza o uso do termo Sustentabilidade. Muitos acreditam ainda tratar-se de um vocábulo constituinte apenas do dicionário de ecologistas. No entanto, a cada dia a expressão está mais presente no cotidiano de qualquer cidadão e do ambiente empresarial. Mas, afinal, de onde surgiu essa tal Sustentabilidade?
Engana-se quem pensa que a discussão sobre o assunto tem origem recente. Foi ainda na década de 50, nas universidades americanas, que surgiram as primeiras reflexões sobre os conceitos de responsabilidade social, que evoluíram para Sustentabilidade. Em 1987 a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento lançou o Relatório Brundtland que trouxe uma ideia de desenvolvimento econômico que atendesse às necessidades do presente sem comprometer a satisfação das necessidades e a sobrevivência das gerações futuras. Em 1994, o inglês John lkington agregou ao termo o conceito Triple Bottom Line, ou seja, as empresas deveriam olhar seus negócios levando em conta três dimensões: econômica, humana (social) e ambiental.
Desde então, proliferaram-se as definições de Sustentabilidade. Mas, ainda assim, há um consenso: trata-se de uma questão capaz de repercutir em aspectos essenciais para a manutenção, continuidade e sobrevivência das empresas. Consequentemente, o assunto para o desempenho dos negócios nos modelos contemporâneos e de seu respectivo nível de aceitação junto aos públicos de relacionamento, os chamados targets das marcas de consumo. Os impactos ainda vão mais longe. Sustentabilidade pode ser considerada, hoje, sinônimo de conservação da espécie humana.
Pela relevância contemporânea do tema, a REP conversou sobre o assunto com especialistas, representantes de empresas e integrantes do Terceiro Setor: João Gilberto Azevedo é gerente de comunicação do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social; Raimundo Augusto de Oliveira é membro da Direção Executiva Colegiada da Associação Brasileira de Organizações não Governamentais (ABONG); Vania Somavilla é diretora de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Vale; Sérgio Leão é diretor de Meio Ambiente da Odebrecht; Alda Marina Campos é Mestre em Administração de Empresas, professora do IGEC/FACHA, Fundadora e Diretora da PARES Resultados Sustentáveis; Juliana Amaral Toledo é advogada especializada em Administração de ONGs, Cooperativas e Empresas Sociais pela SDA Bocconi, Milão. Todos eles têm em comum o fato de uma boa parte de suas agendas diárias ser direcionada a processos e, principalmente, resultados sustentáteis.
Qual é o conceito de Sustentabilidade adotado pela instituição que representa?
João Gilberto Azevedo | Instituto Ethos- Utilizamos o conceito mais aceito de Sustentabilidade, baseado nos pilares econômico, social e ambiental. Por várias razões, a Sustentabilidade é veiculada nos meios de comunicação de forma mais fragmentada. Muitas vezes associa-se apenas à esfera ecológica, mas é preciso desmistificar as questões sociais que estão no centro da discussão de Sustentabilidade. A pobreza é o principal ponto. É impossível pensar em Sustentabilidade quando o acesso aos direitos está sendo violado. Assim, não dá para uma empresa dizer que é sustentável se está situada em um ambiente de miséria. Outra questão que precisa ser levada em consideração, por exemplo, é qual a responsabilidade que uma empresa tem em relação aos filhos dos funcionários? As crianças estão vacinadas? Como a comunidade pode participar da cadeia da empresa? Esses são apenas alguns dos pontos que precisam ser avaliados quando nos referimos à Sustentabilidade.
Raimundo Augusto de Oliveira | ABONG -A ABONG compreende sustentabilidade – no que se refere às organizações sem fins lucrativos, em especial às organizações de defesa de direitos humanos e da democracia – como a conjunção de elementos dinâmicos, processuais e históricos, relacionados ao fortalecimento da identidade de uma organização, capazes de assegurar tanto a existência física, sem precarizações nas relações profissionais internas, quanto à visibilidade política das organizações a curto e médio prazos.
Sérgio Leão | Odebrecht -O conceito básico é que todo empreendimento deve ser indutor do desenvolvimento em bases sustentáveis. Desde sua concepção, com a escolha correta de modelos. Durante a sua construção, com a opção de métodos executivos que minimizem a utilização de recursos naturais e emissão de gases geradores de efeito estufa. Em tudo, potencializando a eficiência operacional ao longo de sua vida útil. Como pano de fundo, a geração de benefícios para os clientes, os acionistas e as comunidades, contribuindo para a conservação do meio ambiente.
Vania Somavilla | Vale - A estratégia de Sustentabilidade da Vale preconiza a gestão responsável das questões econômicas, ambientais e sociais, de forma integrada. O objetivo é propiciar que nossos negócios, em particular as operações de mineração, produzam riquezas locais, regionais e globais, mas também suportem a construção de um legado positivo ao longo do ciclo de vida dos nossos empreendimentos. Para isso, realizamos ações empresariais voluntárias e em parceria com os diversos níveis de governo, instituições públicas, outras empresas e a sociedade civil.
De que forma a questão da Sustentabilidade entrou para a agenda de preocupação das empresas e instituições brasileiras?
Alda Marina Campos - O movimento de mobilização para a conscientização e atuação por parte das empresas partiu do Terceiro Setor e teve o Instituto Ethos como principal agente desde sua fundação, em 1998. Sobretudo a partir 2007, com os relatórios do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), a Sustentabilidade conquistou destaque na pauta empresarial. A gestão dos impactos sociais e ambientais ganharam progressiva relevância no julgamento da opinião pública sobre a reputação e a imagem de uma empresa. Em busca de diferenciação, as empresas foram gradativamente fazendo a transição de um posicionamento defensivo para um proativo, protagonista em movimentos e programas socioambientais. Interessante notar que o termo Sustentabilidade foi inicialmente mais utilizado pelas empresas associado aos impactos ambientais e RSE (Responsabilidade Social Empresarial) aos sociais.
Existe no Brasil alguma lei que se refira à questão da Sustentabilidade?
Juliana Amaral Toledo - Nossa Constituição também contém artigos que estão diretamente ligados ao tema do desenvolvimento sustentável, que foi inserido como princípio tanto nas questões ambientais, como nas questões de ordem econômica. O artigo 225 da Constituição Federal, por exemplo, estabelece o direito de “todos” ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, essencial à sadia qualidade de vida. A tutela do meio ambiente ganhou um capítulo específico na nossa Constituição. No artigo 170, o tema da Sustentabilidade está presente na descrição dos princípios que devem nortear a ordem econômica, tais como a função social da propriedade, a defesa do meio ambiente e o combate às desigualdades regionais.
Em sua opinião, o que caracteriza uma empresa sustentável?
João Gilberto Azevedo | Instituto Ethos - Não existe empresa sustentável, mas sim um caminhar. Não há atividade humana sem impactos, apenas podemos minimizá-los ou torná-los positivos. Para exemplificar, temos práticas de pequenas e médias empresas que estão fazendo um trabalho extraordinário na sua cadeia de valor. Elas começaram com processos de reciclagem e hoje já estão trabalhando com produtos que a princípio iriam para o lixo, mas que hoje são direcionados para outras empresas. O equívoco mais comum é achar que uma ação específica torna uma empresa sustentável. Não basta apenas fazer uma campanha. É preciso entender sistematicamente seus impactos para atuar sobre eles de forma vantajosa. É coerente e necessário entender de forma sistêmica a questão da Sustentabilidade e levá-la para o seu planejamento estratégico.
O que significa Sustentabilidade dentro de uma ONG?
Raimundo Augusto de Oliveira | ABONG - O conceito de Sustentabilidade, na perspectiva que defendemos, deve ter como alguns de seus pilares a integração dos seguintes aspectos: a permanente capacidade, por parte das organizações de defesa de direitos humanos, de constituição de fontes diferenciadas de financiamento, em especial com apoios institucionais; o fortalecimento da visibilidade e da legitimidade institucional junto aos diferentes segmentos da sociedade e do Estado; a consolidação de alianças estratégicas com movimentos sociais, através de redes e fóruns capazes de contribuir para a visibilidade de agendas políticas que incidam em transformação social; e capacidade interna de gestão e de transformação da cultura institucional, com vistas a repensar relações de poder, de otimizar e de potencializar recursos institucionais. Sustentabilidade, portanto, mais do que um conceito no campo da gestão administrativa, deve se constituir em instrumento propulsor de reflexões sobre o sentido político da existência das organizações.
De que maneira o conceito Sustentabilidade é incorporado nas práticas cotidianas da sua empresa?
Sérgio Leão | Odebrecht - O tema Sustentabilidade é de responsabilidade de executivos e suas equipes e deve estar inserido naturalmente nos nossos negócios e não como um complemento ocasional, oportunista ou optativo. A adoção de práticas empresariais sustentáveis melhora as condições de vida das pessoas, reduz os impactos ambientais e promove a adequação dos projetos às regiões, ampliando seus benefícios, favorecendo a produção regional e reduzindo o consumo de recursos naturais, especialmente os não renováveis.
Vania Somavilla | Vale - A Sustentabilidade é um conceito importante para qualquer empresa hoje. Na área de mineração também é fundamental. As empresas desse setor, como a Vale, chegam a muitos municípios pobres, com pouca infraestrutura, precisam colaborar para que essas cidades tenham melhores condições de receber seus empregados, para que seus moradores também possam trabalhar nela ou sejam fornecedores e devem contribuir para que esses locais continuem se desenvolvendo mesmo depois do fim de sua operação.
Vocês elaboram relatórios de Sustentabilidade?
Sérgio Leão | Odebrecht -Os controles ambientais são feitos através dos Indicadores de Saúde e Segurançano Trabalho e Indicadores Socioambientais (Isam). Este último por exemplo, inclui a identificação e o controle dos impactos, o monitoramento ambiental, a preparação para situações de emergência, o tratamento de efluentes sanitários e industriais, o controle das emissões atmosféricas, a contenção de processos de erosão e a separação e contenção de resíduos sólidos perigosos. Estas informações também estão integradas ao Relatório Anual da Organização e existe um documento específico das ações no entorno de nossas operações.
Vania Somavilla | Vale - Elaboramos relatórios de Sustentabilidade anualmente. A cada ano buscamos ser mais transparentes, apresentar mais informações para nossos públicos de interesse. O último relatório, referente a 2009, foi classificado no nível A+ pelo GRI. O documento referente ao ano de 2008 ganhou o Prêmio GRI Readers Choice Award na categoria Sociedade Civil, concedido à organização cujo relatório recebe mais votos de acadêmicos, especialistas, sindicatos de trabalhadores, instituições públicas, cidadãos e mídia.
Conhece iniciativas de Sustentabilidade no mundo corporativo e/ou organizacional que gostaria de destacar por sua relevância?
Alda Marina Campos - Vou citar dois exemplos que gosto muito. O primeiro foi o caminho da Sustentabilidade percorrido pelo Banco Real, hoje integrante do Grupo Santander. É um caso muito interessante de se estudar, sobretudo agora, após a compra pelo Santander, que nitidamente absorveu, entre outros atributos da marca do Banco Real, o de empresa sustentável. O segundo caso que vale menção é o do Walmart no Brasil. A empresa adotou práticas diversas, norteadas pelo objetivo do resultado triplo, conseguindo o reconhecimento como a empresa sustentável do ano, segundo o Guia Exame da Sustentabilidade 2009. Um episódio destacado pela publicação foi o movimento feito pela empresa diante do relatório do Greenpeace intitulado “A Farra do Boi”, denunciando práticas de devastação de reservas florestais para a exploração da pecuária de corte. Em suma, vendo seu nome na lista de empresas compradoras da carne desses produtores, o Walmart se colocou à disposição do Greenpeace para integrar e liderar o time de empresas que poderiam embargar a carne proveniente daquela região e ser parte da solução.
Do ponto de vista legal, quais são os benefícios de uma empresa investir em Sustentabilidade?
Juliana Amaral Toledo - A questão da prevenção do risco é muito relevante, especialmente nas empresas cujas atividades geram forte impacto sobre o meio ambiente e a comunidade do entorno. Quem já inclui na rotina dos negócios e na estratégia de gestão o respeito ao meio ambiente e aos interesses dos diversos portadores de interesses na atividade empresarial não tem os dissabores da remediação, ou mesmo prejuízos com multas, greves e outras consequências que causam prejuízo direto às empresas. Nos processos de fusões e aquisições de empresas e na avaliação dos investimentos, são muitas vezes realizadas auditorias sobre os intangíveis. Nesse sentido, o bom relacionamento com os stakeholders (pessoa ou entidade que afeta ou é afetada pelas atividades de uma empresa) e a boa conduta empresarial voltada para a Sustentabilidade tem direta relação com o valor da marca. Para determinados investimentos, como nas áreas da cultura, esporte e criança e adolescente, as empresas contam com benefícios fiscais decorrentes das leis de incentivo. Também já existem linhas de financiamento com taxas de juros mais favoráveis para o desenvolvimento de negócios e iniciativas relacionadas com a Sustentabilidade, como no caso das tecnologias de uso de energia renovável.
Fonte: www.repweb.com.br
Cidade Maravilhosa será a capital Mundial da Sustentabilidade
11/10/10
Aconteceu na última sexta-feira no Palácio da Cidade, em Botafogo, a coletiva de imprensa para anunciar que o Rio vai se transformar na capital mundial da Sustentabilidade. Será em 2011, durante o Fórum Global pela Sustentabilidade. O evento visa criar referências e propor acordos internacionais.
Estarão envolvidos no encontro líderes mundiais especialistas, autoridades e a sociedade civil. O encontro será anual e a tarefa principal é fortalecer a Rio+20, que vai comemorar os 20 anos da Rio-92, a Conferência Internacional das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.
O Instituto de Gestão e Comunicação – IGEC estará atento ao evento.
Participaram da coletiva o presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Oded Grajew; Rosiska Darci, do Rio Como Vamos; Beatriz Carneiro, do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBOS) e Sérgio Bessermam, representando a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro.
O Fórum Global pela Sustentabilidade tem como objetivo reunir anualmente líderes empresariais, sociais, ambientais, culturais, acadêmicos e governamentais de todo o mundo para dialogar e principalmente assumir compromissos, que venham a resultar na possibilidade real de sustentabilidade para o mundo.
Para a especialista em sustentabilidade Alda Marina Campos, diretora do Instituto Pares e professora do Instituto de Gestão e Comunicação – IGEC, é fundamental que se tenha visão da importância da discussão em torno da sustentabilidade para os próximos anos.
“Muitas empresas pintam a porta de verde, mas não cuidam de seus impactos ambientais. Isso é imprescindível quando se quer colocar em prática a questão da sustentabilidade no Brasil”, comentou ao final da coletiva.
Durante a entrevista os especialistas foram taxativos em relação a importância de criar redes com vistas a formação da sustentabilidade.
- A sociedade precisar tomar em suas mãos alguma responsabilidade e não esperar pelos governos, disse Rosiska Darci.
- É fundamental que se tenha compromisso, salientou Sérgio Bessermam, representante da Prefeitura do Rio de
Janeiro.
A importância da mídia em todo esse processo de conscientização em relação a questão da sustentabilidade também foi colocada durante a entrevista.
- A mídia vem como parceira, lembrou o presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew.
Abaixo fotos do evento
Professoras Alda Marina e Marina Fernandes em Seminário sobre Sustentabilidade
08/10/10
Positiva e empolgante a participação das professoras Alda Marina e Marina Fernandes no seminário “O Cuidado, a Responsabilidade Corporativa e a Sustentabilidade”, na sede da AASP – 1º de outubro de 2010
O seminário abordou o cuidado, a responsabilidade corporativa e a sustentabilidade como facetas de um mesmo evento, o cuidado interferindo em nossa vida, tendo fundamental importância em tudo o que fazemos, seja na vida pessoal ou profissional.
Responsabilidade Social Empresarial foi apresentada como a “relação ética e transparente que a empresa utiliza na sua relação com seus stakeholders”. Pode-se entender RSE então como o caminho para sustentabilidade. Sustentabilidade, de acordo com John Elkington em seu livro Canibais de Garfo e Faca, pressupõe que a empresa busca a otimização dos resultados financeiros e agrega resultados sociais e ambientais, formando assim um triple bottom-line.
O tema sociedade sustentável foi citado na defesa de ações intersetoriais, pois, como foi levantado, o Terceiro Setor realiza mais com menos, muitas vezes onde o governo não consegue agir, ainda que com muito recurso. Há que se buscar a iniciativa privada com os recursos, o alcance do poder público e o 3o setor que chega a lugares onde o Estado não chega.
Para conhecer melhor o trabalho das professoras acesse: http://igec.com.br/pos-graduacao-detalhe.php?curso=15&turma=13
Abaixo as fotos do evento
Professoras do IGEC dão palestra sobre Responsabilidade Social Corporativa
24/09/10
24/09/2010 – 11:09
Professoras do IGEC dão palestra sobre Responsabilidade Social Corporativa

Responsabilidade corporativa e sustentabilidade são alguns dos temas tratados pelas professoras Alda Marina e Marina Fernandes, docentes do Instituto de Gestão e Comunicação (IGEC). Durante o Seminário “O Cuidado, a Responsabilidade e a Sustentabilidade”, promovido pela Associação de Advogados de São Paulo (AASP); pelo Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) e Instituto Pares as professoras vão discutir com acadêmicos e profissionais dos três setores a sustentabilidade e a aprovação da minuta final da ISO 26.000, a nova norma de responsabilidade social. O seminário acontece no dia 1 de outubro, das 9h às 17h30, na Rua Álvaro Penteado, 151, em Santos – São Paulo.
Jornalismo esportivo – Teve início ontem a quinta turma do curso de Pós-graduação em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte do IGEC/Facha. Sob a coordenação do professor Ruy Fernando, no curso Jornalismo Esportivo e Negócios de Esporte, ao longo dos próximos 15 meses, estudantes graduados em todas as áreas irão aprender segredos e práticas do Jornalismo Esportivo com feras do mercado. Entre eles Victorino Chermont, do canal SporTV; Iuri Totti, do jornal “O Globo“; Fábio Tubino, da Rádio Tamoio e Odir de Souza, fisioterapeuta da CBF.
Fonte: www.monitormercantil.com.br
Profas. Alda Marina e Marina Fernandes em seminário na AASP – Associação de Advogados de SP
22/09/10
As professoras Alda Marina e Marina Fernandes do curso Sustentabilidade, Responsabilidade Social Empresarial e Terceiro Setor convidam para o seminário
“O Cuidado, a Responsabilidade Corporativa e a Sustentabilidade”
Neste momento, de discussão por todos os setores sobre Sustentabilidade, sobretudo às vésperas da aprovação da minuta final da ISO 26.000, a nova norma de responsabilidade social, a AASP, o Instituto PARES e o IBDFAM reunirão instituições dos três setores para um conjunto de palestras visando à construção e disseminação de conhecimento junto profissionais de empresas, governo e terceiro setor, além de estudantes e acadêmicos.
O seminário reunirá profissionais que estão participando ativamente de um novo cenário de alianças intersetoriais no Brasil, e ocorrerá na AASP, localizada à Rua Álvares Penteado, 151, Centro, em São Paulo, em 1o de outubro de 2010, das 9h às 17h30, com acompanhamento também via internet, permitindo a interação em tempo real por participantes de todas as localidades.
As inscrições para participação presencial e a distância podem ser realizadas junto à AASP: http://www.aasp.org.br/aasp/cursos/crs_visualizar.asp?ID=7775
O evento não terá fins lucrativos, sendo cobrada a inscrição exclusivamente para a realização do evento.
PROGRAMA
ABERTURA – 9h
PALESTRA 1 – 9h30
“Evolução da Responsabilidade Socioambiental Corporativa no Brasil e no mundo e cenário futuro.” João Gilberto Azevedo dos Santos – Gerente de Comunicações e Mobilização – Instituto Ethos
PALESTRA 2 – 10h20
“A empresa como protagonista do desenvolvimento sustentável – casos práticos sobre a sustentabilidade como valor econômico.” Carlos Tilkian – Presidente da Brinquedos Estrela e Vice-Presidente do Conselho de Administração da Fundação Abrinq
PALESTRA 3 – 11h20
“Impactos e desafios com a implementação da norma ISO 26.000 a partir de 2011.” Andrea Santini – Inmetro / Especialista do Governo na Delegação Brasileira para a Elaboração da ISO 26.000
PALESTRA 4 – 14h
“Interação entre os setores para a construção de uma sociedade sustentável: caso Gerdau.”
Clódis Xavier – Gerente Instituto Gerdau
PALESTRA 5 – 15h00
“A árvore normativa da sustentabilidade: raízes e evolução das leis em torno da responsabilidade social – o Judiciário e a Sustentabilidade.” Dra. Fabiane Lopes Bessa – Procuradora no Paraná
MESA REDONDA 1 – 15h50
Perguntas centrais: Como os profissinais das diferentes áreas do Direito serão impactados pelas tendências apresentadas e como podem colaborar para a cultura do desenvolvimento sustentável? Qual o papel do advogado como stakeholder de organizações que têm grande impacto na sociedade – empresas, governo, ONGs?
Dr. Antonio Mathias Coltro – Desembargador do Estado de São Paulo
Cenise Monte Vicente – Oficina de Idéias
Dr. Oscar Vilhena – FGV SP e Connectas Direitos Humanos
Dr. Sávio Bittencourt – Membro do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro
Dra. Tânia da Silva Pereira – IBDFAM
PAINEL DE ENCERRAMENTO – 17h
AASP, IBDFAM e Instituto PARES
Realização:
AASP (www.aasp.org.br), IBDFAM (www.ibdfam.org.br) e Instituto PARES (www.pares.org.br)
Supermercado 'verde' vira tendência em todo o País
23/07/10
Comentários da Profa. Alda Marina*
Unidades são construídas com sistemas de economia de energia, captação de água da chuva, telhados que aproveitam luz natural e oferecem mais produtos orgânicos
De olho no consumidor atento à sustentabilidade, as grandes redes de supermercados apostam cada vez mais nas lojas “verdes”. Nesses ambientes são utilizadas técnicas de construção ecológica – como sistemas de economia de energia, captação de água da chuva, telhados que aproveitam a luz natural – e, nas prateleiras, é maior a oferta de produtos orgânicos e com certificações socioambientais.
Os supermercados também se transformaram em centros de coleta seletiva, onde o consumidor pode descartar o lixo reciclável, pilhas e baterias, óleo de cozinha e até celulares antigos.
Em São Paulo, cinco lojas com o perfil de “supermercado verde” estão em operação: são três do Pão de Açúcar, nos bairros Vila Clementino, Vila Romana (na região da Lapa) e no Brooklin. A rede Walmart possui duas lojas verdes, uma no Morumbi e outra na Granja Viana, em Cotia.
O Pão de Açúcar também expandiu o conceito para o interior do Estado, com lojas em Indaiatuba e Ribeirão Preto, e a Walmart inaugurou as suas com o conceito em cidades como Mossoró (RN), Marília (SP), Rio – no bairro Campinho -, Macaé (RJ), Asa Norte (DF) e Betim (MG). Na rede Carrefour, as 20 lojas que foram abertas desde 2007 também incorporam tecnologias verdes.
Além das tecnologias que permitem um uso mais racional de água e energia elétrica, o que caracteriza um supermercado verde também é a maior oferta de produtos orgânicos e certificados nas prateleiras. Hoje, do total de alimentos orgânicos produzidos no País, 89% são vendidos nas grandes redes, que têm verificado crescimento de médio de 40% nas vendas de produtos cultivados sem agrotóxicos, a cada ano. Além de orgânicos, redes como Carrefour oferecem produtos que vêm de fazendas onde é possível rastrear a produção. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: jornal O Estado de S. Paulo.
Comentário: A sustentabilidade vem gradativamente deixando de ser considerada tendência, e reconhecida como valor econômico. O Walmart mundial, que era duramente criticado por más práticas junto a fornecedores, por sua falta de preocupação com o meio ambiente, acordou para essas questões em 2005 e tem a sustentabilidade como um diferencial. Só a subsidiária brasileira do Walmart, em 2008 investiu R$17 milhões na área de Sustentabilidade, e hoje adota práticas de gestão que a consagraram como exemplo para a matriz mundial, bem como trouxe o reconhecimento como a Empresa Sustentável do Ano pelo Guia Exame de Sustentabilidade.
Um dos aspectos destacados pela publicação da Exame de 2009 foi o protagonismo desempenhado pela empresa frente ao episódio da publicação do Greenpeace intitulada A Farra do Boi na Amazônia, sobre o papel da pecuária no desmatamento ilegal da região, mostrando em detalhes seu vínculo direto com os produtos finais de empresas globais como Nike, Adidas, Unilever, Carrefour e o Walmart. O Walmart procurou o Greenpeace para envolver todo o setor na causa de pressionar os frigoríficos, inclusive incentivando um embargo de 13 dias a qualquer carne proveniente do Pará.
A empresa tem essa preocupação clara em várias iniciativas, sobretudo nas lojas. Afinal, o que poderia traduzir de forma mais clara um posicionamento do que o seu ponto-de-venda? Por isso, a infraestrutura das lojas, o incentivo à redução de uso de sacolas plásticas, o incentivo à oferta de produtos orgânicos e reconhecidos como sustentáveis, e a inserção de pontos de coleta de material para reciclagem são linhas de atuação que estão hoje sendo praticadas por essas empresas. O Walmart também trabalha, além desses pontos, a conscientização de funcionários em parceria com o Instituto Akatu e também o desenvolvimento de pequenos produtores rurais.
Este ano estivemos em reunião na Brinquedos Estrela com o seu Presidente, Carlos Tilkian, que nos apresentou o Banco Imobiliário Sustentável, produto hoje exclusivamente comercializado no Walmart. O jogo conta com peças feitas de plástico desenvolvido a partir de cana-de-açúca pela Braskem, e a moeda de troca no jogo é o crédito de carbono. A idéia surgiu na Estrela diante da demanda do Walmart por produtos com características sustentáveis.
*Alda Marina é professora de Comunicação, Terceiro Setor e Responsabilidade Social na Pós-Graduação de Gestão Estratégica da Comunicação e professora do curso de Sustentabilidade, Responsabilidade Social Empresarial e Terceiro Setor.
Um idioma chamado tecnologia
31/05/10
Entrevista da Profa. Alda Marina para o site REP – Educação e Terceiro Setor
por Erica Cristina da Silva Gomes com colaboração de Gustavo da Silva Barbosa
Alunos que cada vez mais aprendem pela linguagem digital e visual. Professores que historicamente ensinam utilizando recursos verbais e da escrita. Como estreitar a relação entre docentes e estudantes em uma época de transição metodológica imposta pela massificação das tecnologias de comunicação? Conciliar o compromisso curricular-pedagógico e as expectativas desta geração da era digital é uma das metas que precisam estar presentes na agenda profissional dos educadores.
Há meios para que essa aproximação em sala de aula se faça em via dupla, através da mediação tecnológica. Popularização de câmeras digitais, uso de celulares que gravam sons e acesso à internet podem ser aliados para que os alunos tornem-se mais atuantes no processo de construção do conhecimento. Os professores, por sua vez, dispõem de ferramentas oferecidas pela informática que se apresentam como possibilidades de auxílio na dinâmica educacional. A adequação a essa nova lógica também apresenta resultados em modalidades de ensino, como a educação a distância. O investimento dos gestores nesses instrumentos e a capacitação técnica do corpo docente são tarefas que parecem inadiáveis.
Para saber como essas alterações no universo educacional têm afetado as práticas pedagógicas, a REP conversou com três professores e pesquisadores de diferentes instituições de ensino do País. A administradora Alda Marina Campos é professora do MBA de Gestão de RH do IAG da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), do MBA de Comunicação Estratégica do Instituto de Gestão e Comunicação (IGEC) das Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA) e integra o corpo docente do MBA a distância in company. O sociólogo e professor Alexandre Borges é pesquisador no Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano da Universidade de São Paulo (USP). Ele também é consultor da área de práticas pedagógicas para escolas e empresas. Rodrigo Farias de Sousa é jornalista, escritor, historiador e professor de História do Instituto de Humanidades da Universidade Candido Mendes (UCAM).
Como você analisa a apropriação e o uso dos avanços da tecnologia como ferramentas para o aprendizado?
Alexandre Borges: Com otimismo e cautela. A banda larga já é realidade em 66% das escolas públicas urbanas no Brasil. A lousa interativa digital vem se tornando uma ferramenta cada vez mais presente na rede privada de ensino. De 15 anos para cá, a sala de informática tornou-se espaço presente no processo de aprendizagem na quase totalidade dos colégios. É o lugar onde os alunos podem acessar conteúdos que enriquecem visualmente os temas propostos pelo professor. Por outro lado, a leitura e pesquisa nas bibliotecas das escolas têm ficado marginalizadas pela facilidade e rapidez com que os as ferramentas de busca trazem os conteúdos prontos para serem copiados e impressos sem passarem pela leitura atenta dos alunos. Isso é uma realidade que preocupa. Os recursos tecnológicos devem servir como estímulo e não como fim dos conteúdos.
Foi atribuída à tecnologia a “esperança” de que ela fosse resolver os problemas da qualidade da educação. O que você acha disso?
Alda Marina Campos: A tecnologia trouxe recursos adicionais à educação, bem como atalhos valiosíssimos. Há vantagens difíceis de questionar. Por exemplo: o acesso a fatos ocorridos em tempo real e a um volume muito superior de informação; a conectividade com os alunos para auxílio à construção do conhecimento; e a possibilidade da elaboração de saberes em rede. Mas a qualidade se avalia pelo resultado obtido através do processo educacional, que continua demandando de forma imprescindível do fator humano. É preciso ter profissionais bem preparados para auxiliar o aluno a trilhar o caminho. Sem um contínuo investimento na melhoria dos educadores, inclusive na sua qualidade de vida, não tem tecnologia que resolva os problemas.
Você classificaria a concepção clássica de uma aula como ultrapassada? Acredita que esse modelo não corresponde mais ao perfil dos atuais estudantes?
Rodrigo Farias de Sousa: Assumir que sim seria admitir uma hipótese estranha: que o aluno desprovido de uma tela colorida com sons engraçadinhos, e talvez um joystick, seja incapaz de se concentrar para aprender alguma coisa. É o fetiche da tecnologia que parece supor que as crianças de hoje são estruturalmente diferentes das demais épocas. Não são. Mas, para se aproximar e despertar o interesse delas é preciso conhecer seu universo e, assim, apresentar-lhes conteúdo diferente e estimulante. Claro que há lugar para a aula clássica. Ela somente não deveria ser a única opção.
O grupo de jovens classificado como Geração Y representa grande parte dos estudantes que estão, hoje, no ensino médio e nas universidades. De que forma você analisa a sintonia e a preparação dos educadores no sentido de lidar com esse público informado, ávido por inovações e que faz tarefas múltiplas?
Alexandre Borges: A expressão que mais se ouve nas empresas hoje em dia é: mantenha o foco! Um jovem que responde a vários estímulos pode muito bem realizar suas tarefas estando conectado ao MSN, ao MP3 e a uma TV ao mesmo tempo. Mas qual a profundidade de realização desse trabalho? Por quanto tempo um aluno da chamada Geração Y ou Z dá conta de sustentar um assunto, sem fugir da pergunta inicial, abrindo inúmeros leques de possibilidades? Por qual período um profissional como esse permanece numa relação amorosa, em um mesmo emprego? O professor deve estar atento nesse cuidar da liberdade do aluno de múltiplas tarefas para que ele não se perca na sua gestão de tempo. O educador também deve se atualizar com o mínimo de informações necessárias para dialogar sobre o mundo na linguagem digital e visual, sem perder de vista os princípios fundamentais e permanentes para a formação do estudante. Nesse sentido, é sempre bom lembrar dos quatro pilares propostos pela UNESCO: aprender a ser, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a aprender.
Como você avalia a mobilização e o nível de interesse da comunidade educacional em relação ao uso de recursos tecnológicos no processo de aprendizagem? Você acredita que é um tema que está latente nesse setor aqui no Brasil?
Alda Marina Campos: Percebo empresários e profissionais da área administrativa do setor com o olhar voltado para a educação a distância, seja essa parcial, para complementar a educação presencial, ou integral. Essa visão é direcionada pela dinâmica da vida moderna, com sua escassez de tempo e demanda por flexibilidade. Vejo instituições de ensino buscando entender as metodologias existentes em outras instituições e olhando para os seus públicos atuais para encontrar o melhor modelo, para entender que customização será viável. Os educadores experimentam essa demanda no dia-a-dia e as levam às áreas administrativas.
Como você descreveria a “educação do futuro”?
Rodrigo Farias de Sousa: Uma educação que não menospreze o lado afetivo da relação educador-educando e que se baseie na interação humana, não em máquinas (ainda que as use). Esses dois pontos são a alma da educação. Nada os substitui. O resto são recursos. Sem isso, o que se tem é mero treinamento, não muito diferente do que se administra aos animais.
Fonte:www.repweb.com.br










Comentários